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Psicologia

FRINDTE, Wolfgang. Against Narrow-Mindedness and Chauvinism – Journeying Through Absurd Times with Paul K. Feyerabend. Wiesbaden: Springer Fachmedien Wiesbaden, 2026.

1. A formação em psicologia deveria incluir obras literárias e teatrais, pois psicólogos, ecólogos e estudiosos das relações humanas podem aprender com escritores e dramaturgos como Turguêniev, Ésquilo, Lessing e Brecht.

2. A posição de Feyerabend diante da psicologia tornou-se mais diferenciada ao longo das décadas, combinando observações surpreendentemente precisas com avaliações superficiais.

3. Durante os estudos de física e astronomia em Viena, Feyerabend frequentou por aproximadamente seis semestres os cursos de psicologia de Hubert Rohracher.

  • Rohracher formou-se em direito e psicologia e obteve a habilitação acadêmica com uma pesquisa sobre a teoria da vontade.
  • Trabalhou nas universidades de Innsbruck e Viena.
  • Manteve relações próximas com Karl Bühler, Charlotte Bühler, Egon Brunswik e Else Frenkel.

4. Charlotte e Karl Bühler emigraram para os Estados Unidos em 1933, enquanto Egon Brunswik assumiu uma cátedra em Berkeley e Else Frenkel, também emigrada, tornou-se uma das principais autoras de A personalidade autoritária.

  • Else Frenkel casou-se com Egon Brunswik nos Estados Unidos.
  • A obra foi elaborada juntamente com Daniel J. Levinson, R. Nevitt Sanford e Theodor W. Adorno.
  • A adoção oficial do nome Theodor W. Adorno impediu que a obra fosse bibliograficamente identificada pelo nome de Frenkel-Brunswik como primeira autora.

5. Rohracher perdeu temporariamente a autorização para ensinar em 1938 por motivos políticos, trabalhou como psicólogo militar durante a guerra e posteriormente tornou-se professor titular da Universidade de Viena.

  • Suas pesquisas concentravam-se nas relações entre a fisiologia cerebral e os processos psicológicos.
  • O eletroencefalograma era considerado um instrumento para uma observação objetiva da psique alheia.
  • Sem reduzir o psicológico ao neurofisiológico, Rohracher atribuía aos processos cerebrais a causalidade das experiências conscientes.
  • A psicologia científica deveria investigar processos e estados conscientes.
  • A hipótese de processos psíquicos inconscientes era rejeitada como superada pelos avanços da neurofisiologia.

6. Os cursos de Rohracher podem ter contribuído tanto para o ceticismo de Feyerabend diante da psicanálise quanto para seu interesse posterior pelo problema da relação entre mente e corpo.

7. O problema psicofísico investiga a relação entre o corpo, especialmente o cérebro, e a mente, a consciência ou o psiquismo.

  • A questão atravessa a filosofia antiga, o Iluminismo e as discussões contemporâneas da filosofia, da neurociência e da psicologia.
  • O interacionismo cartesiano sustenta a atuação recíproca entre corpo e mente.
  • David Chalmers concebe o psicológico como propriedade não física da matéria.
  • Gerhard Roth e Wolf Singer compreendem a mente como produto ou princípio funcional de processos neurofisiológicos.
  • O construcionismo social considera os conceitos empregados na compreensão do mundo e de si mesmo como construções históricas e culturais.
  • Sob essa perspectiva, o próprio problema mente-corpo pertence a um jogo de linguagem e pode ser substituído por outros problemas, como a construção social do conhecimento.

8. Em Materialismo e o problema mente-corpo, Feyerabend concluiu que não existia razão suficiente para abandonar a tentativa de explicar fisiologicamente o ser humano.

