POSTER, Mark. The Mode of Information. Poststructuralism and Social Context. Chicago: The University of Chicago Press, 1990.
1. Levanta-se a questão do estatuto do conceito derridiano de escrita em relação ao computador, indagando se a escrita eletrônica configura um estágio de comunicação imprevisto pelo método desconstrutivo ou se a própria desconstrução já abre caminho para essa análise, com foco na relação entre sujeito e texto reconfigurada na passagem da escrita impressa para a eletrônica.
2. A introdução da escrita eletrônica desestabiliza a figura do sujeito tal como configurada nas grandes tradições do pensamento ocidental, seja o sujeito cartesiano, o kantiano ou o hegeliano, dispersando-o de modo que deixa de funcionar como centro.
3. A estratégia interpretativa derridiana dá conta dos efeitos da escrita mediada por computador, embora se revele insuficiente para tratar do modo de informação, sendo necessário desenvolver a “gramatologia aplicada” e permanecendo em aberto se a nova era da escrita já se encontra anunciada ou apenas vislumbrada sem ser propriamente enfrentada.
4. A comunicação eletronicamente mediada constitui contexto explícito em diversos momentos, configurando um tema menor porém recorrente.
5. Estruturam-se três movimentos: a análise da posição inicial sobre a relação entre sujeito e escrita, a discussão de modalidades de escrita computacional em relação ao sujeito, e a avaliação da posição mais tardia, sobretudo n'O Cartão-postal, como estratégia teórica para a análise da escrita computacional.
6. Certos atributos da escrita caracterizam toda experiência, tendo sido negligenciados pela tradição intelectual ocidental, cabendo explorá-los para desestabilizar essa tradição; o termo “textualidade” é empregado com vocabulário livresco ainda que não se refira literalmente a livros, contrapondo-se à definição metafísica do ser como entidade fechada, estável e transparente ao autor e ao intérprete.
7. Na busca pelo sentido, certas características do campo analítico permanecem despercebidas, sendo a “textualidade” o termo mais recorrente para designar esse nível ocultado da realidade, delineado por Dominick LaCapra como redes relacionais de traços instituídos, de modo que a afirmação de que nada existe fora do texto remete a qualidades da experiência em geral, não apenas dos livros.
8. As redes de traços instituídos constituem diferenças que possibilitam sustentar a existência de sentidos estáveis e delimitados ao mesmo tempo em que solapam a pretensão de que tais sentidos sejam fechados e autossuficientes, de modo análogo ao argumento estruturalista segundo o qual o falante competente não pode simultaneamente atentar à estrutura de diferenças que sustenta a língua.
9. Nos livros impressos, as palavras diferenciam-se por espaços e marcas, e o texto impresso mantém distância temporal e espacial em relação ao autor, o que fundamenta a desconfiança platônica em relação à escrita como cópia de uma realidade mental, situando-a em oposição à fala e associando-a à ideia de desgraça, enquanto as teses da presença plena da palavra à mente, da mente ao real e de ambas à verdade constituem marcas da cultura racionalista ocidental.
10. O deslocamento da fala para a escrita busca compreendê-la como sempre já anterior à fala, mesmo quando a segue empiricamente, mediante categorias nodais como escrita, différance e pharmakon que expõem as oposições binárias da tradição logocêntrica, de modo que a escrita não se opõe à fala, mas antecede essa própria distinção, segundo uma lógica indecidível em que os termos oscilam perpetuamente.
11. Sustentar tal posição exige submeter o próprio argumento à lógica da diferença e às instabilidades da textualidade, sendo o jogo de palavras uma estratégia para manter a escrita aberta e evitar seu fechamento, já que uma simples inversão da oposição binária entre fala e escrita reproduziria a mesma crítica dirigida aos autores logocêntricos.
12. O esforço de impedir o fechamento do sentido e de subverter continuamente as estabilidades textuais foi interpretado, em certos momentos, como primeiro passo para uma nova política situada além do liberalismo e do socialismo, posicionando a intervenção desconstrutiva num ponto de transição histórica correspondente ao fim da era do livro.
13. Esse autoposicionamento em época de transição não constitui novidade, remontando ao Iluminismo e ao Renascimento, sendo Nietzsche exemplo próximo ao recorrer igualmente à figura da mãe e à metáfora do nascimento para descrever a nova política, ora de modo jubiloso, ora de modo ameaçador.
14. A relação entre desconstrução e escrita computacional remete à questão do contexto e da política, sendo limitada a contribuição derridiana pelo modo como se inscreve a própria posição na situação presente, com consequências políticas.
15. Quatro premissas relativas à desconstrução são aceitas.