GEOPROCESSAMENTO E SIG

GEOPROCESSAMENTO E SIG mccastro ter, 08/04/2015 - 20:34

O SIG é uma grande aplicação da informática a uma ciência clássica, a Geografia. Por esta razão, enquadramos, justamente nesta seção sobre a Técnica, o SIG enquanto resultante da tecnicização da Geografia, e, por conseguinte, um excelente estudo de caso da técnica moderna moldando uma ciência clássica (veja também Morfogênese Técnica-Meio). O SIG é uma construção. O sig é a infra-estrutura desta construção. O sig é o software que rege a construção do SIG, enquanto sua infra-estrutura técnica. O sig traz latente em seu sistema de programação a construção futura de qualquer SIG, em termos de metodologia (do grego methodos, caminho) de constituição de um Sistema de Informação Geográfico. Nos algoritmos implementados na programação do sig, métodos e técnicas de constituição de um SIG estão prontos a serem aplicados. Do mesmo modo, a própria organização da base espacial sobre a qual o sig deve operar já está previamente definida por seu sistema de programação. No desenvolvimento do sistema de programação do sig, incluindo a definição da estrutura de sua base espacial, concorreram diferentes disciplinas, como a Cartografia, a Geografia, a Geodésia, e outras. Estas disciplinas foram originalmente "traduzidas" e apropriadas por tecnologias como a informática, o CAD, e outras. A coalescência destas iniciativas teve como resultado um engenho computacional capaz de representar o espaço geográfico, o sig. Na constituição do SIG a partir do sig convergem por sua vez uma série de atividades que, atuando em um meio técnico-científico-informacional e recorrendo aos recursos técnicos, científicos e informacionais que este meio oferece, identificam os problemas e reúnem os elementos (modelos, métodos, dados) necessários a esta constituição do SIG. A tecnologia do sig orienta a consecução das atividades, a resposta do meio, a formulação dos problemas e a reunião dos elementos para constituição de um SIG capaz de realizar a exploração da representação geográfica sob a forma de cartografia automatizada, análises espacias e simulações.

O sig é um engenho de representação do espaço geográfico e o SIG constituído a partir do sig, a elevação desta representação à condição de modelo geográfico por excelência.

Partindo destas reflexões montamos esta seção com os seguintes objetivos:

  • apresentar o SIG enquanto se promove atualmente como uma "ciência da informação geográfica" (Geographic Information Science - GIS), ou seja, examinar os elementos de uma Teoria do SIG;
  • compartilhar aspectos práticos na constituição e instituição de um SIG; veja a página Práxis;
  • debate sobre o sistema de informação geográfico (sig) enquanto engenho de representação e análise do espaço geográfico; veja a página Desconstrução;
  • disseminar o que se encontra na Internet sobre esta temática, em particular artigos técnicos, software gratuito, bases digitais.
  • construir um esquema-resumo do que se tem discursado sobre o SIG na literatura técnica (em construção).

É preciso refletir seriamente sobre o sig, seu potencial e seus limites. Trata-se de uma das mais avançadas tecnologias de nosso tempo, com atuação crescente na visão de mundo e nas políticas de desenvolvimento.

Desconstrução do SIG

Desconstrução do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 19:41

O discurso do SIG é o discurso da representação do mundo. Neste sentido, faz eco à concepção de mundo contemporânea, ou, como diria Martin Heidegger (Caminhos de Floresta, p. 97), se orienta pela metafísica da Modernidade . Metafísica esta que deve ser entendida como a empreitada histórica ocidental que busca a determinação do ser do ente e a da concepção da verdade. Para Heidegger, esta metafísica da subjetividade, se voltando para a questão da natureza ontológica do ente, foi levada a interpretar ser a partir de ente, deste modo, a esquecer a diferença ontológica e abandonar a questão do ser.

Esta reflexão orienta-se por essa linha crítica de abordagem fenomenológica e hermenêutica da Modernidade, da Razão Moderna e do meio humano que esta mobiliza. Dentro deste domínio amplo, a reflexão tem a pretensão de desvendar um paradoxo muito específico, mas ao mesmo tempo muito geral. Em outras palavras, um paradoxo que em sua especificidade, ou em sua faceta regional, no âmbito da Geografia Humana, se manifesta na diferença ontológica entre SIG e sig, e que, na plenitude de sua generalidade, poderia se classificar como paradoxo da essência e da aparência.

Essa diferença ontológica entre SIG e sig se anunciou pela primeira vez quando investiguei a "natureza" do SIG. Àquela ocasião pressenti que o SIG, enquanto Sistema de Informação, não é o sig, enquanto uma tecnologia da informação (TI). Embora o sig detenha a aparência de um SIG (Sistema de Informação Geográfico), e guarde, de fato, em grande parte, seu vir-a-ser, reunindo em si os princípios de sua futura constituição e instituição em uma dada pesquisa ou organização.

Ao longo de minha experiência, no desenvolvimento de SIGs para pesquisas diversas, o que era um pressentimento inicial tornou-se uma evidência: existe de fato uma significativa diferença entre o SIG e o sig. Não se pretende apenas demonstrar esta evidência, mais ou menos óbvia, mas assegurar que o SIG não é e não está determinado de modo absoluto pelo sig, e nem deve ser ou estar assim determinado.

Em termos filosóficos, o "ente" sig guarda em si algumas possibilidades de "ser" SIG, ou seja, o sig é um SIG em potência, mas sua manifestação de fato, na constituição e instituição de um SIG concreto, pode se dar segundo a condução tecnológica do sig ou segundo a orientação do "ser" humano que se estabelece como aquele que de fato constitui e institui o SIG a partir do sig. Dito de outro modo, o SIG se constitui e se institui de qualquer modo na interação entre pessoa e ente sig, porém a natureza tecnicista ou humanista do SIG se dá em função da presença ou ausência de certa atitude de "ser" humano nesta interação.

Resumindo, focalizando o SIG, no âmbito da Geografia Humana, defino um domínio para essa investigação. Um domínio onde o referido paradoxo ontológico SIG-sig adota a seguinte formulação: o Sistema de Informação Geográfico, o SIG, é e não é o sistema de informação geográfico, o sig. Em termos menos enigmáticos: o Sistema de Informação Geográfico, o SIG, é e não é o sistema tecnológico sobre o qual ele se constitui, ou, como vai se explicar nesta seção, o sintetizador de ilusões geográficas, cuja sigla também é sig. No reconhecimento do sig, como um engenho de representação do mundo, contendo em germe a disposição de quase todos os elementos ingredientes do SIG, ao longo de sua constituição e de sua instituição, reafirma-se: o SIG é e não é a tecnologia sobre a qual se constitui. O SIG não é o sig, pois pode e deve ser muito mais que ele; ao mesmo tempo, o SIG é o sig pois realiza o que este traz em princípio, embora possa não se reduzir apenas a isto.

SIG e Informatização

SIG e Informatização mccastro qui, 09/20/2018 - 15:06
  1. informatização tanto da Sociedade quanto da Natureza. Ou mais corretamente, a informatização de todas as atividades humanas na Sociedade e dos meios de conhecimento da Natureza.
  2. novo Meio, onde reinarão de forma absoluta objetos sócio-técnicos e fantasmas informacionais, de todos os gêneros e de todas as espécies. Na feliz expressão de Milton Santos (1995), por sua natureza, este novo Meio deveria ser denominado meio técnico-científico-informacional.
  3. objetos sócio-técnicos, que talvez pudéssemos até qualificar de “híbridos”, na acepção de Bruno Latour (1994), ou seja, artefatos constituídos pela íntima relação entre os dois eixos epistemológicos que orientaram a Razão na Modernidade, Sociedade e Natureza.
  4. em meio e no meio desses objetos híbridos, uma multidão crescente de fantasmas informacionais, em fluxo contínuo, reproduzidos a partir de suas formas originalmente sociais ou naturais, segundo os padrões ditados pelos sistemas informáticos que aos poucos foram sendo formalizados segundo sistemas classificatórios distintos, e ora se materializam sobre uma diversidade de tecnologias da informação. Fantasmas informacionais que se comportam como as sombras digitais das entidades que ocupam o plano formado pelos referidos eixos.
  5. sob essas manifestações mais visíveis da informática, e sob suas atualizações múltiplas que vão desde os jogos aos chamados “sistemas especialistas”, se ocultam algumas das principais ideias-forças da Razão Moderna[1], em contínuo movimento de associação e de desdobramento, tendo como resultado imediato, a composição de sucessivos híbridos digitais e de seu meio artificial.
  6. a informatização se configura assim como um dos principais processos que são sustentados e que, ao mesmo tempo, sustentam o que Milton Santos (1995) denomina muito bem meio técnico-científico-informacional. A dialética homem-meio encontra-se assim condicionada e mediada pela tecnologia da informação, informando, constituindo, e sendo informada e constituída por, um meio técnico-científico-informacional.
  7. a dialética homem-meio, tendo como “traço de união” a tecnologia da informação, determina um processo muito peculiar de auto-organização, que se singulariza na chamada Era da Informação, por sua capacidade de reconfigurar em híbridos digitais, qualquer objeto social ou natural, para o qual dirija sua atenção.
  8. pela ação do processo de informatização, qualquer objeto é, de forma sistemática, pulverizado em uma base de “dados simbólicos”, doravante reconhecida como seu “ente informacional”, ao mesmo tempo em que sua “existência” é dissecada, em diferentes sequências de operações sobre seu ser informacional. Operações estas também passíveis de codificação, segundo uma forma lógico-matemática.
  9. a informática permite re-potencializar a realidade, elevando-a a sua virtualidade, ou a uma modalidade tal, a partir da qual ela é capaz de ser então atualizada, segundo novas problemáticas, alinhadas, por sua vez, segundo os interesses os mais diversos. Este poder de re-potencialização da informática reside justamente em sua capacidade de múltiplas reproduções digitais de fantasmas informacionais da realidade, sobre a base tecno-científica de um objeto híbrido, o computador.
  10. necessidade de uma tentativa de desconstruir o SIG, nos termos indicados, procurando desvendar sua essência em sua aparência tecnológica, o sig. Ao longo desta trajetória crítica, espera-se reconhecer as ideias-forças, ou Ideias Mentoras, que respondem pela ontogenia do sig.

 

O desafio permanente é o de desconstruir sem perder de vista o sig e o meio técnico-científico-informacional que o institui e constitui, e que por ele é instituído e constituído.
 

[1] Qualifico de Moderna à Razão, que se institui na Modernidade, da mesma forma que se usa qualificar o Homem de Antigo, de Medieval, ou de Moderno, como se não se tratasse de um mesmo “ser humano”, em cada uma destas épocas. Com efeito, é possível distinguir uma racionalidade, entendida como uma operação da Razão, distinta na época moderna, como pretendia demonstrar Weber (1917/1959 e 1964). Uma Razão talvez dirigida por uma metafísica própria da época, a exemplo do que Heidegger (1962) nos convida a pensar.

 

Geoprocessamento e Informatização

Geoprocessamento e Informatização mccastro qui, 09/20/2018 - 16:14
  1. a base informacional onde se assenta e sobre a qual opera o sig, instrumentaliza enfim o sonho da New GeographyOu é esta que potencializa ainda mais, por sua renovação teórica, em termos matemáticos e estatísticos, a “vontade de informatizar” que domina nossa era.. Mais importante ainda, o sig porta em si os germes de uma nova ordem, capaz de promover uma profunda transformação não apenas nos métodos e resultados obtidos, mas, seguramente, sobre as próprias fundações epistemológicas da Geografia e sobre a natureza do trabalho do geógrafo.
  2. o sig substantifica a noção de “Geoprocessamento”, já considerada clássica dentro da Geografia. Uma noção que significa muito mais do que o uso corrente dá a entender: uma técnica ingênua, caracterizada como o “processamento de dados” aplicado à Geografia. Com efeito, ao se analisar os requisitos e compromissos do chamado “processamento de dados” tradicional é possível compreender o “Geoprocessamento” como, efetivamente, uma agenda, um programa, ou melhor dizendo, um processo “amplo, geral e irrestrito” de informatização da Geografia.
  3. Michael Goodchild (1992)“Geographical Information Science”, International Journal of Geographical Information Systems 6 (1).: o sig é um instrumento que abre as portas para a construção de uma “nova ciência”. O sig instrumentalizaria, portanto, a implementação de uma verdadeira “ciência do espaço”, ou de “uma ciência da informação geográfica”. A nosso ver, uma ciência normativa, segundo fundamentos conceituais originários do corpo teórico subjacente à informática, e, portanto, metodologicamente exógena à Geografia.
  4. a “Ciência da Informação Geográfica” proposta por Goodchild, tendo o mesmo acrônimo “SIG” (em inglês Geographic Information Science - GIS), pretende apenas problematizar o lado informacional da Geografia, visando sua plena informatização. Ou seja, busca uma visão da ciência geográfica, a partir do ponto de vista, ou da perspectiva da Informática e não da Geografia.
 
 

SIG, técnica? sig, tecnologia?

SIG, técnica? sig, tecnologia? mccastro qui, 09/20/2018 - 20:52
  1. O SIG seria em seu fundamento uma técnica ou arte ou um conjunto articulado de técnicas de representação e análise geográficas?
  2. O sig seria, então, a tecnologia da informação e da comunicação (TIC) sobre a qual se baseia o SIG?
  3. François Sigaut, ao discutir a diferença entre “técnica” e “tecnologia”, no prefácio de um livro de ensaios do etnólogo André-Georges Haudricourt:

    • Se os dois termos podem ser tomados um pelo outro, é porque qualquer um dos dois não tem um sentido bem preciso para nossos contemporâneos. Porque, contrariamente a uma opinião bastante corrente, nossa vida quotidiana é cada vez menos marcada, menos formada e menos estruturada pela técnica. A técnica supõe o contato direto do homem com a natureza, com a matéria. Ora, as máquinas nos dispensam ou nos privam mais e mais deste contato, sem que o ensino geral (do qual as técnicas são excluídas) aporte qualquer compensação. O que cria esta ilusão, é que o capital de saber técnico acumulado em nossa sociedade é hoje em dia infinitamente maior do que jamais foi. Mas a parte de cada um de nós neste capital jamais foi tão desprezível. [apud Séris, 1994, p. 4]SERIS, J.-P. (1994), La Technique. Paris, PUF. (o grifo é meu)

  4. Porque não encarar a tecnologia do SIG, o sig, como mais uma “caixa-preta”, a exemplo da maior parte dos aplicativos construídos sobre a informática (processadores de texto, planilhas, bancos de dados, etc.), da qual só nos interessa conhecer suas funções e usos, e, eventualmente, para os mais curiosos, sua estrutura, apenas tecnológica?

  5. Um SIG não existe como um sistema prêt-a-porter, ele é socialmente constituído e instituído, em cada situação especifica, pela coalescência de alguns elementos, entre os quais o mais óbvio é o pacote sig. Estes elementos devem ser todos reunidos e mantidos em interação no caldeirão de um projeto de trabalho, sob o fogo constante da cobrança de resultados, dentro de prazos pré-definidos, até sua coalescência, que, entre outros resultados, permite a plena concretização do SIG, propriamente dito.

  6. Por “incorporar” uma metodologia de análise geográfica, o pacote sig impõe certa metodologia de desenvolvimento e de posterior exploração do SIG, que é raramente explicitada nos manuais e na documentação do software, mas que ordena suas demais dimensões sócio-técnicas, assim como o projeto de pesquisa e o pensamento e o discurso geográficos, implicados no uso de um sig

  7. A desconstrução do SIG vai, no entanto, além de seu entendimento enquanto técnica ou tecnologia, ou até ambos. Parafraseando HeideggerHEIDEGGER, M. (1958), Essais et Conférences. Paris, Gallimard., quando afirma que "a essência da técnica não é absolutamente nada de técnico", podemos dizer que "a essência do SIG não é absolutamente nada de sig":

A técnica não é a mesma coisa que a essência da técnica. Quando buscamos a essência da árvore, devemos compreender que aquilo que rege toda árvore enquanto árvore não é ele mesmo uma árvore que se possa encontrar entre outras árvores.

Da mesma forma a essência da técnica não é absolutamente nada de técnico. Enquanto não percebamos nossa relação com a essência da técnica, nos limitamos a nos representar a técnica e a praticá-la, a nos acomodar ou fugir dela. Estamos atados à técnica e privados de liberdade, seja a afirmando com paixão, ou a negando do mesmo modo. Quando, no entanto, consideramos a técnica como alguma coisa neutra, é então que lhe somos submetidos da pior maneira: pois esta concepção, que goza hoje em dia de um favorecimento particular, nos torna completamente cegos diante da essência da técnica.

 

 

Do sig ao SIG

Do sig ao SIG mccastro qui, 09/20/2018 - 21:58

A virtualidade do sig, como diz Pierre Lévy, vai aos poucos se atualizando pela interação com seus usuários. É como se o sig guardasse em si certa ordem de fertilização, de gestação e de manifestação, que vai aos poucos se manifestando através de sua alimentação e de sua comunicação com seus usuários.

Uma vez iniciado o processo de fertilização do sig, pelo carregamento dos dados nos formatos exigidos, segue-se o processo de gestação, pela articulação progressiva dos dados das bases digitais de coordenadas e de atributos georeferenciados. Com o tempo, surgem os primeiros sinais de manifestação do SIG, através das análises e dos resultados, geralmente em forma de cartogramas. Esta manifestação é regida por ordens, latentes no sig, que determinam cada passo do projeto, cada ação das pessoas, cada inclusão dos demais ingredientes para constituição do SIG. Tudo sempre dentro das configurações requeridas pelo sig.

Pela modelagem, carregamento e manutenção de uma base digital de coordenadas de objetos espaciais e de uma base digital de atributos georeferenciados a estes objetos espaciais, vão sendo habilitadas as funções ofertadas pelo engenho de representação e de análise ofertado pelo pacote, ou seja, vão sendo atualizadas as virtualidades do sig. Estas funções por sua vez, capacitam seus usuários com métodos e técnicas de análise geográfica, e garantem uma variedade de aplicações possíveis.

Encantados com o crescente poder computacional à sua mão, os usuários do sig se deixam guiar por suas virtualidades que vão sendo atualizadas, à medida que as bases digitais crescem em diversidade de dados, e também em integração entre estes dados. As inúmeras opções de tratamento de dados e de apresentação de resultados, do engenho de representação e de análise do sig, facilmente acionadas a qualquer momento, seduzem o usuário e acabam, muitas vezes, comprometendo ainda mais a proposta e a metodologia definidas na origem do projeto de pesquisa.

Percebe-se assim um desenvolvimento sistemático e ordenado, comandado e gerido por um único ingrediente, o sig. Como agente ordenador e catalisador de todo o projeto de pesquisa, o sig acaba por determinar, muitas vezes, as formas de instituição e de constituição de um SIG, orientando até mesmo os resultados e conclusões do projeto de pesquisa que o adotou. A estranha relação entre pessoa-computador, já mencionada anteriormente, é em grande parte a causa desta enorme distorção: a alienação e o distanciamento em face à informática, de grande parte dos pesquisadores, facilitam a autonomia desta, e até mais, seu imperialismo metodológico.

