Tecnoromanticismo

COYNE, Richard. Technoromanticism. Cambridge: The MIT Press, 1999.

Prefácio

1. As narrativas digitais situam a invenção e o aperfeiçoamento do computador no ápice da realização científica e tecnológica, apesar de se apoiarem fortemente no romantismo dos séculos XVIII e XIX, sendo examinado o espectro dessa narrativa romântica que perpassa a era digital, da visão utópica de McLuhan sobre a reintegração social pelas comunicações eletrônicas até as pretensões do ciberespaço de oferecer novas realidades, povoado por personagens como identidades digitais putativas, ciborgues, agentes computadorizados e avatares, sob o olhar unitário do cérebro global, a inteligência transcendente que emerge com o crescimento da rede digital.

2. O romantismo é identificado como fomentador de expectativas infladas, redutor das preocupações tangíveis com equipamento e corporeidade, promotor do heroísmo do empreendedor digital e disfarce do pensamento conservador sob a aparência de radicalismo, sendo proposto um jogo imaginativo de “e se”, no qual se adotam as alternativas pragmáticas e de senso comum do empirismo e do racionalismo científico ao tecnoromanticismo, de modo que abordá-lo criticamente não apenas diminui seu domínio, mas revela percepções valiosas sobre o computador e a era digital.

3. O modo como o romantismo lida com o tema perene da unidade e sua identificação com concepções do real é identificado, assim como a maneira pela qual as narrativas agonísticas contemporâneas, que falam de fricção, deslocamento e esquizofrenia, substituem o romantismo, servindo o texto também como introdução útil à aplicação da teoria contemporânea à tecnologia da informação, ao suscitar questões de representação, espaço, tempo, interpretação, identidade e real na era digital, constituindo assim um volume complementar à obra anterior Designing Information Technology in the Postmodern Age: From Method to Metaphor, que integra ainda mais as contribuições de Heidegger, Derrida, Ricoeur e Foucault, introduzindo as provocações de Freud, Lacan e do surrealismo à narrativa digital.