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| + | ====== Stiegler ====== | ||
| + | BERNARD STIEGLER (1952-2020) | ||
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| + | ** Biografia ** | ||
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| + | 1. A trajetória de Bernard Stiegler estende-se da formação filosófica ocorrida durante o encarceramento até a fundação do Ars Industrialis. | ||
| + | * A formação filosófica dá-se durante o período de reclusão por assalto à mão armada, entre 1978 e 1983, episódio relatado no ensaio "Como me tornei filósofo" | ||
| + | * A carreira subsequente consolida-se como professor na Université de Technologie de Compiègne, professor visitante em Goldsmiths College e diretor do Departamento de Desenvolvimento Cultural do Centre Georges Pompidou, culminando na fundação do Ars Industrialis em 2006. | ||
| + | * Os temas centrais da filosofia stieglerianas — tecnicidade originária, | ||
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| + | ** Contexto ** | ||
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| + | 2. A leitura humanista de Stiegler contrapõe-se às objeções da esquerda marxista e às teses aceleracionistas, | ||
| + | * Na esquerda modernista, suspeita-se que a noção de espírito preserve resíduo hegeliano compatível com os processos de capitalização decorrentes das revoluções digital, informática e biotecnológica. | ||
| + | * O aceleracionismo, | ||
| + | * Os conceitos de organologia geral e tecnicidade originária excedem a redução da filosofia stiegleriana a um humanismo hegeliano de sacrifício. | ||
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| + | 3. A filiação à desconstrução derridiana e a leitura do mito de Prometeu configuram organologicamente a origem da relação entre humanidade e técnica. | ||
| + | * A desconstrução opera como questionamento constante da lógica de presentação que distingue o essencial do contingente e do acidental. | ||
| + | * No primeiro volume de Technics and Time, o roubo do fogo prometeico configura relação recíproca entre ser humano e técnica na origem da história. | ||
| + | * A formação da consciência de si em relação às ferramentas revela caráter organológico, | ||
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| + | 4. A leitura de Gilbert Simondon sustenta a tese de que os programas tecnológicos tendem a apropriar-se das faculdades reflexivas (noéticas) humanas. | ||
| + | * A eficiência de conexão, princípio universal dos programas tecnológicos, | ||
| + | * A modernidade evolui, segundo Simondon, pela apropriação progressiva, | ||
| + | * A alienação descrita por Marx relê-se como efeito tecnológico do aperfeiçoamento das tecnologias industriais pesadas, condicionado pelo "meio associado" | ||
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| + | 5. A ambiguidade da relação com Simondon elabora-se no conceito de Dasein (Dasein) tecnológico, | ||
| + | * Simondon subestima os processos de exteriorização e reconhecimento simbólico pelos quais se exerce a liberdade humana. | ||
| + | * O determinismo tecnológico benigno de Simondon transforma os seres humanos em nós cada vez mais reflexivos das redes da sociedade industrial, negligenciando a transformação midiática do desejo em resposta estereotípica. | ||
| + | * O Dasein (Dasein) tecnológico, | ||
| + | * O ser-lançado (Geworfenheit) no mundo constitui-se simultaneamente como experiência de ausência e de suplementação protética, fundamento da genealogia tecnológica subsequente. | ||
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| + | 6. A antropologia de Leroi-Gourhan funda a genealogia técnica que articula a evolução pré-hominídea à constituição organológica do espírito. | ||
| + | * A especialização musculoesquelética e neurológica das espécies pré-hominídeas resulta de vantagem evolutiva obtida pela utilização de ferramentas. | ||
| + | * A postura ereta e a constituição da "zona anterior" | ||
| + | * O espírito define-se como relação entre a existência tecnologicamente mutável do ser humano e as relações simbólicas que configuram a vida coletiva, distinguindo-se do apêndice reflexivo simondoniano. | ||
| + | * Na capitalização de início do século XX, inaugura-se uma época de manipulação tecnopsíquica pelas tecnologias de mídia que reorientam o desejo humano. | ||
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| + | 7. A crítica de Horkheimer e Adorno ao capitalismo de consumo mostra-se insuficiente para captar a dinâmica libidinal das tecnologias analógicas, | ||
