Informática, disciplina?
BRETON, Philippe; RIEU, Alain-Marc; TINLAND, Franck. La Techno-science en question: éléments pour une archéologie du XXe siècle. Seyssel: Champ vallon, 1990.
** A informática como disciplina existe? **
1. À pergunta sobre se a informática constitui uma disciplina, cada um pode oferecer resposta legítima, considerando-a uns como ciência exata, a ciência das informações, e outros como técnica, a técnica dos computadores e da programação, insistindo estes últimos no que aproxima a informática de outras disciplinas, um corpo de conhecimentos estáveis e evolutivos com fronteiras relativamente bem circunscritas, reivindicando geralmente que ela deveria ser considerada, nas instituições de ensino e pesquisa, disciplina de pleno direito, formando profissionais sérios, competentes e em número suficiente.
2. Para outros, a informática é bem mais do que isso, domínio original que não poderia ser encerrado em quadros tradicionais, sendo o método algorítmico uma espécie de filosofia prática do raciocínio que concerne praticamente todos os domínios do saber e deveria a termo transformar o próprio conteúdo das matérias ensinadas, correspondendo a informática, mais amplamente, a uma nova cultura que se estenderia largamente em vez de constituir disciplina canônica, tornando-se os futuros excluídos da informática equivalentes aos analfabetos da leitura e da escrita tradicionais, devendo por isso ser ensinada a todos como uma espécie de segunda língua.
3. Por fim, à pergunta sobre se a informática é ou não uma disciplina, outros respondem que isso importa pouco e que a tentativa de estabelecer fronteiras epistemológicas é questão secundária ou mesmo sem interesse, afirmando esse ponto de vista pragmático antes de tudo a eficácia dos computadores, sendo a informática simplesmente o domínio de utilização mais competente possível e mais próximo do que desejam os usuários, considerando-se nesse espírito um bom computador aquele que qualquer pessoa pode questionar em linguagem natural sem ser obrigada a partilhar sua lógica.
4. É fácil constatar que as clivagens descritas estão longe de ser desprovidas de importância e sobretudo de consequências práticas, não se tomando as mesmas decisões nem se organizando as mesmas formações conforme a concepção partilhada sobre a identidade disciplinar da informática.
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Vladimir Mercouroff observa que na França não se ensina a mesma informática nas escolas de engenharia e na universidade
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alguns pensam que a informática deveria ser acrescentada à lista das disciplinas ensinadas nos colégios e liceus, enquanto outros querem introduzi-la no ensino de todas as matérias
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existe forte rede de militantes favoráveis a uma iniciação generalizada da população e da juventude à programação por meio de clubes e associações populares
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vários especialistas se perguntam se em breve ainda será necessário aprender programação, e sobretudo se ainda serão necessários informatas, dado que os progressos tecnológicos esperados permitiriam acesso direto ao computador
Divergência de definição e unidade do paradigma digital
5. Essa ausência de clareza e consenso na definição de uma identidade disciplinar é perturbadora se se considera que a informática é um domínio que reclama, mais que qualquer outro, precisão e rigor na definição dos termos, sabendo os informatas bem disso já que o respeito a essa regra assegura seu sustento cotidiano, cabendo perguntar por que não conseguem aplicá-la, eles que são tão rigorosos em outros aspectos, quando se trata de definir seu próprio domínio.
6. É preciso, no entanto, cuidado para não interpretar esse fenômeno como sinal de fraqueza, correndo quem visse na informática apenas um colosso de pés de barro, uma espécie de híbrido disciplinar próximo da dissolução, o risco de passar ao largo do essencial.
7. O verdadeiro paradoxo é que, sob essa heterogeneidade bem real, os informatas parecem todos unidos por um tecido extremamente sólido, tendo todos, mesmo que poucos pudessem defini-lo com exatidão, o sentimento de participar de um empreendimento comum, o paradigma digital, possuindo a informática, para além de sua diversidade, um poder federador que une mais do que separa.
