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Alma substancial

BARRETT, William. Death of the Soul. From Descartes to the computer. New York: Doubleday, 1986.

A Alma Substancial

1. Kant, embora pertença essencialmente ao século XVIII, faleceu em 1804, tendo contribuído de forma imensa para a compreensão da mente, mas sua análise apresenta uma lacuna central: a falta de uma apreensão do self concreto, um problema que afetará a maioria dos pensadores subsequentes.

2. Diferente dos empiristas como Hume, Kant não vê a mente como um agregado de impressões, mas como uma totalidade estrutural que precede as partes, pois a compreensão de uma parte, como o espaço de uma sala, já implica a totalidade do espaço, o que torna Kant o arqui-inimigo do pensamento atomístico e redutivo.

3. A distinção entre Ser e entes, desenvolvida por Heidegger, já está presente em Kant, e a compreensão do “Ser ético” como um todo é essencial, pois o agente moral, ao cumprir seu dever, já postula que sua ação “faz diferença” e possui um significado dentro de um esquema maior, o que leva Kant a postular a existência de Deus e de um reino dos fins.

4. As crenças sobre o universo, sejam teístas ou ateístas, entram nas visões de moralidade, e a tentativa de construir uma ética logicamente autossuficiente, ignorando questões como a existência de Deus, é autoderrotante, pois fragmenta o ser ético total e especializa a mente, e a filosofia de Kant serve como um modelo de alerta contra essa compartimentalização.

5. A falha de Kant reside em não se ater ao ego existencial, pois ele apenas afirma que a ideia de um “eu” deve ser capaz de acompanhar todos os pensamentos, mas não afirma a persistência efetiva do self concreto durante os períodos em que não é notado, cedendo ao ceticismo de Hume, ao passo que a experiência comum demanda a crença na identidade pessoal persistente.

6. A visão de uma alma substancial, que persiste através das mudanças, como definido por Aristóteles, é defendida como uma noção mais concreta do que a kantiana, e a insistência de Kant em que o self como “coisa-em-si” é incognoscível cria um mistério no centro da alma, pois ele confunde as exigências do conhecimento estrito com as reivindicações urgentes da existência.

7. A partir de Kant, a exposição da história da filosofia adentra o mundo moderno, marcado pela “dispersão” das energias humanas e pela fragmentação, onde a especialização leva à falta de comunicação e à perda do self, e o próximo capítulo abordará essa perda do self na cultura moderna, começando com Hegel, que é sucedido pela revolta existencialista de Kierkegaard contra a noção de espírito, e culminando em teorias do self fragmentado em Sartre, Heidegger e no desconstrucionismo.

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