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REFLEXÕES PRELIMINARES SOBRE A GRANDE IMPLOSÃO DO OCIDENTE
PTGI
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Constituição espontânea de um grupo de pesquisa dedicado à compreensão do fim da cultura ocidental, sem reivindicação de autoridade científica, mas favorecido por condições institucionais que possibilitaram uma investigação prolongada.
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Composição majoritária do grupo por historiadores, humanistas e poetas, o que orienta a abordagem para uma compreensão cultural e espiritual, e não tecnocientífica, da história do Ocidente.
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Caráter provisório das conclusões apresentadas, assumidas como síntese parcial de reflexões em curso, abertas a complementações e precisões posteriores.
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Finalidade do relatório limitada à apresentação condensada de algumas conclusões, e não à reconstrução exaustiva dos acontecimentos históricos.
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Inutilidade de reiterar a descrição detalhada dos episódios de violência, crises e convulsões que marcaram os anos finais do século XX e o início do XXI.
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Existência de vasta bibliografia que já descreveu com precisão os motins, atentados e cenas de desespero precedentes aos últimos espasmos de 2002.
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Deslocamento deliberado do foco investigativo dos acontecimentos factuais para as questões de ordem mais profunda que orientaram a reflexão.
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Centralidade da tentativa de compreensão da história espiritual do Ocidente.
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Interrogação sobre o que foi a cultura ocidental moderna em sua essência.
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Investigação das condições de surgimento dessa cultura, dos princípios que a estruturaram e das escolhas fundamentais que a fundaram.
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Questionamento das razões de seu lento desmoronamento e de sua incapacidade de se regenerar.
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Problematização da cegueira dos Ocidentais diante da catástrofe iminente e da incapacidade de evitá-la.
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Paradoxo fundamental representado pela atitude das elites ocidentais.
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Constatação de que elites inteligentes, racionais e cientificamente informadas desprezaram advertências reiteradas.
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Interrogação sobre o caráter fatal ou não dessa cegueira espiritual que conduziu à autodestruição.
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Reconhecimento de que o Ocidente dispunha de informações, conhecimentos e meios de ação suficientes para reagir e assegurar sua sobrevivência.
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Persistência na escolha de uma via manifestamente autodestrutiva.
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Constatação de que, apesar da consciência dos riscos, o Ocidente continuou a seguir um caminho que conduzia evidentemente ao pior.
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Deslocamento da investigação para a própria natureza da cultura ocidental, suas forças e suas fraquezas essenciais.
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Tomada de consciência progressiva de que, muito antes da Grande Implosão, tudo já estava praticamente decidido.
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Degradação profunda da cultura ocidental visível muito antes do colapso institucional.
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Manifestações grotescas do culto do Progresso e da crença cega na gestão tecnocrática.
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Paranoia característica das elites informático-organizacionais.
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Imperialismo sem limites das instituições econômicas e financeiras.
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Obsessão pela mecanização, pela automação e pela racionalização integral da vida social.
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Dimensão repressiva do racionalismo ocidental moderno e de sua ciência inseparável.
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Incapacidade das instâncias dirigentes de conduzir humanamente as organizações sob sua responsabilidade.
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Empobrecimento da imaginação, da sensibilidade e do calor humano na atividade política.
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Ascensão do individualismo e armadilhas da chamada cultura da informação e da comunicação.
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Agravamento dos desequilíbrios globais e proliferação de exclusões geradoras de riscos sistêmicos.
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Multiplicidade de diagnósticos críticos já formulados por especialistas, jornalistas e ensaístas.
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Existência de milhares de páginas que descreveram sintomas inquietantes das patologias ocidentais.
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Insuficiência desses diagnósticos para produzir transformações efetivas.
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Paradoxo segundo o qual, apesar da lucidez analítica, faltou a capacidade de ação consequente.
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Incapacidade de questionamento radical das bases culturais do Ocidente.
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Recusa em colocar em causa costumes, crenças, instituições e modos de vida.
