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Sistematicidade

LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metaphors we live by. Chicago: University of Chicago Press, 1980.

** Sistematicidade metafórica: destacando e ocultando **

1. A sistematicidade que permite compreender um aspecto de um conceito em termos de outro oculta necessariamente outros aspectos desse mesmo conceito, como ocorre quando o foco nos aspectos de batalha do argumentar faz perder de vista seus aspectos cooperativos.

2. A metáfora do conduto, identificada por Michael Reddy, estrutura a linguagem sobre a linguagem a partir de um complexo metafórico segundo o qual ideias são objetos, expressões linguísticas são recipientes e comunicação é envio, padrão documentado em mais de cem tipos de expressões do inglês que respondem por pelo menos 70% das expressões usadas para falar sobre linguagem.

  • O falante coloca ideias, como objetos, dentro de palavras, como recipientes, e as envia por um conduto a um ouvinte que retira os objetos-ideia dos recipientes-palavra.
  • Exemplos dessa metáfora incluem expressões como transmitir uma ideia a alguém, dar uma ideia, fazer razões chegarem a alguém, colocar ideias em palavras, capturar uma ideia em palavras, empacotar pensamento em palavras, encher uma frase de ideias, ter o significado contido nas palavras, forçar significados em palavras erradas, palavras que carregam pouco significado, introdução com muito conteúdo de pensamento, palavras que soam vazias, frase sem significado e ideia soterrada em parágrafos densos.

3. Nesses exemplos é bem mais difícil perceber que algo é ocultado pela metáfora ou mesmo reconhecer a presença de uma metáfora, dado que esse é o modo convencional de pensar sobre a linguagem, o que dificulta imaginar que ele não corresponda à realidade.

4. O exame dos pressupostos da metáfora do conduto revela como ela mascara aspectos do processo comunicativo, uma vez que atribui às palavras e sentenças significados próprios e independentes de contexto ou falante, e atribui aos significados uma existência independente de pessoas e contextos, pressupostos apropriados apenas em situações nas quais as diferenças de contexto não importam e todos os participantes compreendem as sentenças da mesma forma.

  • Esses dois pressupostos se exemplificam em sentenças como a afirmação de que o significado está ali mesmo, nas palavras, algo que, segundo a metáfora do conduto, poderia ser dito corretamente de qualquer sentença.

5. Há, contudo, muitos casos em que o contexto importa, como o registrado por Pamela Downing em conversa real, no qual a sentença sente-se na cadeira do suco de maçã não tem sentido algum isoladamente, mas fazia perfeito sentido no contexto de um café da manhã com quatro lugares postos, três com suco de laranja e um com suco de maçã, permanecendo compreensível mesmo na manhã seguinte, quando não havia mais suco de maçã.

6. Além das sentenças sem sentido fora de contexto, há casos em que uma mesma sentença significa coisas diferentes para pessoas diferentes, como a afirmação de que são necessárias novas fontes alternativas de energia, que significa algo muito distinto para o presidente da Mobil Oil e para o presidente do Friends of the Earth, mostrando que o significado não está simplesmente ali na sentença, mas depende de quem a diz ou ouve e de suas atitudes sociais e políticas, casos que a metáfora do conduto não consegue abarcar.

7. Os conceitos metafóricos examinados oferecem uma compreensão apenas parcial de comunicação, argumento e tempo, ocultando outros aspectos desses conceitos, o que evidencia que a estruturação metafórica é parcial e não total, já que, se fosse total, um conceito seria de fato o outro em vez de apenas ser compreendido em seus termos, como se vê no fato de que tempo não é realmente dinheiro, pois tempo gasto sem sucesso não pode ser recuperado, não existem bancos de tempo e é possível dar tempo a alguém sem que essa pessoa possa devolver o mesmo tempo, ainda que possa devolver a mesma quantidade de tempo.

8. Por outro lado, os conceitos metafóricos podem ser estendidos para além dos modos literais e ordinários de pensar e falar, alcançando o domínio do pensamento e da linguagem figurados, poéticos, coloridos ou fantasiosos, de modo que, se ideias são objetos, é possível vesti-las com roupas elegantes, fazer malabarismos com elas, organizá-las em fileiras, entre outras extensões, o que confirma que dizer que um conceito é estruturado por uma metáfora significa que ele é parcialmente estruturado e passível de extensão em certas direções, mas não em outras.

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