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Psique e cérebro

PINKAS, Daniel. La matérialité de l’esprit: la conscience, le langage et la machine dans les théories contemporaines de l’esprit. Paris: Éd. la Découverte, 1995.

1. A tese classica da identidade psico-cerebral e uma solucao materialista direta para o problema mente-corpo, sustentando que cada tipo geral de estado ou evento mental e numericamente identico a um tipo geral de estado ou processo fisico no cerebro ou sistema nervoso central, sendo uma forma de materialismo redutivo comparavel a reducao da agua a H2O.

2. Embora os defensores da tese da identidade frequentemente argumentem que a dificuldade do dualismo cartesiano em explicar a interacao entre substancias fornece um argumento decisivo a seu favor, e reconhecido que um bom argumento contra o dualismo nao e necessariamente um bom argumento para a tese da identidade, a qual foi descrita por Dennett como um “monismo extravagante”.

3. Para dissipar o paradoxo da identidade, autores como Feigl recorrem a distincao fregueana entre sentido e referencia, argumentando que, embora os termos neurofisiologicos e fenomenais difiram em sentido e modos de confirmacao, eles podem ter referentes identicos, explicando como um enunciado de identidade pode ser verdadeiro e informativo.

4. E crucial salientar que a tese da identidade nao e considerada analitica por seus defensores, mas sim um fato empirico, sintetico e contingente, e a nao sinonímia das expressoes nao e um obstaculo para a identidade, desde que se conceba o “mental” como uma subcategoria do “fisico”.

5. A tese da identidade enfrenta uma dificuldade logica, pois para afirmar a identidade entre mente e cerebro, parece pressupor que existem, de um lado, estados mentais e, de outro, estados fisicos, e a natureza da relacao logica entre a tese da identidade e o materialismo nao e evidente, exigindo que os termos da identidade recebam caracterizacoes independentes para evitar o paradoxo.

6. Smart argumenta que a tese da identidade e uma hipotese cientifica quando oposta a teses como a psico-cardiaca, mas, quando oposta ao dualismo epifenomenalista ou paralelista, a questao deixa de ser estritamente empirica, sendo decidida por principios de parcimonia e simplicidade que favoreceriam a teoria da identidade.

7. A tese da identidade nao parece mais parcimoniosa que uma teoria “correlacionista”, pois cada identidade psico-fisica implica logicamente uma lei de correlacao, e a economia ontologica realizada pela tese da identidade em relacao a visoes paralelistas seria de natureza especulativa, embora a diferenca entre identidade e correlacao se manifeste nas questoes que cada uma legitima ou exclui.

8. Putnam argumenta que a constatacao de correlacoes numerosas e sistematicas levaria os cientistas a considerar impossivel estar em um estado mental sem estar no estado cerebral correspondente, e essa “impossibilidade de principio” poderia ser assimilada a uma impossibilidade conceitual, o que justificaria a passagem da correlacao para a identidade.

9. A estrategia de defender a tese da identidade por analogia com reducoes interteoricas bem-sucedidas, como a da luz a radiacao eletromagnetica, e promissora, mas enfrenta dois problemas: a possibilidade de “realizabilidade multipla” das propriedades mentais, que impede uma equivalencia fisicamente necessaria, e a persistencia de um “fosso explicativo” entre a experiencia subjetiva e as descricoes fisicalistas.

10. Os primeiros defensores da tese da identidade, como Place, Feigl e Smart, focaram em um “residuo intratavel” de conceitos mentais, como as sensacoes e imagens mentais, que consideravam refratarios a uma analise dispositional behaviorista, propondo identifica-los com processos cerebrais internos.

11. David Lewis e David Armstrong ampliaram o escopo da teoria ao adotar uma teoria causal da mente, argumentando que os estados mentais sao estados da pessoa aptos a produzir certos tipos de comportamento, e que as disposicoes devem ser entendidas como estados reais e causalmente eficazes, e nao como meras construcoes logicas.

