User Tools

Site Tools


geo:pensadores:couclelis:start

Couclelis

Helen Couclelis. Ontology, Epistemology, Teleology: Triangulating Geographic Information Science.

1. A ontologia é o único dos três pilares da filosofia aristotélica a gozar de reconhecimento consolidado na ciência da informação geográfica, ao lado da epistemologia e da teleologia, sendo esta última voltada às razões pelas quais o mundo é como é e como se transforma, em contraste com as causas que independem da intencionalidade humana.

  • A distinção entre razão e causa pode ser ilustrada pelo exemplo da chuva que leva alguém a abrir o guarda-chuva: a explicação causal é suficiente na maioria dos casos, mas a explicação teleológica revela algo que se perde quando ela é omitida.
  • Defende-se a articulação entre ontologia, epistemologia e teleologia na ciência da informação geográfica como via para ampliar o escopo da própria ontologia em direções novas e produtivas.

2. A construção ontológica na ciência da informação geográfica é examinada a partir dos princípios duplos de informação e propósito.

  • A informação constitui noção relacional, e não absoluta, expressando relação intrínseca entre fonte e receptor, o que permite vincular os interesses do usuário à teleologia.
  • A adoção da informação como noção central, em vez de conceitos ligados diretamente ao mundo empírico, evidencia a relação entre esse mundo e a ontologia considerada, tornando a epistemologia inescapável.
  • Por vir em quanta, a informação favorece abordagem construtivista do desenvolvimento ontológico, que orienta o arcabouço apresentado adiante.

3. O propósito, marca da teleologia, não recebe ênfase nas ontologias existentes da ciência da informação geográfica, embora toda representação geográfica seja elaborada com alguma finalidade.

  • Muitas das entidades empíricas representadas nessas ontologias foram criadas ou modificadas por seres humanos com propósitos específicos, constituindo as entidades artificiais discutidas por Simon.
  • No caso de fenômenos geográficos socialmente produzidos, como estradas, lotes e acampamentos, impõe-se ainda a necessidade de traçar linha divisória entre essas entidades físicas tangíveis e o restante do mundo social.
  • O propósito funciona como interface entre as entidades geográficas observáveis e as necessidades e desejos sociais, como membrana permeável que permite a passagem de questões socialmente condicionadas em um sentido e de interpretações socialmente significativas no sentido inverso.

4. O arcabouço ontológico proposto, ancorado pela informação em um extremo e pelo propósito no outro, organiza-se em sequência ordenada de domínios discretos de objetos de informação, distintos dos tipos mais familiares de entidades empíricas ou conceitos que ocupam outras ontologias.

  • Os detalhes desse arcabouço serão apresentados em artigo futuro.
  • O foco recai sobre o triângulo do conhecimento formado por ontologia, epistemologia e teleologia, cujo interior é ocupado pelas noções fundacionais de informação, objeto de informação e propósito.
  • Os lados desse triângulo sugerem questões de pesquisa novas ou perspectivas inéditas sobre questões já conhecidas da ciência da informação geográfica, entre elas a compatibilidade e a completude de ontologias na relação ontologia-epistemologia, a representação conjunta de objetos artificiais e naturais na relação ontologia-teleologia, e a adequação de uma ontologia proposta aos propósitos do usuário na relação teleologia-epistemologia.

5. A consideração conjunta de ontologia e epistemologia já foi objeto de trabalhos anteriores na ciência da informação geográfica, mas o status secundário atribuído tradicionalmente à teleologia explica sua ausência como perspectiva relevante na agenda do campo.

  • A teleologia experimentou renascimento discreto desde o início da era computacional, associado à constatação de que certas máquinas avançadas exibem comportamento propositado.
  • A série de conferências DEON trouxe a teleologia para o centro da ciência da computação, evidenciando domínios contemporâneos de aplicação que podem se beneficiar do pensamento télico, entre os quais se inclui a ciência da informação geográfica.

6. A seção seguinte discute as noções correntes de ontologia em conexão com pesquisas correlatas na ciência da informação geográfica, seguida do delineamento de arcabouço ontológico hierárquico fundado nas noções duplas de informação e propósito.

  • As relações sistemáticas entre os níveis desse arcabouço sugerem respostas a determinadas questões epistemológicas significativas.
  • A relevância da teleologia se evidencia nos níveis mais elevados dessa hierarquia.
  • Apenas o caso estático é tratado, contemplando extensões de corte temporal, mas não processos, ações e eventos dinâmicos.

7. Por ter como propósito principal levantar questões e estimular a discussão, a conclusão é breve e especulativa.

[NAVRATIL, Gerhard (org.). Research trends in geographic information science. Berlin: Springer, 2009.]

geo/pensadores/couclelis/start.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki