CHATEAU, J.-Y. Le vocabulaire de Simondon. Paris: Ellipses, 2008.
1. A distinção entre ferramenta e instrumento define-se pela função de prolongar e armar o corpo para realizar um gesto, no caso da ferramenta, e pela função de prolongar e adaptar o corpo para obter melhor percepção, no caso do instrumento, sendo este último um instrumento de percepção.
2. Uma ferramenta pode ser empregada como instrumento, sobretudo para colher informações sobre a tarefa que permite executar e para orientá-la e regulá-la, de modo que a distinção entre as duas noções não é radical, servindo antes para designar a função predominante considerada nos objetos técnicos do que os objetos em si mesmos, ainda que alguns sejam fabricados para ser preferencialmente um ou outro.
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Exemplo do martelo empregado para cravar um prego, utilizado simultaneamente como instrumento para informar sobre a força a aplicar e o melhor ângulo de golpe, evitando torcer o prego.
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Distinção entre objetos fabricados para ser sobretudo ferramentas, como o martelo ou a picareta, e instrumentos de ótica ou de medida, que dificilmente saem de sua função instrumental.
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Caso dos instrumentos musicais e dos computadores, dispositivos técnicos nos quais a função de ferramenta, produtora de efeitos determinados conforme operações e gestos determinados, correlaciona-se estreitamente com a função instrumental, que permite explorar a função de ferramenta com precisão e finura a todo momento.
3. Ferramenta e instrumento não designam apenas objetos técnicos rudimentares portáteis pelo homem, que constitui sua fonte de energia, mas correspondem às duas funções complementares, ou à função reversível, da relação entre o homem e o meio em que opera, relevando do ponto de vista funcional na análise da técnica, ainda que sua eficácia funcional dependa da análise mecanológica de sua concretização.
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Pertinência dessas duas noções mesmo para a análise de objetos técnicos elaborados, como máquinas, conjuntos e redes, segundo sua função de ferramenta ou de instrumento.
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Correspondência dessas duas noções à distinção mais simples e mais fundamental para a análise da realidade técnica.
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Caráter socialmente desastroso da inculta geral em matéria de tecnologia, que conduz tanto à hostilidade quanto à veneração desmedida em relação à técnica, manifesta na confusão constante entre a noção de ferramenta e a de instrumento em proveito da primeira, e no uso exclusivo da palavra ferramenta, mesmo entre filósofos, para designar toda realidade técnica.