12. A teoria causal da mente, conjugada com a tese da identidade, pode ser resumida na ideia de que o espirito e a causa do comportamento, e o sistema nervoso central, sendo a causa do comportamento, e o espirito, e a essencia do mental e relacional, definida pelo papel causal que um estado desempenha.

13. Armstrong e Lewis propoem um argumento dedutivo direto para a tese da identidade: o estado mental M e definido como o ocupante do papel causal R pelas “platitudes” da psicologia de senso comum; o estado neuronal N e identificado como o ocupante do papel causal R pela pesquisa neurocientifica; portanto, M e N sao identicos por transitividade.

14. Essa concepcao representa uma sintese entre o dualismo interacionista, que preserva a intuicao de que estados mentais causam comportamento, e o behaviorismo, que reune o dominio da causalidade, mas a teoria causal oferece vantagens sobre o behaviorismo: nao e ficcionalista, permite a interdicao de estados mentais e nao exige condicoes necessarias e suficientes em termos de estimulos e comportamentos.

15. A “objeccao de Black” a tese da identidade sustenta que, mesmo que eventos mentais sejam processos cerebrais, as propriedades dos estados mentais, acessadas por descricoes mentalistas distintas, permaneceriam como propriedades mentais, nao fisicas, colocando o defensor da tese diante de um dilema sobre a natureza dessas propriedades.

16. A objeccao de Black e frequentemente apresentada em termos da “lei de Leibniz”, argumentando que propriedades como a acessibilidade introspectiva, o conteudo qualitativo ou proposicional dos estados mentais nao sao atributiveis a estados fisicos, mas o defensor da tese da identidade pode contra-argumentar que isso envolve um “sofisma intencional”, pois os predicados intencionais nao designam propriedades reais intrinsecas.

17. A objeccao de Black e particularmente pertinente para as propriedades qualitativas ou fenomenais da experiencia consciente, onde a tentativa de argumentar pela imaterialidade com base naquilo que e “notado” na introspeccao e problematica, pois tende a identificar os estados mentais com a propria consciencia introspectiva, abolindo a falibilidade e nao resolvendo a questao inicial.

18. Rorty explica a dificuldade em dissipar a conviccão da imaterialidade das propriedades fenomenais como um erro de hipostasia, onde a dor fenomenal e abstraida da pessoa que a sente, a semelhanca do platonismo que autonomiza as Formas, e Armstrong sugere que a aparencia de imaterialidade e uma ilusão, comparavel a “Mulher sem Cabeca”, onde a ausência de percepção da materialidade e interpretada como presença de imaterialidade.

19. Para integrar a componente qualitativa e a introspeccao na visao materialista, Smart e Armstrong propoem um modelo de introspeccao como um processo de auto-inspeccao do cerebro, postulando um sistema de supervisao interna que produz crencas sobre os estados mentais de primeira ordem, uma ideia que, embora popular nas neurociencias, e criticada por wittgensteinianos como uma regressao ao estilo do “terceiro homem”.

20. A objeccao de Black tambem se manifesta no argumento de que os relatos causais dos estados mentais com propriedades fenomenais nunca “capturam” a qualidade em si, pois poderiam ser verdadeiros para um “zumbi” ou com qualidades “transpostas”, e a tentativa de resolver isso dizendo que a sensacao e a aparencia de um processo material relaga a questao para os proprios “atos de apreensao”.

21. Isso leva a uma potencial regressao ao infinito, onde cada estado cerebral que explica a aparencia de outro exige um novo estado para explicar sua propria apreensao, sugerindo que a consciencia de um estado mental so pode ser explicada por um estado de ordem superior que nao e ele mesmo consciente, ou seja, que e “transparente”, uma opcao atrativa para o materialista.

22. A estrategia dos “meta-estados” para explicar a consciencia responde a objeccao de Black ao postular uma hierarquia finita de estados de ordem superior que podem ser identificados com processos cerebrais, sem exemplificar propriedades conscientes adicionais, mas permanece muda sobre as propriedades intencionais, que sao pressupostas nos proprios estados de ordem superior.