| + | * Em Dialética do Esclarecimento, | ||
| + | * A teoria da reificação limita-se a reduzir o indivíduo a cifra do processo de capitalização, | ||
| + | * A leitura freudiana de Horkheimer e Adorno trata a materialidade do desejo humano como mera suscetibilidade dos indivíduos ao esquema da indústria cultural. | ||
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| + | 8. A constituição sensório-afetiva do ser humano centra a análise da desorientação provocada pelo canalizamento cognitivo operado pelas tecnologias de mídia. | ||
| + | * A retemporalização da vida social pelas tecnologias analógicas produz desorientação não captada pela teoria da reificação. | ||
| + | * A sublimação das pulsões e a constituição do desejo libidinal, na leitura freudiana, abrem um campo instável de experiência afetiva no sujeito e em seus meios sociais. | ||
| + | * Essa instabilidade primordial mantém aberta a possibilidade de trocas eróticas, estéticas e intelectuais que ultrapassam o esquema repetitivo do desejo reificado. | ||
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| + | 9. O sentido específico de humanismo situa-se na contradição definidora da modernidade hiperindustrial entre a multiplicação das formas significantes e a diminuição do engajamento afetivo-intelectual. | ||
| + | * A evolução humana compreende-se como interação constitutiva com suportes técnicos que moldam a existência social e individual desde a origem, mediada por formas simbólicas. | ||
| + | * As redes digitais intensificam essa contradição ao integrar as pulsões ao trabalho e ao consumo proletarizados, | ||
| + | * As questões neomarxistas sobre o capitalismo tecnológico global reconduzem-se à sobredeterminação da sensibilidade, | ||
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| + | 10. O pharmakon, motivo central, articula-se à proletarização endêmica da vida nas democracias industriais ocidentais. | ||
| + | * A liquidação progressiva das formas simbólicas atinge os vínculos de classe, os laços familiares e os deveres políticos de cidadania. | ||
| + | * A colonização das potências reflexivas de todas as classes pela lógica calculista do mercado processa-se por meio dos sistemas midiáticos virtuais e informáticos. | ||
| + | * A proletarização consiste na degradação do potencial reflexivo e expressivo humano pela transformação tecnológica do trabalho e do desejo. | ||
| + | * Em Descrença e Descrédito, | ||
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| + | 11. Os programas que curto-circuitam a relação espiritual-noética entre indivíduo e herança cultural encaminham o rastreamento da economia farmacológica de veneno e cura constitutiva da sociedade hiperindustrial e de sua possível economia de contribuição. | ||
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| + | ** Estratégia ** | ||
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| + | 12. O fio condutor expositivo organiza-se em torno da noção de arquiprograma, | ||
| + | * A relação organológica entre a espécie humana e seus suplementos técnicos, a partir de Technics and Time, vol. 1, articula-se ao Dasein (Dasein) tecnológico e ao mito prometeico. | ||
| + | * O desenvolvimento da relação entre seres humanos e suportes técnicos, da pedra lascada aos programas tecnológicos capitalizados, | ||
| + | * As tecnologias biomédicas e genéticas transformadoras da ordem simbólica da vida articulam-se às leituras de Freud e Heidegger sobre o poder transformador da morte. | ||
| + | * A disrupção da subjetividade pelos sistemas digitais, informáticos e de inteligência artificial articula-se à origem tecnológica da consciência intencional e à economia de contribuição. | ||
| + | * A emergência do programa virtual-estético e a crise do engajamento afetivo com a vida comunitária culminam no manifesto do Ars Industrialis. | ||
| + | * As inovações informáticas e comunicacionais relacionam-se à constituição da modernidade líquida, às crises cultural, espiritual e religiosa da globalização econômica e às estratégias de uma economia cosmopolita de contribuição. | ||
| + | * A universidade, | ||
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| + | 13. Uma economia do espírito subsiste como aposta que sustenta a reflexão como labor noético (otium). | ||
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