  • Essa posição foi interpretada como uma defesa do materialismo eliminativo, segundo o qual somente entidades materiais existiriam.
  • Jamie Shaw contesta essa interpretação e afirma que Feyerabend jamais foi um materialista eliminativo.
  • Embora tenha defendido inicialmente o materialismo e o naturalismo, Feyerabend passou a avaliar teorias, concepções de mundo e mitos conforme sua significação e utilidade para a vida.
  • O princípio aristotélico estabelece como real aquilo que desempenha função decisiva na forma de vida com a qual se estabelece identificação.
  • Esse princípio expressa o pluralismo social e científico do Feyerabend tardio.
  • O problema mente-corpo permanece relevante apesar dos modelos neurofisiológicos detalhados dos processos mentais.
  • A exclusão científica de sentimentos e sensações ignora que elementos subjetivos participam da produção e do controle da pesquisa.
  • O pesquisador transforma o material investigado e também é transformado por ele.
  • A dimensão subjetiva do conhecimento não pode ser eliminada porque permanece inseparável de suas manifestações materiais.

9. As reflexões psicológicas das obras posteriores sugerem que Feyerabend se afastou das posições materialistas e reducionistas de sua juventude, embora seu ceticismo diante de uma explicação puramente fisiológica do psiquismo possa ter começado anteriormente.

10. Entre 1949 e 1953, viagens financiadas pelo Colégio Austríaco levaram Feyerabend à Alemanha, Dinamarca, Suécia e Noruega, onde conheceu pesquisadores decisivos para sua compreensão da percepção.

  • Em Askov, encontrou Niels Bohr.
  • Em Copenhague, aproximou-se de Edgar Tranekjaer-Rasmussen e da tradição fenomenológico-psicológica de Edgar Rubin.
  • Rubin influenciou a psicologia da Gestalt por meio dos estudos sobre as relações entre figura e fundo.
  • A influência recíproca entre figura e fundo evidencia a relatividade das impressões sensoriais.
  • A percepção não reproduz simplesmente o mundo, mas o constrói mediante estruturas internas adquiridas fisiológica ou ontogeneticamente.

11. Os experimentos de Edgar Rubin e Tranekjaer-Rasmussen com variações da ilusão de Müller-Lyer demonstraram divergências entre as propriedades geométricas dos objetos e sua percepção individual.

  • Duas linhas de igual comprimento podem parecer diferentes quando suas extremidades recebem formas distintas.
  • A linha delimitada por caudas de flecha costuma parecer mais longa que aquela delimitada por pontas.
  • As ilusões ópticas são produzidas automática e inconscientemente durante o processo perceptivo e somente depois se tornam acessíveis à consciência.

12. Feyerabend conhecia os trabalhos de Rubin e participou de experimentos perceptivos conduzidos por Tranekjaer-Rasmussen, experiências que podem ter fortalecido suas dúvidas acerca da teoria dos dados sensoriais e dos fundamentos do empirismo lógico.

  • A formulação de enunciados observacionais pressuporia uma percepção clara e inequívoca e uma conexão igualmente inequívoca entre a percepção e a linguagem.
  • Os experimentos perceptivos indicavam que a primeira condição dificilmente poderia ser satisfeita.
  • As percepções dependem de relações entre figura e fundo.
  • Essas relações podem ser alteradas por emoções intensas.

13. O interesse de Feyerabend pela psicologia manifestou-se desde cedo na leitura minuciosa de Percepção e mundo dos objetos, de Egon Brunswik, obra que procurava formular uma psicologia da percepção baseada no empirismo lógico e capaz de quantificar julgamentos perceptivos por métodos matemáticos e estatísticos.

14. As obras posteriores de Feyerabend contêm referências a Wilhelm Wundt, Jean Piaget, Jerome Bruner, Alexander R. Luria, Oliver Sacks, Kurt Lewin e Franz Brentano.