8. Essa sensação de evoluir num mesmo universo mental, implicando globalmente as mesmas representações do mundo, é partilhada não apenas por aqueles que praticam profissionalmente a informática, mas também por toda uma população de usuários, praticantes amadores ou simplesmente pessoas cultas pertencentes a outros mundos profissionais, todos com a certeza, sem poder explicar racionalmente o porquê, de que ali se passa algo essencial.
9. Cabe perguntar como se formou a adesão a esse paradigma digital e de onde vem essa diversidade, ou mesmo essas oposições de pontos de vista, sobre o verdadeiro estatuto da informática.
10. Há de fato poucos trabalhos de síntese sobre essas questões, pressentindo cada um que a informática possui grande originalidade, nem que seja porque o ponto de vista disciplinar não se impôs, distinguindo-a de todas as disciplinas conhecidas, conhecendo-se mal as condições que contribuíram para moldá-la e lhe dar a forma atual, começando a história dos equipamentos e programas a ser feita, sem contudo esgotar o assunto, sendo claro que o fascínio pela programação e pelas questões de equipamento ainda oculta fortemente a compreensão dos verdadeiros elementos dinâmicos da informática.
11. O paradigma digital parece ter encontrado terreno privilegiado para se afirmar numa oposição em relação à cibernética e ao pensamento analógico, mas, por outro lado, a informática toma emprestados certos traços e certas preocupações da cibernética, cabendo perguntar qual herança a informática recebeu da cibernética.
Os grandes debates dos anos sessenta
12. O ano de 1962 constitui, para a informática na França, do ponto de vista aqui tratado, uma data-charneira, existindo havia pelo menos dez anos redes compostas por engenheiros, matemáticos aplicados, pesquisadores científicos e também gestores, com prática mais ou menos comum, homens em busca de uma identidade no sentido de que não sabiam como se designar entre si nem como designar sua atividade perante o exterior, sendo seu trabalho novo e ainda marginal, consistindo essencialmente em encontrar soluções numéricas para problemas de cálculo e tratamento da informação colocados ou potencialmente colocáveis pelos usuários, e em implantar essas soluções nas calculadoras digitais então disponíveis.
13. A atividade dos membros dessas redes era marginal no sentido de que, na época, ainda não se calculava muito e boa parte dos cálculos se fazia em analógico, tecnologia então mais rápida e confiável, situando-se essas redes, além disso, numa espécie de terra de ninguém institucional e disciplinar, a meio caminho entre as universidades de Grenoble, Toulouse e a Faculdade de Ciências de Paris, as empresas e as grandes escolas.
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pequenas sociedades científicas sob forma associativa se constituem, como a AFCAL, Associação Francesa de Cálculo, e depois a AFCALTI, Associação Francesa de Cálculo e Tratamento da Informação
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essas se federarão na AFCET, Associação Francesa de Cibernética Econômica e Técnica, por volta de meados dos anos sessenta
14. A palavra informatique, proposta numa reunião da AFCALTI em 1962 por Philippe Dreyfus para designar o novo domínio que ele e seus colegas exploravam, conheceria sucesso fulminante que surpreenderia até seus próprios promotores, sendo imediatamente federadora, embora por trás do consenso que gera se dissimulem pontos de vista bastante divergentes sobre o que ela deveria designar.
15. Já se notou a existência de debate bastante significativo sobre a maneira como a palavra informatique foi composta, podendo esse debate ser interpretado como suporte das concepções que cada um defende sobre o que devem ser, a seus olhos, as fronteiras do novo domínio.
16. Para R. Moch, por exemplo, foi evidente por longos anos que o tique de informatique é um sufixo, como em mathématique ou linguistique, especificando o caráter disciplinar, ao qual aliás esse autor se opõe, enquanto Jacques Arsac, promotor da ideia de uma ciência informática, ainda sustentará em 1970, oito anos depois, que Dreyfus, ao contrário do que se poderia crer, quis significar que a seus olhos a informática era uma disciplina autônoma.
