IHDE, Don. Technics and praxis. Dordrecht: Reidel, 1979.
** PREFÁCIO: Robert S. Cohen e Marx Wartofsky **
** INTRODUÇÃO: Rumo a uma Filosofia da Tecnologia **
** DIVISÃO UM / UM PROGRAMA EM FILOSOFIA DA TECNOLOGIA **
** DIVISÃO DOIS / IMPLICAÇÕES DA TECNOLOGIA **
** DIVISÃO TRÊS / PIONEIROS NA FILOSOFIA DA TECNOLOGIA **
Prefácio
1. Conforme se conceba a relação de parentesco, a tecnologia foi tratada como enteada da filosofia ou como sua avó, permanecendo em ambos os casos fora do núcleo familiar e à espera de atenção enquanto elementos considerados mais nobres, como ciência, arte, política e ética, recebiam os cuidados devidos.
2. Don Ihde situa a tecnologia no centro das questões e desenvolve uma filosofia da tecnologia ao mesmo tempo distintiva, reveladora e instigante, tendo a filosofia da tecnologia permanecido tradicionalmente à margem da filosofia da ciência e sido pouco desenvolvida como análise e crítica dos conceitos, metodologias e epistemologias e ontologias implícitas na práxis e no pensamento tecnológicos.
3. Essas, porém, constituem tradições alternativas, esboçadas por Ihde em sua introdução, que aponta a orientação para a práxis, e mais especificamente para a práxis tecnológica e o uso de instrumentos, em abordagens tão diversas quanto as teorias clássicas da techne em Platão e Aristóteles e movimentos modernos como a fenomenologia, o marxismo e o existencialismo, sendo o foco final de Ihde fenomenológico, partindo da visão radical de Heidegger sobre a primazia da tecnologia e o caráter inaugural da práxis em relação à ciência e à filosofia.
4. O estudo de Ihde é um dos poucos que reconhece plenamente a centralidade da tecnologia na filosofia de Heidegger, sem contudo constituir estudo sobre ele ou glosa de sua obra, partindo antes Ihde dos contextos da techne, entendida como a relação homem-mundo mediada pelo instrumento, investigando, por meio de uma série de estudos fenomenológicos cuidadosamente graduados, as transformações que o uso de instrumentos e a experiência da tecnologia introduzem em nossa imagem do mundo e em nossa autoimagem em relação a esse mundo.
5. A primeira série de ensaios explora uma fenomenologia da instrumentação, defendendo Ihde o caráter intencional da techne e examinando o espectro das intencionalidades instrumentais que caracterizam nossa experiência tecnológica, da transparência à opacidade instrumental.
6. Os ensaios da segunda parte do livro variam quanto ao foco, mas se articulam como partes de um programa de filosofia da tecnologia, ramificando Ihde suas teses sistemáticas anteriores em contextos concretos e específicos.
7. A filosofia da ciência finalmente voltou sua atenção para a filosofia da tecnologia, sendo provável que paroquialismos e preconceitos herdados da tradição dominante na filosofia da ciência continuem moldando o trabalho contemporâneo, o que reforça a importância do impacto antiparoquial e ampliador dos estudos de Ihde, que nos lembram de uma tese provocadora de Ernst Mach sobre a experiência radical da tecnologia como fonte da própria formação de nossos conceitos, apresentando-se essa obra na coleção Boston Studies como contribuição, em toda a riqueza de seu detalhe fenomenológico e de sua análise concreta da techne e da práxis, à crescente discussão atual sobre filosofia da tecnologia.