Máquina universo
LÉVY, Pierre. La machine univers. Paris: La Découverte, 1987.
Colocados diante de um novo contexto, situados por mudanças técnicas em uma perspectiva inédita, problemas muito antigos mudam de sentido e precisam ser repensados com um novo olhar. Este livro considera a informatização como o surgimento de um horizonte no qual se destacam objetos antigos, repentinamente desprovidos de sua aparência familiar.
O que acontece com a cultura quando a comunicação, o ensino, o conhecimento e a maioria das atividades cognitivas são mediados por dispositivos de processamento automático de informações? Como compreender o fenômeno artístico em uma época em que sintetizadores digitais, paletas gráficas e processadores de texto transformam radicalmente as condições da criação?
Quando as simulações por computador substituem cada vez mais a experiência e a lógica dos bancos de dados impõe seus códigos à linguagem científica, ainda estamos lidando com o que costumávamos chamar de ciência? O processamento da informação está prestes a se tornar o modelo dominante para conceber os processos físicos e biológicos. As ciências da cognição já não concebem a memória, a aprendizagem ou a percepção senão esquematizadas por algoritmos. É diante do modelo do computador que devemos renovar nossas indagações sobre o futuro e a vida. É à luz inesperada da inteligência artificial que devemos repensar o pensamento.
Mas essa informatização, que nos obriga a repensar tantas questões, de onde vem? Como explicar tal sucesso? Longe de ser uma novidade absoluta, a máquina universal tem raízes profundas na cultura ocidental. O uso crescente dos computadores é ao mesmo tempo o sinal e o último agente de uma mutação antropológica de grande amplitude. A informatização revela todo o seu significado por meio de uma reflexão sobre a especificidade do Ocidente, e o rosto do Homo informaticus só se delineia completamente à luz trêmula da questão que inspirou este livro: o que é a história?
