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Método I

MORIN, Edgar. La méthode. 1: La nature de la nature. Paris: Ed. du Seuil, 1977.

No início de *La Méthode*, eu achava que poderia abordar o problema da organização no âmbito das ideias sistêmicas (Teoria Geral dos Sistemas) e cibernéticas. Ao longo do caminho, essas ideias, que eram soluções, tornaram-se pontos de partida e, por fim, andaimes — certamente necessários, mas que precisavam ser desmontados depois de nos terem levado ao conceito de organização.

A partir de um certo ponto, portanto, essas ideias libertadoras passaram a me aprisionar. Só conseguia desenvolver sua mensagem transformando-as. Assim, como sempre, os primeiros guias da evolução tornam-se os principais obstáculos à revolução. Eles resistem à metamorfose da qual, no entanto, foram os embriões. Foi extremamente difícil para mim criticar as noções que me serviram de armas críticas para superar antigos modos de pensar. É fácil superar o passado, mas não superar aquilo que nos permite superar o passado. Parece-me agora que as ideias sistêmicas e cibernéticas (incluindo a informação) estão aqui integradas, ou seja, preservadas em sua essência e verdade, mas, ao mesmo tempo, relativizadas, criticadas, transformadas e complexificadas.

Em vez de confinar a ideia de organização ao sistema ou à máquina (cibernética), fiz, ao contrário, com que a ideia de sistema e de máquina fosse conduzida pela ideia de organização. Esse conceito, cuja natureza só poderia ser física, me levou a ressuscitar a ideia de physis; essa ideia significa que o universo físico deve ser concebido como o próprio local da criação e da organização. O objeto principal deste primeiro volume é a physis. Mas a physis não é nem um alicerce, nem uma camada, nem um suporte. A physis é comum ao universo físico, à vida e ao homem. A ideia – trivial – de que somos seres físicos deve ser transformada em uma ideia significativa.

Assim, neste volume, abordo a organização biológica e a organização antropossocial, mas sempre sob a perspectiva da organização física. A cada desenvolvimento do conceito físico de organização, surgirão exemplos ou referências biológicas ou antropossociológicas. Isso parecerá totalmente confuso para as mentes para as quais física, biologia, antropologia e sociologia são essências separadas e incomunicáveis. Mas, neste contexto, isso é tanto mais necessário quanto não só tudo o que é organização diz respeito à biologia e à antropossociologia, mas também porque problemas e fenômenos organizacionais — virtuais ou atrofiados no âmbito das organizações estritamente físicas — se manifestam e se desenvolvem em seus desdobramentos biológicos e antropossociológicos. Isso significa, ao mesmo tempo, que os fenômenos e problemas biológicos e antropossociais, para serem concebidos e compreendidos, exigem uma infraestrutura organizacional formidável, ou seja, física.

Este primeiro volume exerceu uma enorme influência em mim (ou seja, me obrigou a trabalhar muito). Devo considerá-lo uma obra ao mesmo tempo totalmente solitária e totalmente solidária. Solitária, pois tive que me dedicar a ela pessoalmente de forma integral. Solidária, porque foi estimulada, corrigida e revisada por outras pessoas.

Na origem das ideias que desenvolvo neste livro, encontro, em primeiro lugar, Henri Atlan, que me despertou do meu sono empírico ao me iniciar na ideia da desordem criativa e, em seguida, em suas variantes (acaso organizador, desorganização/reorganização). Atlan me apresentou a von Foerster, nosso Sócrates eletrônico, a quem devo muitas das minhas ideias-fonte; von Foerster me fez descobrir Gunther, Maturana e Varela. Cada um, à sua maneira, permitiu-me finalmente enxergar o invisível, a noção de “auto”, e reintroduzir o conceito de sujeito. Isso não exclui minha dívida para com outros autores, pensadores e pesquisadores citados neste texto.

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