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Terrence Gordon

MCLUHAN, Marshall. The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man. Toronto: University of Toronto Press, 2011.

A bússola de McLuhan para a viagem a um mundo de palavras elétricas

1. A elaboração de A galáxia de Gutenberg ocorreu em menos de um mês, num fluxo contínuo que alcançou 399 páginas manuscritas, número deliberadamente escolhido por ser divisível por três e simbolizar a ordem intelectual e espiritual valorizada por Marshall McLuhan.

2. A origem intelectual da obra remonta ao período de docência de McLuhan na Universidade de Saint Louis, nas décadas de 1930 e 1940, quando eram discutidos os efeitos do meio impresso com colegas, estudantes e amigos, até que essas reflexões se converteram num projeto de renovação iconoclasta da educação universitária.

  • Após a longa preparação de A noiva mecânica, as antigas discussões com Walter Ong e outros interlocutores foram retomadas.
  • Em 1952, comunicou-se a Ezra Pound a preparação de um livro sobre o fim da era de Gutenberg, acompanhado de um esquema em dezoito pontos.

3. A expansão posterior dos meios eletrônicos ultrapassou amplamente o horizonte tecnológico conhecido quando A galáxia de Gutenberg foi escrita, mas não diminuiu sua força crítica nem sua atualidade como desafio à compreensão dos propósitos subversivos da cultura pós-letrada.

4. Longe de desejar a destruição da cultura do livro, McLuhan defendia a preservação de seus valores mediante a compreensão dos erros históricos e a avaliação crítica dos possíveis empobrecimentos produzidos pelas novas dádivas tecnológicas.

  • A galáxia de Gutenberg oferece indícios progressivos dos meios de preservar a cultura livresca.
  • Os meios posteriores não podem ser simplesmente eliminados, mas seus efeitos precisam ser examinados.

5. A capa de A galáxia de Gutenberg condensava visualmente a crítica à tecnologia impressa e anunciava a recuperação do espaço acústico e da integração sensorial na era pós-Gutenberg.

  • As duas letras G espelhadas sugeriam um vórtice paralisado pela predominância visual da impressão.
  • O desenho também formava um labirinto cujo centro representava o mundo perdido dos sentidos integrados.
  • Esse tema permaneceria central nas obras posteriores, de Os meios de comunicação como extensões do homem a Leis da mídia.

6. A escolha da palavra “galáxia” no título destacou a configuração de acontecimentos e transformações ambientais produzida pela imprensa, bem como a posterior reconfiguração de seu legado pelos meios eletrônicos.

7. Embora recorresse a historiadores, economistas, cientistas sociais e estudiosos da tecnologia, McLuhan concedia primazia às percepções dos artistas, consideradas mais penetrantes do que os discursos analíticos especializados.

  • Shakespeare, William Butler Yeats e Cervantes ocupam o final do prólogo.
  • Harold Innis é reconhecido como influência decisiva, mas James Joyce é citado com maior frequência.
  • Thomas Nashe aparece como equivalente elisabetano de Joyce.
  • Essa preferência pelos artistas atravessa tanto os escritos anteriores quanto as obras posteriores.

8. A concepção de arte de Wyndham Lewis como vida despojada dos enganos do viver corresponde à exigência de que os meios sejam confiados a artistas capazes de dominar as forças indomadas da cultura tecnológica.

9. Wyndham Lewis ofereceu um modelo de integração artística, recusa dos julgamentos categóricos e domínio consciente das forças tecnológicas que seria incorporado à análise dos meios realizada por McLuhan.

  • A reintegração entre escultura, pintura e arquitetura antecipava os princípios de síntese presentes na obra de McLuhan.
  • O artista deveria governar a agitação, em vez de tornar-se seu escravo.
  • A compreensão dos meios permitiria controlar o turbilhão eletrônico.
  • A concepção espacial de Lewis antecipava a distinção entre espaço visual e espaço acústico.

10. A passagem dos interesses estéticos para o estudo da relação entre arte e tecnologia levou McLuhan a compartilhar com Lewis a concepção do artista como observador distanciado e inevitavelmente implicado nos avanços técnicos.

11. A ideia de que o artista escreve a história do futuro por compreender a natureza do presente foi demonstrada por McLuhan mediante interpretações de Lewis, Joyce, Pound, Eliot e outros, cujas percepções tecnológicas forneciam princípios implícitos para a reforma educacional.