 

Meio Técnico-Científico-Informacional e SIG

Meio Técnico-Científico-Informacional e SIG mccastro sex, 09/21/2018 - 14:26
  1. SIG é constituido por cinco elementos: pessoa, tecnologia, problema, organização e ambiente ou meio. Sem a coalescência destes elementos não temos um SIG, mas apenas um sig. Nosso interesse aqui neste capitulo se volta para o sig como e o meio que o produz, e para o SIG como um todo e o meio que por ele é produzido e também o legitima. Devemos, no entanto, sem perder de vista esta noção de totalidade do SIG, incluindo em si o meio, atentarmos mais para a relação específica entre meio e tecnologia, ou sig.
  2. O sig é um instrumento instituído, de forma privilegiada por sua afinidade com o pensar humano, segundo os princípios genéticos deste “meio”. Desta forma, um instrumento constituído segundo a própria forma e substancia deste “meio”. Por sua vez, instrumental este que é, por sua adoção individual e pelo decorrente agenciamento social que pratica, concomitantemente instituinte, após “elevado à potência” do SIG, deste mesmo “meio”, assegurando sua sustentabilidade e reprodução.
  3. Questões relevantes desta investigação:
    • qual a relação que existe entre meio técnico-científico-informacional, sig, e SIG? Podemos considerá-la uma relação orgânica, e como Varela intitulá-la como um tipo de “autopoiesis”?
    • qual seria o sentido, se existe algum, de se justapor essas noções, representadas pelas expressões “meio”, sig e SIG, em uma mesma investigação?
    • haveria algum significado na ordem das ideias, conforme indicado, primeiro o meio e depois o sig ou o SIG)?

Meio Técnico-Científico-Informacional

Meio Técnico-Científico-Informacional mccastro sex, 09/21/2018 - 15:39

Direcionando o objeto de estudo da Geografia para “os fatos referentes à gênese, ao funcionamento e à evolução do espaço” [Santos, 1978, p.117], Santos se dedica através de sua imensa obra “a correta definição de suas categorias analíticas, sem a qual estaríamos impossibilitados de desmembrar o todo através de um processo de análiseÉ interessante notar esta colocação de categorias analíticas sob um idéia articuladora, no caso espaço, como se assemelha a proposta platônica: “primeiro, a reunião de particularidades dispersas sob uma única Idéia, para que todos compreendam o que está sendo falado[...] segundo, a separação da Idéia em partes, por sua divisão nas juntas, como dita a natureza, não quebrando qualquer membro ao meio como poderia fazer um mau entalhador”. [Platão, Phaedrus, 265I, trad. B. Jowett], para reconstruí-lo depois através de um processo de síntese” [p. 117].

Entre essas categorias analíticas, Milton Santos vem dando um lugar privilegiado ao “meio”. Mas, ao novo “meio” geográfico, qualificado pela técnica, pela ciência e pela informação. Nas próprias palavras de Milton:

“O meio geográfico, em via de constituição (ou de reconstituição), tem uma substancia científico-tecnológico-informacional. Não é um meio natural, nem meio técnico. A ciência, a tecnologia e a informação estão na base mesma de todas as formas de utilização e funcionamento do espaço, da mesma forma que participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais). É a cientifização e a tecnicização da paisagem. É, também, a informatização, ou antes, a informacionalização do espaço. A informação tanto está presente nas coisas como é necessária à ação realizada sobre essas coisas. Os espaços assim requalificados atendem sobretudo aos interesses dos hegemônicos da economia e da sociedade, e assim são incorporados plenamente às correntes de globalização.” [Santos, 1994, p. 51]

Em seu último livro, Milton Santos (1995) se dedica a desconstruir e a reconstruir sua teoria do espaço geográfico, associando aos elementos conceituais que a compõe e às categorias analíticas que oferece, as diferentes perspectivas que a sustentam e reforçam, provenientes de distintos campos de conhecimento, como a filosofia, a técnica, a ciência, a sociologia, a economia, e, evidentemente, a própria geografia.

Resgatando as poucas referencias existentes à técnica, nos estudos institucionais à Geografia, Santos procura assim mesmo articulá-las na constituição de um novo saber, na formulação de uma “ontologia do espaço geográfico”. Um saber sem dúvida imprescindível para a interpretação e para compreensão do espaço, que atualmente vem se construindo de forma ortogonal, ao plano formado pela clássica estrutura relacional Sociedade-Natureza.

Milton Santos enfrenta assim o desafio tão bem colocado, há algum tempo pelo historiador das técnicas François Sigaud (1981), em um artigo publicado na consagrada revista L’espace geographique, cujo título traduz de forma eloquente um sério, e ainda bastante atual, convite a reflexão, através da questão: “porque os geógrafos se interessam quase por tudo, exceto as técnicas?”

Santos não só responde a questão mas vai muito mais além, construindo uma forte argumentação em torno da constatação de que o "meio técnico-científico-informacional é a nova cara do espaço e do tempo.”

Do entendimento que “o próprio espaço geográfico pode ser chamado de meio técnico-científico-informacional", e que “o meio ambiente construído se diferencia pela carga maior ou menor de ciência, tecnologia e informação, segundo regiões e lugares: o artifício tende a se sobrepor e substituir a natureza”, Santos redefine e redireciona o objeto de estudo da Geografia, o espaço.

Essa proposta de redefinição e redirecionamento do espaço geográfico, se assenta sobre algumas categorias de análise, entre as quais se destaca justamente o tradicional “meio” geográfico (o milieu de Vidal de la Blache), que Santos se apropria com um maior discernimento conceitual.

Para Santos, é necessário reviver o polissêmico sentido da noção clássica de “meio” geográfico, integrando nesta alquimia novos elementos; elementos estes constituídos com base na constatação de que se está construindo no próprio “meio” geográfico uma racionalidade de base técnica, científica e informacional, de forma bastante diferenciada a nível regional, criando “zonas luminosas e opacas”, de acordo com a densidade desta mesma racionalidade.

“O espaço hoje se subdivide entre subespaços onde há uma carga considerável de racionalidade e áreas onde isso ainda não ocorre. Onde os nexos científicos, tecnológicos, informacionais são importantes, temos aqui um meio técnico-científico-informacional, uma porção do território onde as racionalidades dos agentes hegemônicos se tornam possíveis e se dão eficazmente, porque essa área geográfica é formada por objetos criados prévia e deliberadamente para o exercício dessa racionalidade. Esse meio técnico-científico que inclui saber é o suporte de produção do saber-novo, faz com que os outros espaços se tronem apenas os espaços do fazer. Os espaços comandados pelo meio técnico-científico são os espaços do mandar, os outros são os espaços do obedecer.” [SANTOS, 1994, p. 106]

 

Ontogenia comum?

Ontogenia comum? mccastro sex, 09/21/2018 - 15:58
  1. ontogênese comum do sig e deste “meio”. Nossa  colocação se assenta no entendimento de que o sig é, entre tantos outros, um objeto "técnico-científico-informacional", por conseguinte, ideal e substancialmente vinculado ao referido “meio”.

  2. existe uma instituição e uma constituição mútuas do meio técnico-científico-informacional e do sig. Da totalidade representada pelo primeiro, e de um de seus objetos, representado pelo segundo.

  3. sig e “meio” se associam da mesma forma que, em um holograma, a parte é capaz de retratar o todo. Temos assim, de certa maneira, e ao mesmo tempo, o todo na parte, e a parte, como um todo, no todo.

  4. ambos são, de fato, consubstanciais, segundo as mesmas propriedades: técnica, científica e informacional. Emergem simultaneamente, no campo das ideias, na fundação da Razão Moderna, e ganham vigor e presença neste século, após a última grande guerra.

  5. como mutuários de uma mesma conjunção de valores, de ideais e de visão de mundo e de homem, sig e “meio” se instituem, compartilhando as mesmas condições de reprodução e de disseminação, especialmente de seus efeitos e de seus resultados, na interação com o humano. Por todas essas razões, se auto-engendram e se auto-organizam, provendo sempre novas facetas, novos arranjos, novas gerações, que re-alimentam sua instituição/constituição mútua.

  6. ao afirmar Milton Santos (1994) que o próprio espaço geográfico pode ser chamado de meio técnico-científico-informacional, penso que ele já imaginava que o sig, um instrumento que vem conquistando um lugar privilegiado no trabalho do geógrafo, deveria ser considerado um dos elementos instituidores deste mesmo “meio”. Em um trabalho elucidando melhor seus conceitos, Santos (1995) escreve:

    • A expressão meio técnico-científico pode, também, ser tomada em outra acepção talvez mais específica, se levarmos em conta que, nos dias atuais, a técnica e a ciência presentearam o homem com a capacidade de acompanhar o movimento da natureza, graças aos progressos da teledetecção e de outras técnicas de apreensão dos fenômenos que ocorrem na superfície da terra. [Santos, 1995, p. 192]

 

Quanto ao estatuto sistêmico do SIG, devemos interpretá-lo, primeiramente, como um convite a compreensão do SIG como, de fato, um sistema, inter-relacionado entidades ao redor de uma tecnologia da informação. Ou seja, um sistema social de natureza específica, um sistema de informação, que se forma pela coalescência de quatro entidades, que se articulam, tendo como pivô o pacote sig, a tecnologia propriamente dita (vide MODELO DA ALAVANCA). As quatro entidades são: pessoa(s), problema/tarefa(s), organização e, enquadrando tudo, o ambiente, social, cultural, político, econômico, técnico, que contextualiza a gênese de um SIG.

Segundo o estatuto sistêmico, cada SIG é um SIG. A combinação das entidades, ao redor da tecnologia sig, institui/constitui um SIG, submisso a um ambiente determinado, dentro de uma organização específica, orientado para certos problemas/tarefas, e construído/operado por dadas pessoas, indivíduos únicos.

O que importa, como queríamos demonstrar é que a ontogenia de qualquer SIG, na coalescência das entidades mencionadas, se dá na total imersão e interação com um meio técnico-científico-informacional, como define Milton Santos, e, por conseguinte, instruída e dinamizada segundo esta simbiose enteEste ente ou "sendo" como uma vertical, atravessando planos horizontais e paralelos, se manifesta em diferentes escalas, do individuo à organização, passando pelo nível grupal.-“meio”, que só pode produzir e reproduzir objetos consubstanciais aos dois.

 

Ideias Mentoras do sig

Ideias Mentoras do sig mccastro sab, 09/22/2018 - 16:45

Ideias-Mentoras

Vale dizer que, nesta difícil empreitada de uma história das ideias-mentoras do sig, tomamos emprestado a concepção, talvez um pouco fantástica, do historiador Ioan P. Couliano (1990). Uma concepção da história das ideias elaborada sob a forma de imagens, ou seja, ainda pouco conceituada, mas que nos oferece um caminho diferente de reflexão, diante do desafio deste tipo de historiografia.

De acordo com Couliano, para se admitir um significado, um certo sentido na história, é preciso reconhecer as dimensões sincrônicas e diacrônicas, em todo fenômeno histórico. Neste sentido, ele faz um apelo a nossa imaginação, na tentativa de construir uma nova visão da história, a partir do que denomina “objetos ideais”, entendidos como Ideias que atravessam nossas dimensões espaço-temporais, deixando em sua passagem, ideias mentoras refletidas no pensar, no agir e no fazer humanos. Objetos ideais que precisam ser identificados em sua multidimensionalidade para que possamos ter uma nova compreensão da história.

Tomando as limitações de toda sorte que sofreriam os hipotéticos habitantes de um mundo de duas dimensões, a Flatland imaginada pelo matemático Edwin Abbott Abbott (1992/1884), Couliano nos convida a pensar sobre as dificuldades análogas que temos de compreender a manifestação de ideias em nosso mundo. Em sua visão, traços da presença e da influência dos referidos objetos ideais atravessando nosso plano histórico mais imediato.

Com base na ficção de Abbott, Couliano levanta assim a hipótese que estes objetos ideais atravessam a “superfície histórica” do tempo, deixando em nosso pensar, agir e fazer, registros ou traços de todo tipo. Traços que para nós, habitantes desta superfície histórica, viriam a se constituir em ideias mentoras de sistemas filosóficos, políticos, econômicos, culturais e tecno-científicosPara Couliano, essa aproximação “morfológica” da história, que já tem seus antecedentes [Spengler, 1948], deve ser articulada segundo uma visão mais complexa do que aquela facilitada pela imaginária Flatland. Ou seja, de acordo com uma visão da história das idéias, que reconheça nela a ação de um processo dinâmico de proporções “extra-ordinárias” (n-dimensões). .

Para compreender melhor a hipótese de Couliano, vale à pena resgatarmos em linhas gerais a ficção de Abbott. Em 1884, o clérigo Edwin Abbott, reitor da City of London School, escreveu uma novela surpreendente, Flatland: Um Romance de Muitas Dimensões por um QuadradoFlatland: A Romance of Many Dimensions by a Square publicado originalmente em 1884 sob o pseudônimo “A. Square”, teve um lugar único na literatura científica por mais de um século. Escrita por Edwin Abbott, um clérigo e matemático, especialista em Shakespeare, esta narrativa encantadora de um mundo bidimensional, alcançou renome como uma apresentação de conceitos geométricos que vinham sendo desvendados no século passado, como os das geometrias não-euclidianas, e ao mesmo tempo como uma sátira da hipócrita hierarquia social victoriana. [Abbott, 1992], que teve uma repercussão e um sucesso inesperado, inclusive inspirando a pesquisa de cientistas famosos, como por exemplo Albert Einstein.

Para Couliano, nossa tentativa de entendimento da constituição de certas ideias no “tecido histórico” da humanidade enfrenta as mesmas dificuldades dos flatlanders. Reconhecemos o objeto ideal apenas por alguns de seus traços, literalmente impressos nas obras de artistas, escritores e pensadores, ou manifestos nos atos e “fazimentos” humanos.

Com efeito, diante da manifestação desses objetos ideais em meio à vida, assumindo o contorno das ideias mentoras nos pensamentos, atos, fatos e coisas que nos cercam, não conseguimos ir além da aparência imediata, em grande parte devido à opacidade natural destes mesmos pensamentos, atos, fatos e coisas.

Se aceitarmos uma hipótese como esta de Couliano, sem dúvida a história das ideias estaria ganhando uma nova possibilidade de interpretação. Poderíamos mesmo supor que, em diferentes momentos, objetos ideais estariam cruzando lentamente a superfície do tempo, delineando um horizonte, ou até bordando na história, em sua passagem, os traços que facultariam a emergência do que denominamos “Ideias Mentoras”, que acreditamos se situar na fundamentação do pensar, do agir e do fazer humanos.

Em outros termos, registros da passagem destes objetos ideais pela história, configurariam sistemas de ideias, que disputariam o predomínio sobre o pensar, o agir e fazer humanos, em diferentes épocas e sociedades. As civilizações se constituiriam  em função, não apenas das condições de vida na Flatland, mas também do contato com os ditos objetos ideais atravessando a “superfície” da história, e podendo assim intervir de maneira imprevisível no pensar, no agir e no fazer dos Flatlanders, e na decorrente ordenação do que eles chamariam de história.

Talvez Couliano esteja praticando uma certa simplificação, fortemente dosado de “idealismo”, ao admitir uma história que se ordena apenas pelos sistemas de ideias que se condensam na passagem dos ditos “objetos ideais” através da superfície do tempo. Sua hipótese mereceria uma reflexão mais aprofundada, começando pela conceituação mais rigorosa do que sejam estes “objetos ideais”, e uma crítica mais elaborada da ação mesmos, através do que quer que possa significar sua tentativa de ver a história como uma “espacialização” do tempo. No entanto, a imagem assim construída sobre a ficção de Abbott, consegue estimular nossa imaginação, da mesma maneira que a parábola de Flatland foi capaz de fazer com tantos outros pensadores.

"Estatistização" para Governança

"Estatistização" para Governança mccastro sab, 09/22/2018 - 20:28

A estatística, como a entendem seus fundadores na escola alemã, é a ciência da constituição do Estado; procede essencialmente por descrições de tipo literário, e reúne elementos, do que atualmente se denomina: ciência política e geografia humana. O caráter universitário desta disciplina, com um certo pedantismo intelectual, procura fortalecê-la pelo uso ostensivo do princípio das quatro causas de Aristóteles.

Desta maneira, supõe que cada país poderia ser descrito seguindo o método das quatro causas: causas materiais (território e população), causa final (meta natural da comunidade), causa formal (direito, costume) e causa eficiente (administração). Estas quatro causas, cujo manipulação atualmente não é de uso ordinário, definiam princípios de uso corrente nas universidades do século XVII, dentre os quais se destacavam a causa formal, encarnada pelo governo ao ditar o direito, e a causa final, expressa na meta natural de uma comunidade, cuja revelação era dada pela estatística.

Esta estatística universitária alemã será incapaz de acompanhar as transformações sofridas pelo Estado e pela sociedade ao final do século XVII. Segundo Marx, ela degenerará em uma “bouillie”, dando lugar à “aritmética política” inglesa, que herdará o nome de estatística. Antes de desaparecer, a estatística original alemã, combaterá a “nova estatística”, qualificando-a de Tabellenstatistik, praticada por “serviçais de tabelas”.

A aritmética política inglesa, ancestral imediata de nossa estatística, foi inventada por William Petty (1632-1687), médico e homem político, admirado até por Marx. Impregnado da nova racionalidade, fruto da Razão Moderna, Petty defendeu a precisão, com base em números, pesos e medidas, em lugar do uso de discursos e argumentos, mesmo que racionais. Segundo ele, as questões de governança devem ser conduzidas de acordo com as regras ordinárias da aritmética, a exemplo de demonstrações matemáticas.

Em sua Aritmética Política de 1671, Petty se bateu também contra a ilusão que consiste em atribuir o milagre holandês daquela época, à alguma inteligência superior de seu povo. Para Petty, a prosperidade holandesa era decorrente do trabalho assíduo de comerciantes e marinheiros, favorizados por sua posição geográfica: ganha-se mais pela industria que pela agricultura, e mais ainda pelo comércio que pela industria.

Fazendo gravitar o problema da prosperidade ao redor do comércio, submetendo todas as esferas da produção à uma moeda fixa, e enaltecendo governança pela informação apurada por uma estatística contábil universal, Petty estabeleceu um novo “eixo de rotação” da Terra. Segundo o filósofo Marc Sautet, Copérnico havia feito da Terra um planeta como os outros, mas Petty fez da “Terra” uma mercadoria como qualquer outra [Sautet, 1995].

Desta forma, a aritmética política ofereceria uma nova “linguagem”, segura e universal; além da aspiração de estar definindo os meios para um debate democrático, graças ao uso que faz da medida e da racionalidade, igualmente publicáveis e controláveis. Bem recebida em toda Europa do Iluminismo, teve sua reprodução ampliada e reforçada pela Matemática Social de Condorcet e os Ensaios de Aritmética Política de Buffon.    

O século XIX presenciou o amadurecimento, entre outros frutos da Razão Moderna, da estatística. Seus instrumentos matemáticos são forjados então, em estreita relação com o desenvolvimento de uma entusiástica coleta de informações. Esta expansão da estatística pode ser explicada com base na:

  • conduta natural de uma burguesia em ascensão, interessada em inventariar e assumir o comando de seu novo domínio;
  • tentativa de matematização universal, já explicada na seção anterior, em curso desde o final da Renascença;
  • encarnação progressiva do espírito do Iluminismo, tão bem expresso em Saint-Simon, mas já embrionário em Kant - uma sociedade pode ser feita;
  • “febre” de crescimento dos Estados e do imperialismo colonialista, exigindo o aperfeiçoamento de suas administrações e da correlata produção de dados;
  • progressiva instalação de organizações industriais e financeiras, com seus crescentes requisitos informacionais.

