Informação
CHATEAU, J.-Y. Le vocabulaire de Simondon. Paris: Ellipses, 2008.
Forma e Informação (forma e matéria, figura e fundo, hylemorfismo, teoria da forma, teoria da informação)
1. O propósito do estudo consiste em investigar as formas, modos e graus da individuação para restituir o indivíduo ao ser, segundo os três níveis físico, vital e psíquico e psicossocial, apoiando-se numa hipótese sobre a primazia da individuação, numa concepção do ser como preindividual e individuado, numa demarche geral transdutiva de forma lógica analógica e método paradigmático, e num conjunto de noções a serem reformadas em substituição às de substância, forma e matéria.
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A individuação é primeira e operação primeira, constituindo a hipótese sobre a qual repousa todo o estudo.
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O ser é preindividual e individuado, sendo dado inteiramente em cada uma de suas fases, mas com uma reserva de devir.
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A transdução constitui a demarche geral do estudo, tendo por forma lógica a operação analógica e por método a construção paradigmática dos regimes de individuação correspondentes aos grandes domínios da realidade.
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As noções de substância, forma e matéria devem ser substituídas por noções mais fundamentais de informação primeira, ressonância interna, potencial energético e ordens de grandeza.
2. Forma e informação constituem o principal objeto da reforma das noções empreendida para pensar a individuação e o ser, sendo a ressonância interna o estado de um sistema em relação e comunicação consigo mesmo entre potenciais energéticos disparates, e a informação a tensão entre dois reais disparates que se torna dimensão organizadora quando uma operação de individuação descobre a dimensão segundo a qual eles podem tornar-se sistema.
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A ressonância interna define-se como relação entre potenciais energéticos, ou seja, diferenças de energia potencial, constituindo um estado de tensão entre dois reais disparates, dois ordens de grandeza em estado de disparação.
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A incompatibilidade de um sistema não resolvido torna-se dimensão organizadora na resolução ao converter-se em informação entre os termos da tensão, caracterizando o estado metaestável do sistema, ou seja, seu estado de poder individuar-se.
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A informação nunca é relativa a uma realidade única e homogênea, mas a dois ordens em estado de disparação, jamais depositada em uma forma dada, constituindo antes amorça e exigência de individuação, sem unidade nem identidade próprias, sempre inerente a uma problemática e sempre atual, como sentido segundo o qual um sistema se individua.
3. A reforma das noções exigida por tal concepção do ser e da individuação depende decisivamente, antes de tudo, da reforma da noção de forma, que deve ser substituída pela de informação, a qual supõe a existência de um sistema em estado de equilíbrio metaestável capaz de individuar-se.
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O esquema hilemórfico antigo da forma não permite compreender a tomada de forma em um sistema nem um sistema metaestável, supondo irrealisticamente uma matéria preexistente sem forma alguma, individuada, dominada e estabilizada substancialmente pela forma.
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A concepção da Teoria da Forma aproxima-se mais da noção necessária para pensar a individuação como operação, definindo a forma como o estado para o qual tende o sistema ao encontrar seu equilíbrio, substituindo a oposição matéria-forma pela diferença entre fundo e forma, embora desconheça o estado metaestável e reconheça apenas o equilíbrio estável.
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Simondon apresenta o substituto da Teoria da Forma por uma teoria da informação como aperfeiçoamento desta, distinguindo a informação da concepção tecnológica derivada da teoria das transmissões, definindo-a antes pela relação recíproca entre os polos da comunicação e por sua compreensão como negentropia, instrumento para pensar a individuação e o surgimento das formas e estruturas individuadas no ser concebido como sistema metaestável.
4. Os diversos ensaios de pensar a forma desde a Antiguidade compartilham a mesma visada de descobrir a inerência das significações ao ser, o que confere a essas concepções superioridade sobre aquelas que buscam o princípio do ser em uma substância já individuada, sendo essa mesma inerência, buscada na operação de individuação, o que Simondon persegue de modo mais consequente e radical.
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Superioridade das concepções centradas na forma sobre os atomismos e sobre as concepções de um ser ou princípio produtor de outros indivíduos, por buscarem a inerência das significações ao ser em vez de um princípio exterior a ele.
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Simondon inscreve-se nessa tradição, procurando as significações do ser não fora dele, mas no próprio ser, buscando descobrir essa inerência na operação de individuação.
