O real preenche e cumpre o setor da operação, daquilo que opera.
// O real (das Wirkliche) preenche (erfüllt* - preenche e realiza) o domínio do “obrante”, daquilo que obra (francês).
// O real (das Wirkliche) traz à plenitude o reino da obra (das Wirkenden), daquilo que obra (wirkt*) - inglês.
// Pensado originalmente pelos gregos como energeia*, “vigência-na-obra”.
* Algo que vige depois de ter chegado ao des-encobrimento.
* O termo adquire um novo sentido, de ser causado.
* Na mesma luz como Deus vem a ser pensado como “causa primeira”.
* Em tempos modernos, o modo de causação se move em direção à visão de “consequências”, que se contrapõem à causa.
* O que se desenrola é o conceito moderno de objeto e objetividade.
* O termo real, na frase “a ciência é a teoria do real”, não é simplesmente passivo mas nossa concepção e expectativas do real organizam a ciência em um modo específico.
* O que a ciência vai estudar como o real é o mundo apreendido sob a limitada noção de presença de objetos apenas.
* O que significa teoria?
// Teoria no sentido grego é “bios theoritikos*”, o modo de vida do observador, “a observação que supervisiona a verdade”.
Há um sentido moderno distinto, proclamado na frase “a ciência moderna como teoria do real”.
// Uma transformação do pensar devida à translação do termo para a língua romana (theorein → contemplari*).
* Ao afirmar que a ciência é objetiva, “desinteressada”, “neutra”, escamoteia-se um “interesse” em ver a realidade de acordo com uma fórmula, onde os objetos se pré-definem, se agrupam e se categorizam.
* A ciência enquanto “teoria do real” é necessariamente espacializada, departamentalizada, “disciplinada”…
* A exemplo da técnica moderna, a ciência moderna valoriza uma relação sujeito-objeto
* O homem estabelece o real de modo objetificante, moldado para ser categorizado e medido.
* Nos movemos do real como “o que se presentifica como “auto-exibição” para algo que é enquadrado segundo uma objetividade.
// A relação sujeito-objeto é ordenadora, sendo ambos, sujeito e objeto, sugados como “dis-ponibilidades” (Bestand*).