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Técnica e Praxis

IHDE, Don. Technics and praxis. Dordrecht: Reidel, 1979.

** PREFÁCIO: Robert S. Cohen e Marx Wartofsky **

** INTRODUÇÃO: Rumo a uma Filosofia da Tecnologia **

** DIVISÃO UM / UM PROGRAMA EM FILOSOFIA DA TECNOLOGIA **

  • Capítulo 1. A Experiência da Tecnologia: Relações Humano-Máquina
  • Capítulo 2. Uma Fenomenologia da Instrumentação: Percepção Transformada
  • Capítulo 3. Uma Fenomenologia da Instrumentação: O Instrumento como Mediador
  • Capítulo 4. Uma Fenomenologia da Instrumentação: Técnica e Telos

** DIVISÃO DOIS / IMPLICAÇÕES DA TECNOLOGIA **

  • Capítulo 5. O Importe Existencial da Tecnologia Computacional
  • Capítulo 6. Tecnologia e a Transformação da Experiência
  • Capítulo 7. Visão e Objetificação
  • Capítulo 8. De Bach ao Rock, Uma Odisseia Musical

** DIVISÃO TRÊS / PIONEIROS NA FILOSOFIA DA TECNOLOGIA **

  • Capítulo 9. A Filosofia da Tecnologia de Heidegger
  • Capítulo 10. Tecnologia e o Humano: Hans Jonas
  • Capítulo 11. A Cidade Secular e os Existencialistas

Prefácio

1. Conforme se conceba a relação de parentesco, a tecnologia foi tratada como enteada da filosofia ou como sua avó, permanecendo em ambos os casos fora do núcleo familiar e à espera de atenção enquanto elementos considerados mais nobres, como ciência, arte, política e ética, recebiam os cuidados devidos.

2. Don Ihde situa a tecnologia no centro das questões e desenvolve uma filosofia da tecnologia ao mesmo tempo distintiva, reveladora e instigante, tendo a filosofia da tecnologia permanecido tradicionalmente à margem da filosofia da ciência e sido pouco desenvolvida como análise e crítica dos conceitos, metodologias e epistemologias e ontologias implícitas na práxis e no pensamento tecnológicos.

  • a questão da tecnologia, quando levantada, costuma vir de historiadores da técnica ou de críticos sociais
  • quando a filosofia volta sua atenção à presença insistente da tecnologia, tende a enquadrá-la em algum dos modos dominantes de interpretação filosófica, como a lógica do pensamento e da prática tecnológicos estudada pela praxiologia de Kotarbinski e Kotarbinska
  • a relação entre tecnologia e ciência também foi colocada no quadro do modelo nomológico de explicação científica, questionando-se a existência de leis da tecnologia ou seu lugar no contexto de justificação da filosofia da ciência logico-empirista

3. Essas, porém, constituem tradições alternativas, esboçadas por Ihde em sua introdução, que aponta a orientação para a práxis, e mais especificamente para a práxis tecnológica e o uso de instrumentos, em abordagens tão diversas quanto as teorias clássicas da techne em Platão e Aristóteles e movimentos modernos como a fenomenologia, o marxismo e o existencialismo, sendo o foco final de Ihde fenomenológico, partindo da visão radical de Heidegger sobre a primazia da tecnologia e o caráter inaugural da práxis em relação à ciência e à filosofia.

4. O estudo de Ihde é um dos poucos que reconhece plenamente a centralidade da tecnologia na filosofia de Heidegger, sem contudo constituir estudo sobre ele ou glosa de sua obra, partindo antes Ihde dos contextos da techne, entendida como a relação homem-mundo mediada pelo instrumento, investigando, por meio de uma série de estudos fenomenológicos cuidadosamente graduados, as transformações que o uso de instrumentos e a experiência da tecnologia introduzem em nossa imagem do mundo e em nossa autoimagem em relação a esse mundo.

5. A primeira série de ensaios explora uma fenomenologia da instrumentação, defendendo Ihde o caráter intencional da techne e examinando o espectro das intencionalidades instrumentais que caracterizam nossa experiência tecnológica, da transparência à opacidade instrumental.

  • oferece assim um relato das origens dos erros epistemológicos e ontológicos decorrentes de interpretações equivocadas ou projeções acríticas de nossa experiência instrumental
  • destaca-se seu relato sobre a objetificação ou reificação derivada dessas interpretações equivocadas da experiência disseminada que acompanha o uso de instrumentos como sondas e meios de contato com o mundo
  • a ciência moderna, ao concentrar-se na monodimensionalidade daquilo que pode ser conhecido por meio da instrumentação, é submetida a uma análise ao mesmo tempo simpática e crítica
  • seu argumento contra o determinismo tecnológico rígido deriva, de maneira bastante interessante, da própria análise fenomenológica

6. Os ensaios da segunda parte do livro variam quanto ao foco, mas se articulam como partes de um programa de filosofia da tecnologia, ramificando Ihde suas teses sistemáticas anteriores em contextos concretos e específicos.

  • são explorados as implicações existenciais da tecnologia computacional, a transformação da experiência pela tecnologia, a dominância do modelo visual na interpretação do mundo e de nosso conhecimento sobre ele, e as diferenças entre música clássica e rock no contexto da gravação e da escuta
  • seus ensaios finais sobre pioneiros da filosofia da tecnologia concentram-se nas tradições fenomenológica e existencialista, tal como se desenvolvem nas filosofias da tecnologia de Heidegger, Mounier e Ricoeur

7. A filosofia da ciência finalmente voltou sua atenção para a filosofia da tecnologia, sendo provável que paroquialismos e preconceitos herdados da tradição dominante na filosofia da ciência continuem moldando o trabalho contemporâneo, o que reforça a importância do impacto antiparoquial e ampliador dos estudos de Ihde, que nos lembram de uma tese provocadora de Ernst Mach sobre a experiência radical da tecnologia como fonte da própria formação de nossos conceitos, apresentando-se essa obra na coleção Boston Studies como contribuição, em toda a riqueza de seu detalhe fenomenológico e de sua análise concreta da techne e da práxis, à crescente discussão atual sobre filosofia da tecnologia.

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