"Matematização" da Natureza

"Matematização" da Natureza mccastro sab, 09/22/2018 - 20:00
  • primeiro, seria necessário se destacar dentre as ideias de Natureza, àquela que sustentou o desenvolvimento de sua “matematização”;
  • segundo, expor o “momento” original, onde esta ideia de Natureza incentivou a referida “matematização”, na corrente de “Pitágoras-Platão-Aristóteles”, fundamentando uma  duradoura “arquitetura” de filosofia da Natureza, com a “estabilidade” que designa a raiz etimológica da palavra grega épistèmè;
  • terceiro, e último, analisar a gênese e alguns aspectos do “momento” que  formou e desenvolveu a ciência moderna, através da “revolução” promovida pela corrente de “Galileu-Descartes-Newton”, que edificou uma nova “arquitetura” para a filosofia da Natureza;

"Geografização" do Mundo

"Geografização" do Mundo mccastro sab, 09/22/2018 - 20:37

A geografização do mundo ocidental é uma das ideias-mentoras da Modernidade, um vetor na constituição e instituição da Geografia Moderna e de seu instrumental, como o sig. Seu desenvolvimento inicial se dá por uma aproximação direta, pelo lado dos exploradores e circunavegadores, com a sistemática conquista e ampliação do mundo conhecido, no contato íntimo com as novas terras descobertas, e, ao mesmo tempo, por um distanciamento intencional, pelo imenso esforço de mapeamento, classificação e catalogação de uma nova Imago Mundi. Nesta nova Imago Mundi, o código cartográfico simbólico medieval, no qual tudo, inclusive o ser humano, se inseria em um cosmos divino, onde proximidade e distanciamento perdiam sentido, pela integração de tudo em um "mundo fechado", cede lugar ao ponto de vista ortogonal e distante sobre a Terra, o ponto de vista de lugar nenhum, de esfera nenhuma: o ponto de vista de Deus. Ou seja, o ponto de vista situado fora das esferas concêntricas do "mundo fechado" tradicional.

Revela-se assim a constituição progressiva de um milieu intelectual excepcional onde prospera a ideia e o processo de geografização do mundo, que desde então se sucede em perfeita harmonia com a Weltanschauung moderna, conforme constatada por Heidegger (2014): “o evento fundamental da idade moderna é a conquista do mundo como imagem”, pois é através desta estratégia de enquadramento que “o homem busca uma posição pela qual ele pode ser este ser particular, que dá a medida e traça o balizamento de tudo que é”. Proximidade e distância são as duas faces de uma mesma moeda, tendo como figuras de um lado a conquista física e material do mundo e de outro sua cartografização e catalogação.

Neste extraordinário milieu renascentista, pela interação entre novos atos, posturas e imagens, entre conquistas intelectuais e técnicas, e novas conquistas no terreno e no gabinete do cosmógrafo, é que vai assim se dar o impulso irreversível para o que denominamos geografização do mundo ocidental moderno, enquanto ideia-mentora e processo histórico.

"Informatização" da Sociedade

"Informatização" da Sociedade mccastro sab, 09/22/2018 - 20:49

O emprego crescente de conceitos informáticos e cibernéticos nas diversas disciplinas, o uso intensivo de processos de modelagem e de simulação para estudar os fenômenos físicos ou humanos, ou a tendência ao “aprofundamento” do método científico pela formulação de sua cadeia de pensamento por meio de algoritmos são algumas das manifestações da emergência de um “paradigma da informática”.

Não se trata de um paradigma assentado apenas sobre um corpo de doutrina sistemática, tendo seus partidários e adversários declarados. Mais do que isto, vem se apresentando também como uma postura intelectual, alimentada por metáforas (processo, entrada, saída, memória etc.), procedimentos e hábitos de investigação. A própria utilização crescente de tecnologias da informação e de sistemas de informação ou de apoio à decisão vem favorizando a infiltração deste paradigma na cultura da “alta modernidade”.

Algumas interrogações se impõem de imediato: na vertente ontológica, a redução do mundo ao que dele se apreende como informação, e a representação de sistemas físicos, viventes ou psíquicos como máquinas de tratamento de informação; na vertente metodológica, a velha questão a respeito da primazia de uma única racionalidade científica, codificável, programável e aplicável a todas as situações e coisas, e também a indagação a respeito da finalidade da atividade científica, voltada para prever e calcular sempre melhor ou para tornar mais inteligível e claro o mundo que nos cerca [uma ciência para manipulação ou para compreensão? como indaga Schumacher, 1977].

 

Mas o que é isso, informatizar?

Para o Pensamento, informatizar não é o verbo que designa os fatos e feitos da informática. Não nos remete apenas para o funcionamento de ferramentas e aparelhos, não se refere a dispositivos de processamento ou a instalações de computação, com todas as mudanças que acarretam. A informatização não é o resultado da expansão mundial de uma parte, de sorte que a totalidade resultante fosse o todo de uma parcialidade geral. A informatização não se reduz a transferir determinada integração de ciência e técnica, de conhecimento e ação para todas as áreas em que se distribuem os homens histórica e socialmente organizados. Informatizar é o processo metafísico de Fim da História do poder ocidental. Na informatização e por ela, o poder de organização da História do Ocidente se torna planetário. A dicotomia de teoria e prática, de mundo paciente de objetos e mundo agente dos cérebros vai sendo superada numa composição absorvente. Por ela se complementam, numa equivalência de constituição recíproca, o sujeito e o objeto, o espírito e a matéria, a informação e o conhecimento, o mundo dos cérebros e o mundo das coisas. A luta entre materialismo e idealismo se torna, então, uma brincadeira de criança. O pessimismo e o otimismo se transformam em categorias inofensivas para classificar irmãos de uma mesma família. Sendo um verbo de essência, informatizar nos precipita na avalanche de um poder histórico de realização. Por isso não indica primordialmente o processamento automático de conjunturas, mas um processo autocrático de estruturação, que tudo aplana, tudo controla, tudo contrai numa, composição onipotente. A terra e o mundo, a história e a natureza, o ser e o nada se reduzem a componentes de compatibilidade universal. A informatização é uma voracidade estrutural em que todas as coisas, todas as causas e todos os valores são acolhidos, são defendidos, são promovidos, mas ao mesmo tempo perdem sua liberdade e fenecem em criatividade. (Carneiro Leão, 1992, pág. 94)

 

Representação e SIG

Representação e SIG mccastro sab, 09/22/2018 - 21:39

Passemos agora da desconstrução à reconstrução do SIG, reestabelecendo sua totalidade, segundo a perspectiva de seu núcleo tecnológico, o sig, operando enquanto um “engenho representador” de fenômenos geográficos. Até aqui, dissecamos o sig e investigamos sua genealogia, segundo determinadas Ideias Mentoras. Entretanto, para avançarmos em sua compreensão, é preciso retomar sua reconstrução, tendo como perspectiva sua forma predominante, a de um “engenho representador”. De acordo com esta nova visão integradora, propomos agora nos questionar sobre sua capacidade de representação da realidade geográfica.

Poderíamos percorrer este caminho de reconstrução do SIG, segundo a perspectiva do engenho representador, de duas maneiras diferentes. A primeira, e a mais comumente encontrada na literatura técnica sobre cartografia e SIG, desenvolve uma série de considerações sobre o mapa como meio de comunicação, e portanto sobre as técnicas mais eficazes para sua construção [Brunet, 1980].

A segunda maneira, que optamos, reúne o que encontramos até o momento de reflexão sobre a problemática da representação da realidade, e, em particular, de representação de fenômenos geográficos. Preferimos assim percorrer um caminho de aprofundamento mais filosófico do que uma investigação das técnicas de representação já tratadas de forma exaustiva pela literatura exemplificada no parágrafo anterior.

Com efeito, diante do sig, visto segundo essa perspectiva de um “engenho representador” da realidade geográfica, optamos justamente por problematizar a representação em si mesmo. Entendemos que só assim podemos efetivamente contribuir para uma reflexão maior do que é o SIG?, evitando assim nos associarmos ao crescente côro dos que discorrem sobre as técnicas de representação cartográfica através do sig.

Transformação metafórica de representações

Transformação metafórica de representações mccastro sab, 09/22/2018 - 21:47

A aplicação de um pacote sig parece indicar também um “deslocamento” na fundamentação do sujeito unificador e unificante. Neste caso, o trabalho “impessoal”É claro que o desenvolvimento do sig se dá de forma pessoal, através da ação de especialistas em informática e/ou geógrafos, mas sua utilização se dá por sua vez de maneira totalmente “impessoal” pois o usuário se submete às disposições previamente implementadas pelo desenvolvimento do sig. do próprio pacote sig, concede ao computador o lugar privilegiado deste sujeito, na constituição da representação final, integrando os elementos da representação que se conjugam em uma “tela” de computador. Mas isto é, no mínimo, uma tese provocante, que merece uma argumentação maior, pois poderia, quem sabe, nos obrigar a despertar do sonho, a que estamos permanentemente submetidos: o da neutralidade dos instrumentos disponibilizados pela informática.

Senão, vejamos. Primeiro temos, em termos bem concretos, na aplicação do pacote sig, o modelo de dados digitais, espaciais e estatísticos, ofertado pelo pacote. Um modelo que desenvolvido “alhures” da disciplina geográfica, aspira determinar uma única forma de representação, segundo um novo Discurso do Método. Neste caso específico, um discurso do método que define a forma de representação do espaço geográfico, de suas propriedades e de seus objetos. Em outros termos, podemos dizer que o que se propõe através do sig é uma nova metáfora do espaço geográfico.

Ao preencher o modelo de dados do sig, com dados referentes a qualquer organização espacial, sobre a qual nos interessa analisar determinados fenômenos geográficos, damos inicio a uma sequencia de traduções que transformam um modelo conceitual em outro. Um processo que os pesquisadores em sig deram a denominação de “transformação metafórica”Segundo George Lakoff (1985 e 1987), um dos principais teóricos citados pelos especialistas em sig, nosso sistema conceitual, que nos permite pensar e agir, é de natureza fundamentalmente metafórica., ou seja, a maior parte dos conceitos, que fundamentam nosso pensamento e ação, são em grande parte compreendidos em termos de outros conceitos, assim formando uma cadeia que se sustenta, em ultima instância, na corporalidade. .

Ou seja, no simples ato de “alimentar” um sig estamos estabelecendo, sem nos darmos conta, um marco fundamental de uma sucessão de traduções, do ideal, ao analógico, e enfim ao digital. Ao mesmo tempo, estamos fundamentando neste marco, uma base digital sobre a qual uma nova sucessão de transformações metafóricas vai poder se realizar, na medida que se exercitem as funções de analise e síntese do sig.

Até alcançar este marco fundamental, passamos por uma série de transformações à nível intelectual. A grosso modo, transformamos a “realidade geográfica”, em si uma metáfora de nossa percepção e de nossa idealização do mundo, em sucessivas metáforas, até alcançarmos o conceito também metafórico, de “organização espacial” ou de “espaço geográfico”. Abstrações teóricas que fundamentam a epistemologia geográfica.

Em seguida, desta estrutura conceitual abstrata, como a concebemos em sua escala específica de estudo, procedemos a transformação para uma outra metáfora. Aquela que reconhecemos em suas formas já reduzidas, parte gráfica e parte tabular, no “mapa geográfico” e em sua correspondente “matriz de informações geográficas”.

Finalmente, mais uma tradução desse conjunto mapa e respectiva tabela de atributos, em uma outra metáfora, a do modelo de dados do sig, que se configura, por sua vez, nas bases de dados digitais, espaciais e estatísticos, que habilitam o engenho de analise e representação do sig a desempenhar toda a sua funcionalidade.

Toda esta sucessão de traduções segue uma metodologia, uma certa “arte”. Esta metodologia orienta primeiro, a tradução de uma metáfora conceitual em outra, passando do “analógico”, em perfeita conformidade com a percepção da realidade geográficaEsta “realidade geográfica” é de certa forma ainda captada e expressa por um mapa geográfico, dada a forma analógica que este mapa ainda guarda da “realidade visual”. É claro que no mapa geográfico temos que levar em conta a interpretação e a redução praticadas por quem o produziu. por nossos sentidos, ao “digital”, estruturado à nível interno do sig, sob a forma de uma base digital de dados, espaciais e estatísticos.

Pari passu, sempre sob o comando de seu usuário, o pacote sig, atuando à semelhança do “sujeito unificador” de toda esta sucessão de transformações metafóricas, possibilita a transformação dessa ultima metáfora digital em outra metáfora, a “visual”. Através do poder de analise e de representação do engenho computacional do sig, o usuário interage com o computador produzindo uma variedade de “cartas virtuais”, eventualmente fixadas em papel.

Funções pré-programadas no sig facultam essa transformação metafórica da base digital de dados, espaciais e estatísticos, em imagens cartográficas digitais, no espaço delimitado de um monitor “desktop” ou de um papel, em uma impressora ou em um plotter.

Sobre essa metáfora visual, uma espécie de imagem virtual, assentada sobre um “modelo digital de dados”, é possível se aplicar todas as funções de manipulação de objetos espaciais, de análise e de simulação, de construção e de apresentação de cartas de todo o gênero. As funções disponíveis no engenho de analise e representação do pacote sig acabam regendo a interação usuário-computador, assumindo o papel de sujeito unificador e deixando o usuário como mero espectador.

Transformação Metafórica

Teoria do SIG

Teoria do SIG mccastro ter, 08/04/2015 - 20:43

Para os antigos gregos, theoria é contemplação, reconhecimento de nexos. Nossa "teoria" está muito distante deste sentido. No seu afã de praticidade, de praxis, de ação, nossa teoria oferece a modelagem como seu propósito. Em certo sentido, o modelo pode ser um reconhecimento de nexos, desde que não limite este reconhecimento e impeça a continuidade da contemplação DO QUE É, como sentido originário da theoria. A "informatização" da Geografia deve ser contemplada, além da simples aplicação crescente de instrumentos baseados em tecnologias da informação e da comunicação (TICs).

GEOMÁTICA OU GEOPROCESSAMENTO

Definições de SIG

Definições de SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 03:47

As definições sucessivas do que É o SIG não conseguem ir além de descrições da funcionalidade disponível, ou de sua "anatomia", ou de suas diferentes aplicações possíveis. Estas descrições, por sua vez, geralmente não vão além do pacote sig comercializado no mercado de informática como um "SIG". Na promoção do sig esquece-se aspecto mais relevante do que seja um SIG: um SISTEMA DE INFROMAÇÃO. O sig é a possibilidade de um sistema de informação geográfico, como o ovo é a possibilidade de uma ave...

FUNCIONALIDADE OU ESTRUTURA OU APLICAÇÕES
DEFINIÇÕES BASEADAS NA FUNCIONALIDADE, NA ESTRUTURA OU NAS APLICAÇÕES

SIG enquanto «Sistema de Informação»

SIG enquanto «Sistema de Informação» mccastro sex, 08/07/2015 - 04:57

SIG = SI qualificado

 

Natureza do SIG

Natureza do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 03:52

A camada de algoritmos e bases de dados que cobre uma tecnologia da informação e da comunicação, seja um computador ou até um smartphone, e que se denomina sig, representa um SIG "em potência". O SIG que eventualmente se realizará por sobre este sig, pode se chamado de um sig "em ato", para usar uma ótima colocação de Aristóteles , muito em voga até a Idade Média: dynamis (potência) e energeia (ato). Não que o SIG seja "mais" que o sig, assim como a ave não é o ovo, a atualização da virtualidade do SIG em um sig, realiza algo totalmente distinto e justamente que merece investigação.

 

sig x SIG

Modelo Figurativo do SIG

Modelo Figurativo do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 04:02

O que pode ser mostrado, não pode ser dito. Ludwig Wittgenstein

Modelo da Alavanca

Ao se tentar “re-velar” a natureza do SIG, construímos nossa argumentação fenomenológica e ontológica, tomando por base a “imagem-modelo da alavanca”. Nesta figura, que se poderia considerar mesmo um ideograma do trabalho humano, seja intelectual ou não, se pode identificar quatro entidades ao redor da alavanca (tecnologia sig); entidades de cuja coalescência emerge o Sistema de Informação Geográfico:

  • a pessoa, como o ser humano que deve resolver um problema através da execução de uma tarefa em uma organização, e, para tal, se apropria de uma instrumento, uma tecnologia, para sua consecução;
  • a pedra a ser movida, como o aspecto imediato de um problema qualquer, a ser solucionado, geralmente traduzido, segundo alguma metodologia, como tarefa(s) a ser(em) realizada(s) por uma ou mais pessoas, em uma organização; cada pessoa, por sua vez,  fazendo uso de uma tecnologia; no caso do SIG, a tecnologiaO hardware e o software que compõem os produtos comercializados como SIGs; segundo Séris (1994), o termo “tecnologia” se refere ultimamente a ferramentas ou instrumentos, e não mais a um discurso sobre a técnica, como outrora., mais do que um instrumento qualquer, desempenha também o papel de intermediário, de mediador, ao representar para a pessoa, através de seus recursos próprios, o problema a ser analisado;
  • o solo, onde se assentam e, portanto, podem operar todas as entidades (simbolizadas por pessoa, alavanca-tecnologia e pedra), simboliza a organização, ou seja, a instituição que dá significado (finalidade, razão de ser), além de garantias e sustentação, para a justa operação destas entidades;
  • o quadro do modelo, como uma verdadeira “moldura” (framework), representa o ambiente ou contexto social, político, cultural e econômico, ou, mais concretamente, o meio técnico-científico-informacional, de onde emergem as demais entidades, que ganham deste mesmo “enquadramento”, constituição, instituição e sentido; de fato, um “Sistema de Informação” é uma construção social, que em sua concepção, implementação e manutenção reflete opções (ou imposições) da organização onde se instala, e especialmente do meio social, político, econômico e cultural, onde se insere.

 

Este modelo figurativo incorpora na simplicidade de sua imagem, o arquétipo de uma fecunda série de metáforas que aduzem outras tantas ideias, tão necessárias para uma compreensão maior da natureza de um Sistema de Informação Geográfico. Para a sua devida sondagem, recomenda-se, como no ditado Zen, que ele seja encarado como um “dedo que aponta”, um artifício que não merece uma maior atenção e polêmica sobre sua forma em si, e sim, sobre a direção e o alvo que indica.

 

O modelo em sua “totalidade”...

O modelo em sua “totalidade”... mccastro qua, 08/05/2015 - 04:11

O SIG "em potência" no sig só se tornará uma realidade, ou seja se realizará, pela coalescência de pessoa-técnica-problema-organização em um "meio" propício, de forte natureza técnica-científica-informacional, e sem deixar em momento algum de ser conduzido e regido pela tecnologia da informação e da comunicação (TIC) que lhe é central, o sig. O papel da pessoa é da maior relevância para a atualização do SIG, passagem de potência à ato do sig. Este papel pode se resumir a uma condição de marionete, como assistente periférico do sig, em um processo totalmente direcionado, ordenado e regido pelo sig. Ou, este papel pode ser de reconhecimento da "autonomia" do sig e do necessário acompanhamento e supervisão do processo para evitar o equívoco de uma "autonomia" do SIG e, por conseguinte, a subserviência total a sua produção e seus resultados. Caso contrário, o sig enquanto GIS (Geographic(al) Information System) será o trampolim para o utópico delírio de muitos de seus aficionados, o cig enquanto GIS (Geogaraphic(al) Information Science).

 

SIG = Coalescência pessoa-sig-problema-organização-ambiente

Modelo da Alavanca e Causas Aristotélicas

Modelo da Alavanca e Causas Aristotélicas mccastro qua, 08/05/2015 - 04:19

O modelo da alavanca pode ser considerado como um paradigma de toda atividade humana. Até se poderia utilizar a noção de "mônada" em qualquer fazimento, desde que se entenda "mônada" como: partícula sem extensão porém cognoscível, sendo componente básico de toda e qualquer ato humano, físico ou anímico, e que apresenta as características de imaterialidade, indivisibilidade e eternidade em qualquer atividade humana. Ou seja, aquilo que se dá na passagem de atos a fatos e que compondo com outras mônadas forma o que se poderia chamar uma "inteligência coletiva" emergente na atualidade desde um "meio técnico-científico-informacional". Meio produtor e produzido por uma diversidade crescente de instrumentos tecnológicos de natureza técnica-científica-informacional, como por exemplo os inúmeros "aplicativos" de telefones "inteligentes" e, em nosso caso, o sig. Assim, o SIG que venha a se constituir a partir de um sig e sob sua regência tem uma dimensão política, cultural, social e econômica, guardando sua intangibilidade e aparecendo apenas como sig. Apesar da aparente movimentação de pessoas, equipamentos e dados em mídias físicas, tudo que se refere ao SIG está se passando em uma esfera ou campo mental. O paradigma do modelo da alavanca chama atenção para uma tétrada bem determinada e sempre presente onde se passa de atos a fatos, ou seja, onde "fazer" ganha importância sobre ser-pensar, ou praxis sobre theoria: pessoa-instrumento-problema-meio (este compreendendo organização e contexto).

