Lanciani

Albino Lanciani

LANCIANI, Albino. Phénoménologie et sciences cognitives. Paris: Association por la promotion de la phénoménologie, 2003.

1. O cognitivismo constitui uma das correntes de pensamento mais sintomáticas dos últimos cinquenta anos, não apenas por sua importância científica, mas também por sua profunda relação com as transformações sociais e por suas consequências para as ciências humanas e, sobretudo, para a filosofia, cujo campo reconhecido de competência foi progressivamente reduzido diante da expansão das ciências cognitivas.

2. O progressivo abandono das ciências puras pelas principais tradições filosóficas rompeu a relação historicamente fecunda entre filosofia e ciência, enquanto a crescente formalização e matematização da linguagem científica tornaram mais difícil uma compreensão filosófica capaz de acompanhar os problemas fundamentais da atividade científica em seu próprio processo de constituição.

3. A transformação da filosofia em disciplina auxiliar das ciências produziu uma dupla catástrofe: tornou sua função aparentemente redundante diante do conhecimento científico e, ao mesmo tempo, permitiu que as próprias ciências assumissem autonomamente a tarefa de interpretar o sentido de sua atividade e do mundo por elas constituído.

4. O cognitivismo ocupa precisamente o espaço filosófico aberto por essa retração da filosofia, constituindo-se como disciplina de fronteira eclética que combina questões filosóficas profundamente reinterpretadas com resultados provenientes das diversas ciências contemporâneas, o que exige simultaneamente uma crítica de sua consistência filosófica e a elaboração de uma função alternativa para a filosofia, especialmente para a fenomenologia.

5. A análise do cognitivismo exige concentrar-se nos elementos estruturais comuns à multiplicidade de correntes que compõem sua heterogênea constelação, privilegiando a epistemologia pressuposta pelo projeto cognitivista e a concepção filosófica dela derivada, cuja estrutura apresenta uma circularidade fundamental por partir de uma determinada compreensão implícita do ser humano e terminar pela explicitação dessa mesma compreensão.