pensadores:schumacher:grande-verdade-adaequatio
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| pensadores:schumacher:grande-verdade-adaequatio [17/02/2026 18:34] – created - external edit 127.0.0.1 | pensadores:schumacher:grande-verdade-adaequatio [06/08/2026 20:58] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Adaequatio ====== | ||
| + | // | ||
| + | O que capacita um homem a conhecer qualquer coisa que seja sobre o mundo ao seu redor? «Conhecer demanda o órgão ajustado ao objeto», disse Plotino (aC 270). Nada pode ser conhecido sem que haja um «instrumento» na conformação do conhecedor. Esta é a Grande Verdade da adaequatio (adequação), | ||
| + | |||
| + | De Plotino, de novo, vem o famoso dito: «Nunca o olho vê o sol a não ser que primeiro se torne como o sol, e nunca pode a alma ter a visão da Primeira Beleza a não ser que ela mesma seja bela». John Smith o Platonista (1618-1652) disse: «Aquilo que no capacita a conhecer e compreender corretamente nas coisas de Deus, deve ser um princípio vivo de santidade dentro de nós»; ao qual podemos adicionar a afirmação de Tomás de Aquino (125-1274) que «conhecimento vem na medida que o objeto conhecido está dentro do conhecedor». | ||
| + | |||
| + | Já vimos que o homem, em certo sentido, compreende os quatro grandes Níveis de Ser; há portanto algum grau de correspondência ou «conaturalidade» entre a estrutura do homem e a estrutura do mundo. Esta é uma ideia muito antiga e tem sido usualmente expressa por chamar o homem um «microcosmo» que de algum modo «corresponde» ao «macrocosmo» que é o mundo. Ele é um sistema físico-químico, | ||
| + | |||
| + | Nossos cinco sentidos corporais nos fazem «adequados» ao mais baixo Nível de Ser — matéria inanimada. Mas podem suprir nada mais do que massas de dados sensoriais, para «fazer sentido» dos quais requeremos habilidades ou capacidade de uma ordem diferente. Podemos chamá-los «sentidos intelectuais». Sem eles, estaríamos incapazes de reconhecer forma, padrão, regularidade, | ||
| + | |||
| + | Há fatos físicos que os sentidos corporais captam; mas há também fatos não-físicos que permanecem não notados a não ser que o trabalho dos sentidos seja controlado e completado por certas faculdades «superiores» da mente. Alguns destes fatos não-físicos representam «graus de significância», | ||
| + | |||
| + | Tomemos um livro, por exemplo. Para um animal um livro é meramente um forma colorida. Qualquer significância superior que um livro possa ter encontra-se acima de seu pensamento. E o livro é uma forma colorida; o animal não está errado. Indo um degrau acima, um selvagem iletrado pode olhar um livro como uma série de marcas em papel. Isto é o livro como visto em um mais alto nível de significância do que do animal, e algo que corresponde ao nível de pensamento do selvagem. De novo não está errado, só que o livro pode significar mais. Pode significar uma série de letras arranjadas de acordo com certas regras. Isto é o livro em um mais alto nível de significância do que o do selvagem... Ora finalmente, em uma nível mais alto, o livro pode ser uma expressão de sentido... | ||
| + | |||
| + | Em todos estes casos os «dados dos sentidos» são os mesmos; os fatos dados ao olho são idênticos. Não o olho, somente a mente, pode determinar o «grau de significância». As pessoas dizem: «Deixem os fatos falar por si mesmos»; esquecem que a fala dos fatos é real somente se é ouvida e compreendida. É pensado ser uma questão fácil distinguir entre fato e teoria, entre percepção e interpretação. Na verdade, é extremamente difícil. | ||
| + | |||
| + | ---- | ||
| + | |||
| + | * A Grande Verdade da " | ||
| + | * Formulação do princípio da " | ||
| + | * Limitação dos cinco sentidos e dos aparatos técnicos para registrar apenas o mundo visível, excluindo a interioridade e poderes invisíveis como a vida, a consciência e a autoconsciência. | ||
| + | * Identificação dos órgãos internos de percepção: | ||
| + | * A Natureza Integral do Conhecer Humano | ||
| + | * Resposta à pergunta sobre os instrumentos do conhecimento: | ||
| + | * Crítica à perspectiva cartesiana do " | ||
| + | * Defesa da ideia de que o homem é um instrumento único de conhecimento e advertência sobre o empobrecimento da realidade ao restringir o conhecer aos dados sensoriais e ao processamento cerebral. | ||
| + | * A Restrição Cognitiva e sua Influência na Visão Científica do Mundo | ||
| + | * Citação de Sir Arthur Eddington sobre a possibilidade de todo o conhecimento científico derivar apenas da sensação visual simplificada. | ||
| + | * Consequência da restrição instrumental: | ||
| + | * Questionamento sobre as razões que levaram a tal estreitamento na abordagem cognitiva. | ||
| + | * O Projeto Cartesiano e a Busca pela Certeza Quantificável | ||
| + | * Análise da autoconfiança de Descartes em estabelecer os princípios definitivos para a ciência admirável, baseada no que é mais fácil de representar. | ||