 

Modelo SIG x Causas Aristotélicas

 

Esta tétrada pode ser comparada com as quatro causas aristotélicas: causa material, causa formal, causa final e causa eficiente. Na interpretação de Heidegger (2002), "as quatro causas são os quatro modos, coerentes entre si, de responder e dever". Assim parafraseando Heidegger posso dizer: no SIG, que se dá e propõe em um laboratório de pesquisa ou uma empresa, "regem e vigem quatro modos de dever e responder. Entre si são diferentes, embora pertençam um ao outro na unidade de uma coerência".

Para nos precavermos dos mal-entendidos acima mencionados sobre o que é dever e responder, tentemos esclarecer seus quatro modos, a partir daquilo pelo que respondem. [...] Dar-se e propor-se (ύποκεΐσθαι) designam a vigência de algo que está em vigor. É que os quatro modos de responder e dever levam alguma coisa a aparecer. Deixam que algo venha a viger. Estes modos soltam algo numa vigência e assim deixam viger, a saber, em seu pleno advento. No sentido deste deixar, responder e dever são um deixar-viger. A partir de uma visão da experiência grega de responder e dever, de αιτία, portanto, damos aqui à expressão deixar-viger um sentido mais amplo, de maneira que ela evoque a essência grega da causalidade. O significado corrente e restrito da expressão deixar-viger diz, ao contrário, apenas [16] oferecer oportunidade e ocasião, indicando assim uma espécie de causa secundária e sem importância no concerto total da causalidade.

 

 

Componentes do Modelo Figurativo do SIG

Componentes do Modelo Figurativo do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 04:22

Passando da visão geral do modelo figurativo e do quadro em que se encerra, entendido como o ambiente social, político, econômico e cultural, para a consideração das entidades individuais do modelo, outras tantas metáforas se apresentam; algumas relativas a cada entidade de per si, e outras, às suas inter-relações. Tratar de cada entidade ou componente do modelo não pode deixar de lado o modelo de que faz parte. Tanto mais se considerado o "dar-se e propor-se" do SIG segundo as quatro causas aristotélicas fica ainda mais evidente que causa material, causa formal, causa final e causa eficiente, se apresentam enquanto um "dever e responder" assim qualificado de material, formal, final e eficiente, de modo relativo e dinâmico. É fundamental ter em mente que cada componente do modelo assume sua condição causal e sua qualificação, dependendo da conjuntura e circunstância em que se dá a constituição e instituição do SIG a partir do sig.

Alavanca

Alavanca mccastro qua, 08/05/2015 - 04:24

Começando pela entidade "alavanca", representando o sig, a tecnologia no modelo figurativo, se tem mais uma vez a revelação do SIG a ser constituído, como um “arte-fato” (arte instanciando e instanciada em fato), centrado em um instrumento (até literalmente, no desenho do modelo figurativo), e sua decorrente metodologia de aplicação. O SIG, no entanto, não é a simples implementação de um instrumento, mas, muito pelo contrário, se funda na realização da potencialidade do sig, por meio da arte humana ou técnica (a techne dos gregosA techne no pensamento antigo grego era muito mais do que a técnica moderna, pois segundo Heidegger (2012, p. 21) era o primeiro dos cinco modos de des-velamento (aletheuein) consignados por Aristóteles como "caminhos possíveis, que estavam abertos para a existência grega experimentar e inquerir o ente do mundo" (HEIDEGGER 2012, p. 22). A techne deveria ser traduzida desta maneira como arte, ou saber-fazer, ou perícia — na ocupação, na manipulação, na produção.), exercida exclusivamente por um "ser" humano, desde uma ideia, consignada a priori, segundo sua materialização em tecnologia da informação. Uma ideia com raízes profundas na gênese da Razão Moderna, assim conjurada pela metafísica da Modernidade. Portanto, é preciso se começar por uma breve investigação das raízes deste tipo de tecnologia, na história do pensamento ocidental moderno, para mais adiante, continuar a análise do SIG consoante as metáforas decorrentes da entidade alavanca, enquanto símbolo-central do modelo figurativo.

Não esqueçamos que a alavanca talvez seja a ferramenta humana mais antiga; inclusive Arquimedes teria dito algo como, "dê-me um ponto de apoio e desloco a Terra com uma alavanca". A alavanca é um bastão que se apresenta como uma extensão do braço humano, que tendo seu fulcro apoiado em um solo, ou em si mesmo (um bastão em outro bastão) como no caso do alicate, pode potencializar a força humana. Consideramos a metáfora das diversas formas de alicates como diferentes figurações de um mesmo princípio, qual seja aquele que se vela sob a tecnologia da informação, enquanto engenho de representação e mímese da inteligência humana.

Alicate

A “Maquina Universal” sob o sig

A “Maquina Universal” sob o sig mccastro qua, 08/05/2015 - 04:32

O sig é um software, ou seja a combinação de um programa de computador + uma base de dados. É uma camada de "algoritmos + dados" revestindo uma tecnologia da informação. A tecnologia da informação aparece então travestida em "geógrafo virtual" capaz de atender as necessidades de representação e análise espacial, desde que sua base de dados espaciais e de atributos dos mesmos, esteja devidamente carregada, segundo o protocolo que o sig estabelece para tal. Uma vez a fantasia de sig seja preenchida com um "corpo" de dados ela parece ter vida e poder ser exercitada para representar e analisar este corpo de dados. Pierre Lévy escreveu dois livros, "A Máquina Universal" e "Tecnologias da Inteligência", que bem descrevem a tecnologia da informação, ou como prefere chamar a "tecnologia da inteligência" que se assenta por sobre a noção de máquina universal, elaborada na primeira metade do século XX, especialmente por Alan Turing.

 

Alavanca

A noção de "máquina universal"

A noção de "máquina universal" mccastro ter, 08/28/2018 - 19:42

Desde a suspeita de Hobbes de que pensar é calcular, que a Modernidade se amparou da noção de que a lógica pode ser codificada, como Boole tentou na primeira metade do século XIX, mas que mesmo Leibniz, no século XVII, já era de certo modo precursor com sua "característica universal". As ideias-motoras da informática já estavam se apresentando aguardando tão somente seu ordenamento e aplicação no século XX, por Turing, Weiner, von Neumann e outros, em uma concepção que perdura até hoje, mesmo quando se trata da moderna "inteligência artificial": a "máquina universal".

 

Máquina Universal

Componentes da Alavanca

Componentes da Alavanca mccastro qua, 08/05/2015 - 04:40

A alavanca, a ferramenta propriamente em sua estrutura mais simples, tem duas partes um bastão e um fulcro, seu ponto de apoio. Este fulcro no caso do sig, é o computador que hospeda este software ou programa e sua base de dados. Este computador precisa de uma infraestrutura que o sustente operacionalmente. Em grandes empresas ou laboratórios de pesquisa este contexto é constituído pela Arquitetura do Sistema de Informática da organização e o ambiente de trabalho em que se situa o sig, sobre o computador, sobre este Sistema de Informática.

Por sua vez, o bastão, no caso do sig, pode ser visto como o software e sua base de dados, ou seja, algoritmo+dados. Onde o algoritmo se encarrega da representação cartográfica e análise espacial, assim como de todo o interface com o usuário, e os dados se organizam em uma base de dados espaciais e seus atributos, bem próximos ao problema, ou seja, codificados, georeferenciados e interconectados, de maneira eficaz e eficiente para "representar" o problema (a pedra tocada pelo bastão no modelo figurativo), naquilo que pode ser representado enquanto dados geométricos e topológicos, em uma base de coordenadas de objetos espaciais, e dados quantitativos e até qualitativos, relativos a cada objeto espacial.

 

Alavanca = bastão + fulcro

Arquitetura técnica sustentando o sig

Arquitetura técnica sustentando o sig mccastro qui, 08/06/2015 - 16:08

A Arquitetura do Sistema de Informática de uma organização é composta basicamente de:

  • TECNOLOGIA, reunindo toda a tecnologia da informação e da comunicação implementada;
  • DADOS, compreendendo todos os dados codificados e armazenados no banco de dados da organização, este composto de bases de dados preferencialmente integradas entre si;
  • APLICAÇÕES, as diversas camadas de programas básicos, utilitários e aplicativos, assim como as camadas de protocolos de comunicação e transferência de dados entre os mesmos.
  • SERVIÇOS, as inúmeras funções e serviços necessários para manter TECNOLOGIA, DADOS e APLICAÇÕES disponíveis e responsivos.

As duas faces do cubo não visíveis correspondem ao lado humano da Arquitetura que planeja, supervisona e gere do nível coletivo ao individual a própria existência do Sistema de Informática.

 

Sistema de Informática

Estrutura do sig

Estrutura do sig mccastro qui, 08/06/2015 - 16:19

Todos os pacotes sig atualmente oferecidos no mercado têm uma estrutura tecnológica similar: um "engenho de representação e análise espacial", uma base espacial com seus atributos, utilitários que completam a funcionalidade do engenho e um programa de interface com o usuário.

 

Estrutura do sig

SIG, “Paradigma Informático” e Ideologias

SIG, “Paradigma Informático” e Ideologias mccastro qua, 08/05/2015 - 04:38

O computador de qualquer geração que seja, é uma implementação da denominada "máquina universal" de Turing. Po sua universalidade se apresenta como "potência de todos os possíveis". No caso do sig, virtualiza o geógrafo pela concepção e implementação de um "geógrafo virtual" como um conjunto de possibilidades que guarda em potência. Sua capacidade de realizar operações segundo uma lógica formal sobre dados simbólicos, registrados como sinais digitais garante a passagem de potência a ato das possibilidades de representação cartográfica e análise espacial do "geógrafo universal" que busca aparentar ser. Sua base de dados armazena e oferece acesso ao "espaço geográfico" reconhecido como um conjunto de objetos espaciais que foram pulverizados de sua realidade analógica em sinais digitais que se referem às representações geométricas e topológicas e dados quantitativos e qualitativos, destes mesmos objetos espaciais.

 

Paradigma informático

Duas ideologias fundamentam o sig, imprimindo uma intencionalidade definitiva sobre este software enquanto vestimenta da máquina universal, travesti de "geógrafo virtual", fazendo dele O QUE É, um engenho de representação e análise espacial. Estas ideologias, enquanto ideias mentoras da Modernidade, vão sustentar e garantir a constituição e instituição do SIG a partir do sig.

Ideologias SIG

Pedra

Pedra mccastro qua, 08/05/2015 - 05:13

No modelo figurativo do SIG, a "pedra" indica o problema a ser solucionado, geralmente pela consecução de tarefas. A metodologia que identifica e ordena estas tarefas está pré-programada no sig e orienta a própria interpretação de qual seja o problema a solucionar. Ou seja, cada tarefa ditada pela metodologia de desenvolvimento de um SIG desde um sig, já conta de antemão com funções coadjuvantes do sig. Estas funções apoiam e conduzem cada tarefa a sua consecução. Na completa consecução das tarefas, o problema estaria solucionado ou desdobrado em um novo problema ou outros tantos mais.

O problema se enquadra como sistema-objeto, ou uma interpretação ou leitura de tal sistema. Cada tradução sucessiva do problema em um sistema-objeto, no sentido de objetivação da adequada composição de todos os componentes do modelo da alavanca são como perspectivas possíveis da conjuntura e circunstância em que se situa a pedra a ser abordada pelo sig. Atualmente, com as sucessivas e variadas aplicações do sig, já se tem uma taxionomia de domínios de problemas e tarefas em que pode se constituir um SIG para sua abordagem. Cuidado especial para a possibilidade de "soluções em busca de problemas", estratégia muito comum na propaganda e disseminação do sig.

A PEDRA

Domínios de problemas/tarefas

Domínios de problemas/tarefas mccastro qua, 08/05/2015 - 05:19

A partir desta concepção, seria válida qualquer tentativa de se identificar domínios de tarefas (referentes a diferentes paisagens organizacionais), além daqueles cobertos pela tradicional “informatização de escritórios"A aplicação generalizada da informática para apoiar todo trabalho de escritório, incluindo as atividades de comunicação interna e externa, predominantes dentro de um escritório. em curso, onde possam se constituir especificamente artefatos do tipo SIG.

Refiro-me, como sempre, ao SIG, enquanto um aparato determinado por um modelo genérico de Geoprocessamento, segundo o paradigma informático, porém com uma vestimenta condizente, exatamente de acordo, com sua esfera de atuação, segundo um ideal de gestão e um “sistema-objeto”, onde se candidata como aplicação.

Segundo essa linha de pensamento, o SIG tem na organização, e em especial no meio ou paisagem em que busca se coadunar, um “pano de fundo” hermenêutico para a interpretação de sua natureza, sobre o qual se poderiam identificar os seguintes domínios particulares de tarefas, candidatas a seu uso: marketing, administração pública, análise sócio-espacial, análise ambiental.

Esses domínios de tarefas, ou esferas de aplicação potencial do SIG, vêm passando por toda a sorte de mudanças, uma metamorfose que tem como principal catalisador o fato de estarem submetidas a própria informatização. De fato, enquanto categorias de tarefas, simbolizadas de forma sintética pela pedra do modelo figurativo, elas impõem diferentes requisitos sobre o componente alavanca, assim como são, pelo mesmo, influenciadas, e até condicionadas.

 

Marketing

Marketing mccastro qua, 08/05/2015 - 05:21

Marketing ou geomarketing é uma esfera de uso crescente de tecnologias da informação, que encontrou no sig o instrumental perfeito para apoiar suas análises geodemográficas, visando o reconhecimento de uma possível “diferenciação de áreas espaciais”, de acordo com seus perfis populacionais, analisados segundo sua qualificação como consumidores potenciais; a geodemografia, no centro da atual revolução na pesquisa em marketing, incorpora uma estratégia que visa exercer sobre a vida do dia a dia, o poder de uma racionalidade construída sobre informações, que permitem as instituições públicas e privadas “saber quem somos e onde moramos”GOSS, J. “We Know Who You Are and We Know Where You Live: The Instrumental Rationality of Geodemographic Systems”, Economic Geography, 1994; “Marketing the New Marketing - the Strategic Discourse of Geodemographic Information Systems”, in Pickles, J. (ed.), Ground Truth. New York: The Guilford Press, 1995.; a geodemografia é justamente a metodologia, a roupagem, que vestindo o sig, permite aos profissionais de marketing elucubrações sobre o comportamento de consumidores, com base em modelos de identificação e localização residencial.

Administração Pública

Administração Pública mccastro qua, 08/05/2015 - 05:29

A administração pública enquanto capacidade de governo de um território é um imenso potencial de aplicações do Sistema de Informação Geográfico, que vai desde sua utilização pioneira e progressiva em sistemas cadastrais, os denominados Land Information Systems - LIS, passando por sua adoção em inúmeras outras aplicações que visam espacializar dados de gestão de território e engenharia ambiental, até seu uso para fins estratégicos e militares; os sistemas cadastrais possibilitam a construção de inventários integrando registros com atributos básicos, gestores de qualquer objeto espacial considerado como recurso, com dados espaciais sobre a geometria e a topologia destes mesmos objetos; desta maneira, o SIG manifestando-se sob a forma de distintos sistemas cadastrais se apresentam como os candidatos naturais, tanto para a administração pública, como para a administração privada ou em vias de privatização de serviços públicos, como luz, gás, telefone etc...

Análise Sócio-Espacial

Análise Sócio-Espacial mccastro qua, 08/05/2015 - 05:33

A análise sócio-espacial é domínio de problemas/tarefas onde se tem a pretensão de, por meio do SIG, explorar novas relações além da econômica, ou seja, outras dimensões que vêm sendo desconsideradas dentro do modelo desenvolvimentista ocidental, no qual este tipo de análise encontra seu lugar predileto; o que não poderia ser obtido pelo incansável aperfeiçoamento dos modelos econômicos, ou pela simples tentativa de matematização dos fenômenos; através da abordagem sócio-espacial, à qual se candidata uma classe de SIG, é possível se pôr em prática uma análise, dentro de uma concepção holística, reconhecendo seu objeto como a sociedade concreta, corporificada pelas dimensões dos processos e relações sociais (economia, política, cultura), pela dimensão espacial, e pela dimensão temporal (histórica) refletida nas dimensões anteriores; afinal de contas, o espaço não é o contexto vazio e neutro onde têm lugar os fenômenos, como conceitua a Física clássica; o espaço simboliza e é simbolizante do social, embora não possuindo uma dinâmica própria, independente dos processos sociais; o espaço condiciona as relações e os processos sociais que o modelaram através de uma dialética sócio-espacial; uma vez produzido, este espaço passa a influenciar e eventualmente determinar, através de sua materialidade e de seu conteúdo simbólico, os futuros processos sociais.

Análise Ambiental

Análise Ambiental mccastro qua, 08/05/2015 - 05:36

A análise ambiental atende à esfera de problemas ambientais. Segundo Xavier da SilvaXAVIER-DA-SILVA, J. “Geoprocessamento e Análise Ambiental”, RBG 54 (3), 1992; “Análise Ambiental da Apa de Cairuçu”, RBG 50 (3), 1988a; Análise Ambiental. Rio de Janeiro, UFRJ, 1988b; “Sistemas de Informação Geográfica: uma Proposta Metodológica”, Anais da IV Conferência Latinoamericana sobre Sistemas de Informação Geográfica e II Simpósio Brasileiro de Geoprocessamento, São Paulo, USP, 1993; “Geomorfologia e Geoprocessamento”, in A. J. T. Guerra & S. B. da Cunha (ed.), Geomorfologia. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1994; “A Pesquisa Ambiental no Brasil: Uma Visão Crítica”, in B. Becker, A. Christofoletti, F. Davidovich & P. Geiger (ed.), Geografia e Meio Ambiente. São Paulo, Hucitec, 1995., tem sua ocorrência dentro das dimensões básicas, territorial e temporal, do mundo físico, o que permite o uso de registros de ocorrências passadas, para identificar a evolução do fenômeno em estudo; desta forma procedimentos de diagnóstico e de prognose podem se estabelecer, “vestindo” o Sistema de Informação Geográfico com a metodologia adequada para formalização de procedimentos analíticos, tais como: inventários ambientais, monitorias, assinaturas, avaliações, cenários prospectivos e outros; a ampla difusão do SIG na análise ambiental, enfrenta, no entanto, algumas dificuldades por conta da diversidade de articulações a serem representadas, correspondendo ao contato, interação, fragmentação e miscigenação de elementos, sobre as quais evoluem as formas geográficas representadas pela paisagem; a paisagem, possível objeto da análise ambiental, está sujeita a processos, e, portanto a modificações e desenvolvimentos; tratam-se de processos naturais decorrentes da geomorfologia, do clima, da organização de plantas e animais, do desenvolvimento do solo e de perturbações de diversas ordens; atualmente a atuação antrópica é um dos fatores principais dentro das perturbações mencionadas, pois afeta os ritmos naturais e modifica diretamente a paisagem; some-se ainda o fato que, no estudo dos processos, deve-se procurar articular diferentes escalas de espaço e de tempo, além do exame comum dos fluxos entre elementos adjacentes na paisagem; o movimento, o funcionamento e as mudanças que operam na paisagem representam o maior desafio para a compreensão do pesquisador, e consequentemente, para sua representação no SIGHAINES-YOUNG, R. et alii. Landscape Ecology and Geographical Information Systems. Londres: Taylor & Francis, 1993..

Articulação alavanca-pedra

Articulação alavanca-pedra mccastro qua, 08/05/2015 - 06:06

A articulação entre o bastão da alavanca (sig) e a pedra, no modelo figurativo do SIG, representa a Base de Dados que se apropria dos dados do problema (a pedra) segundo a estrutura de dados mais adequada aos requisitos do problema e mais acordada aos requisitos do software sig.