  • Wundt aparece associado à psicologia dos povos.
  • Piaget é mencionado em relação aos esquemas inatos da percepção.
  • Luria e Sacks são considerados por seus estudos neuropsicológicos e neurológicos.
  • Kurt Lewin é lembrado pela análise do conflito entre os modos aristotélico e galileano de pensamento na psicologia.
  • A presença de A psicologia de Aristóteles, de Brentano, na biblioteca pessoal de Feyerabend indica familiaridade com essa tradição.

15. Feyerabend acompanhou com especial atenção a psicologia da percepção e conheceu os trabalhos de Julian Hochberg, Edgar Tranekjaer-Rasmussen, David Katz, Oswald Külpe, Maurice Merleau-Ponty e Muzafer Sherif.

  • Também conhecia a teoria da dissonância cognitiva de Leon Festinger.
  • A dissonância cognitiva era considerada uma explicação adequada para o dogmatismo.
  • Seu arquivo conserva materiais de Festinger, Henry Riecken e Stanley Schachter que antecipavam pressupostos centrais dessa teoria.

16. Os experimentos de Albert Michotte sobre a percepção da causalidade também causaram forte impressão em Feyerabend.

17. Albert Michotte investigou a percepção causal por meio de discos mecanicamente movimentados, parcialmente visíveis aos participantes.

  • Conforme o movimento apresentado, os observadores afirmavam que um objeto golpeava, perseguia ou expulsava outro.
  • As respostas atribuíam causas e efeitos diretamente aos movimentos percebidos.
  • Essa causalidade fenomênica constitui uma atribuição subjetiva de relações causais.
  • Fritz Heider realizou experimentos semelhantes e posteriormente formulou uma teoria psicológica da atribuição.

18. Feyerabend considerou os estudos de Michotte uma confirmação de que as leis da organização perceptiva não são completamente determinadas pelas informações disponíveis.

  • A psicologia da percepção deveria integrar a formação de historiadores da ciência e da filosofia.
  • O conhecimento dessa área revela que a suposta indubitabilidade das sensações constitui um mito lógico e psicológico.
  • Os resultados da percepção não são dados sensoriais inequívocos, mas construções individuais formadas em contextos sociais.
  • A existência dos dados sensoriais pode depender das formas de comportamento impostas pelas situações perceptivas, e não o contrário.

19. A introdução de tradições abstratas na psicologia e na medicina eliminou resultados importantes e úteis, ao mesmo tempo que produziu conhecimentos objetivos e interessantes, mas desprovidos de utilidade prática.

  • Essa crítica parece alcançar os trabalhos de Paul Meehl e Hans-Jürgen Eysenck.
  • Ambos se aproximavam do racionalismo crítico e criticavam a psicanálise.
  • Feyerabend discutiu com Meehl o problema mente-corpo e a relação entre teoria e experimento.

20. Paul Everett Meehl foi um dos psicólogos mais produtivos do século XX e investigou a esquizofrenia, os métodos estatísticos e as relações entre teoria e experimento.

  • Juntamente com Herbert Feigl e Wilfrid Sellars, fundou o Centro de Filosofia da Ciência de Minnesota, frequentado por Feyerabend.
  • Defendeu que métodos estatísticos automatizados poderiam produzir prognósticos e decisões terapêuticas mais confiáveis do que avaliações clínicas individuais.
  • Essa posição contrariou durante muito tempo o consenso dominante na tomada de decisões psiquiátricas.
  • Obras e separatas de Meehl encontram-se no arquivo e na biblioteca pessoal de Feyerabend.

21. A psicologia científica teria eliminado a alma ao privilegiar paradigmas behavioristas, cognitivistas e empírico-experimentais predominantes entre as décadas de 1950 e 1980.

  • Os psicólogos humanistas, entre os quais Erik H. Erikson, constituiriam uma exceção por preservarem abertura de perspectiva e humanidade espontânea.
  • A psicanálise restituiu às doenças mentais a ideia de causas pessoais e psíquicas.
  • Feyerabend considerou superficialmente as obras de Freud e Jung, atribuindo-lhes uma linguagem simbólica aparentemente impossível de refutar.
  • Sua avaliação de A interpretação dos sonhos indica familiaridade limitada com a psicanálise.