23. As propriedades intencionais, como ter um conteudo proposicional, individualizam estados mentais como crencas, e a tese da identidade exigiria que os estados cerebrais tambem fossem portadores de conteudo, embora seja raro hoje em dia considerar tais propriedades como “irredutivelmente nao fisicas” no sentido de embaraçar o materialista.

24. Rorty argumenta que a associacao do intencional ao imaterial surge apenas quando se adota a visao lockeana de que a significacao deriva de “ideias” imediatamente conscientes, e que o fenomenal so e visto como imaterial pela hipostasia de universais, mas reconhece-se a dificuldade de conceber um relato redutivo materialista da intencionalidade e das atitudes proposicionais.

25. A tese da identidade enfrenta a objeccao externalista, como a experiencia de pensamento de Putnam sobre a “agua” em outra planeta, que mostra que estados mentais intencionais podem variar mesmo com propriedades internas identicas, pois o conteudo depende de relacoes com o mundo externo, o que contradiz a ideia internalista de que o mental esta “na cabeca”.

26. O externalismo implica que a tese da identidade e falsa, pois os estados mentais sao individualizados por relacoes extrinsecas, e nao se limitam ao que esta dentro do cranio, e isso exclui o espirito da ordem das substancias, pois uma substancia e definida por autonomia ontologica e demarcacao espacial, e o externalismo torna o espirito nao substancial.

27. Uma objeccao mais radical, formulada por Malcolm, argumenta que a disparidade entre o discurso de estados intencionais e o discurso da causalidade fisica e grande demais para a identidade, e o exemplo da intencao mostra um “link logico” entre a intencao e a acao, que exclui a relacao causal contingente postulada pela teoria causal da mente.

28. Malcolm sustenta que a intencao e individualizada exclusivamente por seu objeto (o que se pretende fazer), e se um estado neuronal, identificado como a intencao, pudesse causar um comportamento diferente, isso implicaria que a intencao poderia ter um objeto diferente, o que e absurdo, pois a identidade da intencao depende do seu conteudo, nao de uma natureza intrinseca.

29. Para superar a objeccao de Black, Smart e Armstrong tentaram mostrar que os predicados mentais sao sinonimos de predicados “neutros” quanto a natureza do objeto (topic-neutral), que nao conotam imaterialidade e sao compativeis com o materialismo, como a analise de Smart para relatos de sensacao, que os reduz a enunciados sobre semelhancas entre eventos.

30. As analises neutras de Smart sao problematicas, pois o predicado “neutro” que evoca semelhanca nao especificada e aplicavel a qualquer coisa, e para ser util, precisaria especificar os aspectos de semelhanca, o que reintroduziria as proprieties fenomenais que se queria evitar, revelando uma tensao entre um projeto de reducao semantica e um de reducao teorica.

31. A analise neutra de Armstrong, que recorre a relacoes causais em vez de meras semelhancas, e preferivel, mas ainda enfrenta a dificuldade de que analises neutras so podem fornecer uma coextensividade aproximada, e para vencer a objeccao de Black, precisariam “fazer justica aos fenomenos”, o que parece exigir mais do que elas podem oferecer.

32. O defensor da tese da identidade tambem enfrenta a acusacao de “erro de categoria”, de que os enunciados de identidade psico-fisica sao ininteligiveis, mas ele contra-argumenta que a distincao entre identidade de significado e identidade de fato deveria ser suficiente para rejeitar essa objeccao, e que a nao sinonímia dos termos nao e um obstaculo para a identidade, como mostram as identidades interteoricas.

33. Putnam argumenta que o carater sintetico de um enunciado de identidade nao implica que as propriedades sejam diferentes, e a objeccao de “erro de categoria” so tem forca se se assimilar propriedades a significados e se adotar uma concepcao criteriológica da distincao analitico-sintetico, o que e um erro conceitual.

34. Ryle critica a tese da identidade por sua busca de parcimonia, argumentando que ela usa termos neutros como “entidade” para preencher a identidade, mas que a pergunta “um so o que?” ou “dois o que?” permanece, e a analogia planetaria nao elucida a identidade entre uma emocao e um estado cerebral, que sao de categorias diferentes.