Base de Objetos Espaciais

 

Complementos do sig

Complementos do sig mccastro qua, 08/05/2015 - 06:08

Convém lembrar ainda, que o sig requer, para sua plena apropriação e consequente constituição do SIG, de alguns complementos fundamentais para a informatização de um outro conjunto de tarefas relevantes, intimamente associadas com a instituição de um SIG.

Subsistema de Referencia a Dados

Subsistema de Referencia a Dados mccastro qua, 08/05/2015 - 06:10

Subsistema de Referencia a Dados, abrigando um conjunto de descrições sobre todos os dados disponíveis para os pesquisadores, documentando sua origem, procedência metodológica, entidade responsável pela produção, publicação ou acervo da qual faz parte, características de coleta, captura e representatividade; este sistema deve atuar como “pano de fundo” das bases de dados e das base espaciais, geradas e utilizadas pelos pesquisadores, garantindo a descrição necessária de todo e qualquer “item de dado” destas bases.

Subsistema de Códigos Locacionais

Subsistema de Códigos Locacionais mccastro qua, 08/05/2015 - 07:35

Subsistema de Códigos Locacionais, documentando as distintas especificações de estrutura espacial adotadas pelos pesquisadores; não só a divisão política-administrativa, mas todas as formas de divisão territorial, especialmente aquelas criadas pelo estudo do espaço geográfico, são geocodificadas, descritas e controladas, juntamente com as respectivas bases espaciais a que se referem.

Subsistema de Legislação

Subsistema de Legislação mccastro qua, 08/05/2015 - 07:37

Subsistema de Legislação Territorial, referenciando e resumindo toda a legislação que possa representar uma imposição normativa relevante, do político-institucional em atuação na configuração do espaço geográfico em estudo.

Subsistema de Programas Afins

Subsistema de Programas Afins mccastro qua, 08/05/2015 - 07:38

Subsistema de Programas Afins, documentando todo e qualquer programa governamental ou não, que esteja atuante, através do político-institucional, na organização do espaço em estudo.

Pessoa

Pessoa mccastro qua, 08/05/2015 - 07:41

A PESSOATipologia de usuários

 

Formação em Geografia

Formação em Geografia mccastro qua, 08/05/2015 - 07:45

Alguma formação em Geociências é imprescindível, pela própria natureza do SIG, especialmente quando sua aplicação for orientada para a Análise Ambiental ou Sócio-Espacial. Não só pela capacidade que aufere, nem que seja teórica, de buscar incessantemente um alinhamento harmônico entre tecnologia, Geografia e geógrafo, mas também pelo estímulo a trilhar determinados caminhos da inteligência e da competência, só parcialmente refletidos nos processos automatizados ofertados pelo SIG. O SIG reúne em si, em sua constituição enquanto artefato tecnológico, assim como em sua instituição enquanto processo de informatização, diferentes disciplinas científicas: geografia, planejamento urbano e regional, engenharia ambiental, informática, cartografia, geodesia, fotogrametria, sensoriamento remoto, ciências cognitivas, estatística espacial, psicologia comportamental, e outras tantas, interessadas na espacialização das informações). Dentre estas, um lugar privilegiado deve ser dado à Geografia, destaque especial já impresso no próprio título “SIG”. Segundo um dos mais reconhecidos especialistas em SIG, o geógrafo Michael F. Goodchild, de todas as disciplinas, a Geografia é claramente a única capaz de reduzir a distância entre inteligência e aplicação do SIG, ou seja, a habilidade de combinar uma compreensão do fenômeno geográfico real com as questões relativas a suas possíveis representações, em uma base espacial digital. A representação espacial é uma parte vigorosa da educação de um geógrafo, e, portanto, deve refletir uma compreensão ampla dos processos implicados e explicados na paisagem geográfica [Goodchild, 1995]. Essa colocação vai ao encontro do que afirma o geógrafo Yves Lacoste, quando ressalta o papel explicativo da Geografia, muito além de sua clássica forma descritiva. Neste papel explicativo, a Geografia não se limita às coincidências e interseções entre múltiplos conjuntos espaciais de diversas ordens de grandeza, passíveis de serem representados por um SIG; visa também as interações entre as diferentes espécies de fenômenos, que foram assim delimitados cartograficamente; e, após observadas as nuanças e os contrastes das configurações concretas de um território ou de uma paisagem, busca lhes explicar, desembaraçando o novelo de fenômenos atuais e as marcas que deixaram aqueles do passado [Lacoste, 1982].

Competência em informática

Competência em informática mccastro qua, 08/05/2015 - 07:47

Alguma competência em informática, enquanto tecnologia básica do SIG, impregnada por uma metodologia de sistematização e tratamento de informações, é também indispensável, para que o usuário do SIG possa se sentir mais a vontade na sua adoção. Em particular, para que possa Ser capaz de exercer um senso crítico do SIG, para que possa contemplar suas limitações, algumas imanentes ao próprio modelo informacional, imposto pela tecnologia.

Tipologia de Usuários SIG

Tipologia de Usuários SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 07:53

Da mesma forma que se tentou estabelecer uma tipologia de tarefas, é necessário também que se elabore uma categorização que enfoque as pessoas, enquanto usuárias do SIG. Uma taxinomia que ofereça uma maior compreensão da variedade de usuários em contato com o SIG, e, portanto, da diversidade de requisitos impostos sobre o “ser-no-mundo” deste instrumental. Além da tradicional classificação, em níveis de aptidões do “noviço” até o “especialista”, baseada no expertise do indivíduo no problema ou no instrumento, propõe-se um espaço classificatório em três dimensões, que poderia oferecer uma descrição melhor do perfil dos usuários do SIG, tomando por base aspectos da interação pessoa-tecnologia:

  • usuário que desenvolve em diferentes graus o SIG, combinando e transformando as entidades que o compõem, segundo o modelo figurativo, de acordo com as suas necessidades, inclusive definindo e implementando sua base espacial e de dados, assim como os parâmetros de seus algoritmos de análise e apresentação de resultados;

  • usuário que opera o SIG já desenvolvido e implementado, desde o acionar apenas seus comandos de apresentação, impressão de resultados, e operação de outros dispositivos de sua configuração, até sua atuação em conexão com o SIG, dentro e fora da instituição onde se insere este último;

  • usuário que controla, em diferentes níveis, a própria existência do SIG, garantindo sua disponibilidade em conformidade com objetivos institucionais, sociais, políticos, culturais e econômicos.

Tipologia Usuários

Solo

Solo mccastro qua, 08/05/2015 - 08:04

A entidade solo, representando a organização que ordena, integra, dirige, combina e sustenta as entidades que sobre ela se assentam (pessoa-alavanca-pedra enquanto pessoa-tecnologia-tarefa), é a base de onde emanam, pela influência do ambiente social e político, os problemas (traduzidos em tarefas) a serem enfrentados pelas pessoas-tecnologias, por sua vez, congregadas pela, ou congregando a própria organização.

Modelo de Organização

Modelo de Organização mccastro qua, 08/05/2015 - 08:09

Uma organização é fruto da coalescência de estratégias, processos, pessoas, estilos gerenciais, aptidões, estrutura se dando ao redor de e em ressonância a valoresMINTZBERG, H. & QUINN, J.B. The Strategy Process. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1991.. Sem uma organização com todos estes ingredientes sustentando um sig, jamais há de haver a constituição e instituição de um SIG. Assim como em nosso modelo figurativo do SIG, uma alavanca sem solo onde apoiar jamais coadunará os demais componentes do modelo em ação.

 

Organização

Sistema de Informática

Sistema de Informática mccastro qua, 08/05/2015 - 08:12

A parte visível de um Sistema de Informática é composta de tecnologia, dados e aplicações, cercados de serviços que sustentam sua operacionalidade, disponibilidade e responsividade. Os outros três lados não visíveis (inteligência, emoção e mobilidade) representam os aspectos humanos que garantem a existência e visibilidade dos três lados visíveis.

 

Sistema de Informática

Comercialização do SIG

Comercialização do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 08:16

Lamentavelmente há uma propaganda enganosa dos fornecedores de pacotes sig, disseminando a ilusão de que investindo na compra ou adoção de um pacote desta natureza se tem um SIG ou pelo menos se está a meio caminho de um SIG. A constituição e instituição de um SIG não é de maneira alguma garantida pela simples aquisição de um sig. Por mais encantamento que se tenha pelos resultados de representação e análise espacial ilustrando a documentação e as apresentações dos fornecedores de sig, é preciso comedimento com o entusiasmo e fascinação pelo pacote sig. Um SIG é uma construção árdua porém segura e produtiva. Entretanto seus produtos e resultados muitas vezes não terão o esplendor e ornamentação dos resultados apresentados nos folhetos e promocionais de um sig.

 

Só o sig é vendido...

Geoprocessamento

Geoprocessamento mccastro qua, 08/05/2015 - 08:17

Para que o geoprocessamento efetive sua agenda de informatização das Geociências, é preciso que na construção de um SIG para um projeto de pesquisa haja uma submissão à regência do sig, enquanto engenho de representação e análise espacial. Nesta condição de regente da representação e análise, o sig é em grande parte determinante da metodologia a ser seguida. Ao mesmo tempo, seus protocolos de entrada de dados serão ordenadores das "transformações metafóricas" pelas quais devem passar os dados a serem apropriados e processados pelo engenho.

Geomática

Institucionalização do SIG

Institucionalização do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 08:21

Quanto mais funcionalidade for apropriada do sig na constituição e instituição de um SIG, maior será o impacto no projeto, no laboratório, na organizaçãoPAVA, C. Managing New Office Technology. An Organizational Strategy. New York: Free Press, 1983..

Transformação

Intercâmbio de dados

Intercâmbio de dados mccastro qua, 08/05/2015 - 08:24

É mandatório na apropriação do sig na constituição e instituição de um SIG acatar protocolos de codificação de geodados, georeferenciamento, assinaturas, etc. Neste sentido faz-se necessário o desenvolvimento de um sistema de metadados ao longo de toda apropriação do sig.

padrões

Quadro

Quadro mccastro qua, 08/05/2015 - 08:31

O ambiente social, político, cultural e econômico, representado pelo quadro no modelo figurativo, “emoldura” as demais entidades do modelo, lhes conferindo um recorte específico na paisagem, um destaque especial para sua dinâmica, e toda uma “razão de ser” para o que representa, ao mesmo tempo que se deixa ocultar sob o realce natural dado a figura em si.

O quadro, moldado nos últimos quatro séculos pela exaltação da Razão Moderna, estabeleceu a direção e as condições necessárias para constituição de uma cercadura sobre o “fazimento” humano tendo como vértices: a Ciência, a Técnica, a Epistemologia e a Prática, modernas. Estes polos sobre a dita cercadura se projetam ou se refletem não só sobre a figura enfocada (pessoa-alavanca-pedra-solo), mas também sobre sua própria forma e ordenação; estas últimas, por sua vez, se apresentam como a própria expressão destes polos ou vértices, verdadeiras forças modeladoras, no sentido de D’Arcy Thompson (1966).

A constituição social, política, cultural e econômica de um Sistema de Informação como o SIG, tem sido objeto de inúmeras análises. Algumas, mesmo partindo de uma visão cândida de “geração espontânea” do objeto técnico, no mínimo reconhecem e valorizam seus impactos sobre a relação Sociedade e Natureza, e sobre cada uma diretamente (Sheppard, 1995 e Pickles, 1995). As condições impostas pelo quadro sobre as entidades do modelo figurativo, determinam e configuram seu ente, sua entidade, desde sua concepção até sua operação.

Considerado o modelo figurativo como uma justa representação do SIG, poderia se aventar a possibilidade de que sua imagem do “fazimento” humano, embora primitiva e ingênua, não deixe de ser capaz de retratar, através de traços impressos em sua morfologia, a atuação de um “campo de forças” engendrado e mantido pela Razão Moderna.

Quadro

 

Centralidade da técnica no modelo e no quadro

Centralidade da técnica no modelo e no quadro mccastro qua, 08/05/2015 - 13:41

Em seu desenho, em sua configuração, o modelo figurativo do SIG, de fato, reflete a primazia, a centralidade da técnica, materializada na tecnologia do SIG, o sig, ressaltando:

  • seu papel instrumentalizador dentro de uma ciência moderna, que parte do privilégio dado à antinomia e à distância entre sujeito e objeto;
  • sua mediação promotora de uma epistemologia com forte embasamento lógico-matemático; e,
  • seu agenciamento imperialista e monopolista de toda e qualquer prática humana.

De fato, tocando localmente cada indivíduo e traçando inúmeros caminhos, diretos e indiretos, do local ao global, a tecnologia da informação sobre a qual se assenta o SIG, em associação com as redes de telecomunicações, se estabelece como um dos principais resultados do moderno “vetor tecno-científico” (BECKER, 1988)BECKER, Bertha. “A Geografia e o Resgate da Geopolítica”, in RBG 50. Rio de Janeiro: IBGE, 1988., capaz de infligir, pouco a pouco, uma profunda metamorfose sobre as antigas grandes instâncias ou instituições encarregadas do global: Estado, Direito, Igreja, Bancos e Bolsas, Escolas e Universidades (SERRES, 1994)SERRES, M. Atlas. Paris: Julliard, 1994..

 

 

Tecnologia da Informação em Rede

Tecnologia da Informação em Rede mccastro qua, 08/05/2015 - 13:44

O filósofo das ciências Michel Serres (1994), é um dos autores solidário a essa constatação: o artefato tecnológico informacional e a rede de comunicações que interliga suas distintas implementações, impõem uma nova malha espaço-temporal, e podem vir a ter, desta forma, a capacidade de deslocar ou até mesmo dissolver as instâncias do político, do religioso, do direito, da cultura e do saber; as relações de poder, de violência e de força; o comércio e o dinheiro; enfim, as principais instâncias encarregadas desde a aurora da história, de fazer surgir e forjar a relação social.

Esta fascinação que exercem atualmente as mídias, segundo Serres, seria menos sobre o espetáculo de som e imagens que veiculam, do que sobre a descoberta estonteante de que existimos juntos, segundo relações que enfim construímos. Renasce a Utopia, o não-lugar da “realidade virtual”, o grande sonho de todos os tempos, de tecer de novo, na e pela tecnologia da informação, o “tecido social”, longe das relações de poder, de bens e de dinheiro, de meio geográfico...

Serres, no entanto, questiona com toda pertinência: quem comandará este “malha informacional”, o badalado Ciberespaço?; será, mais uma vez, o capital, que se reforçando, se tornando virtual e se apropriando deste mundo sem fronteira, irá conquistar a subjetividade e em definitivo o espaço, o tempo, as coisas, os seres humanos, o próprio devir?

Paul Virilio (1993) é outro pensador que também nos alerta para o risco da difusão progressiva de uma “cibernética sócio-política” que tende à excluir, não somente os mais fracos, mas o livre arbítrio do trabalho humano, em prol de uma “convivência interativa”, que nada mais é do que “uma servidão discreta do ser às maquinas ‘inteligentes’”.

Neste mesmo trabalho, Virilio considera que o ambiente “real”, o espaço das cidades e dos campos, não escapando mais à influência da informatização da Sociedade, será cartografado digitalmente, ampliado ao longo de uma dimensão simulada (o ambiente virtual do computador), analisado e monitorado eletronicamente, e, finalmente, sujeito às decisões e intervenções que se julgarem necessárias sob esta ótica puramente informacional.

Natureza Primeira, Segunda e Terceira

Natureza Primeira, Segunda e Terceira mccastro qua, 08/05/2015 - 13:47

O fato incontestável é que a informatização dos meios sociais de pesquisa, produção, consumo, administração, destruição, educação e entretenimento, pervagando toda a Sociedade vem promovendo enquanto base arquitetônica de uma Natureza Terceira, a fractalização das culturas, das economias, e dos espaços, sob a tensão global-local.

O geógrafo Timothy LukeLUKE, T. W. “Placing Power/Siting Space: The Politics of Global and Local in the New World Order”, in Environment and Planning D: Society and Space 12 (613-628), 1994., em uma recente revisão crítica da Geografia, retoma as ideias de Natureza Primeira e Segunda, e verifica que ambas partilham em suas construções originais de uma certa previsibilidade e confiabilidade, sobre as quais se assentam toda a ideologia de progresso e de desenvolvimento. Entretanto, as noções e os conceitos que estas ideias instituíram em suas origens, já não captam mais, por inteiro, as mudanças em andamento na própria tecnoesfera industrial da Natureza Segunda, nem mesmo na biosfera ecológica da Natureza Primeira. Estas construções estão sendo sobrepostas, interpenetradas, desestabilizadas e reconstituídas por uma Natureza Terceira, da “ciberesfera informacional”.

Meio técnico-científico-informacional

Meio técnico-científico-informacional mccastro qua, 08/05/2015 - 13:55

A concepção de um “meio técnico-científico-informacional”, proposta por Milton Santos (1994), impondo um novo sistema da natureza, parece se assemelhar bastante a esta ideia de Natureza Terceira. Santos afirma que o “meio técnico-científico-informacional” é a nova cara do espaço e do tempo, onde progressivamente “se instalam as atividades hegemônicas, aquelas que têm relações mais longínquas e participam do comércio internacional, fazendo com que determinados lugares se tornem mundiais”. Santos conclui que o espaço geográfico em via de (re)constituição tem uma “substância científico-tecnológico-informacional”. Este espaço não é nem um meio natural, nem um meio técnico, mas a simbiose dos dois. A ciência, a tecnologia e a informação estão na base mesma de todas as formas de utilização e funcionamento do espaço, da mesma forma que participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas espécies (animais e vegetais). É a ‘cientifização’ e a ‘tecnicização’ da paisagem. É, também, a informatização, ou, antes, a ‘informacionalização’ do espaço. A informação tanto está presente nas coisas como é necessária à ação realizada sobre essas coisas. (SANTOS, 1994)

SIG e Razão Geográfica

SIG e Razão Geográfica mccastro qua, 08/05/2015 - 14:00

O sig se situa entre os objetos técnicos engendrados por este movimento unilateral da Razão Moderna, e, devido a seu poder e encantamento crescentes não só junto à comunidade de geógrafos mas além de suas fronteiras, precisa ser vivificado por uma dimensão desprezada no próprio âmago desta mesma Razão, a qual denominarei LogosA razão de ser da Inteligência está em sua adequação ao real, através de uma Razão apropriada e conduzida por um Intelecto (Logos), por sua vez capaz de refletir (speculare) esta Inteligência. Segundo a filosofia medieval, a Razão é a faculdade de relacionar a partir de princípios, contemplados pelo Intelecto; ou seja, o Intelecto “em movimento” (Chenique, 1975).. Só esta dimensão, favorecendo uma revoluçãoEm seu sentido literal de voltar, de retornar aos fundamentos da inteligência humana. no seio da própria Razão, pode lhe imprimir novos graus de liberdade e movimentação, que permitam contemplar em meio ao “fazimento” geográfico, a natureza, a ideologia e o valor do SIG, para que este último possa ocupar seu legítimo lugar e papel na Geografia.