  • Os artistas revelavam os impactos das novas tecnologias antes que fossem plenamente reconhecidos.
  • Os pensadores analíticos, inclusive Harold Innis, mostravam limitações, incoerências e erros de julgamento, apesar de suas contribuições fundamentais.

12. A aproximação tardia entre McLuhan e Harold Innis permitiu transpor para o estudo dos meios a teoria econômica segundo a qual um novo recurso básico reorganiza uma sociedade de modo semelhante a um novo meio de comunicação.

  • Innis rejeitou os modelos analíticos convencionais aplicados à economia canadense.
  • Um recurso natural e um meio de comunicação funcionam como extensões tecnológicas dos sentidos físicos.
  • Essa concepção fundamentou a investigação das proporções sensoriais em A galáxia de Gutenberg.

13. A afinidade entre Innis e McLuhan manifestou-se no humor, na condensação aforística e no estudo da causalidade formal, centrada nos efeitos produzidos pelas tecnologias em vez da afirmação direta de valores.

14. A insuficiência artística da formação de Innis foi compensada por McLuhan mediante a aproximação entre suas análises históricas e as antigas teorias do Logos, atualizadas pela antropologia, pela psicologia social e pelas práticas publicitárias de manipulação da consciência coletiva.

15. As descobertas estéticas dos simbolistas franceses e sua continuidade em Joyce, Eliot, Pound, Lewis e Yeats permitiram reconhecer que Innis, mesmo sem esse conhecimento, organizava suas percepções em padrões semelhantes às formas artísticas modernas, procedimento igualmente presente na estrutura de A galáxia de Gutenberg.

16. Apesar de criticar a incapacidade de Innis para distinguir tecnologias mecânicas e eletrônicas e sua interpretação de Wyndham Lewis, McLuhan reconhecia nele o criador de uma epistemologia da experiência distinta da epistemologia abstrata do conhecimento.

17. Conceitos decisivos de A galáxia de Gutenberg e das obras posteriores derivaram da investigação de Innis sobre as consequências psíquicas e sociais da inovação tecnológica, como a destruição inconsciente da sociedade grega pela escrita fonética.

18. A incorporação da análise de figura e fundo permitiu investigar estruturalmente os meios, identificando a tensão fundamental que sustenta cada situação e deixando em segundo plano os acidentes do conteúdo.

  • Innis teria recebido de Max Weber a abordagem estrutural aplicada inicialmente às instituições.
  • A extensão dessa análise aos meios preparou a formulação de que o meio é a mensagem.

19. A teoria da economia do sensório humano compreendeu as mudanças tecnológicas como transformações ambientais que exigem a redistribuição compensatória da ênfase entre os cinco sentidos.

  • A perda de um sentido intensifica a atividade dos demais no indivíduo.
  • Novas tecnologias produzem compensações semelhantes em populações inteiras.
  • Essa reorganização sensorial constitui um fundamento de A galáxia de Gutenberg.

20. A elevada estima por Innis levou McLuhan a situá-lo ao lado de Abraham Lincoln, Henry Thoreau e Albert Einstein, além de relacioná-lo a uma tradição intelectual que se estendia de Samuel Taylor Coleridge a I. A. Richards.

21. A noção innisiana de “nêmesis da criatividade”, entendida como cegueira diante dos efeitos da própria invenção decisiva, foi incorporada à obra de McLuhan juntamente com diversas características metodológicas.

  • Entre essas características encontram-se o aforismo, a estrutura em mosaico e a participação ativa do leitor.
  • Rejeita-se a fragmentação especializada do conhecimento.
  • Investiga-se o poder de uma forma para modificar outras formas.
  • Os padrões culturais são compreendidos em suas dimensões psíquicas e sociais a partir da tecnologia dominante.
  • As ideias são apresentadas sem concessões às expectativas convencionais do público.

22. A galáxia de Gutenberg pode ser compreendida simultaneamente como explicitação da obra de Innis e como desenvolvimento do Relatório sobre o projeto de compreensão dos novos meios, concluído poucos meses antes da redação do livro.

23. O projeto 69 da Associação Nacional de Radiodifusores Educacionais tornou-se um reservatório experimental de ideias sobre os meios, posteriormente condensadas em forma de mosaico em A galáxia de Gutenberg.

