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I Técnica e tecnologia ocultam a techne

Pensando a “questão da informática” com M. Heidegger

Murilo Cardoso de Castro. Tese de Doutorado, UFRJ 2005.

Na esteira da excelente introdução de Jean-Pierre Séris (1994, p. 1-9), a seu livro La Technique, é possível obter um esclarecimento destes dois termos, técnica e tecnologia, hoje em dia frequentemente intercambiáveis, embora ainda guardando distinções. A técnica, mesmo entre antropólogos, vai se situar na referência aos fazimentos das sociedades tradicionais, por mais que estes representem procedimentos complexos atendendo propósitos de adaptação e sobrevivência. Neste sentido, se torna um termo que pode ser estendido até certos comportamentos de animais, como, por exemplo, o joão-de-barro fazendo seu ninho. Embora, em sua etimologia no termo grego techne jamais pudesse vira a ter esta extensão, por se aplicar somente ao ser humano.

A tecnologia, inicialmente o logos (discurso, razão) da técnica, perde seu “logos”, logo em seguida a ser forjado o termo tecnologia, como tantos outros termos compostos no nascimento da Razão Moderna, pela combinação de antigos termos gregos. Enquanto isso, as técnicas permanecem por sua parte “transformações operatórias da natureza ou do meio ambiente humano, até do corpo humano (ou do ambiente simbólico…), que se dizem ou se escrevem em uma língua natural, por vezes própria a elas (jargão técnico), como “artes e ofícios” encontrando sua escritura e grafia na Enciclopédia de Diderot e d’Alembert” (ibid., p. 2).

A tecnologia vem aos poucos a ser uma espécie de “superlativo”, científico ou pedante, da técnica. Não apenas pela perda do logos, mas pela imitação da língua anglo-saxônica em seu uso crescente de technology, tanto para se referir à técnica quanto ao produzido pela técnica, ou o instrumento utilizado para a produção técnica. Essa aparente dignidade do termo tecnologia em detrimento do termo técnica, já reduzido a fazimento, pretende resgatar o logos perdido, conferindo à técnica sua “nobreza” pelo devido encapsulamento da Razão Moderna. “As tecnologias são conduites, operações e fabricações integradas a um complexo ou a um corpo ao mesmo tempo teórico e prático, aquele da ‘tecnociência’” (ibid.).

Tem-se recurso à tecnologia porque o termo parece carregado de uma dignidade que técnica não tem. Diferença de valor: só terão direito à denominação os procedimentos mais revolucionários, os métodos mais sofisticados, mobilizando recursos científicos os mais diversos e os desenvolvimentos os mais recentes da pesquisa de ponta. O uso trai uma necessidade difusa de valorizar, pela adjunção ingênua do sufixo tecno-logia, uma técnica reconhecida mais e mais como não somente afazer de especialistas (isso, muitas técnica foram, no passado, sem ser no entanto o objeto de um julgamento laudativo), mas como decorrendo de um empreendimento intelectual heurístico (para evitar a palavra “teórico”, muito associada a “desinteressado”). A fortuna da palavra aporta um testemunho interessante sobre o estado presente das mentalidades a respeito das técnicas e das ciências. Seria-se tentado a dizer: o que há de mais na tecnologia, é o sufixo, derivado de logos, é a referência à dimensão lógica, discursiva, racional, científica, de uma prática consciente dela mesma, de suas finalidades e de suas necessidades, informada e instruída, preocupada com seu lugar em uma rede de saberes e de poderes, disciplinada. As técnicas assim qualificadas são aquelas onde está em obra o logos, o que são a obra de um logos. (ibid., p. 3)

Mas a fortuna da palavra “tecnologia” revela ainda um aspecto que se intensifica ultimamente, o espessamento do técnico em toda atividade humana. Um espessamento que distancia o ser humano de seu fazimento, ao mesmo tempo que o impede o acesso ao como do fazimento, exceto em sua superficialidade. François Sigaut (apud. SÉRIS, 1994, p. 4) conclui que o capital de saber técnico acumulado na sociedade é hoje em dia infinitamente maior do que jamais foi, mas a parte de cada um de nós neste capital jamais foi tão desprezível. O ser humano “moderno” é investido de técnicas e cercado de tecnologias, seus atos e fatos têm alta densidade técnica, entretanto mais e mais se aliena de seu fazer e de seu agir, pelo espessamento do técnico.