Desafios impostos pelas tecnologias da informação

Desafios impostos pelas tecnologias da informação mccastro qua, 08/05/2015 - 14:03

 Para esta revolução é preciso, segundo o cientista político Lucien Sfez (1994), enfrentar três atitudes de pensamento que se inscrevem de forma insidiosa na Sociedade atual, se justapondo progressivamente, para “re-produzir” e “super-valorizar” de forma incondicional a mencionada Natureza Terceira:

  •  a primeira atitude é aquela que favorecendo o discurso da razão instrumental; predomina onde o homem livre diante da tecnologia que criou, a utiliza como uma ferramenta: com a tecnologia o ser humano desempenha as tarefas que determina, permanecendo “senhor e mestre” das atividades das quais concebeu o modo de realização eficaz e eficiente; esta atitude esquece que o aparato, o engenho, o instrumental, é na verdade a ponta de um iceberg, sua sombra se estende além de sua materialidade física, e seu papel de mediador entre pessoa e problema/tarefa acentua o peso da representação que impõe, como interface com a “realidade”;
  • a segunda atitude se manifesta quando, pela adoção contínua, o instrumento se torna familiar; se molda um contexto “natural” que passa a compor com o ser humano uma “estrutura orgânica”, na qual a tecnologia está no mundo, e este através dela é conhecido, partilhado e vivenciado; desta forma, o aparato tecnológico que sustenta a Natureza Terceira, conduz ao declínio do espaço real, de toda extensão, em prol da telepresença, daquilo que o filósofo Paul Virilio (1993) denomina “a intrusão intra-orgânica da técnica e de suas micro-máquinas no seio do vivente”;
  • a terceira e mais recente atitude, se revela pelo inconteste domínio do discurso da técnica, regendo uma visão do mundo, criando uma subjetividade individual e social, a nível de sua própria identidade; a Creatura do Dr. Frankenstein, como toda a sua história, retratam muito bem, embora de forma alegórica, este duplo de espaço social e natural, que vem sendo construído por sobre as tecnologias da informação.

Em uma brilhante análise, Lucien Sfez intitula esta última fase de “tautismo”, uma combinação de tautologia e autismo: um universo em que tudo é informação e comunicação, sem que se saiba a origem e a natureza da informação, sem que se possa determinar seu emissor legítimo ou seu receptor pretendido, o mundo técnico ou nós mesmos, nesse universo sem hierarquias, salvo emaranhadas, tanto a informação como a comunicação constroem sua própria auto-destruição, ou seja, pela sobrecarga e pelo excesso, ambas se desvanecem numa interminável agonia de espirais.

 

Desafios do SIG para a Geografia

Desafios do SIG para a Geografia mccastro qua, 08/05/2015 - 14:06

A Geografia, em particular, precisa enfrentar o desafio não apenas do SIG, mas dos sistemas informacionais que reordenam de diferentes formas as estruturas de pesquisa e de gestão da Sociedade e da Natureza, assim como os sítios institucionais do processo político, econômico, social e cultural, onde:

  • a “lógica da tecnologia”, pela exigência de sua universalização e globalização, em uma constante expansão, transforma tudo em objeto informacional e comunicacional, ao mesmo tempo;

  • a “informacionalização” institui novos códigos sócio-espaciais e sócio-crônicos que padronizam a representação da Sociedade e da Natureza, e de suas relações, apoiando e legitimando de forma insinuante os processos de análise ambiental e de gestão de território;

  • se assiste a coexistência da realidade concreta do lugar, expressa em termos de um contexto sócio-espacial, com as zonas de operação informacional, sustentadas pelo imaginário social alimentado por fluxos, acessos e processos informacionais.

Calibrando o Modelo Figurativo

Calibrando o Modelo Figurativo mccastro qua, 08/05/2015 - 14:16

“Calibrando” este modelo geral de um “Sistema de Informação”, sob a ótica de seu qualificador “Geográfico”, algumas considerações especiais podem ser desenvolvidas, no tocante, em particular, ao cenário nacional:

  • o ambiente social e político atual, o “ecotopo” típico do SIG, tem sido primordialmente ocupado por instituições públicas e acadêmicas, onde ainda mais se ressalta o teor social e político do SIG, com a necessária ênfase em questões relativas a Ética e a Democracia; a mundialização de uma ideologia da informação/informatização vem escondendo sob o manto de uma valorização exclusiva do núcleo tecnológico do SIG, o papel fundamental das demais entidades do modelo figurativo, especialmente a proporção de Geociências (enquanto teoria e práxis), imprescindível para a harmonia do modelo, e sucesso da empreitada SIG; empreitada em que sobressai muito mais sua constituição social, fundada na combinação de fatores culturais exógenos (especialmente a tecnologia estrangeira, prenhe de uma Weltanschauung e de uma decorrente abordagem metodológica) e endógenos, entre os quais se perfilam desde o imaginário nacional-desenvolvimentista até a indisponibilidade e o difícil acesso a dados sobre o país;

  • a organização, geralmente governamental, vive atualmente o desafio da privatização inconsequente, alimentada pela ideologia da perda de identidade do Estado e pela necessidade de se repensar a gestão democrática das instituições públicas; prevalecem, nesta conjuntura ideológica, os projetos com forte acento informacional (e, portanto, com uso intensivo de informática), que como caravanas atravessam os desertos em que vêm se transformando as instituições, se abastecendo aqui e ali de fundos e recursos nos oásis de financiamento nacionais e internacionais; uma empreitada do gênero SIG é impraticável em tais contingências, dada sua exigência de direção e continuidade de esforço;

  • qualquer problema/tarefa, neste contexto é definido de modo impreciso, dentro de projetos com preocupação maior no aporte de recursos tecnológicos, do que na pesquisa e desenvolvimento, no aprofundamento do conhecimento humano e sua projeção sobre Sociedade e Natureza; uma tipologia das problemas/tarefas, necessária para um melhor entendimento do SIG como também para sua direção e avaliação, fica o mais das vezes no campo conceitual;

  • a tecnologia, o núcleo tecnológico elementar do SIG, é geralmente ofertado no mercado de informática, como uma roupagem, uma fantasia a ser devidamente recheada pelo corpo de uma base espacial e de dados (e das demais entidades do modelo figurativo), quando então deixa entrever sua funcionalidade (oculta sob os comandos abreviados de seus menus ou de seus botões), sem, no entanto, deixar transparecer sua metodologia, quanto mais sua “ciência geoespacial”, a não ser após uma árdua e longa experiência em uso; a estratégia de marketing, da maioria das tecnologias ditas sig, encantam pela aparência de simplicidade, ao operar sobre demonstrações construídas sobre bases espaciais e de dados fictícias, ou hipotéticas, ou somente disponíveis em realidades totalmente distintas das encontradas em nosso país;

  • a pessoa, o ser humano, pedra angular do SIG, raramente é reconhecido e tratado como tal; sua capacitação, no sentido de seu ser-capaz de constituir e instituir o SIG “de dentro para fora” do próprio modelo figurativo quase nunca é considerado; apenas interessa sua habilidade, se tanto, na interação com a tecnologia, geralmente objeto dos cursos oferecidos pelos fornecedores de produtos ditos sig; esta “re-habilitação” da pessoa, como se fosse uma máquina a ser re-ciclada, se reduz a uma espécie de treinamento sobre a tecnologia, que mais se assemelha a um adestramento, a um repertório de procedimentos do tipo pavloviano (ação-reação), determinando apenas a interação operacional da entidade pessoa com a entidade alavanca (tecnologia), do modelo figurativo.

Gênese da Ideia Expressa pelo Modelo Figurativo

Gênese da Ideia Expressa pelo Modelo Figurativo mccastro qua, 08/05/2015 - 14:27

Apresentado o modelo figurativo como uma estrutura acabada, porém apontando uma certa dinâmica, onde seus componentes foram analisados e interpretados dentro da figura, de forma circular, e talvez até mesmo tautológica, é conveniente resgatar, tanto quanto possível, a gênese desta estrutura enquanto expressão de um ideia. Afinal, como dissemos anteriormente: estrutura deve ser um conceito “de chegada” e não “de partida”...

Com base no trabalho do filósofo Raymond Abellio (1965 e 1989), pude constatar que um instrumento, como, no caso o SIG, se estabelece através de um processo, que uma vez conhecido pode esclarecer outros tantos aspectos de sua própria natureza.

Esse dito processo percorre etapas, através das quais a Razão pode vir a ser exercida em sua dimensão mais profunda, o Logos, assumindo seu legítimo e devido lugar. Etapas que Abellio define como “sacramentos” ou “asceses”, e que poderiam afigurar-se da seguinte maneira, usando uma terminologia cristã:

  • Concepção, percurso das “águas indiferenciadas” até o nascimento da Razão; uma fase pré-racional até a manifestação de uma Razão instrumental, tecno-científica, que coloca uma separação entre “eu” e “mundo”; nesta etapa, intensifica-se aos poucos este distanciamento entre sujeito e objeto, pelo poder separador dos sentidos, que afastam o mundo da pessoa, para poder percebê-lo...
  • Batismo, quando, pelo despertar da consciência que se pode ter dos próprios sentidos, atuando como mediadores entre um sujeito e um objeto aparentes, uma “relação” passa a ser conscientemente percebida e mantida entre Homem e Mundo; nesta etapa pode se dar uma intensificação da consciência da relação sujeito-objeto, dentro da qual o conceito de “objeto” guarda em si, de forma subjacente, o conceito de “sujeito”...
  • Comunhão, quando, pela intensificação da experiência do Batismo, surge a possibilidade de um novo estado de consciência, condição para a atuação da “Razão Objetiva”, que permite ao ser humano se reconhecer “sujeito” em um mundo de sujeitos, ou melhor, uma "subjetividade pura"...

Constituição de um objeto

Constituição de um objeto mccastro qua, 08/05/2015 - 14:32

As etapas não são todas obrigatoriamente percorridas, e as passagens de uma para outra não são instantes, mas transcursos. Quanto ao processo pelo qual se constitui o chamado “ob-jeto”, “aquilo-posto-adiante” do sujeito (princípio radical que lhe atribui existência), é preciso reconhecer que o primeiro (o objeto) é definido pelo estabelecimento de um conjunto aberto de relações, que crescem a cada etapa, lhe conferindo maior funcionalidade, utilidade, mas sem revelá-lo em seu ser.

Abellio propõe como paradigma da constituição do objeto do tipo empírico ou não (objeto do pensamento), ao longo das referidas etapas ou asceses, uma estrutura, uma “totalidade” instável, atemporal, atuando em um momento não isolável e segundo um movimento dialético, em cada eixo principal; estrutura, que pode aportar novas revelações se aplicada à gênese do modelo figurativo do SIG:

Estrutura

  • primeiramente, um objeto qualquer se constitui por se destacar do mundo, enquanto condição a priori de sua emergência...
  • o mundo se apresenta assim como “pano de fundo”, horizonte de objetividade, não tematizável, não “visível”, mas que garante a “visão” do objeto...
  • o objeto se destacando, tomando sentido, rejeitando sua indistinção caótica com o  mundo, estabelece uma primeira relação, do tipo Objeto/Mundo
  • esta mesma dualidade também se instala do lado do sujeito: um órgão de sentido (visão, audição, etc.) se destaca do fundo “em repouso” da pessoa (enquanto corpo, emoção e intelecto), formando uma segunda relação do tipo Sentido/Pessoa
  • tanto objeto e sentido, como emergências locais de uma realidade global, devem então ser “re-enraizadas”, ou se arriscam a dissolução; a percepção, portanto, se estabelece na proporção que combina duas relações: objeto/mundo=sentido/pessoa
  • a contradição dialética inclusa em toda relação de dois termos, se exprime pela presença implícita nesta mesma relação de um terceiro termo (o sinal /), que não se revela, mas que se situa na instalação do próprio processo dialético, pela percepção sustentada pela Razão (Ratio); ao expressar toda relação, o simbolismo algébrico ou aritmético reconhece este fato; uma relação, portanto, não é apenas dual, mas trina; o traço de divisão-ligação nada mais é do que um sinal simbolizando a presença da “intuição intelectual”, em sua dupla função de dissociação redutora e de reintegração, de análise e de síntese;
  • a função analítica, ligada aos sentidos, estabelece a distância no mundo, a extensão, a possibilidade de mensuração quantitativa; enquanto a função de síntese, de reintegração, retoma a extensão, a quantidade, lhe auferindo uma nova propriedade; ou seja, da separação original se pode ordenar, se firmar uma hierarquia, se atribuir qualidades; pela consciência deste movimento, a relação original se amplifica e se intensifica, por movimentos sucessivos podendo se constituir em uma proporção do tipo ; onde o sinal de igualdade, dois traços superpostos, deve ser entendido como símbolo de uma necessária leitura simultânea de duas relações, em lugar de sua leitura em sucessão; a atuação de uma Razão que analisa e sintetiza o mundo, analisando e sintetizando no mesmo processo, seu “mediador”, o ser humanoA difícil épochè proposta pela fenomenologia transcendental de Husserl, ou seja, o reconhecimento e a exclusão prévias de todos os pressupostos psicológicos ou objetivistas que possam obscurecer a visão que o Intelecto dirige para qualquer objeto do mundo ou o próprio mundo..

 

Partindo da clássica dialética sujeito-objeto para uma nova estrutura dialetizando em si mesmo sujeito e objeto, Abellio faz um convite à reflexão sobre algumas  questões: pessoa ou mundo - quem dá partida, ou seja, quem “inicia” quem? como compreender complexidade e interdependência? seria a percepção uma condição de “sur-presa” do mundo? como entender a teleologia e possíveis direções do processo?

Sistema de Informação Geográfica ou Sistema de Informação Geográfico

Sistema de Informação Geográfica ou Sistema de Informação Geográfico mccastro qua, 08/05/2015 - 15:19

Apesar da ampla difusão da denominação “Sistema de Informação Geográfica”, e de sua sigla “SIG”, cabe uma reflexão sobre o que este título pode estar indicando, além do arte-fato que comumente referencia. Nesta parte da teoria do SIG vai se tentar justamente criticar a aposição do qualificador “geográfico” e, em especial, sua associação a qualquer um dos termos da expressão “Sistema de Informação”.

A qualificação de “geográfico”, independente do termo a que se refere, pressupõe uma filiação ou uma associação à disciplina “Geografia”, entendida como um “sistema de investigação” capaz de se formular também, ela mesma, como um “Sistema de Informação” (Churchman, 1971). De qualquer forma, reconhece ao menos a capacidade do objeto técnico "Sistema de Informação", de representar e expressar integral ou parcialmente a “análise geográfica” em plena ação, face um problema qualquer eleito em função das questões ou do objeto de estudo ideal da Geografia. Ou seja, a qualificação de “geográfico” admite que o "Sistema de Informação" mantém uma certa afinidade seja com o “objeto” e as questões essenciais da Geografia, seja com o “método”, a lógica da análise geográfica.

No entanto, o próprio qualificador “geográfico” no título do SIG, exige uma certa “arqueologia”, que, objetiva e pragmaticamente, deve ser reduzida de imediato, além de balizada por duas questões: existiriam realmente condições históricas, traços no pensamento geográfico, capazes de induzir a concepção e materialização do sig, dentro da Geografia? ou, seria o sig uma construção de “fora para dentro” da Geografia? e, neste último caso, de qualquer forma, que condições vêm favorecendo e/ou dificultando sua adoção pela Geografia?

Uma resposta “curta e grossa” é a seguinte: podem ser percebidos traços na história do pensamento geográfico, que indicam fatores bastante favoráveis a idealização e gênese de um “Sistema de Informação”, legitimamente qualificado como “geográfico”, mas a materialização que veio a ocorrer, através do sig, não responde à sua suposta idealização, concepção e implementação na Geografia O fato de alguns geógrafos (como, por exemplo: Tomlinson, Marble, Peuquet e Dobson, entre outros), terem sido coadjuvantes importantes na construção e internalização dos precursores dos SIGs atuais, dentro da Geografia, não significa de forma alguma que não se tenha adotado o paradigma informático na constituição destes primeiros SIGs, e portanto toda uma filosofia e sistema conceitual exógeno à Geografia.; arrisco afirmar que, o SIG, em sua versão atual, é uma construção de “fora para dentro” da Geografia.

SIG nasce da ou domestica à Geografia

SIG nasce da ou domestica à Geografia mccastro qua, 08/05/2015 - 15:22

Na análise que se segue, foram eleitas duas vertentes marcantes na própria história da Ciência Moderna, com reflexos diretos sobre o discurso geográfico contemporâneo, face o Sistema de Informação Geográfico. A primeira vertente, em concordância com a ideia que, desde sua origem na Modernidade, privilegiou a identidade de uma ciência através de seu objeto de estudo; circunscrevendo saberes segundo perspectivas a priori sobre a “realidade”.

No caso da Geografia, após diferentes ensaios de formulação de seu objeto de estudo, tem prevalecido a seguinte proposta, enquanto delineador de um domínio, de um campo, e fundador de um ideário: estudo da relação ou das relações Sociedade e Natureza.

Em consonância com o objetivo desta teoria do SIG, entende-se que o qualificador “geográfico” como que sufixado ao título “Sistema de Informação” só pode ter algum sentido, através da clara associação de sua “razão de ser”, enquanto pretenso instrumental da Geografia, com o “objeto de estudo” desta ciência. Foi com este propósito e dentro dos limites de uma perspectiva “tecnológica”, que se ousou partir nesta arriscada especulação sobre o objeto da Geografia, questão que até para um geógrafo de formação e profissão, representa um dos mais difíceis desafios.

A segunda vertente a ser percorrida, privilegiando, por sua vez, uma definição de ciência com base no “método” adotado e, por conseguinte, determinando a forma de apresentação dos resultados, exaltou, no caso da Geografia: ora uma forma discursiva, herdada da cultura latina impressa no pensamento ocidental, com forte orientação das antigas ciências do trivium (linguagem, retórica e lógica); ora uma abordagem iconográfica (pictórica, geométrica e simbólica), expressa por meio de mapas, fundamentada nas antigas ciências do quadrivium (matemáticas, geometria, astrologia e música, particularmente as primeiras), assistida pela técnica e pela evolução acelerada da tecnologia nestes últimos séculos; ora uma combinação das duas formas, discursiva e iconográfica.

Da mesma forma que na primeira vertente, se reconhece o imenso espaço de saber que se descortina ao avançar por essa segunda vertente, e a audácia, neste caso, reside em restringi-lo a termos conhecidos, ou seja, o “jogo de linguagem” que se estabelece com a informática, enquanto tecnologia da informação, que se arvora a se imiscuir no próprio método das ciências naturais e humanas, assim como na apresentação de seus resultados. Afinal de contas, uma ciência também precisa se preocupar com sua transmissão, com a comunicação das “informações” que sustentam e representam suas investigações.

Essas considerações servem de abre-ala para a questão se na tradução de GIS para SIG, deve o qualificador deste Sistema de Informação ser entendido como afirmando um sistema afim à Geografia ou pertencente à Geografia. Servem também para estabelecer se o qualificador geográfico se refere à "informação" ou ao "sistema de informação". Nossa preferência recai sobre esta última opção por razões que se apresentarão a seguir.

SIG e Geografia

Sistema de Informação “Geográfico”, pela afinidade com o objeto...

Sistema de Informação “Geográfico”, pela afinidade com o objeto... mccastro qua, 08/05/2015 - 15:41

Na Geografia, a proporção Objeto/Mundo = Sentido/Corpo, fundamentada pelo pensamento de Abellio ganha contornos elucidativos quanto ao significado do "geográfico" pela afinidade com o próprio objeto da Geografia. Esta proporção adequada aos termos aqui analisados se torna portanto Geografia = Geógrafo, em que a primeira razão Objeto/Mundo poderia se equivaler à Geografia e a segunda razão Sentido/Corpo, ao GeógrafoSe entendido o objeto como “objeto geográfico”.. Desta maneira é possível a proporção Geografia = Geógrafo,  além de sua dinâmica própria, receber uma movimentação por parte da dupla razão que a configura, como simboliza os dois traços horizontais do sinal de igual que estabelece a proporção. Esta dupla razão está em constante tensão segundo uma direção ascendente e uma descendente: enquanto uma ciência voltada para compreensão da relação Sociedade-Natureza na perspectiva geográfica, ou para o controle e manipulação, subserviente ao princípio cartesiano de ser "mestre e senhor da natureza", portanto aos interesses e às ideologias do progresso e do desenvolvimento, inclusive em sua versão mais atual, o “desenvolvimento sustentável”.

A tensão entre estes movimentos, ascendente e descendente, reafirma ainda mais a necessária presença e ação do Logos, enquanto “diretor” da da dupla razão em situação de proporção; presença e ação capazes de reunir estes movimentos de forma harmoniosa, concedendo à “ciência para compreensão” o instrumental adequado, e à “ciência para manipulação”, a sabedoria necessária.