  • A designação “Vat 69” exprimia ironicamente o acúmulo indiscriminado de ideias.
  • Os editores de Os meios de comunicação como extensões do homem esperavam equivocadamente uma apresentação posterior mais ordenada.

24. A comissão concedeu liberdade para a criação de um método pedagógico e de um programa escolar destinado a introduzir o estudo da natureza e dos efeitos dos meios no ensino secundário.

  • A pesquisa incluiu entrevistas e testes realizados com a colaboração do Instituto Politécnico Ryerson.
  • Harry Skornia e Gilbert Seldes participaram das discussões iniciais sobre o desenho do projeto.

25. O trabalho intensivo resultou, ainda em 1959, num programa de trinta e cinco páginas fundamentado na diferença radical entre o ambiente vivido pelos professores e aquele enfrentado pelos estudantes contemporâneos.

26. A interação entre os meios, a natureza da impressão e as novas tecnologias eletrônicas foram estabelecidas como prioridades educacionais, pois a consciência das formas midiáticas permitiria compreender, prever e controlar seus efeitos sobre a percepção e o julgamento.

27. A reforma educacional deveria integrar história, matemática, linguagem e estudo dos meios, tomando o artista como anunciador das transformações e criador de modelos capazes de tornar compreensíveis as forças tecnológicas.

  • A transposição das realidades da vida para novas esferas exigiria disciplina mental.
  • James Joyce e Peter Drucker ofereceriam recursos para compreender a desorientação causada pelos meios.
  • A potência da impressão seria investigada por meio de referências que se estendiam de Rabelais a Innis.

28. O programa reuniu, de forma condensada, temas como a origem sedentária da escrita, a modelagem escultórica do espaço auditivo, a tradução visual desse espaço, a divisão do trabalho, a dissociação sensorial, a cultura manuscrita, a repetibilidade da impressão, a perspectiva e a indústria.

29. As advertências de Arthur Wells Foshay sobre a resistência dos professores não levaram McLuhan a suavizar suas afirmações acerca dos bloqueios cognitivos produzidos pela aprendizagem precoce da impressão.

  • O contraste entre os efeitos dos meios constituía o ponto de partida inegociável da pesquisa.
  • Relações entre ideogramas, fenômenos nucleares e pensamento não euclidiano foram afirmadas sem o desenvolvimento demonstrativo esperado pelos leitores convencionais.

30. A correspondência do período revelou a intensa elaboração dos conceitos que passariam do projeto da associação para A galáxia de Gutenberg e Os meios de comunicação como extensões do homem.

  • A repetibilidade foi definida como mensagem subliminar da impressão no pensamento ocidental.
  • A integração eletrônica do planeta tornaria irrelevante o ponto de vista fixo da cultura impressa.
  • O contraste entre causalidade eficiente e causalidade formal foi relacionado, respectivamente, às tecnologias impressa e eletrônica.

31. O diálogo com Bernie Muller-Thym, Harry Skornia e outros interlocutores permitiu desenvolver as distinções entre alta e baixa definição, bem como o princípio de reversão dos meios.

  • A evolução de um mesmo meio foi ilustrada pela passagem do pedestre rural à metrópole petrificada.
  • A reversão foi compreendida como propriedade tanto do comportamento quanto dos efeitos dos meios.
  • A mecânica dos fluidos forneceu indícios independentes favoráveis a esse princípio.
  • Esses conceitos contribuíram para a visão abrangente posteriormente organizada nos dois grandes livros.

32. A correspondência com Wilfred Watson destacou o envolvimento dos artistas com a tecnologia e relacionou o esvaziamento da vida consciente no século XVII ao surgimento do inconsciente e dos arquétipos coletivos.

33. Todas as recomendações do relatório podiam ser reduzidas ao estudo das formas dos meios, a fim de retirar as pressuposições do domínio subliminar e submetê-las ao exame, à previsão e ao controle das finalidades humanas.

34. A fala humana foi identificada como tecnologia fundamental, enquanto a linguagem passou a ser compreendida no contexto mais amplo dos meios, assim como Ferdinand de Saussure situara a linguística no interior da semiologia.