Jean-Claude Beaune (1991, p. 965-973) resume muito bem o que se pode afirmar do termo “tecnologia”, dada sua atual amplitude de sentidos: “pleonasmo gratuito de ‘técnica’, ele aporta uma coloração perturbadora anglo-saxã (ou melhor, americana) a considerações pragmáticas que tomam de pronto uma dignidade científica nova (tecnologia rima com epistemologia); conota perspectivas filosóficas e morais que têm dificuldade de se situar verdadeiramente neste quadro; evoca de passagem imagens informáticas e automatizantes; sugere certa tecnocracia imperialista e desumana. É um termo moderno, contemporâneo mesmo em seu uso ordinário.”

Por outro lado, François Dagognet (1997, p. 10-12) desenvolve uma visão esquemática da técnica, segundo três componentes: ser humano, instrumento e produto. “A técnica consiste, para o ser humano e por ele, em obter um produto (fabricado), em usando uma ferramenta (o meio), com segurança e celeridade, os acompanhamentos habituais da operação eficaz” (ibid. p. 10). Apesar do uso crescente da técnica, concretizada no instrumento, assim como no fazer seguro e célere, é em muitas circunstâncias a “mão”, acompanhada ou não de gestos corporais, que perfaz o papel do instrumento ou o maneja. Razão pela qual Aristóteles afirma que o ser humano é o mais inteligente dos seres vivos porque possui uma mão (As Partes dos Animais, IV, 10, 687 a 10).

Com efeito, o ser mais inteligente é o que é capaz de utilizar bem o maior número de utensílios: ora, a mão não parece ser apenas um utensílio, mas sim vários. Porque ela é, por assim dizer, um utensílio que substitui os outros. Foi, portanto, ao ser que é capaz de adquirir o maior número de técnicas que a natureza deu o utensílio seguramente mais útil, a mão. (As Partes dos Animais, IV, 10, 687 a 19)

Dagognet, no entanto, prefere definir a técnica de outra maneira: em lugar de notar o jogo de três fatores — um fim, meios e segurança e rapidez de execução — vê nela um aparente aumento de ser, no sentido que se parte de certos materiais (por exemplo, chumaços de lã ou fibras vegetais, sem uso possível, enquanto tais) tirando-se um mais, quer dizer uma veste. E toda questão, conclui Dagognet, é justamente compreender como se pode, de pouco suscitar uma tal melhoria, enriquecer o meio circundante. Assim a técnica se assemelha a uma espécie de astúcia, ardil. Assim os gregos viam nela uma maquinação (mechanao, inventar uma habilidade, conspirar) pela qual consegue-se enganar a natureza e contornar suas leis. E este pensamento de “superar o dado” conduz a sustentar que a técnica “inventa um outro mundo”; ela tem lugar nos “traços de união” que afirmam a unidade da expressão ser-em-o-mundo.

Gilbert Simondon (1989) examina a técnica através do que conceitua como “objeto técnico”, em sua tese suplementar para obtenção do doutorado em filosofia, nos anos 1950. Hoje em dia um clássico dos estudos sobre a técnica, em vida o autor e livro não foram reconhecidos como deveriam. Sua tentativa é de “definir o objeto técnico nele mesmo, pelo processo de concretização e sobre-determinação funcional que lhe dá sua consistência ao termo de uma evolução, provando que não poderia ser considerado como puro utensílio” (ibid., p. 15). Deste modo, Simondon “lança em face”, objetifica, a técnica, ao mesmo tempo que se situa sob este lançamento enquanto olhar objetificante, um sujeito, que assim aliena a técnica do humano. A contradição fica ainda mais evidente à medida que Simondon denuncia o sistema defensivo da cultura contra as técnicas, destituindo estas de sua realidade humana (ibid., p. 9).