22. A interpretação dos sonhos, publicada inicialmente em 1899 e datada de 1900, fundamentou uma nova compreensão do sofrimento psíquico e uma diferenciação das estruturas mentais.

  • O psiquismo não pode ser reduzido à consciência, pois o inconsciente constitui uma dimensão fundamental da vida psíquica.
  • Freud distinguiu o inconsciente incapaz de tornar-se consciente, o pré-consciente potencialmente consciente e a consciência.
  • O inconsciente reúne conteúdos recalcados de experiências insuficientemente elaboradas.
  • A estratificação do psiquismo e a influência do inconsciente sobre corpo e mente representam descobertas decisivas da psicologia.
  • O espírito humano relaciona-se também com conteúdos ocultos, esquecidos ou reprimidos do passado, do presente e do futuro.
  • A visão de Feyerabend sobre Freud e a psicanálise revela estreiteza, desconhecimento, preconceito e arrogância, possivelmente influenciados pelo ambiente intelectual de sua época.

23. Embora o primeiro Círculo de Viena reconhecesse na psicanálise possibilidades de explicar os desvios da metafísica, a psicologia científica desenvolveu crescente rejeição a essa tradição.

  • Durante o nacional-socialismo, a crítica transformou-se em difamação e perseguição institucional.
  • Eduard Spranger acusou a psicanálise de destruir a saúde espiritual do povo.
  • A Sociedade Psicanalítica Alemã foi pressionada a excluir seus integrantes judeus.
  • Freud deixou a Áustria em 1938.
  • Profissionais não judeus do Instituto Psicanalítico de Berlim foram incorporados a uma instituição nacional-socialista dirigida por Matthias Heinrich Göring.
  • Após 1945, a psicanálise recuperou influência na Alemanha, Áustria e Estados Unidos, principalmente fora da psicologia acadêmica.
  • A avaliação de Else Frenkel-Brunswik sobre os limites da psicanálise para explicar comportamentos racionais e sociais expressa uma atmosfera intelectual que também pode ter influenciado Feyerabend.

24. Benjamin Lee Whorf exerceu influência decisiva sobre a compreensão feyerabendiana das relações entre concepção de mundo, pensamento e linguagem.

  • A hipótese Sapir-Whorf sustenta que a percepção e o pensamento são fortemente condicionados pela língua materna.
  • As línguas não apenas descrevem acontecimentos, mas também participam de sua constituição.
  • Narrativas linguísticas sobre o mundo, a sociedade e as pessoas influenciam a percepção, o comportamento e o pensamento.
  • A determinação completa do pensamento pela linguagem não encontra sustentação empírica.
  • A influência da linguagem sobre o pensamento e sobre práticas culturais pode ser observada na construção de gênero, sexualidade e raça.

25. Ernst Mach também exerceu influência relevante sobre Feyerabend por meio de seus estudos sobre fisiologia sensorial, psicologia da Gestalt e superação do dualismo psicofísico.

  • O efeito das faixas de Mach demonstra a participação ativa dos processos perceptivos na diferenciação de níveis de luminosidade.
  • Mach buscou unificar física, fisiologia e psicologia em uma concepção monista e empiricamente fundamentada.
  • Os processos mentais não poderiam ser investigados por um único método.
  • A introspecção deveria ser complementada por procedimentos neurofisiológicos no estudo dos pensamentos, emoções e aspirações.

26. O empiriocriticismo de Mach antecipou uma concepção construtivista da relação entre realidade e sensação, pois as sensações não seriam simples resultados de estímulos, mas elementos constitutivos do próprio mundo experimentado.