  • A tradição linguística norte-americana foi considerada excessivamente tímida diante da tecnologia.
  • Arte e tecnologia foram concebidas como dimensões inseparáveis.
  • I. A. Richards e McLuhan ultrapassaram o âmbito inicial de suas pesquisas em direção a domínios mais abrangentes.
  • A relação entre crítica literária e meios foi discretamente formulada na seção “A nova crítica e os novos meios”.

35. A descoberta de que o conteúdo de qualquer meio é outro meio justificava por si só o projeto, pois a ilusão do conteúdo desviava a atenção das formas, das combinações e dos efeitos midiáticos.

  • O conteúdo não deveria ser tratado como uma unidade transportável de um ponto a outro.
  • A pesquisa transformou primeiramente a própria compreensão de McLuhan, conforme reconhecido na seção “O que aprendi”.

36. O apoio de Arthur Wells Foshay e Harry Skornia confirmou a necessidade de desenvolver as descobertas do projeto em obras de maior alcance, voltadas não apenas aos educadores, mas à compreensão da criatividade humana numa situação de envolvimento sensorial global.

37. Apesar da multiplicidade de perspectivas e caminhos criada por sua forma em mosaico, A galáxia de Gutenberg concentra-se nas transformações provocadas pela imprensa e pelos tipos móveis.

  • A impressão mecanizou a escrita e encerrou a cultura manuscrita.
  • O mercado editorial favoreceu o nacionalismo e as línguas nacionais em detrimento do latim internacional.
  • A multiplicação de exemplares fortaleceu a identidade privada.
  • A padronização linguística converteu a ortografia e a gramática corretas em critérios de alfabetização.

38. A cultura impressa intensificou a transformação do espaço acústico ilimitado, multidirecional e emocional num espaço visual delimitado, linear, ordenado e racional.

  • As margens, bordas e fileiras de letras da página escrita impuseram uma nova forma de pensar o espaço.

39. Os novos meios não substituem simplesmente os anteriores, mas interagem com eles e tornam seus efeitos mais complexos e menos perceptíveis.

  • A fala constituiu a tecnologia originária da qual derivaram escrita, impressão e telégrafo.
  • A escrita separou a fala da integração sensorial do espaço acústico e lhe conferiu uma tendência visual.
  • O rádio ampliou a fala, mas a reduziu ao sentido auditivo.
  • Tanto a escrita quanto o rádio produzem a ilusão de conter integralmente a fala, embora sejam transformações parciais dela.

40. A simultaneidade da página de jornal contrasta com o desenvolvimento sucessivo das ideias no livro e favorece formas de percepção reconhecidas por artistas e cientistas modernos.

  • Joyce e Picasso perceberam uma ordem superior sob o aparente caos jornalístico.
  • As descontinuidades artísticas encontram paralelos na física quântica e na teoria da relatividade.
  • Arnold Toynbee e Margaret Mead manifestam abordagens históricas e culturais nas quais a simultaneidade substitui a sucessão linear.

41. A reorganização da percepção desconcerta aqueles que permanecem presos à ordem linear e ao ponto de vista prático único, tornando indispensável perceber os meios como ambientes e não apenas como recipientes de conteúdos.

42. O alfabeto fonético funciona como meio por excelência ao intermediar som e significado mediante sequências de elementos que, isoladamente, não possuem sentido.

  • Os caracteres chineses apresentam-se como unidades visuais integrais, sem representar sons por combinações de componentes.
  • Na escrita alfabética, as letras e os sons isolados são destituídos de significado.
  • O sentido surge apenas nas sequências completas.

43. A comunicação pré-alfabética integrava simultaneamente fala, gestos, visão e audição, mas o alfabeto reduziu essa complexidade imediata a um código visual abstrato.

  • A passagem do espaço acústico ao espaço racional acompanha a transição da sociedade tribal para uma sociedade de indivíduos com identidades e objetivos privados.
  • A alfabetização constitui um processo redutor e unilateral.
  • Uma cultura não alfabética não assimila o alfabeto sem ser, ela própria, assimilada pela alfabetização.

44. A galáxia de Gutenberg não se organiza como um livro convencional, pois utiliza o próprio meio impresso para comunicar percepções não impressas por aproximações, exageros, simplificações e aparentes contradições.

  • Sua forma assemelha-se a luzes intermitentes, e não a um foco contínuo cuja origem possa ser rastreada linearmente.
  • O objetivo consistia em transformar o meio quente da impressão no meio frio do diálogo.