De certa maneira, não foram respondidas as questões que fundaram esta incursão pelo “objeto” das Geociências e sua possível afinidade com a proposta de um SI, qualificado como “geográfico”. Entretanto, parece ficar mais evidente a importância de uma crítica aprofundada nesta direção, na tentativa de se resgatar a “orient-ação” necessária para a justa apropriação do sig pelas Geociências, ou vice-versa, para a justa apropriação das Geociências pelo SIG, como pretendem os adeptos de um extensivo “programa” de informatização das Geociências, o Geoprocessamento (vide suas proposições em Dobson, 1983, 1993a e 1993b)DOBSON, J.E. “Automated Geography”, in Professional Geographer 35 (2), 1983; “A Rationale for the National Center for Geographic Information and Analysis”, in Professional Geographer 45(2), 1993a; “The Geographic Revolution: A Retrospective on the Age of Automatede Geography”, in Professional Geographer 45 (4), 1993b..

Sistema de Informação “Geográfico”, pela aplicação do método...

Sistema de Informação “Geográfico”, pela aplicação do método... mccastro qua, 08/05/2015 - 15:53

A história da geografia, é a história da confusão entre o modelo e a realidade. Franco Farinelli

Geografico-Metodo

 

Tuathail valoriza o geodiscurso

Tuathail valoriza o geodiscurso mccastro qua, 08/05/2015 - 15:59
  1. O geógrafo Gearóid Ó Tuathail (1994)Ó TUATHAIL, G. (1994), “(Dis)placing Geopolitics: Writing on the Maps of Global Politics”, in Environment and Planning D: Society and Space 12, 1994. procura resgatar uma visão crítica, que possa oferecer e explicitar uma re-valorização do discursivo na Geografia, favorecendo um equilíbrio entre ele e o iconográfico.
  2. O mapa é indiscutivelmente um dos que se destaca como um “retrato”, onde se congela o dinâmico e se homogeneíza, segundo uma sistema classificatório, a paisagem naturalmente heterogênea. O mapa, produto de uma visão estruturalista, é uma construção geométrica. Sua espacialidade é a de um “grafo” matemático, de formas e figuras em um espaço euclidiano, isotrópico, e abstrato. O mapa estruturalista pode ser compreendido como um produto matemático, uma grade geométrica bidimensional do mundo, um “grafo” fixado e acabado, uma figura estável, uma composição linear de um mundo.
  3. Em contraste com a leitura estruturalista de um mapa, existe uma proposta de leitura do mapa como um “tecido”, em sintonia com a própria palavra latina original, mappa. Mapear seria escrever ou tecer um produto textual ou têxtil, um “geo-grafismo”, onde o hífen denotaria o indeterminado, o que recusaria qualquer fixação matemática; revelando também um movimento que desafiaria a redução a qualquer flatland bidimensional.
  4. Radicalizando desta forma a compreensão deste  instrumento básico, o mapa, Ó Tuathail revitaliza o estudo da “Geo-grafia”, como o estudo da projeção interminável de “geo-grafismos”, “mapas de significado”, pelo ato de (re)produzir um “gráfico”, ou “tecido”, ou “texto” de um sistema-mundo.

Christian Jacob e a arte do mapa

Christian Jacob e a arte do mapa mccastro qua, 08/05/2015 - 16:07
  1. O historiador Christian Jacob (1992)JACOB, C. L’Empire des Cartes. Paris: Albin Michel, 1992., promove uma reflexão sobre o entrelaçamento entre mapa e texto, tão presente literal e iconograficamente nos mapas da Renascença, e discorre sobre sua desunião posterior,  fruto de um processo de normalização progressiva, que levou mapa e texto, a se constituírem como objetos totalmente distintos um do outro. Entretanto, a autonomia da carta em relação ao livro não rompeu com sua pertença à um universo de saber essencialmente discursivo.
  2. O conflito entre o legado simbólico de um mundo antigo, esvanecendo diante da ciência emergente e da forma cartográfica em busca da precisão, se fazia ainda sentir na arte renascentista de produção de mapas, enriquecendo as cartas com todo o tipo de textos, símbolos e cores, que atualmente seriam qualificados como “ruídos” indesejáveis em uma representação cartográfica.
  3. Entretanto o questionamento que Jacob coloca de inicio, não é este, mas justamente: afinal de contas, o que é o mapa? Questão geralmente sem uma resposta direta, pois  é costume se definir o mapa como imagem de um “outro”, que não é o mapa. Esta dificuldade revela, no entanto, um aspecto da natureza do mapa: a condição de sua eficácia intelectual e social está nesta sua qualidade de “transparência”: esta sua “ausência” de ruído, que possa interferir no processo de comunicação. Desta forma pode-se definir o mapa como um significado sem significante; o mapa se esvanece na operação visual e intelectual que desdobra seu conteúdo.
  4. O mapa não é portanto um objeto, mas uma função. Uma função que tem seu ponto de partida aquém do momento em que o mapa em si é consultado, ou seja, ao se ocultar enquanto “veículo” de um saber,  o mapa continua a atuar como um mediador interposto entre o espaço e sua representação, uma “ilusão” construída laboriosamente segundo uma Weltanschauung, um contexto sócio-político, procedimentos técnicos, convenções gráficas e artifícios visuais. A Figura abaixo tenta retratar esta atuação peculiar da carta, enquanto instrumental de visualização, simbolizada por um “óculos”, posicionado diante de seu usuário, por uma prévia construção de um “geógrafo”, que, desta maneira, “captura”, “apreende” o olhar do usuário, em lugar de uma visão direta do mundo, inapreensível em escalas geográficas menores.

Oculos

O mapa digital

O mapa digital mccastro qua, 08/05/2015 - 16:09

O SI qualificado como “geográfico”, se oferece como o gerador por excelência da “carta digital”, um produto paradoxalmente distinto e, ao mesmo tempo, “mimético” do mapa geográfico clássico. Esta “carta digital” conjugada com todo o artifício disponibilizado pela TI moderna, fascina e cativa especialmente por sua imensa “elasticidade”, sua “regenerabilidade” quase instantânea, sob novas e múltiplas aparências, e sua “conformidade” imediata aos desígnios e à retórica de seu criador.

A carta digital, desta maneira, vem se insinuando na pesquisa de natureza geográfica, com toda força e todo apelo que goza a informatização geral das disciplinas científicas, em seu trabalho mais essencial. A ação combinada, dentro das Geociências, de técnicas diversas como o sig, o processamento de texto, a editoração eletrônica, a multimídia, e outras tantas com base na TI, oferecem a possibilidade de criação perpétua de resultados antes inimagináveis.

Brunet e seus «chorèmes»

Brunet e seus «chorèmes» mccastro qua, 08/05/2015 - 16:12

Nesta direção parece se situar o trabalho do geógrafo Roger Brunet (1980, 1990), e do grupo GIP-Reclus, ao propor toda uma nova linguagem para mapear a organização espacial da Sociedade. Segundo Brunet, o que denominou de “chorèmes” seriam o novo “alfabeto do espaço”, único capaz de fazer face a atual organização do espaço, enquanto obra humana. O espaço a que Brunet se refere seria uma dimensão intrínseca da Sociedade, que se revela não apenas através das formas visíveis e materiais da ação antrópica sobre a Natureza, mas também se organiza por campos de força, fluxos que só a análise geográfica pode desvendar.Além dos trabalhos de Brunet e seu grupo de seguidores, constantes da bibliografia, recomenda-se duas críticas notáveis em Scheibling, 1994 e em Herodote, 1995.

Brunet defende uma concepção de espaço geográfico, distinta de espaço natural desde sua origem, pela própria relação principiadora Homo-Natura. Partindo de uma espaço geográfico de natureza social, cujas formas e estruturas provêm do “fazimento” humano, Brunet identifica processos de construção deste espaço: a apropriação, a exploração, a comunicação, a habitação e a gestão. “Atores do espaço”, mobilizados por estes processos, produzem e consomem o espaço geográfico, por sua atuação consciente ou não.

Para Brunet compete ao geógrafo estudar os espaços concretos e o espaço geográfico, este último uma abstração, conforme conceituado, onde se podem analisar, identificar e verificar as leis do espaço. Não se trata, segundo Brunet, de um espaço matemático, nem geométrico, nem físico, mas de um espaço das “formas” e das “estruturas” que ordenam o espaço da Sociedade. Os “chorèmes” (termo inventado por Brunet a partir do radical grego khorê, de corografia), seriam as unidades elementares que permitiriam representar qualquer espaço, em qualquer escala, garantindo a necessária articulação entre o espaço geográfico conceitual e o espaço concreto, solucionando a velha querela entre o nomotético e o idiográfico na Geografia.  

As posições de Roger Brunet, embora revelem um trabalho e uma longa reflexão, ensaiada desde o  inicio dos anos 70, e possam significar uma tentativa válida de avanço no pensamento geográfico, sempre sob o desafio das questões que se colocam sobre a relação Sociedade e Natureza, estão sendo combatidas por geógrafos de peso como Yves Lacoste, que até fez questão de dedicar um recente número da revista Herodote à crítica da proposta de Brunet, e do próprio Sistema de Informação Geográfico.

Preocupado com a proliferação “perniciosa”, inclusive no ensino, de representações “coremáticas”, Lacoste toma posição de denúncia contra a “banalização” da Geografia através da avalanche de esquemas metafóricos, com base nos ditos “chorèmes”. Confundindo esquematização com modelação, démarches que traduzem atitudes intelectuais muito diversas, os seguidores de Brunet tentam impor um modelo único, incapaz de apreender a diversidade de fenômenos espaciais tratados pela Geografia, e que sobressaem de categorias científicas bastante heterogêneas, segundo Lacoste.

Finalmente, «geográfico» pelo método...

Finalmente, «geográfico» pelo método... mccastro qua, 08/05/2015 - 16:17

Concluindo, a afinidade com o método geográfico, visto sob o ângulo de sua intensa associação com o mapa, pode ser uma das razões que explique o qualificador “geográfico”, dado especialmente o caráter propositalmente mimético adotado pela insinuante informatização, em seus estágios de conquista. Entretanto, ficam em aberto muitas questões para serem melhor aprofundadas, tais como:

  • a partir de um certo limiar de apreensão cognitiva do espaço, para compreender o espaço geográfico, o observador necessita assumir uma posição privilegiada que lhe confira uma visão ortogonal deste espaço, enquanto um mosaico de áreas diferenciadas; desde a antiguidade, que o “analógico” do mapa tradicional bidimensional vem tentando estabelecer a proporção justa de traços, cores, símbolos e textos, para a representação do multidimensional em uma Flatland, de onde se deve empreender um processo de reconstrução, onde memória e imaginação assumem um papel ativo; com a carta digital, ainda comumente estabelecida pela desconstrução/reconstrução do mapa tradicional, mas oferecendo a partir de então inúmeras possibilidades de “manipulação”, estaria se constituindo um novo arranjo epistemológico pessoa-mapa, de forte mediação tecnológica? em que termos? com ou sem uma maior liberação da Flatland imposta pelo mapa tradicional?
  • a modelagem e a simulação ofertadas a partir da carta digital parecem descortinar um imenso horizonte, no qual o “virtual” assume o papel, muitas vezes, do “real”, estimulando algumas facetas dos “sentidos” e de aspectos psicofísicos do ser humano, a nível do intelecto, do emocional e do institivo-motor; certamente não se está articulando o mesmo “aparato” humano que é posto em operação diante do mapa tradicional, muito menos diante da paisagem “real”; que metamorfoses esta nova dinâmica cognitiva deve desencadear, até mesmo a nível epistemológico?, que transformações estão sendo promovidas pela “análise espacial” com base em um SIG?
  • a aparência sedutora que o "Sistema de Informação" qualificado de “geográfico”, disfarçado sob o mesmo tipo de invólucro lúdico de um “jogo” em computador, é um convite à um outro tipo de “virtual”: o “geógrafo virtual”; dominando a tecnologia em seus mínimos detalhes, conhecedor dos dados georeferenciados disponíveis, esperto quanto as corretas práticas cartográficas, mas sem qualquer formação geográfica, indivíduos de distintas bases educacionais se arvoram a praticar “análises espaciais”, de forte pretensão geográfica; estaria se instituindo, como naqueles “jogos de aventura” em que cada jogador se identifica integralmente com um personagem, uma “realidade virtual” muito mais ampla, em que se reproduz não apenas o espaço mas seu observador, e mais ainda, sua inteligência?

Sistema de Informação “Geográfico” como qualificador do “Sistema”...

Sistema de Informação “Geográfico” como qualificador do “Sistema”... mccastro qua, 08/05/2015 - 16:23

É preciso reconhecer que um "sistema" não deveria ser qualificado posto que se refere a uma "totalidade" enfatizando a afinidade e dependência do que quer que seja nesta totalidade. No entanto, o "Sistema de Informação" pode e deve ser qualificado pois representa tão somente uma janela que oferece uma visão sobre uma aparente parcela do "sistema" ou da "totalidade".

Sistem-geografico

GIS - Geographic Information «Science»

GIS - Geographic Information «Science» mccastro qua, 08/05/2015 - 16:25
  1. A proposta de criação do National Center for Geographic Information and Analysis - NCGIA, segundo exposto pelo geógrafo Jerome E. Dobson (1993a)DOBSON, J.E. “A Rationale for the National Center for Geographic Information and Analysis”, in Professional Geographer 45(2), 1993a., um de seus principais idealizadores e fundadores: a “maior e mais transcendental (sic) necessidade da Geografia é compreender as ligações conceituais e funcionais entre o GIS e o núcleo intelectual da Geografia”. Dobson se justifica perante os colegas geógrafos pela centralidade concedida ao GIS, pois o considera o maior “condutor” de conhecimento de e para o mundo científico e técnico.
  2. “A revolução do GIS se caracterizou como um deslocamento fundamental dos meios de representação e análise da realidade geográfica, do analógico para o digital”. Para Dobson, o analógico se tornando incapaz de lidar com a explosão de informações a partir do Renascimento, colocou a Geografia em uma posição de desvantagem, comparativamente a outras disciplinas; graças às tecnologias da informação, este quadro está se revertendo...
  3. A revolução liderada pelo GIS, como propugna Dobson, corre o risco de se parecer mais com uma “sublevação”, uma “subversão” promovida por elementos exógenos à tradição do pensamento geográfico. Nunca é de mais ressaltar a importância do ser humano na condução equilibrada desta proposta de metamorfose forçada “de fora para dentro” da Geografia. A informatização da disciplina é inevitável, mas não pode implicar de maneira alguma na transformação das pessoas em periféricos de sig, “dispositivos” lúdicos acionados pela interação com o sig.

A revolução do sig só tem sentido se tomada strictu sensu conforme o significado original da palavra “revolução”, um movimento que reporta à origem, a partir do qual tudo se forma segundo sua razão de ser. Este tipo de revolução é “permanente”, não sendo ativada “de fora para dentro”... 

Conclusão sobre a natureza do SIG

Conclusão sobre a natureza do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 16:33

Ao se encerrar este discurso, esta breve travessia pelo “labirinto” que guarda o mistério da natureza do Sistema de Informação Geográfico, a sensação que se tem é que não se chegou a uma conclusão. Fica-se, na verdade, com um misto de alegria e frustração. Alegria pelo exercício da reflexão e pelos vislumbres que foram obtidos ao longo do percurso, e frustração por não se ter efetivamente alcançado ou desvendado “o que é” do SIG, no “centro” deste labirinto. Mas, como diz o poeta: “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”...   

De fato, a questão permanece, assim como as reflexões que a alimentam, e que em parte foram apresentadas nesta teoria do SIG. A natureza do Sistema de Informação Geográfico, ou de qualquer “Sistema de Informação”, continua sendo um mistério, talvez por sua íntima associação com um campo que ainda desafia a compreensão humana, a mente, sede desta mesma compreensão. O modelo figurativo do SIG nos serve apenas como algo apontando para este mistério no afã de compreensão DO QUE É O SIG?.

Como um preâmbulo a uma “história sem fim”. Esta é a maneira que pretende se colocar este trabalho, por meio do qual também pude fazer um registro ordenado e objetivo, das constatações que alcancei em minha jornada pessoal, profissional e agora acadêmica, sobre alguns aspectos menos técnicos, de uma das tecnologias mais instigantes e revolucionárias da humanidade, a informática (cuja essência busquei em outro estudo). Uma investigação que só se tornou possível através da crítica radical de uma de suas aplicações mais atuais, o Sistema de Informação Geográfico.

Informatizacao

 

Práxis do SIG

Práxis do SIG mccastro qua, 08/05/2015 - 19:25

O SIG pode ser constituído sobre um computador e instituído em uma organização, exclusivamente sob a regência da tecnologia sig e do meio técnico-científico-informacional que a produziu e que esta tecnologia reproduz. Ou pode ser constituído e instituído sustentando neste processo de integração do sig a um projeto acadêmico ou empresarial a constante visão do modelo figurativo do SIG, enquanto paradigma do processo de integração.

Para não ficar totalmente a mercê do sig e do meio, e, deste modo, ter certo controle sobre o processo de constituição e instituição de um SIG, é indispensável seguir uma metodologia de integração de tecnologias da informação, entre aquelas já consagradas pela Informática. Algumas questões específicas da constituição e instituição de um SIG, devem ser contempladas o que implica na adequação da metodologia de integração desta espécie de tecnologia da informação. Vamos examinar a metodologia a ser adotada, os ajustes necessários e uma série de considerações práticas pertinentes a natureza do SIG, tendo sempre em mente o modelo figurativo do SIG.

Do sig ao SIG - um projeto de integração

Do sig ao SIG - um projeto de integração mccastro ter, 09/25/2018 - 14:10

Com o desenvolvimento atual da tecnologia da informação e da comunicação (TIC) surgiram os chamados "aplicativos". É possível enquadrar o sig nesta categoria, embora ainda guarde muito da categoria dos "pacotes" como eram conhecidos os sistemas semi-prontos comercializados há alguns anos. Estas categorias de software, eventualmente acompanhando um hardware, necessitam conforme sua maior ou menos funcionalidade e base de dados, de uma metodologia de integração de sistemas, não de desenvolvimento de sistemas. Alguns erros se cometem ainda hoje quando se tenta "inventar a roda", ou seja desconsiderar aplicativos ou pacotes e desenvolver algo similar. Alguns erros também se cometem ao conduzir a apropriação e integração de aplicativos ou pacotes em um projeto de informatização na academia ou na empresa, através de uma metodologia clássica de desenvolvimento de sistemas.

  • Integração de sistemas
  • Concepção e realização de sistemas com predominância informática, como o SIG, pela integração de constituintes com vistas a fornecer ao utilizador um sistema integrado em seu ambiente e respondendo às necessidades expressas, acompanhado de serviços necessários a sua operacionalidade.

    • equipamentos e programas padrões como o sig
    • equipamentos e programas específicos como as extensões de um sig
    • equipamentos não informáticos
  • Realizar sistemas complexos como o SIG com uso intensivo de informática
    • Fases
      • Engenharia de sistema onde se concebe o sistema decompondo-o em subsistemas
        • Identificação de constituintes realizáveis por engenhos
        • Especificação dos constituintes
        • Definição da integração dos constituintes.
      • Realização dos constituintes pelos engenhos
      • Integração de sistema onde o sistema é realizado pela composição de seus constituintes, verificando seu inter-funcionamento
    • O conjunto engenharia e integração do SIG se denominam engenharia de sistema
  • Integração funcional entre aplicações do SIG
  • Integração geo-semântica entre bases de coordenadas de objetos espaciais e base de atributos georeferenciados
  • Integração técnica e tecnológica

Do sig ao SIG - ciclo de constituição

Do sig ao SIG - ciclo de constituição mccastro ter, 09/25/2018 - 14:29

Resumo da estrutura de constituição de um SIG, de acordo com uma metodologia de integração do sig. Este ciclo de constituição do SIG é acompanhado em paralelo por dois outros ciclos indicados a seguir, o Ciclo de Dados e o Ciclo de Papéis. Dada sua centralidade no modelo figurativo do SIG, é du suma importância um caminho para sua integração aos trabalhos de representação e análise espacial, sejam estes apenas atividades ou tarefas cotidianas ou mesmo projetos com uma missão e metas muito bem definidas.

