Natureza do Espaço
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. Técnica e Tempo. Razão e Emoção. São Paulo: Hucitec, 1995.
Este, como todos os livros, tem uma história: a história de uma pesquisa que durou muitos anos, a história da busca de uma forma para exprimir os resultados alcançados. A pesquisa deveu muito aos cursos, sobretudo de Pós-Graduação, que ministrei na Universidade de São Paulo (USP), é que me obrigaram, cada ano, a enfrentar uma questão nova e a encontrar uma ordem para as respectivas exposições. A pesquisa muito deveu também, à organização, junto com Maria Adélia Aparecida de Souza, de diversas reuniões científicas nacionais e internacionais, assim como a estágios e visitas que pude empreender a diferentes países como a França, Espanha, Estados Unidos, Argentina, México, Venezuela, Cuba etc., ocasião preciosa para troca de informações e de ideias com colegas desses países. Ajudas materiais diversas proporcionadas em diversas ocasiões, por agências nacionais de fomento à pesquisa (CNPq, FAPESP, FINEP) constituíram, uma contribuição valiosa para a realização desta longa pesquisa.
O processo de redação também foi longo. A bem dizer, ele se inicia em janeiro de 1994, quando me beneficiei de uma bolsa pós-doutoral da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que me permitiu fazer um estágio nos Estados Unidos e na França, ocasião em que tive diante de mim a possibilidade de contar com largo tempo livre dedicado exclusivamente à busca de fórmulas para a redação, longe que estava das rotinas de minhas obrigações cotidianas no Brasil. Tal ocasião se repete durante o ano de 1995, quando pude permanecer, na França, entre fevereiro e agosto, beneficiado por um estágio-sênior, oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nesse último país, e em diversas oportunidades, em 1994,1995 e 1996, fui beneficiado pelo acolhimento de amigos como Jean-François Malécot e Hélène Lamicq, que várias vezes me emprestaram seu apartamento de Paris, na rue Nationale, e, com ele, uma bonita biblioteca de filosofia, economia e literatura, que me permitiu ampliar as minhas pesquisas mesmo em casa. Beneficiei-me, também, da hospitalidade da familia Tiercelin, em sua propriedade de Roquepiquet, na Dordogne, onde as condições de calma e conforto necessárias estavam reunidas a um quadro natural inspirador: foi neste lugar, e junto com a família, que utilizava as férias universitárias para o trabalho de redação. Mas esse trabalho também se fez em São Paulo, nos fins de semana e nos momentos roubados, durante a semana, às pesadas tarefas diárias de um pesquisador e de um professor. O plano original da obra foi muitas vezes refeito durante esse processo, para atender a um ideal de coerência que espero haver atingido. As bibliotecas da USP, do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e da Maison des Sciences de l'Homme de Paris, entre outras, foram-me de grande ajuda.
Estes últimos meses foram gastos no difícil trabalho de organiza ção técnica e material do livro, tarefa extremamente pesada, na qual, todavia, fui muito ajudado por Ana Elisa Rodrigues Pereira. Em todos os momentos da produção deste livro, contei com o interesse e a discussão de meus colegas e alunos. É sempre difícil dizer nomes, já que nessas ocasiões não é raro que haja esquecimentos lamentáveis. Entre os colegas estão aqueles que vejo mais frequentemente, Maria Adélia Aparecida de Souza, Armen Mamigonian, Ana Fani Alessandri Carlos, em São Paulo; Ana Clara Torres Ribeiro, Lia Osório, Roberto Lobato Corrêa, Ruy Moreira, Leila C. Dias e Maurício Abreu, no de Janeiro (e para Maurício, também em Paris), entre os estudantes o diálogo foi mais frequente e frutífero com Maria Laura Silveira e Adriana Bernardes (que também se incumbiram da preparação da bibliografia e dos índices, junto com Paula Borin), mas também com Mónica Arroyo, Lídia Lúcia Antongiovanni, Eliza Pinto de Almeida, Ricardo Castillo, Marcos Antônio de Moraes Xavier, Fábio Betioli Contei.
Livros e artigos meus publicados antes haviam enfrentado alguns dos problemas de que trata este livro. Agora, não apenas novas questões se levantaram, como temas de nossa preocupação anterior aparecem mais documentados, sistematizados e aprofundados, como é o caso, por exemplo, da técnica, do tempo e do sistema de objetos e ações.
Na França, foram-me muito preciosos o apoio e as conversas, mantidas em diferentes oportunidades, com meu afetuoso amigo Bernard Kayser e também com Jacques Lévy, Remy Knafou, Jacqueline Beaujeu-Gamier, Olivier Dollfus, Pierre George, além do permanente interesse demonstrado por Georges Benko, em cuja coleção de Geografia da Editora Harmattan, este livro deve, proximamente, ser publicado. Neste, como em tantos outros livros meus, editados pela Hucitec, foram-me valiosos o apoio e a amizade de Flávio George Aderaldo.
Minha mulher Marie-Hélène, como em outras oportunidades, foi rigorosa na crítica às minhas ideias e à sua formalização, trazendo-me, assim, uma ajuda insuperável. Meu filho Milton Santos Filho esteve presente em todas as etapas e à sua memória dedico, sentidamente, este livro.
MLTON SANTOS Paris, Roquepiquet, São Paulo Agosto de 1996
