====== Técnica e Tecnologia ====== ===== A Questão da Técnica ===== Sumário de ensaio de Heidegger, fundamental para reflexão sobre a essência da informática ==== 📌 Sobre a obra ==== > “A Questão da Técnica” é uma conferência que Heidegger deu na Escola Técnica Superior de Munique, em 18 de novembro de 1953, para uma audiência em sua maior parte formada por técnicos e engenheiros. **Versão original:** //“Die Frage nach der Technik”//, Vorträge und Aufsätze. Günther Neske, Pfullingen, 1965 ---- ==== 🌍 Traduções ==== * **Português:** //“A Questão da Técnica”//, trad. Emmanuel Carneiro Leão. Ensaios e Conferências, Editora Vozes, Petrópolis, 2002. * **Espanhol:** //“LA PREGUNTA POR LA TÉCNICA”//, Traducción de Eustaquio Barjau. Conferencias y artículos, Ediciones del Serbal, Barcelona, 1994. * **Francês:** //“La question de la technique”//, trad. André Préau. Essais et conférences, Gallimard, Paris, 1958. * **Inglês:** //“The Question Concerning Technology”//, trad. William Lovitt. The Question Concerning Technology and Other Essays, Harper, San Francisco, 1997. ---- ==== 🧠 Questionamento – Caminho do Pensar ==== > Questionaremos a técnica, construindo um caminho do pensar, que obrigatoriamente passa através da linguagem. Com isto preparamos um relacionamento livre com a técnica, capaz de abrir nosso Dasein à essência da técnica, o que vai nos permitir experimentar seus limites. ---- ==== ❓ O que é a Técnica? ==== Concepções correntes da técnica: * **Meio para um fim** * **Atividade humana** * **Produção e uso de ferramentas, aparelhos e máquinas**, assim como estes mesmos produtos e utensílios, formam o conjunto da técnica. > **“A própria técnica é também um instrumentum.”** === Determinações instrumentais e antropológicas: === * **Correto × Verdadeiro** A determinação instrumental é correta, mas não verdadeira. * **Instrumentalidade** A busca da verdade da técnica se dá através do questionamento da instrumentalidade. ---- ==== ⚙️ Causalidade Aristotélica ==== > “Onde se perseguem fins, aplicam-se meios, onde reina a instrumentalidade, aí também impera a causalidade.” === As quatro causas aristotélicas: === - **Causa materialis** – a matéria de que algo é feito (ex.: a prata do cálice). - **Causa formalis** – a forma ou figura que define o objeto (ex.: a forma de cálice). - **Causa finalis** – a finalidade, o propósito (ex.: uso sacrificial do cálice). - **Causa efficiens** – não é apenas “eficiente” no sentido moderno, mas aquela que **reúne e reflete** as outras três causas, fazendo aparecer o objeto. > **“As quatro causas são os quatro modos, coerentes entre si, de responder e dever.”** === Articulação das causas como modos de “deixar-viger” (vir a ser) === * Os quatro modos **deixam chegar à vigência** o que ainda não vige. * **Produção (poiesis)** é todo “deixar-viger” que traz algo do não-vigente para a vigência. * **O desvelamento (aletheia)** funda a produção. ---- ==== 🔍 A Técnica como Forma de Desvelamento ==== * **Técnica = forma de desvelamento** → fala-se, portanto, de verdade (//aletheia//). * **Techne** pertence à //poiesis//, é algo poético. // Em Platão, //techne// e //episteme* ocorrem juntas como **conhecimento**. * **Conhecimento provoca abertura** → é um desvelamento. * **Técnica vigora no âmbito do desvelamento**, onde acontece a verdade. ---- ==== ⚡ A Técnica Moderna ==== * Não é simplesmente aplicação da ciência moderna. * Também é um **desvelamento**, mas não como //poiesis//. * É uma **exploração que impõe à natureza a pretensão de fornecer energia**, que pode ser extraída, armazenada, distribuída. * Caracteriza-se pelo **pôr explorador**. * O real aparece como **disponibilidade (Bestand)**, não mais como objeto. * O homem é **desafiado pela disposição (Gestell)** a tratar tudo como recurso disponível. ---- ==== 🏗️ Gestell (Composição) ==== * **Força de reunião** que põe o homem a dispor do real como disponibilidade. * **Essência da técnica moderna**. * **Não é algo técnico**, mas o modo de desvelamento que rege a técnica moderna. * **Destino (Geschick)** – envio que encaminha o homem para um modo de desvelamento. * A com-posição é um **destino perigoso**, pois encobre outros modos de desvelamento (como a //poiesis//). === Perigo da Gestell: === * Reduz tudo a disponibilidade. * Encobre o desvelamento como tal. * Faz o homem acreditar que tudo é feito por ele, fechando-o para a experiência originária da verdade. ---- ==== ⚠️ Perigo da Técnica ==== * **Não há “demonia” da técnica**, apenas o mistério de sua essência. * O perigo está no **esquecimento do desvelamento**. * **Hölderlin:** “Onde mora o perigo, é lá que também cresce o que salva.” === O que salva: === * A **essência da técnica não é um gênero**, mas um **modo de vigência (Wesen)**. * A técnica como **destino** é também uma **concessão** – chama o homem a guardar o desvelamento. * A **arte (techne como poiesis)** pode ser um caminho para um relacionamento livre com a técnica. * A arte já foi, entre os gregos, um **desvelamento que levava a verdade a brilhar na beleza**. ---- ==== 🎨 Arte e Salvação ==== * A arte grega não era “arte” no sentido estético moderno, mas **piedade (promos)**, integrada na **preservação da verdade**. * A arte pode **fomentar o que salva** no perigo extremo da com-posição. * **Precisamos questionar tanto a essência da técnica quanto a essência da arte**, para além da estética e da instrumentalidade. ---- ==== 🧭 Conclusão ==== > É mais que necessário questionar a essência da técnica e a essência da arte, em meio a tanta técnica e tanta estética.