  • Ciclo de constituição
  • Estudos iniciais
    • Estudos
      • Oportunidade
      • Viabilidade
    • Agenda de requisitos ou caderno de encargos
      • Necessidades
      • Objetivos
      • Restrições
        • Existente
        • Sistemas futuros
        • Políticas-institucionais
  • Área de estudo e contexto geográfico
  • Definição SIG
    • Especificação
    • Concepção
  • Realização SIG
    • Constituintes
    • Integração
    • Validação
  • Instalação SIG
    • Retomada do disponível
    • Transferência para o novo
    • Desdobramento
    • Implementação
  • Operação SIG
    • Exploração
    • Administração
    • Manutenção
    • Reengenharia
  • Desativação SIG
    • Dados
    • Mapas e análises
    • Reutilização

Do sig ao SIG - ciclo de dados

Do sig ao SIG - ciclo de dados mccastro ter, 09/25/2018 - 14:43

O ciclo de dados possivelmente é aquele de maior relevância para constituição de um SIG a partir do sig. As etapas a seguir são apenas títulos do que requer um elaboração maior que se seguirá.

Ciclo dos dados

  • Especificação
  • Aquisição
  • Análise
  • Organização
  • Apropriação

Do sig ao SIG - ciclo de papéis

Do sig ao SIG - ciclo de papéis mccastro ter, 09/25/2018 - 14:47

Duas grandes categorias de papéis se destacam na constituição do SIG a partir da integração do sig, em conformidade com o modelo figurativo do SIG. Especialmente se mais do que constituir um SIG se pretende alcançar sua instituição. Aqui resumem-se estas duas grande categorias de papéis: aqueles cuja atividade visa prover o necessário para a constituição do SIG, e aqueles cuja atividade visa estabelecer os objetivos, os requisitos, as condições e finalmente a própria utilização e aproveitamento pleno da funcionalidade disponibilizada pelo SIG.

Papéis

  • Cliente
    • Competência do domínio do problema a resolver
    • Definir finalidade, necessidades, restrições e imposições
    • Verificar e validar solução proposta
    • Enquanto mestre da obra
      • definir problema
        • necessidades a satisfazer
        • objetivos a alcançar
        • restrições a respeitar
        • Compor a versão inicial do "caderno de encargos"
      • contratação
        • carta-convite
        • seleção de ofertas
        • indicação de provedor
      • apoio ao provedor na formulação detalhada de requisitos
      • análise de documentos produzidos no projeto
      • homologação nas revisões de andamento
      • infra-estrutura de recepção da solução
      • apropriação da solução desenvolvida
  • Provedor
    • Competência nos domínios
      • solução sócio-técnica
      • estado da arte
      • savoir-faire
    • Especificar solução resposta à demanda do cliente
    • Garantir a constituição da solução
    • Orientar a instituição da solução
    • Enquanto mestre d'obra
      • elaboração de proposta de sistema-solução aos requisitos do cliente
      • concepção, desenvolvimento e instalação do sistema-solução
      • análise detalhada de requisitos e refinamento iterativo
      • especificações e metodologias
      • organização e gestão do projeto de desenvolvimento
      • composição e organização da equipe de projeto
      • revisões técnicas
      • adoção de padrões e normas
      • apresentação da solução
      • garante a constituição do SIG

Do sig ao SIG - detalhamento constituição-instituição

Do sig ao SIG - detalhamento constituição-instituição mccastro ter, 09/25/2018 - 15:12

 

  • "Integrador SIG"
    • Arquiteto
      • Complexidade funcional do problema a solucionar
      • Complexidade técnica da solução
      • Conciliação de múltiplos compromissos
        • necessidades e restrições
        • estado da arte e tecnologias disponíveis
        • fontes diversificadas
          • bases de coordenadas de objetos espaciais
          • bases de atributos georeferenciados de objetos espaciais
    • Engenheiro
      • Implementação da solução SIG
      • Gestão de projeto
  • Conceitos
    • Componentes básicos
      • SIG
      • sig
      • Bases
        • Coordenadas de objetos espaciais
        • Atributos georeferenciados a objetos espaciais
      • Utilitários
      • Sistemas complementares
    • Métodos, modelos, técnicas e ferramentas
      • Engenhos sig = realizar produtos como a "análise espacial"
      • Arquitetura = conceber um SIG conjugando vários engenhos e bases
      • Integração = realizar sistemas pela composição de diferentes sistemas
    • Fases de integração de um SIG
      • Fase de engenharia do SIG
      • Fase de realização ou implementação dos componentes
      • Fase de integração propriamente dita do SIG
    • Processo de integração de um SIG
      • Integração funcional
      • Integração semântica
      • Integração técnica
      • Arquitetura do SIG
  • Integrador do SIG
    • Gestor do projeto ou programa
    • "Mestre d'obra" do SIG
    • Proposta
      • orçamento
      • prazos
      • funcionalidades
      • qualidade do SIG
    • Tipologia de SIGs
      • ZEE
      • Gestão do Território
      • Cadastral
  • Processos de integração do SIG e seu domínio
    • Ciclo de vida de um SIG
      • Estudos preliminares
        • Oportunidade
        • Viabilidade
          • Técnica
          • Financeira
        • "Agenda de Requisitos"
          • Necessidades
          • Objetivos
          • Recomendações técnicas
          • Limitações
          • Restrições
        • Proposta
          • Especificação
          • Carta-convite
      • Integração
        • Definição do SIG
          • Especificação
          • Concepção
        • Realização
          • Constituintes
          • Integração
          • Validação
      • Instalação
        • Integração no ambiente definitivo
        • Capacitação
      • Operação
        • Exploração
        • Administração
        • Manutenção
          • Preventiva
          • Corretiva
        • Evolução
          • Funcioinal
          • Ambiental
          • Tecnológica
        • Transformações
        • Migrações
        • Reengenharia
      • Desativação
        • Aplicações
        • Dados
        • Reciclagem
        • Reutilização
    • Ciclo de integração de um SIG
      • Fase descendente da concepção
      • Fase ascendente de realização
    • Principais processos do projeto de integração do SIG
      • Visão contratual
        • Processo de aquisição de constituintes do SIG
        • Processo de fornecimento de constitintes do SIG
        • Responsabilidade do gestor do projeto e do "mestre d'obra" do SIG
      • Visão gerencial
        • Gestão do projeto
        • Gestão da integração do SIG
        • Gestão da comunicação e disseminação
      • Visão de engenharia
        • Processos de integração
        • Processos de operação
        • Processos de manutenção
      • Visão logística
        • Processos de sustentação
          • Documentação
          • Gestão de configuração
          • Instalação
          • Serviços
          • Segurança
          • Material
        • Processos de distribuição
      • Visão de qualidade
        • Processos de controle de qualidade
        • Processos de certificação
      • Visão de maturidade
        • Processos de aquisição
        • Processos de disseminação
        • Processos de aprendizado
    • Domínio do gestor do projeto ou programa
      • Processo de aquisição
        • Agenda de requisitos
        • Seleção da proposta vencedora
        • Escolha do "mestre d'obra" do SIG
        • Validação das especificações
        • Receita do SIG
      • Processo de gestão
    • Domínio do projeto pelo mestre d'obra do SIG
      • Processo de aquisição\fornecimento de constituintes
        • Análise das ofertas
        • Critérios de avaliação
        • Estratégia de solução
        • Estimativa de custos e prazos
        • Proposição
      • Processo de gestão
        • Cronograma com responsabilidades
        • Gestão administrativa
        • Gestão técnica
        • Gestão contratual
        • Controles, revisões e auditorias
        • Gestão de riscos
        • Reuniões
      • Processo de integração
        • Métodos
        • Modelos
        • Ferramentas
      • Processos de sustentação técnica
        • Configuração
        • Documentação
        • Serviços logísticos
      • Processo de garantia de qualidade
    • Domínio do empreendimento de integração do SIG
      • Boa utilização dos meios e competências
      • Capitalização de cada projeto em matéria de competências e savoir-faire
        • Funcionalidades reutilizáveis
        • Técnicas
        • Métodos
        • Ferramentas
        • Modelos
        • Melhorias
      • Compartilhamento de meios técnicos e logísticos
      • Política de investimento em métodos e ferramentas de produtividade
      • Capitalização da memória de cada projeto SIG

Do sig ao SIG - engenharia do SIG

Do sig ao SIG - engenharia do SIG mccastro ter, 09/25/2018 - 15:17

 

Processo de engenharia do SIG

A engenharia do SIG é aquela parte do ciclo de construção do SIG que tomando por base a sua necessidade, expressa sob a forma de uma "agenda de requisitos" de um projeto matriz, conduz à especificação do SIG constituído\instituído, composta de especificações de seus constituintes.

  • Definição de "engenharia de SIG"

    A engenharia do SIG é a arte de dominar sua complexidade aportando soluções ao conjunto de problemas ao nível de seus constituintes e de sua integração, à montante e à jusante.

    • Objeto = SIG
      • SIG propriamente dito = Sistema de Representação e Análise Espacial
        • sig
        • Bases digitais
      • Subsistemas complementares
        • Sistema de Dados Básicos
        • Sistema de Referência a Dados
        • Sistema de Programas Afins
        • Sistema de Legislação Espacial
    • Objetivos
      • Garantir a adequação do SIG às necessidades reais por uma justa especificação dos requisitos
      • Prever as propriedades e comportamentos do SIG
      • Garanti-las pela concepção de uma adequada arquitetura de constituintes
    • Compromissos múltiplos
      • Mundo do problema a solucionar
        • missões a realizar
        • objetivos
        • limitações
        • restrições
      • Mundo da solução SIG
        • Possibilidades das tecnologias existentes e do estado da arte
        • Padrões
        • Produtos no mercado
        • Restrições orçamentárias
        • Prazos de projeto
    • Elementos
      • Concepção do sistema
      • Sistema-objeto, entendido como o sistema que contextualiza o SIG e onde este se insere
        • Sistema humano a montante
          • Organização
          • Processo decisório
        • Sistema operacional a juzante
          • Problemas de otimização
          • Confiabilidade
          • Ergonomia
      • Ambiente do sistema-objeto
        • Efeitos técnicos, indiretos das incorreções do SIG
        • Estudos de impacto
          • Riscos
          • Efeitos sociais
      • Ciclo de vida do SIG
      • Sustentação logística
      • Engenhos e tecnologias
      • Abordagens
        • Processo de engenharia do SIG

          Define as démarches a mobilizar ao longo do ciclo

        • Modelização em engenharia do SIG

          Concepção de um SIG consistindo em modelizá-lo segundo diferentes pontos de vista e de maneira mais e mais detalhada, por aproximações sucessivas, até sua realização

Do sig ao SIG - níveis de abstração

Do sig ao SIG - níveis de abstração mccastro ter, 09/25/2018 - 16:07

 

Níveis de abstração

O processo de engenharia do SIG segue uma démarche onde o SIG a conceber é visto sucessivamente a diferentes níveis de abstração

  • contextual

    Funcionalidade e restrições correspondentes à missão do projeto e consequentemente do SIG que o sustentará

    • área geográfica de abrangência
    • sistema -objeto do SIG
  • conceitual - arquitetura funcional

    Aspectos funcionais do SIG, definindo as aplicações que oferece contribuindo para a missão do projeto; restrições, impedimentos e limitações.

    • competências e limitações humanas
    • funcionalidade e restrições técnicas
  • estrutural - arquitetura orgânica

    Aspectos organizacionais relevantes

    • organograma
    • arquitetura de informática
  • concreto - arquitetura física

    Aspectos operacionais

    • personagens e papéis
    • configuração tecnológica

Do sig ao SIG - fases do processo

Do sig ao SIG - fases do processo mccastro ter, 09/25/2018 - 16:10

 

Fases do Processo

Processo interativo de resolução de problemas visando transformar necessidades em requisitos e estes em soluções comprometidas com o equilíbrio entre necessidades e possibilidades

  • Análise de requisitos (exigências do sistema)

    Tem por objetivo identificar as necessidades (aplicações desejadas do SIG e restrições previstas) e transformá-las em requisitos expressos em uma agenda a ser cumprida inicialmente pelas especificações do SIG e, posteriormente, na materialização do sistema, pelos resultados obtidos em sua operação.

    A agenda de requisitos é um referencial permanente do SIG ao longo do projeto, se detalhando e aperfeiçoando até a integração completa de todos os constituintes do SIG em uma solução capaz de produzir os resultados esperados.

    • Definição
      • Espaço do problema
      • Formulações de necessidades
      • Princípios expressos em cadernos de encargos ou agenda de requisitos
      • Especificação completa, coerente, factível e verificável de requisitos funcionais e não-funcionais
      • Referencial de exigências, compromissos e requisitos do SIG
    • Objetivo
      • definir especificação do SIG a realizar do ponto de vista do demandante
      • detalhamento do conjunto de requisitos
        • funcionais (funcionalidade do SIG e complementos)
        • não-funcionais (desempenho e qualidades exigidas)
      • definir ambiente no qual o sistema deverá operar
        • integrador
        • demandador
      • identificar imposições e restrições
        • funcionais
        • geoespaciais
        • informacionais
    • Etapas
      • Análise das necessidades
        • Quem faz?
          • Demandante
          • Demandante-Integrador: Proposta
          • Integrador: retomada e revisão
        • Desafio
          • fazer convergir para as necessidades reais
          • dominar instabilidade e incoerências das expressões de necessidades
          • pôr em evidência expressões de necessidades não explicitadas
        • Extração das necessidades verdadeiras
        • Transmissão entre parceiros de projeto
          • Modelizações funcionais (diagramas)
          • Esquemas e maquetes parciais
            • Sistema
            • Interfaces
        • Resultado: Especificação de requisitos
          • Convergência sobre um conjunto de exigências expressando necessidades reais
          • Separação para cada necessidade
            • domínio da restrição ou imposição (estrita)
            • domínio da expectativa (flexibilidade)
        • Validação
          • Completude externa
          • Coerência externa
            • resoluções de conflitos
            • busca de consenso
      • Refino dos requisitos
        • Decompor e detalhar as necessidades de um SIG
        • Objetivos
          • rigor
          • realismo
        • Verificação precisa e em níveis de abstração
          • Coerência
          • Completude interna
          • Modelizações ao nível conceitual dos dados e processos
          • Viabilidade técnica e orçamentária
            • Escolhas de concepção
            • Verificações por modelizações quantitativas
            • Prototipagem
            • Análise de risco
          • Testabilidade
        • Validação externa como o cliente
          • Reuniões de validação
          • Protótipos
    • Especificação de requisitos (documento "agenda de requisitos")
      • Missão do Programa ou Projeto
      • Missão do SIG
      • Objetivos
        • Finalidade
        • Missão
        • Contexto operacional
      • Expectativas dos usuários
      • Cenários operacionais
      • Fluxos tratados pelo sistema e principais processos mobilizados
      • Condições ambientais
      • Restrições e imposições
        • Internas
          • demandantes
            • Políticas e Diretrizes
            • Plano Diretor
            • Planejamento estratégico
            • Arquitetura de integração (sistema objeto)
            • Recursos alocados
          • integradores
            • Metodologia
              • Representação geoespacial
              • Análise geoespacial
            • Ferramentas disponíveis
            • Padrões
              • Formatos de Arquivos
              • Metadados
        • Externas
          • Leis, resoluções, normas, regulamentações
          • Padrões industriais
          • Concorrência
          • Estado da arte tecnológico
        • Operacionais
          • Exploração
          • Logística
      • Ergonomia
      • Fatores de qualidade
        • desempenho
        • viabilidade
        • disponibilidade
        • confiabilidade
        • segurança
        • manutenibilidade
        • operabilidade
        • interoperabilidade
      • Impactos eventuais
        • processo decisório
        • programas
        • projetos
        • competências humanas
        • organizações
    • Validação
      • Requisitos
      • Expectativas
      • Restrições
      • Imposições

Do sig ao SIG - analise funcional

Do sig ao SIG - analise funcional mccastro ter, 09/25/2018 - 16:14

 

Análise funcional

Construção da arquitetura funcional do sistema, identificando os constituintes do SIG, suas articulações técnicas e humanas. Trata-se de um modelo do problema a ser solucionado pela constituição-instituição de um SIG. A validação desta fase consiste em verificar a completude da arquitetura funcional e a alocação efetiva de todas as exigências funcionais e não-funcionais sobre o SIG.

  • Espaço problema-solução
    • Aplicações do SIG
      • ZEE
      • Gestão do Território
      • Sistema cadastral
    • Diagnóstico geoespacial
    • Apoio à decisão
    • Simulação
  • Construção da arquitetura funcional
    • Decomposição interativa da funcionalidade esperada
      • Funcionalidade geral requisitada
      • Funcionalidade dos constituintes
        • sig
        • Bases
        • utilitários
        • complementos
      • Modalidades de apropriação dos constituintes
    • Definir a funcionalidade em suas atividades em termos de transformação de fluxos
      • comportamento temporal
      • interações (trocas de fluxos de dados)
    • Alocar requisitos não-funcionais
  • Modelagem do problema a solucionar via SIG
    • Fluxos de dados geoespaciais
    • Transformações
    • Organização de dados geoespaciais
    • Representação
    • Análise espacial
    • Prospecção
    • Apoio à decisão
  • Validação
    • Completude da arquitetura funcional
    • Alocação de todos os requisitos
      • Funcionais
      • Não-funcionais

Do sig ao SIG - síntese

Do sig ao SIG - síntese mccastro ter, 09/25/2018 - 16:17

 

Síntese

Construção da arquitetura física do SIG, definindo os elementos do sig, que suportarão as funções da arquitetura funcional, assim como suas interações técnicas e humanas. Especificação final da solução SIG respondendo aos requisitos da agenda. A validação da síntese consiste em verificar a completude da arquitetura física e a satisfação de todos os requisitos funcionais e não-funcionais.

  • Espaço solução
  • Arquitetura física
    • Elementos dos constituintes de um SIG em sustentação das funções da arquitetura funcional
    • Articulação e interação entre os elementos constituintes de um SIG

  • Solução concreta em resposta aos requisitos
    • Decomposição em subsistemas
      • SIG propriamente dito
        • sig - funções básicas e extensões funcionais
        • Bases digitais
          • Base de coordenadas de objetos espaciais
          • Base de atributos georeferenciados aos objetos espaciais
        • Utilitários - funcionalidade apropriada
      • SIG-complementos
        • Sistema de Dados Básicos
        • Sistema de Referências a Dados
        • Sistema de Programas Afim
        • Sistema de Legislação Afim
    • Alocação às funções e desempenhos previstos na Arquitetura Funcional
    • Definição e alocação dos constituintes às interfaces
      • Internas, entre constituintes
      • Externas
        • Entre SIG e outros sistemas
        • Entre SIG e usuários
    • Considerações sobre restrições e limitações físicas
  • Fases descendente desde a arquitetura funcional e ascendente a partir dos constituintes disponíveis
    • Concepção da arquitetura técnica
      • Agrupar da arquitetura funcional, para alocação pelos constituintes do SIG

        • funções
        • comportamentos
        • objetos
      • Obter constituintes
        • coerentes
        • de dimensão razoável
        • aptos a sustentar os requisitos
        • compatíveis com o ambiente técnico-operacional
      • Minimizar interfaces entre constituintes, evitando conexões fortes entre objetos ou funções
      • Fatorizar as funções comuns nos constituintes específicos
    • Pesquisa da infraestrutura sócio-técnica do SIG
    • Concepção dos constituintes
  • Validação da síntese
    • Completude da arquitetura física
    • Satisfação dos requisitos
      • Funcionais
      • Não-funcionais