17. Paralelamente a esse debate, conduz-se outra discussão conceitual sobre o que recobre exatamente a noção de informação e sobre o que a distingue da noção de conhecimento, chocando-se a automática das informações frontalmente com aqueles que desejavam fazer da informática um lugar de saber que pudesse perfeitamente dispensar máquinas, sendo a informática, nesse espírito, antes uma maneira de conceber os problemas do que primeiramente um meio de resolvê-los.
18. A Academia Francesa, convocada a dar uma definição do novo vocábulo aceitável por todos, evitará decidir no âmago dos debates, sendo o enunciado finalmente adotado uma maravilha de diplomacia, não se podendo sonhar com maior ambiguidade na formação, ao menos linguística, da informática, definida como o tratamento racional, notadamente por máquinas automáticas, da informação considerada como suporte dos conhecimentos e das comunicações nos domínios técnico, econômico e social.
A questão das fronteiras entre a informática e os outros domínios
19. Cabe perguntar quais são os desafios reais desse problema de definição e como explicar essa partição entre informatas que se servem, no entanto, das mesmas ferramentas, ainda que talvez não da mesma maneira, e que se reconhecem, no fundo, no mesmo paradigma digital ou ao menos na importância atribuída aos fenômenos numéricos.
20. O exame da maneira como uns e outros concebem o tipo de relação que deve existir entre a informática e os demais domínios do saber, ou mesmo outras práticas profissionais, deveria permitir compreender melhor a questão, parecendo haver relação estreita entre a ideia que se faz do que deve ser a informática e o olhar lançado sobre o estatuto das outras disciplinas, sendo mesmo possível perguntar se não é antes o juízo sobre a capacidade dos outros domínios de cumprir sua missão que determina a escolha por tal ou qual informática.
21. A uma concepção muito respeitosa das fronteiras entre disciplinas corresponde, por exemplo em Arsac, a ideia de uma ciência informática cujo domínio de aplicação, o estudo científico desse novo objeto de conhecimento que é a informação, começa onde terminam as outras ciências, situando-se aqui a informática ao lado das demais ciências.
22. Do mesmo modo, alguns defendem a ideia de que as outras disciplinas têm em geral metodologias bastante artesanais e que seus problemas essenciais são de ordem numérica, mesmo quando não se dão conta disso, sendo então a informática concebida como metodologia dinâmica que intervém no próprio cerne da definição dos problemas, reorientando se necessário a frente de pesquisa do domínio do qual originalmente era apenas ferramenta simples.
23. Outros ainda, como Seymour Papert, consideram que se está no limiar de uma revolução epistemológica e que o conteúdo dos outros domínios do saber, assim como as fronteiras que separam e organizam suas ações, será radicalmente transformado, sendo aqui a informática o fermento de uma transformação global do saber.
24. A diferença entre o informata Papert e o informata Arsac está em que este último pensa que físicos e economistas são plenamente capazes, com seus próprios métodos e conceitos, mas também graças aos conhecimentos fornecidos pela informática, de produzir conhecimento e intervir sobre o real, enquanto Papert pensa que a boa física ainda está por construir e certamente não se assemelhará à ideia que hoje se faz dessa disciplina.
A informática, berço natural das teorias sobre o social?
25. A tensão se torna ainda mais viva quando se trata de saber se a informática pode ou não ser concebida como lugar de saber sobre a sociedade, tendo Arsac previsto essa orientação e combatido-a de imediato, não devendo a informática, sob o pretexto de ser o domínio do tratamento racional das informações, arrogar-se direito de olhar sobre elas e sobretudo intervir sobre seu sentido.
26. A ciência informática de Arsac apoiava-se em distinção muito clara entre a forma, a informação, e o sentido, o conhecimento, que competiria aos outros domínios, sendo essa, de certa forma, também a posição dos pragmáticos que, como Dreyfus, pensam caber ao usuário, ao cliente, definir inteiramente as condições de uso das técnicas, devendo o informata permanecer em segundo plano.
