Infomania
HEIM, Michael. The metaphysics of virtual reality. New York: Oxford University Press, 1993.
Infomania
1. A língua inglesa não se encontra em um estado fixo, mas em um processo de ser “processada por palavras”, e enfrenta uma “onda gigante” de palavras escritas impulsionada por tecnologias como leitura dinâmica, fotocopiadoras, processadores de texto e fax, que aceleram a vida verbal e sobrecarregam editores com manuscritos inchados e prolixos.
2. O microcomputador, que antes de 1980 era um kit caro para amadores, tornou-se um fenômeno cultural quando a IBM cunhou o termo “processamento de texto” em 1964 e, com o advento dos microcomputadores e o software de edição de texto, mais de 80% do uso de computadores passou a ser processamento de texto, com inventores como Engelbart e Nelson vendo o potencial para amplificar os poderes mentais.
3. A década de 1980 introduziu um novo vocabulário para a informatização do inglês, incluindo termos como “acesso”, “entrada”, “saída”, “arquivos”, “menus”, “monitores”, “cursor”, “disquetes”, “janelas”, “teclas de função”, “blocos de movimentação”, “zonas de hifenização”, “retorno suave” versus “retorno duro”, “recortar e colar” eletrônico, “excluir”, “desfazer exclusão”, “pesquisar e substituir”, “pesquisar e substituir globalmente”, e “formatação automática”.
4. A euforia inicial com o processamento de texto, que elimina o trabalho de cortar, colar e redigitar, permite que as palavras “dançam na tela” e as ideias fluam diretamente, mas essa “lua de mel” logo dá lugar ao lado sombrio da computação, que inclui a “produtividade sem mente” e o aumento do estresse.
5. A nova forma de escrever no computador leva os escritores a “pensarem na tela” e a editarem agressivamente enquanto escrevem, mas essa facilidade cria a ilusão de que “mais rápido é melhor”, e a produtividade empresarial com computadores não parece resultar em relatórios melhores, com a produtividade econômica real dos EUA tendo declinado na última década.
6. Universidades e faculdades também aderiram à informatização com redes de fibra óptica, mas poucos acreditam que as redes avançam a aprendizagem liberal ou que um maior volume de pesquisa acadêmica produza melhores leitores, e o processo de edição nos jornais mudou, com os repórteres se tornando “digitadores de entrada de dados” enquanto os editores fazem as alterações diretamente no texto eletrônico.
7. O correio eletrônico, ao criar grupos de trabalho virtuais e permitir a troca instantânea de mensagens, também sobrecarrega os destinatários com um “pântano intelectual” de memorandos e relatórios acumulados, resultando em mais, não menos, “lixo eletrônico”.
8. Os perigos físicos da computação incluem a fixação do olhar na tela, que reduz a frequência de piscar e causa tensão ocular, levando a erros refrativos como a miopia, além da “síndrome do movimento repetitivo” (repetitive motion syndrome - RMS), que inflama os tendões das mãos e braços devido à adaptação não aliviada às especificações da máquina.
9. Apesar dos patologistas, como Gore Vidal que afirma que “o processador de texto está apagando a literatura”, a maioria dos escritores que aprendem o processamento de texto não o abandona, e a eficiência, velocidade e comunicação em rede estão incorporadas ao ritmo de vida contemporâneo.
10. Martin Heidegger, em 1957, já notava a mudança no senso de tempo e alertava que a “máquina da linguagem” poderia dominar a essência do ser humano ao tomar a linguagem sob sua gestão, e sua filosofia, nem ludista nem tecnofóbica, era de um “determinismo suave” que aceita o destino enquanto estuda maneiras de absorver seu impacto.
11. O processamento de texto é parte do destino da era da informação, e os principais inventores, como Douglas Engelbart, buscavam não uma ferramenta, mas uma revolução na maneira de pensar, concebendo o computador como um manipulador de símbolos para “supercarregar” os processos de pensamento no nível da linguagem.
12. As redes de computadores podem ser revolucionárias, como apoiaram os movimentos pró-democracia na China em 1989 com quadros de avisos eletrônicos, e a literatura também muda à medida que a palavra escrita migra para o texto eletrônico, com o hipertexto oferecendo um sistema de referência cruzada ilimitado para todas as criações simbólicas.
13. Heidegger, em 1967, via uma “crista crescente de informação” que poderia engolir seus próprios escritos, questionando se o próprio pensamento terminaria no “negócio do processamento de informação”, uma obsessão com dados sem preocupação com o significado.
14. A escrita é o principal meio de colocar os pensamentos diante de si para crítica, mas o processamento de texto reforça a “informação” sobre o “significado”, pois a informação, como unidade de conhecimento com apenas um traço de significado, pode ser manipulada em velocidade de computador, enquanto o significado humano depende do contexto finito e da experiência, exigindo ponderação e contemplação.
15. A “infomania” corrói a capacidade de significado, encurtando a atenção, coletando fragmentos e empobrecendo o sentido geral, levando as pessoas a acreditarem que a cultura é uma questão de ter os fatos certos na ponta dos dedos, mas há uma lei dos retornos decrescentes: quanto mais informação é acessada, menos significado é possível.
