Ser

Ser (do lat. sedere) [DBF]

Podemos dizer que toda a metafísica constitui, num certo sentido, uma meditação sobre o sentido do verbo ser. "Ser, ser puro, nenhuma determinação. Em sua imediatez indeterminada, ele só é igual a si mesmo, sem ser desigual de outra coisa ... Ele é a indeterminação pura e o vazio puro. O ser, o imediato indeterminado é, na realidade, nada, nem mais nem menos que nada" (Hegel). Assim, o ser pode ser entendido de várias maneiras: a) como substância: "O ser toma múltiplos sentidos: num sentido, significa aquilo que é a coisa. a substância" (Aristóteles); b) afirma a existência, a realidade atual de uma coisa. o fato ou ato de ser. "Esta proposição: Eu sou, eu existo, é necessariamente verdadeira todas as vezes que a pronuncio ou que a concebo em meu espírito" (Descartes); c) como essência, ou seja. aquilo que a coisa é: "Sou apenas uma substância cuja essência ou natureza é apenas a de pensar" (Descartes); d) como ser-em-si, ou seja, como uma região particular do ser (Sartre); c) como ser-no-mundo: condição necessária da existência humana, do Dasein (ser-aí de Heidegger) ou como ser-em-situação: o fato de todo existente estar profundamente engajado numa historicidade. Num sentido que aparece já na filosofia grega, o ser se opõe ao devir. Toda coisa que é, é em virtude de duas forças: o ser e o devir. Uma coisa não cessa de mudar no tempo (crescimento, envelhecimento etc.). Só o ser é estável na coisa, pois sob a multiplicidade das formas que torna essa coisa no tempo podemos continuar dizendo que ela é. E nesse sentido que, na filosofia grega, o devir é sempre identificado como o não-ser, o não-ser não é a ausência de ser, o nada, mas aquilo que não é o ser, aquilo que é mutável e diverso, enquanto que o ser é imutável e único. Fala-se ainda do ser de razão, quer dizer, do ser só existindo no pensamento. No singular, e com inicial maiúscula, e por vezes acompanhado de qualificativos como "perfeito", "supremo", "absoluto", o Ser é sinônimo de Deus: Ser em si, e para si, Ser absoluto, ter metafísica; ontologia.

Heidegger (QT): O destino do desencobrimento

1) "A essência da liberdade não pertence originariamente à vontade e nem tampouco se reduz à causalidade do querer humano."

2) O mistério do encoberto que sempre se encobre mesmo quando se desencobre é o que liberta. "A liberdade é o que aclarando encobre e cobre, em cuja clareira tremula o véu que vela o vigor de toda verdade e faz aparecer o véu como o véu que vela."

O que é o «conhecimento científico»?

Para compreender o que seja «conhecimento científico» é preciso aclarar o espaço onde ele se efetua. Não todo conhecimento é científico. Quando um conhecimento se torna científico ou se faz ciência? O conhecimento se constitui em ciência desde o momento em que possa indicar claramente seu objeto e em segundo lugar desde que possa falar claramente sobre ele.

A ciência é uma expressão de conhecimento do ser

A ciência também é uma expressão articulada de conhecimento do ser. Em oposição ao conhecer ordinário e mítico, cuja articulação intelectiva morre como que submersa no próprio real que intende elucidar, o conhecimento científico se caracteriza por distanciar-se da convivência do ser, por apreendê-lo numa clara representação objetiva. Ao fazer ciência, a mente como que se afasta da realidade. Submete o ser à lei do objeto.