O estudo da técnica sob a perspectiva de Simondon peca, como outros tantos (Gille, Leroi-Gourham, Ellul, Beaune), pelo predomínio do paradigma sujeito-objeto na raiz da reflexão objetivante da técnica. Ou, como muitas vezes expresso nestes estudos, a declinação de sujeito-objeto na relação cultura-natureza, e a decorrente gênesis de um meio técnico na interface de ambos, cultura e natureza. É como se o traço de união de cultura-natureza, ou de homem-mundo, perdesse seu status de signo de unidade e ganhasse personalidade de figura intermediária, de “entre-dois”, “mi-lieu”. Para Séris (1994, p. 30), “a dificuldade não é somente de encontrar uma boa definição do objeto técnico, mas também de responder à questão: o exame do objeto técnico é uma boa via de acesso a uma inteligência da técnica?”.

Não se hesite a dar à questão sua amplitude: o objeto não é senão um índice, um resultado, uma testemunha muda ou um elemento abstrato e morto. Só a técnica que o produz e/ou o utiliza é viva e concreta. O objeto não objetiva a técnica, ou a técnica não é objetivável. A vontade de técnica à qual conduziu à análise do “problema técnico”, tem, dir-se-ia agora, tudo a ver com a matéria, ela aí se choca, a trabalha e a objetiva, mas ela a supera. (ibid., p. 30)

Ortega y Gasset (1963) decide por uma meditação da técnica, depois de considerar que todos os livros que lera até então (1933), eram “todos indignos, por certo, de seu enorme tema” (VITA, 1963, p. IX). Seguindo Aristóteles, quando afirmara que a técnica é alguma coisa característica do ser humano, alguma coisa superior à experiência, ou até mesmo partilhando total intimidade com esta, poré em outro plano de participação. Ao mesmo tempo, inferior ao raciocínio, ao saber, ou até mesmo convivendo com sua propiciação, à medida que justamente se prontifica a solucionar um problema, uma necessidade. Dada estas relações íntimas com a experiência e com a razão, a técnica exige para sua compreensibilidade, uma teoria da vida humana, uma compreensão do ser, em termos de ser-o-Aí, Dasein.

A técnica para Ortega é um recurso, ou seja, o que se oferece de imediato ao ser-em-o-mundo, nesta e por esta unidade de sentido, doadora do ser dos entes intramundanos, incluindo o Dasein, enquanto ente. A técnica se “re-vela”, se mostra em se retirando, na compreensão que determina a ocupação com o ser-diante-da-mão (Vorhandenheit), o ser-à-mão (Zuhandenheit) e o ser-arte. Como afirma Luis Washington Vita no prólogo da tradução que fez da obra de Ortega (ibid., p. 10):

Na vida do homem a técnica é uma presença ubíqua, submergente, avassaladora, não se limitando apenas à produção e emprego dos recursos para a subsistência material da vida, mas atinge a cada uma das ações humanas. Assim sendo, é preciso reconhecer que existe além de uma técnica da produção de benefícios materiais, uma técnica da arte, uma técnica do saber, uma técnica da salvação. Nessa linha de pensamento se insere a Meditação da Técnica de Ortega y Gasset […] Em resumidas palavras é uma extensão de seu pensamento filosófico sobre o ser e a vida do homem a propósito da técnica.

Na assumpção de Ortega, de que o propósito da técnica é satisfazer as “necessidades humanas” oculta-se a própria técnica, como aspecto imanente da humanidade, guia da poiesis, da pro-dução. Assim conclui Ortega que o ser humano é “o ser para o qual o supérfluo é necessário”, e a técnica, “a criação de possibilidades sempre novas que não existem na natureza do homem”. A técnica é originária nas e pelas “necessidades humanas”, nos “problemas” que se dão, na doação primária da própria técnica, enquanto modo de conhecimento. A técnica é primeira dentre da ordenação das formas de atividades, pelas quais exprime-se a verdade (aletheia).

