===== Heidegger e a ecologia profunda ===== //ZIMMERMAN, Michael E. Heidegger’s Confrontation with Modernity. Technology, Politics, Art. Bloomington: Indiana University Press, 1990.// * A crítica de Heidegger à tecnologia moderna por tratar a terra (Erde) como máquina ou matéria-prima levou à interpretação de seu pensamento como convergente com o ambientalismo e motiva a investigação de sua possível aplicação à ecologia profunda. * A tecnologia moderna é vista como exploração da terra. * Surge a questão da compatibilidade com a ecologia profunda. * A degradação ambiental crescente, manifestada em poluição, efeito estufa, desmatamento, desertificação, erosão, redução da camada de ozônio e extinção de espécies, levou reformadores a buscar limites ao industrialismo, enquanto os ecologistas profundos identificam como causa radical o antropocentrismo da cultura ocidental enraizado no cristianismo e na filosofia grega. * Reformadores pretendem evitar o colapso da biosfera. * Ecologia profunda considera o reformismo insuficiente. * O antropocentrismo é apontado como origem da crise. * Cristianismo e filosofia grega são identificados como fontes históricas. * Lynn White Jr. caracteriza o cristianismo como religião altamente antropocêntrica, e vertentes da filosofia grega, especialmente o estoicismo, reforçam a hierarquia da grande cadeia do ser, sendo que a integração dessas tradições com a metafísica grega possibilitou a revolução científica, posteriormente intensificada por Francis Bacon, Descartes e o Iluminismo, culminando na industrialização global associada a capitalismo e socialismo. * O cristianismo enfatiza a centralidade humana. * O estoicismo sustenta a superioridade humana. * Francis Bacon defende o domínio científico da natureza. * Descartes separa mente e matéria. * O Iluminismo promete reorganização racional da sociedade. * Capitalismo e socialismo impulsionam industrialização. * Para os ecologistas profundos, a superação do humanismo antropocêntrico em direção a um igualitarismo biocêntrico constitui condição para evitar a catástrofe ambiental, exigindo respeito a todas as formas de vida, tecnologias alternativas e modos de vida simples diante do crescimento populacional, do industrialismo e do risco nuclear. * Entidades não humanas deixam de ser vistas como meras matérias-primas. * O amor e respeito universais tornam-se necessários. * Tecnologias alternativas e simplicidade são defendidas. * Conflitos entre marxismo e capitalismo ameaçam com holocausto nuclear. * As convergências entre a crítica heideggeriana ao humanismo antropocêntrico e a ecologia profunda suscitam a pergunta sobre Heidegger como possível teórico ecológico, apoiada por sua noção de [[lx>termos:g:geviert|Geviert]], sua defesa de deixar as coisas serem, sua reflexão sobre habitar e sua crítica à destruição tecnológica da terra. * Heidegger propõe deixar as coisas serem. * O Geviert envolve terra, céu, deuses e mortais. * Habitar autêntico é tematizado. * Ênfase no lugar local e na pátria. * Defesa da guarda e preservação das coisas. * Apesar dessas afinidades, surgem problemas para a adoção de Heidegger pela ecologia profunda, incluindo antropocentrismo residual, dimensão reacionária ligada ao nacional-socialismo e antipatia pela ciência. * O Dasein é apresentado como distinto e prioritário. * Entidades só se manifestam na clareira aberta pelo Dasein. * Heidegger supera o antropocentrismo remetendo ao ser como tal. * Critica o naturalismo. * O envolvimento de Heidegger com o nacional-socialismo, sua aceitação de autoritarismo, sua linguagem sobre [[lx>termos:v:volk|Volk]] e terra e suas visões hierárquicas suscitam reservas entre ecologistas profundos que rejeitam autoritarismo e comunitarismo sem liberdade individual. * Heidegger rejeita racismo biológico, mas redefine enraizamento. * Ecologistas profundos buscam evitar associação com mitologia fascista. * A dimensão orgânica é reinterpretada por Heidegger. * A crítica heideggeriana ao naturalismo entra em tensão com a ecologia profunda, que vê a humanidade como produto evolutivo integrado à teia da vida e valoriza a ciência ecológica como guia para habitação adequada da Terra. * A humanidade é entendida como animal evoluído. * Interdependência orgânica é enfatizada. * A ecologia científica fornece orientação prática. * A recusa heideggeriana da dimensão orgânica mantém traços dualistas. * Consideradas essas ressalvas, os escritos de Heidegger oferecem elementos relevantes para reflexão ambiental, especialmente sua concepção da existência humana como cuidado ([[lx>termos:s:sorge|Sorge]]), em convergência parcial com Arne Naess ao afirmar que a humanidade realiza sua autenticidade ao permitir que outras entidades sejam o que são. * A crítica heideggeriana estimula exame do antropocentrismo ocidental. * A noção de humanismo superior pode contribuir ao debate. * Arne Naess destaca preocupação ampla com condições de vida. * A humanidade torna-se autêntica ao praticar cuidado. {{tag>Zimmerman ecologia Heidegger}}