35. Malcolm, usando o conceito wittgensteiniano de “duracao autentica”, argumenta que estados mentais como intencoes e capacidades nao tem duracao autentica, enquanto estados cerebrais, por serem observaveis e mensuraveis, a tem, portanto, intencoes e capacidades nao podem ser estados cerebrais, tornando a tese da identidade ininteligivel.

36. Armstrong responde que Malcolm tem uma concepcao “magica” da causalidade e propoe identificar a capacidade ou intencao com os estados cerebrais que as causam, mas Malcolm contra-argumenta que a duracao autentica so pode ser atribuida a algo sobre o qual a atencao pode se fixar, e uma intencao nao tem outro conteudo senao seu objeto, nada a observar.

37. Kenny sugere que a perplexidade pode ser dissipada distinguindo-se o “veiculo” de uma capacidade (o ingrediente fisico) da propria capacidade e de seu exercicio, e, portanto, o cerebro pode ser o veiculo de uma capacidade mental sem ser identico a ela, uma distincao que mostra que a tese da identidade e uma hipostasia de capacidades e atributos.

38. A tese da identidade classica, que exige identidades gerais entre tipos mentais e tipos neurofisiologicos, enfrenta a objeccao da “realizabilidade multipla”, que argumenta que sistemas fisicamente diferentes podem manifestar a mesma propriedade mental, tornando a identidade entre tipos uma forma de “chauvinismo” que exclui a priori outros organismos ou artefatos.

39. A teoria causal da mente, ao conceber os papeis causais de forma abstrata, leva naturalmente a uma assimilacao dos tipos mentais a especies relacionais ou funcionais, individualizadas por seus papeis causais e nao por sua estrutura material, o que implica que as propriedades mentais tem uma “realizabilidade multipla” e nao podem ser reduzidas a um unico tipo fisico.

40. Observacoes empiricas sobre a equipotencialidade neurologica e a convergencia darwiniana, bem como a possibilidade conceitual de mentes em sistemas nao biologicos, sugerem que a tese da identidade dos tipos e demasiado restritiva e que a psicologia pode ser homologa em organismos com fisiologias diferentes, fornecendo contraexemplos as correlacoes psico-fisicas exigidas.

41. Para responder a objeccao da realizabilidade multipla, o defensor da tese da identidade poderia relativizar as identidades a uma especie ou individuo, mas isso desnaturaria o projeto redutivo, e a sugestao de uma correspondencia com uma disjuncao de tipos fisicos sem carater nomologico equivaleria a abandonar a reducao, contentando-se com enumeracoes brutas.

42. O ceticismo em relacao ao reducionismo da tese da identidade dos tipos baseia-se em consideracoes sobre a pluralidade das ciencias, onde Fodor argumenta que as “ciencias especiais” possuem generalizacoes com clausulas ceteris paribus que nao se reduzem a leis da fisica, pois os predicados relevantes nao se alinham com os da ciencia redutora.

43. O paradoxo do reducionismo e que, se fosse verdadeiro, as ciencias especiais desapareceriam com seu sucesso, mas a existencia de um vasto agregado de disciplinas cientificas interligadas, como a economia, que progressam sem se preocupar com a reducao a fisica, sugere que a irredutibilidade e uma caracteristica da realidade, e nao um problema epistemologico.

44. Fodor exemplifica com o predicado “estar num raio de 25 km da Torre Eiffel”, que e aplicavel a objetos fisicos, mas e acidental do ponto de vista da fisica, mostrando que a verdade do materialismo (cada evento mental e fisico) nao implica que cada predicado psicologico tenha um correspondente relevante para a explicacao neurobiologica.

45. A posicao de Fodor pode ser vista como um “pessimismo mecanicista”, mas seus criticos argumentam que a historia da ciencia mostra irredutibilidades aparentes que se dissipam com novas descobertas, e que o papel de uma boa teoria e dissipar a aparencia de emergencia, embora o otimismo mecanicista nao deva ignorar as dificuldades apontadas.