27. Apesar dessa resistência que visava conter a informática num quadro disciplinar bem definido, o domínio se tornou lugar privilegiado de produção de ensaios e teorias diversas, podendo-se citar, entre mil exemplos, L'Ère logique de Jacques Bureau, L'Informatisation de la société de Simon Nora e Alain Minc, e L'Homme informatisé de Raymond Moch.
28. Não se trata de obras que discutem modalidades de utilização da informática, mas de verdadeiras teorias sociais, incluindo teorias sobre o Estado, a história, a linguagem, a comunicação, a inteligência, o poder, e assim por diante, ocorrendo isso, diga-se de passagem, num clima de concorrência sem confronto direto com as ciências sociais, sobre cuja missão tradicional a informática aqui invade largamente.
29. Não cabe discutir o conteúdo dessas teorias, mas apenas evidenciar que a ideia subjacente a esse incrível deslocamento das fronteiras de um domínio é que as novas tecnologias da informação seriam doravante o berço natural de um pensamento sobre os fenômenos sociais, o novo lugar de pensamento do social, sustentando-se implicitamente também que quanto mais as tecnologias da informação transformam profundamente o social, mais elas próprias seriam as únicas capazes de produzir elementos decisivos de compreensão dessa transformação.
30. Se o que acaba de ser exposto é de fato uma das bases essenciais do dinamismo da informática, pode-se então distinguir melhor o que constitui a principal clivagem entre os informatas, havendo de um lado aqueles que defendem a manutenção da informática dentro de fronteiras definidas, organizada em torno de um corpo de saber estável e mantendo boas relações interdisciplinares com outras disciplinas.
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essa tendência disciplinar geralmente se divide em três concepções, conforme a informática seja concebida como ciência das informações, técnica dos computadores ou metodologia
31. Do outro lado encontram-se os informatas que consideram as barreiras disciplinares um freio, sendo a informática ao mesmo tempo instrumento de transformação radical do saber e da sociedade, e domínio privilegiado de elaboração das novas teorias do social.
32. Tal partição mantém evidentemente certa ambiguidade sobre o estatuto disciplinar, vendo-se melhor que a pergunta sobre se a informática é ou não uma disciplina recobre, na verdade, outra questão, a de saber se a informática deve ou não ser um novo tipo de ciência social.
33. Por trás dessa clivagem, como se viu, há um paradigma comum, diferente de um paradigma disciplinar clássico, podendo ser interessante, para melhor compreender a natureza do pensamento digital, examinar mais de perto a relação estabelecida no final dos anos cinquenta entre a cibernética e a informática.
Afirmação do paradigma digital e enfraquecimento do pensamento analógico
34. Há tendência, por vezes, a confundir informática e cibernética, sendo verdade que, vistas de longe, ambas participam do grande impulso nascido em meados dos anos quarenta sob o influxo de Wiener, integrando a mesma nebulosa em que se encontram misturados todos os aspectos das tecnologias da informação e da comunicação, incluindo os esforços para construir máquinas inteligentes.
35. A cibernética também é por vezes tida como ancestral um tanto marginal da informática, que teria se esgotado ao tentar realizar projetos fantasmagóricos de máquinas pensantes.
36. O exame dos destinos diferentes desses dois domínios é, na verdade, extremamente revelador, havendo ao menos uma coincidência importante entre o enfraquecimento e a marginalização da cibernética a partir de 1964 e a ascensão da informática como domínio autônomo.
37. Cabe perguntar o que diferencia esses dois domínios e que herança a informática recebeu da cibernética, tendo Wiener, ao criar a cibernética, conferido a ela desde o início a dimensão potencial de uma teoria social, residindo a grande originalidade da cibernética em ser justamente um pensamento sobre o homem e a sociedade constituído através de uma reflexão técnica sobre a informação, sendo essa a época em que matemáticos e engenheiros começam a dominar o transporte de sinais, sendo Wiener um dos primeiros, senão o primeiro, a evidenciar a noção de informação e a conferir a essa noção caráter muito amplo e alcance quase universal, ao lado de outras grandes noções como energia ou matéria.
