O que é o Virtual?

LÉVY, Pierre. Qu’est-ce que le virtuel? Paris: La Découverte, 1998 / O que é o Virtual? Rio de Janeiro: Editora 34, 1996.

1. Um movimento amplo de virtualização atinge hoje não apenas a informação e a comunicação, mas também os corpos, a economia, a sensibilidade coletiva e as formas de constituição do “nós”, ultrapassando os limites da informatização.

2. A hipótese defendida rejeita o catastrofismo de autores como Baudrillard e Virilio, propondo que a virtualização contemporânea, apesar de seus aspectos sombrios, exprime uma busca de hominização.

3. A virtualização representa a essência da mutação em curso e não deve ser vista como boa, má ou neutra, mas como o próprio movimento de “devir outro” do humano, que exige ser compreendido antes de ser temido ou abraçado cegamente.

4. O virtual, corretamente definido, distancia-se do falso, do ilusório e do imaginário, constituindo antes um modo de ser fecundo que abre processos de criação e futuros possíveis.

5. A obra se propõe a estudar, de modo inédito na tradição filosófica, o movimento inverso ao já analisado por outros pensadores: não a passagem do possível ao real ou do virtual ao atual, mas a virtualização que parte do atual em direção ao virtual, articulando um desafio filosófico, antropológico e sócio-político.

6. O primeiro capítulo define os conceitos de realidade, possibilidade, atualidade e virtualidade, além de iniciar a análise da desterritorialização e de outros fenômenos espaço-temporais associados à virtualização.

7. Os três capítulos seguintes tratam da virtualização do corpo, do texto e da economia, aplicando os conceitos anteriores à análise da mutação econômica e cultural contemporânea.

8. O quinto capítulo situa a hominização nos termos da teoria da virtualização, examinando a virtualização do presente imediato pela linguagem, dos atos físicos pela técnica e da violência pelo contrato, permitindo repensar a crise civilizacional atual na continuidade da aventura humana.

9. O sexto capítulo identifica, a partir do material empírico acumulado, o núcleo invariante de operações elementares presentes em todo processo de virtualização, correspondente a uma gramática, uma dialética e uma retórica ampliadas.

10. O sétimo e o oitavo capítulos abordam a virtualização da inteligência a partir do funcionamento tecno-social da cognição.

11. O nono capítulo resume, sistematiza e relativiza o conhecimento desenvolvido na obra, esboçando o projeto de uma filosofia capaz de acolher a dualidade entre acontecimento e substância presente ao longo do trabalho.

12. O epílogo conclama a uma arte da virtualização, voltada a uma nova sensibilidade estética que, nos tempos de grande desterritorialização, faria da hospitalidade ampliada sua virtude cardinal.