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Persistência em uma atitude de fuga para frente diante de perigos amplamente sinalizados.
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Ilusão de que uma simples tomada de consciência poderia salvar a cultura ocidental.
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Ideia de que toda cultura nasce de escolhas fundamentais, cujos efeitos se estendem tanto para o melhor quanto para o pior.
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Espanto diante da amplitude da falta de discernimento que caracterizou o período anterior à Implosão.
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Responsabilidade direta das elites políticas, econômicas e culturais.
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Existência de advertências explícitas e repetidas ao longo de décadas.
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Aconselhamento contínuo por especialistas de alto nível durante o século XX.
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Comportamentos marcados por leviandade, imprudência e irresponsabilidade.
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Atitude ambígua e passiva das populações comuns.
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Sofrimento real provocado por patologias socioculturais associadas à modernidade, ao Progresso, à Produção e ao Consumo.
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Percepção difusa do empobrecimento humano imposto pelo regime dominante.
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Passividade generalizada, interrompida apenas por reações defensivas ligadas a interesses materiais imediatos.
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Aceitação final da miséria espiritual própria da modernidade.
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Ausência prolongada de contestação radical antes do final da década de 1990.
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Transformação tardia da insatisfação difusa em cólera aberta apenas a partir de 1999.
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Incapacidade quase geral de imaginar, até 2000, o colapso iminente do sistema.
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Convicção quase unânime de que o modo de vida ocidental representava a forma definitiva da civilização.
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Incapacidade de perceber que essa civilização se tornara frágil e vazia.
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Tentativa das elites de resolver crises pontuais sem jamais questionar os princípios fundadores de suas práticas.
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Processo de decomposição cultural iniciado muito antes do colapso espetacular.
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Caráter simbólico da data de 2002 como momento visível da queda.
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Morte cultural do Ocidente ocorrida décadas antes, se entendida a cultura como portadora de uma concepção forte do humano e da sociedade.
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Ilusão persistente de continuidade civilizacional durante a própria agonia.
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Coexistência entre sinais evidentes de crise social e funcionamento aparente das engrenagens econômicas e midiáticas.
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Crença de que todas as crises poderiam ser resolvidas no interior do próprio sistema.
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Ideologia da modernidade sustentada pela negação sistemática da decadência.
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Estigmatização dos críticos como reacionários, pessimistas ou mentalmente incapazes.
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Defesa acrítica do consumismo, do produtivismo e da tecnocracia.
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Caráter falacioso dos discursos que justificavam os excessos do modernismo.
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Falsa alternativa entre regressão primitiva e adesão irrestrita ao progresso técnico.
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Ingenuidade e materialismo grosseiro presentes nas profissões de fé progressistas.
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Perda quase total de sensibilidade cultural das elites modernas.
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Redução do humano a categorias econômicas e tecnocráticas.
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Otimismo ilusório fundado na confiança irrestrita em especialistas e sistemas de gestão.
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Indiferença diante da perda de finalidade propriamente humana da cultura.
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Morte das sociedades entendida como processo antes interior e espiritual do que material.
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Distinção entre ruína visível e destruição cultural profunda.
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Cegueira moderna ilustrada por analogias com civilizações historicamente desaparecidas.
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Advertências reiteradas, ao longo da história, sobre a mortalidade das civilizações.
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Inexistência de qualquer privilégio que permitisse ao Ocidente escapar ao destino comum.
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Falta de lucidez dos modernos comparável à de gregos, romanos e medievais.
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Autopercepção ilusória das elites como esclarecidas, informadas e competentes.
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Uso recorrente de vocabulário tecnocrático que mascarava a incompreensão da situação real.
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Superação completa dessas elites pelos acontecimentos.
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Falha fundamental situada na perda de sensibilidade cultural e de clarividência histórica.
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Investigação do estado espiritual do Ocidente no final do século XX.
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Confusão generalizada entre crenças, costumes e instituições.
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Incapacidade estrutural de responder às questões fundamentais relativas ao sentido da vida humana.
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