Lynn White Jr. caracteriza o cristianismo como religião altamente antropocêntrica, e vertentes da filosofia grega, especialmente o estoicismo, reforçam a hierarquia da grande cadeia do ser, sendo que a integração dessas tradições com a metafísica grega possibilitou a revolução científica, posteriormente intensificada por Francis Bacon,
Descartes e o Iluminismo, culminando na industrialização global associada a capitalismo e socialismo.
-
O cristianismo enfatiza a centralidade humana.
-
O estoicismo sustenta a superioridade humana.
-
Francis Bacon defende o domínio científico da natureza.
-
-
O Iluminismo promete reorganização racional da sociedade.
-
Capitalismo e socialismo impulsionam industrialização.
Para os ecologistas profundos, a superação do humanismo antropocêntrico em direção a um igualitarismo biocêntrico constitui condição para evitar a catástrofe ambiental, exigindo respeito a todas as formas de vida, tecnologias alternativas e modos de vida simples diante do crescimento populacional, do industrialismo e do risco nuclear.
-
Entidades não humanas deixam de ser vistas como meras matérias-primas.
-
O amor e respeito universais tornam-se necessários.
-
Tecnologias alternativas e simplicidade são defendidas.
-
Conflitos entre marxismo e capitalismo ameaçam com holocausto nuclear.
As convergências entre a crítica heideggeriana ao humanismo antropocêntrico e a ecologia profunda suscitam a pergunta sobre Heidegger como possível teórico ecológico, apoiada por sua noção de
Geviert, sua defesa de deixar as coisas serem, sua reflexão sobre habitar e sua crítica à destruição tecnológica da terra.
-
Heidegger propõe deixar as coisas serem.
-
O Geviert envolve terra, céu, deuses e mortais.
-
Habitar autêntico é tematizado.
-
Ênfase no lugar local e na pátria.
-
Defesa da guarda e preservação das coisas.
Apesar dessas afinidades, surgem problemas para a adoção de Heidegger pela ecologia profunda, incluindo antropocentrismo residual, dimensão reacionária ligada ao nacional-socialismo e antipatia pela ciência.
-
O Dasein é apresentado como distinto e prioritário.
-
Entidades só se manifestam na clareira aberta pelo Dasein.
-
Heidegger supera o antropocentrismo remetendo ao ser como tal.
-
Critica o naturalismo.
O envolvimento de Heidegger com o nacional-socialismo, sua aceitação de autoritarismo, sua linguagem sobre
Volk e terra e suas visões hierárquicas suscitam reservas entre ecologistas profundos que rejeitam autoritarismo e comunitarismo sem liberdade individual.
-
Heidegger rejeita racismo biológico, mas redefine enraizamento.
-
Ecologistas profundos buscam evitar associação com mitologia fascista.
-
A dimensão orgânica é reinterpretada por Heidegger.
A crítica heideggeriana ao naturalismo entra em tensão com a ecologia profunda, que vê a humanidade como produto evolutivo integrado à teia da vida e valoriza a ciência ecológica como guia para habitação adequada da Terra.
-
A humanidade é entendida como animal evoluído.
-
Interdependência orgânica é enfatizada.
-
A ecologia científica fornece orientação prática.
-
A recusa heideggeriana da dimensão orgânica mantém traços dualistas.
Consideradas essas ressalvas, os escritos de Heidegger oferecem elementos relevantes para reflexão ambiental, especialmente sua concepção da existência humana como cuidado (
Sorge), em convergência parcial com Arne Naess ao afirmar que a humanidade realiza sua autenticidade ao permitir que outras entidades sejam o que são.
-
A crítica heideggeriana estimula exame do antropocentrismo ocidental.
-
A noção de humanismo superior pode contribuir ao debate.
-
Arne Naess destaca preocupação ampla com condições de vida.
-
A humanidade torna-se autêntica ao praticar cuidado.