Fernandes (SH:20-21) — filosofia analítica

Excerto de FERNANDES, Sérgio L. de C.. Ser Humano. Um ensaio em antropologia filosófica. Rio de Janeiro: Editora Mukharajj, 2005, p. 20-21

O “espírito do tempo” inclui ainda a empáfia, na maioria dos casos nonchalante, ou simplesmente condescendente (na língua do Império, patronising), de uma variedade muito influente de contra ou antifilosofia, conhecida como “filosofia analítica”. A Filosofia Analítica se caracteriza, por um lado, por pressupor, acima da autoridade da Filosofia, a autoridade da Ciência “dura” (seja a Lógica e a Matemática, seja a Física e a Biologia); e, por outro lado, por pressupor a autoridade do senso comum, que, longe de questionar, de fato procura, em “última análise”, “racionalizar”. A ideologia contra-filosófica da “filosofia analítica” tem-se expressado, historicamente, com a mesma arrogância do cientificismo, traindo com demasiada frequência seu desprezo pelos que não compartilham daquilo que não hesito em qualificar de sua cegueira para os verdadeiros problemas filosóficos. Os “analíticos” são tão “niilistas” quanto qualquer “pós-moderno” : sua atitude ontologicamente “deflacionária” se expressa emblematicamente pela frase: “As a matter of fact, for all practical purposes, there’s no fact of the matter”. (“De fato, para todos os propósitos práticos, não há nada que corresponda a esse assunto”.)