Leitura de Bertin

Bernard Dantier (8 décembre 2008) Textes de méthodologie en sciences sociales. “La représentation et l’étude visuelles des informations: Jacques Bertin, Sémiologie graphique

Uma nova abordagem da Semiologia Gráfica

Como todo gráfico e todo mapa são a transcrição de uma tabela de dados, essa constatação leva a uma nova abordagem: a teoria matricial do gráfico, e à proposta das seguintes prioridades:

1 - A maneira de analisar um gráfico ou um mapa.

Não se lê um gráfico. Faz-se três perguntas a ele:

• Quais são os componentes X e Y da tabela de dados?

• Quais são os grupos em X e em Y que os dados Z formam?

• Quais são as exceções a esses agrupamentos?

Um gráfico não deve mostrar apenas as folhas da árvore. Ele também deve mostrar os galhos e a árvore inteira. Assim, o olhar pode ir do detalhe ao todo e descobrir, ao mesmo tempo, a estrutura geral e suas exceções.

As perguntas sem resposta visual revelam a inutilidade de construções inadequadas. Portanto, é preciso, antes de tudo, aprender a fazer essas três perguntas. É preciso lembrar que muitos usuários ainda as ignoram. Consequentemente, seria um erro recorrer à opinião deles antes que conheçam as verdadeiras propriedades do gráfico.

2 - A construção X Y Z da imagem.

Somente ela permite responder às perguntas anteriores. Em qualquer outra construção, vemos apenas a folha, ou, no máximo, o galho. Mas a árvore é invisível. X e Y são as dimensões ortogonais da imagem. Z é a variação da energia luminosa em cada ponto significativo da imagem. Essa variação só é obtida por meio do tamanho ou do valor. Estes, juntamente com X e Y, fornecem as “variáveis da imagem”. As demais variáveis visuais — textura, cor, orientação e forma — apenas variam a qualidade da energia, e não a quantidade. São as “variáveis de separação” de imagens sobrepostas.

3 — A reclassificação das linhas e colunas da matriz X Y Z, bem como a transformação de Z (limitação, impossível antes da tela catódica).

Essas são as formas visuais do processamento de dados. Elas permitem identificar os grupos em X e os grupos em Y que os dados Z formam, ou seja, reduzir a multiplicidade dos dados iniciais a um número acessível de informações. Essa manipulação pode ocorrer após diversos processamentos automáticos. Ela fornece as bases para a discussão e a tomada de decisão. A mini-informática coloca esse processo de interpretação ao alcance de todos […].

4 - A aplicação da teoria matricial à cartografia.

Ela orienta a leitura do mapa (e, portanto, sua construção) ao definir as duas questões pertinentes a qualquer topografia:

Nesse local, o que há? Essa é a questão na coluna X (objetos) na tabela de dados. Esse fenômeno, onde está? Essa é a questão na coluna Y (características) na tabela de dados. Assim, ela distingue dois tipos de mapas: os mapas de 1 caractere, que respondem às duas perguntas; e os mapas de vários caracteres, que, em sua maioria, só podem responder à primeira pergunta. Ao substituir o “como” de Lasswell pelo “por que”, essa análise orienta a reflexão que deve preceder qualquer construção cartográfica.