45. A velocidade e a densidade do pensamento de McLuhan exigiam interrupção, tradução e discussão, razão pela qual sua obra deveria ser julgada segundo seus próprios procedimentos, sem reduzir suas analogias a formulações literais e exclusivas.

46. Arthur Efron reconheceu a validade da concepção dos meios como formadores da humanidade, mas sustentou que a estrutura em mosaico não eliminava o ponto de vista e permanecia apoiada em pressupostos explícitos e implícitos.

  • A crítica recorreu às interpretações da Renascença examinadas na tese de McLuhan sobre Thomas Nashe.
  • A noiva mecânica foi considerada uma grande iluminação cultural.
  • A galáxia de Gutenberg foi julgada como retorno a uma fantasia neoclássica ou neoescolástica.

47. As críticas não alteraram a convicção de McLuhan de que a consciência consiste numa proporção analógica continuamente variável entre os sentidos e de que a tecnologia impressa destrói essa consciência no indivíduo e na sociedade.

  • Pretendia-se reconstruir um sensus communis para os sentidos externos.
  • A obra não foi concebida como meio de obter prestígio, mas como realização tardia de uma tarefa que deveria ter sido cumprida um século antes.

48. O reconhecimento público chegou com o Prêmio do Governador-Geral de 1963 para prosa crítica, concedido graças à intervenção decisiva de Northrop Frye, presidente do comitê de seleção.

49. Apesar de seu apoio, Northrop Frye formulou críticas abrangentes à retórica e ao suposto determinismo de McLuhan, reproduzindo incompreensões comuns entre os primeiros comentadores da obra.

50. A interpretação de Frye considerou excessivamente determinista a atribuição de mudanças civilizacionais à mera existência dos novos meios.

  • A máxima de que o conteúdo seria secundário poderia legitimar uma recepção passiva da televisão.
  • O envolvimento produzido pelo meio seria confundido com uma transformação automática da percepção.
  • A alienação moderna não deveria ser atribuída apenas à leitura tipográfica ou à síndrome de Gutenberg.
  • A relação causal entre imprensa e alienação foi considerada retoricamente plausível, porém simplificadora.

51. Embora a evidência posterior tenha tornado as ideias de McLuhan mais compreensíveis, persistiram equívocos como a recusa de considerar o livro uma tecnologia por causa de seu pequeno tamanho, confundindo dimensão física com função tecnológica.

52. Toda tecnologia ou meio constitui uma extensão de um ou mais sentidos humanos, e o livro integra uma cadeia de transformações que passa pela impressão, pela escrita e pela visualização da voz.

  • As ideias somente se tornam reconhecíveis quando exteriorizadas pelos órgãos da fala ou pelos sinais convencionais da linguagem.
  • Os meios funcionam em pares e convertem processos interiores em formas perceptíveis.
  • A dimensão física do objeto não determina seu caráter tecnológico.

53. A recepção de As elegias de Gutenberg, de Sven Birkerts, aproximou sua reflexão da obra de McLuhan, mas sugeriu equivocadamente que apenas Birkerts se ocuparia das implicações filosóficas das transformações tecnológicas.

  • Birkerts dialoga com pensadores frequentemente relacionados a McLuhan, como Neil Postman e Don DeLillo.
  • James Joyce recebe posição de destaque, embora as referências diretas a McLuhan sejam escassas.

54. A interpretação de Ron Burnett reduz indevidamente a fórmula “o meio é a mensagem” à dependência da transmissão de informações em relação ao canal utilizado.

  • McLuhan nunca empregou a fórmula apenas nesse sentido restrito.
  • Conteúdo e semântica não desaparecem, mas precisam ser distinguidos da mensagem.
  • O conteúdo corresponde convencionalmente aos dados e à sua transmissão.
  • A mensagem designa o impacto social produzido pela forma do meio.

55. A preocupação com a entrada da humanidade no século XXI munida de percepções do século XIX motivou A galáxia de Gutenberg e orientou toda a produção posterior de McLuhan.

  • Os valores da cultura letrada podem ser preservados apesar da fragmentação sensorial provocada pelos tipos móveis.
  • A leitura da obra oferece um ponto de partida para reconhecer os valores possíveis da galáxia eletrônica mediante a estrutura crítica elaborada por McLuhan.

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