Por que “eternos”? Resposta técnica, derivada das restrições do sistema:
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O conceito de entidade atual identifica-se com a existência.
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Existência é essencialmente um devir (becoming).
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Todo devir é gênese de uma entidade atual.
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Se objetos eternos fossem sujeitos a um devir, eles viriam de entidades atuais (devires concretos), o que os reduziria a “dados”.
Eternidade refere-se a um regime de ser onde não há nascimento, origem, transformação ou fim – qualidades exclusivas das entidades atuais.
Objetos eternos são “potencialidades puras”, possibilidades puras que não se referem diretamente a nada que exista.
Transformando o Platonismo: Ingressão vs. Participação
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Whitehead afirma uma linhagem platônica para seu pensamento, mas se refere às “riquezas de ideias gerais” dispersas nos escritos de
Platão, não ao esquema sistemático extraído pelos estudiosos.
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Interesse específico no
Timeu: dualismo sem hierarquia entre duas ordens irredutíveis:
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1. Ordem das “ideias” ou “formas” (que mantêm sua forma imutavelmente, não são geradas, não percebidas pelos sentidos) → equivalente aos objetos eternos.
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2. Ordem do sensível (que compartilha o nome e se assemelha ao inteligível, é percebido, gerado, perece) → equivalente às entidades atuais.
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Crítica à teoria platônica da participação, que reduz o sensível ao inteligível por semelhança e valoriza excessivamente o modelo matemático/dedutivo, “absorvendo a atualidade na possibilidade”.
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Operação alternativa de
Whitehead:
ingressão (ingression).
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Processo pelo qual a potencialidade de um objeto eterno é realizada numa entidade atual particular, contribuindo para a definitude (definiteness) dessa entidade.
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A relação é invertida: as potencialidades encontram sua existência nas entidades atuais, através da ingressão, e não o contrário.
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Isto fundamenta um empirismo radical: objetos eternos nada nos dizem sobre sua ingressão na experiência. Para vê-la, é preciso aventurar-se no domínio da experiência.
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Dualismo mantido (ação vs. potencialidade pura), mas pensado internamente a um monismo onde toda potencialidade está conectada a uma atualidade.
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O Modo de Realidade dos Objetos Eternos: Três Proposições Gerais
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1. Objetos eternos são
abstratos por natureza.
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Existem apenas através de suas ingressões, sem jamais serem totalmente adequados ou identificáveis a elas.
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Mantêm uma “neutralidade ontológica”, um “sobrevoo” (être-en-survol) da potencialidade, permitindo serem encarnados em várias entidades sem alterar sua natureza.
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2.
Não há novos objetos eternos.
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Consequência lógica da eternidade. O que é eterno não tem começo nem fim.
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Inspiração leibniziana: há ideias e princípios que encontramos em nós mesmos sem tê-los formado, sendo os sentidos a ocasião para tomarmos consciência deles.
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Como determinantes da individuação, não podem ser produzidos por a individuação.
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3. Objetos eternos têm
dimensões relacionais.
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Cada objeto eterno é um indivíduo, mas não pode ser divorciado de suas relações com todos os outros.
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Há um universo relacional de objetos eternos, um tecido de conexões e sistemas que varia continuamente conforme suas ingressões nas entidades atuais.
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Em sua essência, há uma determinidade quanto às relações com outros objetos eternos, e uma indeterminação quanto às relações com ocasiões atuais (entidades).
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Analogia com o matemático Albert Lautman: dialética de ideias como dinamismo de “potencialidades puras”, relações ideais que se realizam na matemática (e, para
Whitehead, na existência concreta).