====== Jamais fomos modernos ====== //LATOUR, Bruno. Nous n’avons jamais été modernes: essai d’anthropologie symétrique. Paris: la Découverte, 1997. / LATOUR, Bruno. Jamais Fomos Modernos. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.// Poluição dos rios, embriões congelados, vírus da AIDS, buraco na camada de ozônio, robôs com sensores… Como compreender esses “objetos” estranhos que invadem nosso mundo? Pertencem à natureza ou à cultura? Até agora, as coisas eram simples: aos cientistas cabia a gestão da natureza, aos políticos, a da sociedade. Mas essa tradicional divisão de tarefas é incapaz de dar conta da proliferação dos “híbridos”. Daí a sensação de pavor que eles provocam, e que os filósofos contemporâneos não conseguem acalmar. E se tivéssemos seguido o caminho errado? Na verdade, nossa sociedade “moderna” nunca funcionou de acordo com a grande divisão que fundamenta seu sistema de representação do mundo: aquela que opõe radicalmente a natureza, de um lado, e a cultura, do outro. Na prática, os modernos não pararam de criar objetos híbridos, que pertencem tanto a uma quanto à outra, e que se recusam a conceber. Portanto, nunca fomos realmente modernos, e é esse paradigma fundador que precisamos questionar hoje para compreender nosso mundo. Traduzida para mais de vinte idiomas, esta obra, ao modificar de ponta a ponta a divisão tradicional entre a natureza no singular e as culturas no plural, renovou profundamente, desde seu lançamento, os debates na antropologia. Ao oferecer uma alternativa ao pós-modernismo, ela abriu novos campos de investigação e, com seu “Parlamento das Coisas”, proporcionou à ecologia novas possibilidades políticas. {{tag>Latour ciência técnica modernidade}}