38. Os informatas mais sensíveis à vocação que seu domínio poderia ter de produzir teorias sociais herdaram sem dúvida essa preocupação diretamente da cibernética.
39. No entanto, todos se encontram para se opor, com nitidez e sem equívoco, ao modo de pensamento analógico defendido pela cibernética, e para afirmar a universalidade do paradigma digital, não se confundindo, desde 1950, e provavelmente desde Shannon, cuja teoria da informação era mais numérica que a de Wiener, as redes cibernéticas com as redes daqueles que mais tarde seriam os informatas.
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um representante das redes digitais da época mostra bem a diferença, afirmando tratar-se de duas comunidades distintas, com pessoas distintas, que não podem ser confundidas
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a influência cibernética tocava o meio do automatismo, sendo a cibernética a realimentação, o fechamento de laço, sistema tipicamente analógico como o de um integrador, enquanto o meio do cálculo numérico era, por essência, totalmente determinista, decompondo os problemas segundo os métodos da programação von-neumanniana em instruções elementares executadas num mundo totalmente determinado
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os cibernéticos, por sua vez, estariam num mundo mais impreciso e mais próximo do humano e do natural, buscando simular a natureza ou o fenômeno social sem buscar a expressão puramente simbólica e analítica do problema
40. Seria evidentemente simples demais reduzir a oposição entre informática e cibernética à tradicional distinção entre pensamento determinista e pensamento indeterminista, não porque a informática fosse tão diferente de um pensamento determinista, mas porque o pensamento analógico nascente nos anos quarenta era inovador em relação a essa distinção.
41. É claro, em todo caso, que se tratava de dois universos mentais e conceituais totalmente diferentes que não se comunicavam entre si, exceto justamente quanto à questão de saber se a missão das tecnologias da informação devia ou não transbordar as fronteiras clássicas de uma disciplina.
42. Após o momento em que a perda de influência da cibernética foi mais nítida, observa-se que aqueles que haviam partilhado os pressupostos do pensamento analógico seguiram, no geral, dois caminhos diferentes.
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uns passam para as redes digitais e passam a encarnar, dentro da informática, o ponto de vista mais indisciplinar, ao preço da adesão ao paradigma digital
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outros permanecem fiéis a certa concepção do analógico e formam, muitas vezes por meio da análise de sistemas e das ciências da organização, que fornecem oportunamente um quadro de análise propício, uma corrente neocibernética frequentemente hostil de modo aberto ao pensamento informático, considerado por eles reducionista demais
A ambiguidade do estatuto disciplinar não seria necessária à informática?
43. O ponto de partida consistia em mostrar como a questão de saber se a informática era uma disciplina funcionava como clivagem entre os informatas, estabelecendo o mapeamento proposto as diferentes posições de uns e outros e evidenciando a importância atribuída à ideia de que a informática é por excelência o domínio que permite produzir teorias sobre o social.
44. Tudo o que foi dito pode dar a impressão de que hoje os informatas estariam divididos em tantos campos entrincheirados, parecendo, na verdade, que a clivagem em questão passou a ser encarnada mentalmente por cada informata individualmente, não sendo certo que todos desejem resistir à tentação de ao mesmo tempo manter posição disciplinar sólida e sentir seu espírito capaz de abraçar horizontes mais amplos, acompanhando essa evolução, sem dúvida, as transformações sofridas pela informática nos últimos anos em razão de sua difusão massiva.
45. Cabe perguntar se não estaria aí uma das razões, entre outras, do sucesso da informática, sendo permitido indagar se o dinamismo e a extraordinária adaptabilidade da informática não estariam em relação direta com a pluralidade de definições possíveis dentro de um mesmo paradigma, vendo-se em todo caso todo o interesse em manter amplamente aberta, e talvez definitivamente aberta, a questão de saber se a informática é ou não uma disciplina à parte, não constituindo isso, de certa forma, uma vitória do ponto de vista indisciplinar, já que, fechada sobre suas próprias fronteiras, a informática provavelmente não teria conhecido capacidade tão grande de penetração em praticamente todos os setores da vida social.