46. Putnam argumenta, com base na intransitividade das explicacoes, que o fato de o comportamento de um sistema poder ser deduzido de sua descricao em termos de particulas elementares nao significa que possa ser explicado por ela, pois as explicacoes devem ressaltar os aspectos relevantes, e a relacao “X explica Y” nao e transitiva.

47. A intransitividade implica que aancoragem de um sistema em uma organizacao material nao e incompativel com a autonomia de seu comportamento em relacao aos detalhes de sua microestrutura, e para deduzir leis de nivel superior, sao necessarias “hipoteses auxiliares” que, na pratica, tornam a descricao psicologica independente da fisiologica.

48. Davidson argumenta que a relacao entre o mental e o fisico e de irremediavel discordancia, devido ao carater holistico e anomico do mental, pois a atribuicao de estados mentais exige interpretacoes do comportamento submetidas a normas de racionalidade e coerencia, enquanto a atribuicao de estados fisicos se baseia em observacoes empiricas independentes.

49. Davidson sustenta que nao pode haver leis estritas entre o mental e o fisico, pois as generalizacoes da psicologia pratica sao “heteronomicas” e sua validade e delimitada por clausulas ceteris paribus que nao podem ser satisfeitas a priori, e o dominio do mental e holistico, onde a atribuicao de um estado mental depende de um fundo de outros estados e de normas de racionalidade.

50. A tese da indeterminacao da traducao de Quine, estendida ao dominio da atribuicao de estados mentais, implica que nao ha um fato objetivo que determine univocamente as crencas de alguem, e isso priva o “jogo” da atribuicao mental do genero de objetividade necessario para a construcao de teorias nomologicas, tornando o projeto de ligar o mental ao fisico via leis improvavel.

51. Davidson conclui com um “monismo anormal”, que combina a tese da irredutibilidade do esquema de atribuicao psicologica em relacao ao esquema de atribuicao fisica com a tese da unidade ontologica do mundo, rejeitando a tese da identidade dos tipos, mas afirmando a tese da identidade das ocorrencias, onde cada ocorrencia mental particular e identica a uma ocorrencia cerebral particular.

52. O monismo anormal argumenta que certos eventos mentais causam eventos comportamentais, e como todo evento comportamental e causado por um evento fisico, alguns eventos mentais sao eventos fisicos, e a relacao causal e extensionale, independente da descricao, mas nao ha leis causais estritas entre as descricoes mental e fisica, apenas uma lei causal subjacente que une os eventos sob descricao fisica.

53. As posicoes antirredutivistas podem levar a diferentes conclusoes: algumas sao compativeis com o funcionalismo, outras, como a de Putnam e o monismo anormal de Davidson, sao mais radicais, e a irredutibilidade das atribuicoes mentais e interpretada por alguns, como os eliminativistas, como um sintoma de que as categorias da psicologia de senso comum carecem de “integridade empirica”.

54. A perspectiva eliminativista sustenta que a irredutibilidade do mental nao e analoga a dificil reducao da genetica mendeliana, mas sim a impossibilidade de explicar conceitos obsoletos como os “espiritos vitais” em termos modernos, e se o carater holistico dos criterios de atribuicao mental leva a irredutibilidade, isso se da por dissipacao do proprio objeto a ser reduzido.

55. Dennett ilustra o problema com a sociedade que fala de “fadigas”, mostrando que a pergunta sobre o que as fadigas sao pode nao ter resposta, pois o termo pode ser nao referencial, e a existencia de explanacoes para os fenomenos vocais sem referir “vozes” sugere que alguns termos do senso comum podem ser abandonados na psicologia “madura”.

56. A posicao de Dennett e Davidson define um realismo “moderado” que compara o status ontologico de estados mentais como crencas ao de “centros de gravidade”, que sao objetos abstratos, nao pura ficcao, mas tambem nao definiveis independentemente de sua relacao com um objeto fisico, sugerindo que a irredutibilidade nao implica eliminacao, pois o “modo intencional” e um dado em nosso esquema conceitual e captura padroes reais.

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