Modernidade

Modernidade [DBF]

1. Característica daquilo que é moderno. Em um sentido geral, a modernidade se opõe ao classicismo, ao apego aos valores tradicionais, identificando-se com o nacionalismo, especialmente quanto ao espírito crítico, e com as ideias de progresso e renovação, pregando a libertação do indivíduo do obscurantismo e da ignorância através da difusão da ciência e da cultura em geral. Ver tradição.

2. Nova forma de pensamento e de visão de mundo inaugurada pelo Renascimento e que se contrapõe à escolástica e ao espírito medieval, desenvolvendo-se nos sécs. XVI e XVII com Francis Bacon, Galileu e Descartes, dentre outros, até o Iluminismo do séc. XVII, do qual é a principal expressão.

3. A questão da modernidade caracteriza uma controvérsia contemporânea, envolvendo questões filosóficas de interpretação da sociedade, da arte e da cultura. E representada, por um lado, pelo filósofo francês Lyotard e, por outro, pelo filósofo alemão Habermas. Lyotard introduz a ideia da "condição pós-moderna" como uma necessidade de superação da modernidade. sobretudo da crença na ciência e na razão emancipadora, considerando que estas são, ao contrário, responsáveis pela continuação da subjugação do indivíduo. De acordo com Lyotard, seguindo uma inspiração do movimento romântico, a emancipação deve ser alcançada através da valorização do sentimento e da arte, daquilo que o homem possui de mais criativo e, portanto, de mais livre. Habermas, por sua vez, defende o que chama de "projeto da modernidade", considerando que esse projeto não está acabado, mas precisa ser levado adiante. e só através dele, pela valorização da razão crítica será possível obter a emancipação do homem da ideologia e da dominação político-econômica.

O mito Galileu

Na mitologia da modernidade, o processo de Galileu constitui um dos mitos poderosos. Este processo em sua versão mítica, assinalaria um momento de inflexão na história do mundo, um momento em que um espírito independente se levantou face às forças das trevas. Há tão pouca verdade nesta imagem quanto no relato das experiências de Galileu na Torre de Pisa. Um dos melhores historiadores da atualidade (Pietro Redondi) fala da “proteção espetacular que o Papa Urbano VIII aportou a Galileu” (apud Marejko, 1989).

A ciência é um modo de compreensão da totalidade da realidade

A ciência é um modo de compreensão da totalidade da realidade: é força unidimensional, reduz a seu modelo todos os outros modelos culturais. Não suporta a diferença. Reduz tudo a um plano, a um horizonte. O que não se deixa ver nesse horizonte não é considerado, simplesmente não existe! Deve-se, porém, notar que quando a ciência declara o que «existe» ou o que «não-existe», declara-o a partir do modelo, que é o pré-concebido para declarar o real. O «existe» e o «não-existe» da ciência são assim sempre «pre-conceitos».

Jürgen Habermas

Notável pensador da Escola de Frankfurt, que se destacou por trabalhos sobre a questão do que denominou "ação comunicativa" especialmente na construção de uma compreensão comum, e até um consenso. Dois de seus escritos merecem especial atenção no tocante à filosofia da ciência e da técnica: «Conhecimento e Interesse» e «A técnica e a ciência como "ideologia"».