Admitamos que há cinco formas de atividades, pelas quais a alma exprime a verdade (aletheia), seja por afirmação seja por negação. Estas são: a técnica (techne), a ciência (episteme), a prudência (phronesis), a sabedoria (sophia), a inteligência (noûs), pois acontece de nos enganarmos, seguindo nossas conjecturas ou a opinião. (Ética a Nicômaco, VI 3)

Heidegger (2012, p. 21-22) traduz assim esta citação e a comenta:

“Cinco são os modos, portanto, nos quais o ser-aí humano descerra o ente como atribuição e negação. E esses modos são: saber-fazer — na ocupação, na manipulação, na produção — ciência, circunvisão — intelecção — compreensão, suposição apreendedora.” […] Todos esses diversos modos do aletheuein (desvelamento) encontram-se em uma conexão com o logos (discurso); tudo, menos o noûs (pensamento), é aqui meta logou (por meio do discurso); não há nenhuma circunvisão, nenhuma intelecção, nenhuma compreensão, que não seria fala. A techne (Arte) é o saber-fazer na ocupação, no manuseio, na produção, que pode se conformar em graus diversos, tais como, por exemplo no sapateiro e no alfaiata; ela não é o próprio manuseio e o próprio fazer, mas um modo de conhecimento, precisamente o saber-fazer que guia a poiesis (produção poética). A episteme (ciência) é o termo para aquilo que se designa como ciência. A phronesis é a circunvisão (intelecção), a sophia (sabedoria, o compreender propriamente dito), o noûs, o notar, que apreende o notado.

Essas cinco formas de atividades humanas, compõem a “quatrinca” passível de apresentar-se como quiasma tendo ao centro o que rege as atividades humanas e sua quaternidade, o noûs, a inteligência, ou como Heidegger traduz esta referência aristotélica, “notar que apreende o notado”. A quatrinca expressa como uma proporção ou analogia de duas razões, assim apresenta-se: techne/episteme = phronesis/sophia. A techne está para a episteme, assim como a phronesis está para a sophia. O sinal de igualdade reúne os dois traços horizontais ( = ) que regem cada razão, e assim referem-se à necessária presença igualitária na articulação analógica das razões, do noûs, da inteligência, dando-se como logos de duas razões, em parmanente jogo no “ser” humano: a poiética (poiesis) e a prática (praxis), ou, produzir, fazer (poiein) e atuar, agir (prattein).

A techne na regência da poiesis, em nada impede a episteme. O ser-o-Aí enquanto ser-em-o-mundo é facticidade, fenômeno do factum, fazimento, seja sob a forma de atividade da techne, seja sob a forma de atividade da episteme. No , na condição de ser-em-o-mundo dá-se a abertura do ser-à-mão (Zuhandenheit), na forma de atividade da techne, ou do ser-diante-da-mão (Vorhandenheit), na forma de atividade da episteme. Ambas formas completam o fazer, o poiein, o fazimento, a poiesis. Do mesmo modo, é possível analisar ontologicamente o que se dá na praxis, pela razão phronesis/sophia, o que faria todo sentido em um ensaio sobre a ética e as virtudes, que não é este aqui. Cabe, no entanto, falar daquilo que move as formas de atividades humanas, em especial a techne, que aqui interessa des-velar.

Uma necessidade humana se dá no de ser-o-Aí (Da-sein) na condição existencial de ser-em-o-mundo. Na “existência” de ser-o-Aí, no ser-fora, no ser-projetado, na separação do ser, com todo o risco de esquecimento do ser, se dis-põe este ser-o-Aí, que é-fora (existe), é-meu, é-autêntico ou é-inautêntico. No ser-o-Aí, o existencial ser-em-o-mundo é condição dada e recebida, no qual ser-em não indica conteúdo em continente, mas habitar, ser-parte, ser-junto. Ser-o-Aí, enquanto ser-em-o-mundo dá e recebe mundo à procura de abrigo, no esquecimento do ser que é, enquanto extensão da plenitude de ser. Na ilusão de falta, de carência, de necessidade, no equívoco de ex-sistência, se dá o modo de ser da ocupação (Besorgen). Tanto mais na ilusão da separação do ser, mais equivocada é esta ocupação.