| + | * Identificação dos " | ||
| + | * Caracterização do sentido da visão restrito como o instrumento cognitivo mais baixo, superficial e universalmente partilhável. | ||
| + | * A Objetividade Pública e a Perda do Significado | ||
| + | * Vantagem epistemológica do conhecimento baseado em leituras de ponteiro e contagem: a eliminação da subjetividade e a obtenção de um conhecimento público, preciso e verificável. | ||
| + | * Contrapartida negativa da restrição metodológica: | ||
| + | * Caracterização do quadro de mundo resultante como um " | ||
| + | * A Primazia do Modelo Matemático e a Perda do Fator Qualitativo | ||
| + | * Exposição do ideal cartesiano de uma cadeia de razões matemáticas para alcançar todo o conhecimento, | ||
| + | * Reconhecimento de que um modelo matemático do mundo só pode lidar com fatores quantificáveis, | ||
| + | * Constatação de que, à medida que se sobe na cadeia do ser, a importância da qualidade aumenta e a do quantitativo diminui, tornando o preço do modelamento matemático a perda do que mais importa. | ||
| + | * A Mudança de Paradigma: De uma Ciência para a Compreensão a uma Ciência para a Manipulação | ||
| + | * Definição da mudança de interesse do conhecimento das coisas mais elevadas, em Tomás de Aquino, para o conhecimento matematicamente preciso de coisas menores, em Christian Huygens. | ||
| + | * Distinção entre " | ||
| + | * Advertência sobre a tendência da " | ||
| + | * A Distinção entre Sabedoria e Ciência segundo a Tradição | ||
| + | * Apresentação da distinção feita por Santo Agostinho, parafraseada por Etienne Gilson: a sabedoria tem por objeto o que é imune a usos maléficos, enquanto a ciência, pela sua materialidade, | ||
| + | * Ênfase na crucial importância de subordinar a " | ||
| + | * Análise do desaparecimento do interesse pela sabedoria na história do pensamento ocidental pós-cartesiano, | ||
| + | * As Consequências da Visão de Homem em Cada Tipo de Ciência | ||
| + | * Contrastação da visão do homem na " | ||
| + | * Diferença nos requisitos cognitivos: a sabedoria exige as faculdades mais altas e nobres da mente; a ciência para a manipulação contenta-se com capacidades universais como leitura de ponteiro e contagem. | ||
| + | * Crítica à apropriação dos termos " | ||
| + | * As Três Consequências Graves da Eliminação da Sabedoria | ||
| + | * Primeira consequência: | ||
| + | * Segunda consequência: | ||
| + | * Terceira consequência: | ||
| + | * A Estrutura Ideal do Conhecimento e sua Relação com a Realidade | ||
| + | * Proposta de uma estrutura de conhecimento que espelhe a estrutura da realidade, com a " | ||
| + | * Definição do papel de cada nível: a compreensão para decidir o que fazer; o conhecimento para a manipulação para agir eficazmente no mundo material. | ||
| + | * Características e Limitações da " | ||
| + | * Objetivo da ciência no nível da ação: a predição e o controle, formulados em receitas condicionais pragmáticas e objetivas. | ||
| + | * Aplicação do " | ||
| + | * Natureza " | ||
| + | * A Impossibilidade da Predição e do Controle nos Níveis Superiores do Ser | ||
| + | * Inadequação dos conceitos de predição e controle para o conhecimento dos níveis superiores, como na teologia, que busca apenas a compreensão. | ||
| + | * Relação inversa entre o nível de ser e a fixidez da natureza: maior plasticidade e liberdade nos níveis mais elevados, exemplificada pela máxima "Para Deus tudo é possível" | ||
| + | * Graus decrescentes de previsibilidade do ser humano, desde o sistema físico-químico até a pessoa autoconsciente, | ||
| + | * A Paralisia da Vontade e a Proliferação de Falsos Absolutos na Sociedade Moderna | ||
| + | * Diagnóstico do homem ocidental como rico em meios e pobre em fins, com uma hierarquia de conhecimento decapitada. | ||
| + | * Crítica ao " | ||
| + | * Caracterização dessa condição como uma recaída na mitologia, conforme Etienne Gilson, com a proliferação de deuses | ||
| + | * O Obstáculo Representado pelo Pseudoceticismo e a Psicologia da Evitação | ||
| + | * Denúncia dos " | ||
| + | * Sugestão de Abraham Maslow de que a busca da ciência pode ser uma defesa, uma filosofia de segurança para evitar a ansiedade e os problemas perturbadores da vida. | ||
| + | * Identificação do desejo de escapar das noções tradicionais de dever, responsabilidade e pecado, este entendido como "errar o alvo" da vida humana. | ||
| + | * A Vontade como Fator Decisivo para a Crença na Realidade Moral | ||
| + | * Citação de William James sobre a vontade como fator decisivo para a adoção de crenças morais, já que o intelecto puro não pode decidir sozinho sobre a realidade moral. | ||
| + | * Afirmação de que o ceticismo mefistofélico, | ||
| + | * Constatação final de que o mundo moderno é cético em relação a tudo que exige esforço, mas não em relação ao próprio ceticismo. | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