  • As ideias de Mach tornaram-se influentes entre intelectuais russos como Alexander Bogdanov e Anatoli Lunacharski.
  • Esses pensadores tentaram conciliar o empiriocriticismo com o socialismo russo.
  • Lenin interpretou esse movimento como uma ofensiva contra a filosofia marxista e respondeu mediante uma teoria segundo a qual percepções e ideias refletiriam objetos externos.
  • A verdade objetiva e absoluta dependeria da reprodução correta do mundo pela consciência.
  • Essa teoria da imagem permaneceu aquém de conhecimentos já presentes em Kant, Freud e na Escola de Würzburg sobre a participação ativa da mente na percepção e no pensamento.
  • Feyerabend elogiou alguns estudos leninistas sobre Hegel, mas distinguiu-os criticamente de Materialismo e empiriocriticismo.
  • Lenin reconheceu aspectos positivos do idealismo, mas não aplicou esse princípio a Mach.
  • A resistência de Mach ao domínio da mecânica abriu caminho para uma concepção mais dialética e menos mecanicista.

27. A psicologia contemporânea desenvolveu um pluralismo de métodos neurofisiológicos, experimentais e qualitativos, acompanhado por grande diversidade de disciplinas, paradigmas, teorias e aplicações.

  • Behavioristas e neurofisiologistas rejeitam a introspecção valorizada pela psicologia da Gestalt.
  • Psicólogos clínicos apoiam-se na experiência e na intuição profissional.
  • Escolas consideradas mais objetivas privilegiam testes rigorosamente formulados.
  • As divergências entre essas tradições revelam a coexistência de fontes distintas de conhecimento psicológico.

28. Ao final da década de 1980, Feyerabend reconhecia parcialmente a diferenciação interna da psicologia e os conflitos entre comunidades que procuravam ignorar ou eliminar a diversidade de métodos e teorias.

  • Sua compreensão não abrangia plenamente as transformações turbulentas da disciplina.
  • A virada cognitiva substituiu progressivamente o behaviorismo durante as décadas de 1960 e 1970.
  • Jerome Bruner e Leo Postman demonstraram que necessidades, motivações e expectativas influenciam a percepção.
  • A psicologia da Gestalt foi incorporada à psicologia cognitiva.
  • Kenneth Gergen criticou o cognitivismo por não explicar as relações sociais das quais emergem as estruturas cognitivas.
  • O experimento prisional de Stanford investigou os efeitos das situações institucionais sobre o comportamento.
  • Henri Tajfel impulsionou uma virada social na psicologia social.
  • Serge Moscovici analisou as transformações sociais promovidas pelas minorias.
  • Edward T. Hall e Mildred R. Hall estudaram diferenças e semelhanças culturais.
  • A Psicologia Crítica buscou compreender e transformar relações capitalistas de poder, incluindo os participantes da pesquisa como sujeitos capazes de ação autônoma.

29. É possível que Feyerabend tenha acompanhado discussões sobre o desenvolvimento da autoconsciência e a emergência do ideal de um eu autêntico nos movimentos contraculturais posteriores a 1968.

  • Esse contexto favoreceu teorias como a gestão da impressão, a autoeficácia e a complementação simbólica do eu.
  • O manuscrito Filosofia da natureza contém referência às pesquisas psicológicas modernas sobre o desenvolvimento da autoconsciência.

30. Durante sua permanência em Zurique, Feyerabend estudou o pós-modernismo de Jean-François Lyotard e a crítica social de Joseph Weizenbaum.

  • Também comparou as condições políticas e intelectuais da época de Platão com problemas contemporâneos.
  • Entre os perigos globais destacados estavam a guerra nuclear e as catástrofes ecológicas mundiais.

31. Feyerabend e Christian Thomas organizaram a série de conferências Em busca do real, realizada no semestre de verão de 1990 na Escola Politécnica Federal de Zurique.

