Stiegler

BERNARD STIEGLER (1952-2020)

ABBINNETT, Ross. The thought of Bernard Stiegler: capitalism, technology and the politics of spirit. London: Routledge, 2018.

** Biografia **

1. A trajetória de Bernard Stiegler estende-se da formação filosófica ocorrida durante o encarceramento até a fundação do Ars Industrialis.

** Contexto **

2. A leitura humanista de Stiegler contrapõe-se às objeções da esquerda marxista e às teses aceleracionistas, que lhe atribuem uma noção hegeliana de espírito.

3. A filiação à desconstrução derridiana e a leitura do mito de Prometeu configuram organologicamente a origem da relação entre humanidade e técnica.

4. A leitura de Gilbert Simondon sustenta a tese de que os programas tecnológicos tendem a apropriar-se das faculdades reflexivas (noéticas) humanas.

5. A ambiguidade da relação com Simondon elabora-se no conceito de Dasein (Dasein) tecnológico, situado entre o utopismo organológico simondoniano e a autenticidade (Eigentlichkeit) heideggeriana diante da morte.

6. A antropologia de Leroi-Gourhan funda a genealogia técnica que articula a evolução pré-hominídea à constituição organológica do espírito.

7. A crítica de Horkheimer e Adorno ao capitalismo de consumo mostra-se insuficiente para captar a dinâmica libidinal das tecnologias analógicas, apesar de sua prescisão quanto à padronização do desejo.

8. A constituição sensório-afetiva do ser humano centra a análise da desorientação provocada pelo canalizamento cognitivo operado pelas tecnologias de mídia.

9. O sentido específico de humanismo situa-se na contradição definidora da modernidade hiperindustrial entre a multiplicação das formas significantes e a diminuição do engajamento afetivo-intelectual.

10. O pharmakon, motivo central, articula-se à proletarização endêmica da vida nas democracias industriais ocidentais.

11. Os programas que curto-circuitam a relação espiritual-noética entre indivíduo e herança cultural encaminham o rastreamento da economia farmacológica de veneno e cura constitutiva da sociedade hiperindustrial e de sua possível economia de contribuição.

** Estratégia **

12. O fio condutor expositivo organiza-se em torno da noção de arquiprograma, totalidade de sistemas regidos pelo princípio de transferência eficiente de conhecimento, informação e valor, remetendo à transposição marxiana das potências de trabalho em potências de capital, à crítica frankfurtiana da tecnocracia e à noção lyotardiana de “ganhar tempo”.

13. Uma economia do espírito subsiste como aposta que sustenta a reflexão como labor noético (otium).