Cibernética

LANCIANI, Albino. Phénoménologie et sciences cognitives. Paris: Association por la promotion de la phénoménologie, 2003.

** Os primórdios: a cibernética **

1. Embora o cognitivismo costume reivindicar antecedentes filosóficos em Descartes, Hobbes e, especialmente no contexto francês, Comte, suas origens intelectuais imediatas encontram-se sobretudo na cibernética de Norbert Wiener e no desenvolvimento inicial da informática, que orientaram de maneira específica a releitura dos filósofos modernos e vincularam desde o princípio as ciências cognitivas ao problema da mecanização do pensamento.

2. A segunda orientação decisiva da cibernética decorre do êxito da física na construção de modelos isomorfos capazes de descrever fenômenos aparentemente distintos, o que estimulou a extensão dessa estratégia ao cérebro e à inteligência e encontrou na teoria matemática da informação de Claude Shannon um instrumento para converter processos antes resistentes à formalização em objetos suscetíveis de tratamento quantitativo e lógico-matemático.

3. O organismo vivo pode ser compreendido por sua abertura ao mundo exterior mediante órgãos de acoplamento capazes de receber mensagens ambientais que participam da determinação de sua conduta futura, permitindo que essa relação entre organismo, informação e comportamento seja considerada segundo categorias provenientes da termodinâmica e da mecânica estatística.

4. A herança fundamental da cibernética para o cognitivismo consiste em substituir progressivamente a primazia da investigação experimental direta pela construção de modelos inspirados nas ciências exatas, atribuindo a esses modelos não apenas uma função explicativa, mas também a capacidade de reproduzir estruturalmente características dos seres vivos.

5. A aplicação da modelização cibernética à biologia e às ciências sociais, tendo a informação como grandeza mensurável, exige uma transformação prévia dos próprios domínios investigados, de modo que possam receber esse tratamento formal, tornando indispensáveis tanto uma epistemologia capaz de determinar as condições de aplicabilidade dos modelos quanto uma concepção de biologia compatível com essa formalização.