A ocupação preenche o traço de união entre ser-em e o-mundo, na unidade do existencial ser-em-o-mundo. A necessidade que a ocupação se empenha em atender recebe seu revestimento cotidiano como “problema”. O problema, segundo Daniel Andler (1987, p. 122), é o que se joga adiante de si, como o tema que se submete à discussão, a questão que se coloca, a tarefa que se designa. O problema é “estória” que se conta a ocupação no seu afã cotidiano. Na ocupação o mundo é um problema a ser resolvido, ser transformado em abrigo para o do ser. Na projeção do problema sobre o mundo, este o reflete de volta, pela própria condição única de ser-em-o-mundo, do ser-o-Aí, onde entes-intramundanos vêm se oferecer como ser-diante-da-mão (Vorhandenheit) e ser-à-mão (Zuhandenheit).

Esse oferecimento de entes-intramundanos na abertura de ser-em-o-mundo se dá pela impulsão do primeiro modo de conhecimento, a techne. As possibilidades não-manifestadas pela physis (enquanto auto-eclosão), em sua originária identidade com ser, são retomadas pela techne, sob a ocupação equivocada como problemas a resolver através de entes-à-mão. A primeira “forma de atividade humana”, conforme enumerada por Aristóteles (Ética a Nicômaco VI 3; citação acima), é esta ocupação (Besorgen). Seu exercício é a pura expressão da “vontade de poder”. O perigo, alertado por Heidegger, vem da exuberância da técnica em vigor no problema e sua solução, em esquecimento e detrimento da necessária contemplação das demais “formas de atividades pelas quais a alma exprime a verdade”.

O modelo ou paradigma da techne, por excelência, é o que pode denominar-se o “modelo da alavanca”, composto de bastão e fulcro, empunhado por um ser humano, aplicado a uma pedra, sobre um solo, em um cenário, meio. Esta figura emblemática, representa por seus quatro componentes enquadrados no meio, a quatrinca que vige, cada um em si mesmo e em suas articulações entre si. Dagognet (ibid., p. 11) também reconhece a relevância exemplar deste modelo da alavanca como imagem da techne.

Apreciar os componentes da quatrinca do modelo da alavanca por si mesmos e em interação oferece a melhor metáfora do que é a techne. Tente visualizar a imagem de um ser humano empunhando um bastão aplicado a uma pedra, estando o bastão apoiado em um fulcro, sobre o solo. A primeira impressão é de propósito, de finalidade, de ação dirigida, da qual como que todos os demais componentes emergem, são, ao mesmo tempo que ganham sentido. O bastão como que estende a mão, e como “vara mágica” perfaz a doação de tudo mais em pleno sentido. O enquadramento da quatrinca que se dá, reflete o ser-em-o-mundo existencial do ser-o-Aí, que a técnica revela. Adiante, no capítulo II, todas as considerações que serão feitas sobre meio e seus qualificadores (técnico, científico, informacional) devem ter em mente esta imagem paradigmática da quatrinca no “modelo da alavanca” enquadrada em um meio, enquanto “em-o” do ser-em-o-mundo.

O modelo da alavanca, paradigma da técnica, recolhe em sua “quatrinca enquadrada em-o-mundo” a unidade do que é a técnica, a com-posição (Gestell). Esta unidade é muitas das vezes velada pelos componentes ou por seu enquadramento, sua contextualização, seu meio. Ainda assim permanece uma unidade, aquela mesma que ainda guarda o termo techne, entendido conforme o pensamento grego antigo. “A techne é o saber-fazer na ocupação, no manuseio, na produção, que pode se conformar em graus diversos […]; ela não é o próprio manuseio e o próprio fazer, mas um modo de conhecimento, precisamente o saber-fazer que guia a poiesis (produção poética)” (HEIDEGGER, 2012, p. 22).

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