  • A série concentrou-se nas concepções construtivistas de realidade desenvolvidas por Paul Watzlawick e outros pensadores.
  • Feyerabend recomendou Como é real a realidade? e A realidade inventada.
  • Sua biblioteca pessoal contém exemplares intensamente anotados dessas obras.
  • Entre os autores estudados estavam Ernst von Glasersfeld, Heinz von Foerster e Francisco Varela.
  • A profecia autorrealizável figurava entre os fenômenos empregados para explicar a construção da realidade.

32. O Feyerabend tardio demonstrou clara simpatia pelo construtivismo e considerou que a ideia de uma realidade objetiva estava sendo progressivamente substituída por concepções construtivistas.

  • Essa posição representa uma mudança epistemológica em relação aos escritos das décadas de 1950 e 1960.
  • Seu interesse não se dirigia a um construtivismo único e sistemático.
  • As relações, os conflitos e as interações entre construções individuais e sociais da realidade ocupavam posição central.
  • A presença de Pensamento e linguagem, de Lev Vygotsky, em sua biblioteca confirma o interesse pela formação social do pensamento.
  • Vygotsky investigou a psicologia da arte, o desenvolvimento dos processos psicológicos e a relação entre pensamento e linguagem.
  • Os conteúdos e as estruturas psicológicas possuem origem social e precisam ser apropriados e interiorizados pelo indivíduo.
  • A interiorização ocorre em processos interativos e cooperativos nos quais aprendizes e educadores constroem conjuntamente a realidade.
  • Essa concepção tornou Vygotsky uma referência central do construtivismo social.

33. O construtivismo social reivindica uma tradição intelectual diversificada, na qual se incluem Aristóteles, Spinoza, Vico, Kant, Nietzsche, Wittgenstein, Fleck, Kuhn, Luria, Mead, Foucault e Feyerabend.

  • A versão moderada reconhece o psiquismo como domínio legítimo da investigação científica.
  • Para Gün Semin, os processos mentais superiores resultam da interiorização das relações sociais.
  • A sociedade depende do compartilhamento de sistemas simbólicos por sujeitos em interação.
  • Processos psicológicos e sociais relacionam-se reciprocamente, embora as formas sócio-históricas exerçam função predominante.
  • A versão radical, representada por Kenneth Gergen, atribui pouca ou nenhuma autonomia ao psicológico.
  • Sentimentos, pensamentos e ações individuais são compreendidos como produtos de construções negociadas socialmente.
  • Características como agressividade, ludicidade e altruísmo resultam de configurações conjuntas.
  • Na concepção radical, as relações são mais fundamentais do que os indivíduos, e o eu autônomo perde sua condição de unidade independente.

34. A anotação de Feyerabend ao enunciado de Vygotsky segundo o qual o pensamento infantil se desenvolve do social para o individual sugere afinidade com uma forma moderada de construtivismo social.

  • A indicação “Arist!” pode remeter a uma aproximação com Aristóteles.
  • John Preston sustenta que Feyerabend abandonou o núcleo do realismo científico e adotou uma metafísica construtivista social.
  • A descrição do universo como artefato construído por sucessivas gerações de artesãos científicos não nega necessariamente sua existência.
  • O conhecimento e o discurso sobre o universo resultam de construções sociais elaboradas por indivíduos e comunidades.
  • O mundo somente pode ser percebido e compreendido mediante conceitos socialmente produzidos.
  • Essas construções podem ser apropriadas e avaliadas conforme sua utilidade para o intercâmbio social.
  • A anotação relativa a Aristóteles pode relacionar-se ao princípio segundo o qual é real aquilo que desempenha papel decisivo na forma de vida com a qual se estabelece identificação.
  • Esse princípio explica por que visões, experiências imediatas, sonhos e fantasias religiosas foram considerados reais e por que as disputas sobre a realidade despertam tanta paixão.

35. As evidências disponíveis não permitem afirmar definitivamente que o Feyerabend tardio tenha sido um defensor do construtivismo social, embora essa interpretação permaneça filosoficamente atraente.

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