Invenção do homem
STIEGLER, Bernard. La technique et le temps. La faute d’Épiméthée. Paris: Galilée, 1994.
** 1. A différance do homem **
1. A expressão “invenção do homem” desdobra-se ambiguamente entre quem inventa e o que é inventado, ambiguidade a ser explorada através da passagem do Zinjantropo ao Neantropo, frayage que se efetua tanto na corticalização quanto na pedra lascada.
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Essa evolução lítica é lenta demais para supor o homem como inventor no sentido de sujeito criador, sugerindo antes que ele seja o inventado; a emergência desse ser produtor inscreve-se num processo de evolução neurológica que, todavia, já não é mais estritamente zoológico.
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Além do Neantropo, prossegue-se como pura evolução tecnológica, estabilizada a organização genética do córtex, o que levanta a questão de um conceito de “epifilogênese” e da fundamentação tecnológica de toda relação com o tempo.
2. Interrogar o nascimento do homem é interrogar o nascimento da morte, questão a ser pensada fora de todo antropologismo, inclusive levando a sério a hipótese de que “talvez já não sejamos mais homens”.
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A leitura de Leroi-Gourhan permite dialogar com o conceito derridiano de différance como história da vida, cujo caso singular, mas apenas um caso, é o homem, inquietando-se radicalmente a fronteira entre animalidade e humanidade.
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Privilegiar a escrita alfabética é privilegiar o homem: o fonologocentrismo é sempre um antropologocentrismo, mas a gramatologia questiona essa unidade forjando o conceito de programa a partir da paleoantropologia de Leroi-Gourhan.
3. O gramma estrutura todos os níveis do vivente, desde a inscrição genética até a escrita alfabética, a partir do processo de “liberação da memória” descrito por Leroi-Gourhan como exteriorização sempre já iniciada da marca.
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A história do gramma é também a da técnica: a invenção do homem é a técnica, tanto como objeto quanto como sujeito, hipótese que arruína o pensamento tradicional da técnica de Platão a Heidegger.
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A différance é a história da vida em geral na qual se produz uma articulação, etapa da différance de onde emerge a possibilidade de fazer aparecer o gramma como tal, isto é, a “consciência”, articulação a ser especificada entre Zinjantropo e Neantropo.
4. A passagem do genético ao não genético é o aparecimento de um novo tipo de gramma e/ou programa, colocando a impensável questão de um passado absoluto, de um presente inconcebível que só pode ser um abismo infinito (Ricœur).
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Différance significa ao mesmo tempo diferenciação e diferimento (temporização), espacialização do tempo e temporalização do espaço, valendo desde já para a vida em geral.
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Há indecisão sobre a différance: história da vida em geral, mas dando-se apenas a partir da ruptura, sendo a questão da diferança a própria morte, a cultura como natureza diferida-diferante.
5. O já-aí heideggeriano, esse passado nunca vivido e no entanto meu, supõe que a camada epigenética da vida, longe de perder-se com o vivente que perece, se conserva e sedimenta, legando-se como epifilogênese.
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A epifilogênese, ruptura com a vida pura na qual a epigênese não se conserva, confere identidade ao indivíduo humano, sendo o que Heidegger chamava o historial, mas cuja transmissão é de essência absolutamente técnica.
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A ambiguidade da invenção do homem, o que mantém unidos o quem e o quê, é a própria différance, nem quem nem quê, mas sua co-possibilidade, seu movimento de vinda mútua.
6. A hominização é, para Leroi-Gourhan, ruptura no movimento de libertação característico da vida, tal que é a ferramenta, a tekhnè, que inventa o homem, e não o homem que inventa a técnica.
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O interior e o exterior constituem-se num mesmo movimento que os inventa simultaneamente, produzindo a ilusão de sucessão cuja origem remonta ao esquecimento originário, a epimétheia como atraso, a falta de Epimeteu, sentido apenas na melancolia de Prometeu.
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Leroi-Gourhan tenta resolver esse paradoxo postulando que a técnica do Zinjantropo ainda é quase-zoológica, o que abre um período intermediário até o Neantropo em que se trama um acoplamento córtex/sílex, primeira memória refletora.
** 2. Tudo começa pelos pés **
7. Leroi-Gourhan questiona a partição entre empírico e transcendental de Rousseau, mas encontrará por sua vez o esquema de uma segunda origem inexplicável, senão providencial.
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A ideia rousseauísta de um homem originário já conformado, andando de dois pés, mãos vazias, é uma “teoria cerebralista” ignorando o devir; Leroi-Gourhan demonstrará o contrário estabelecendo o vínculo essencial entre esqueleto ereto, técnica, linguagem e sociedade.
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O homem não é milagre espiritual acrescido a um corpo já dado: o corpo humano, mesmo o mais arcaico, é funcionalmente distinto do primata, sendo outro ramo na árvore evolutiva, cuja raiz psíquica está numa organização fisiológica específica.
8. A descoberta do Zinjantropo em 1959, acompanhado de suas ferramentas, obriga a rever a noção de homem: ele não começou pelo cérebro, mas pelos pés, sendo o desenvolvimento cerebral em certo sentido secundário.
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A postura ereta determina novo sistema de relações no campo anterior: a libertação da mão de suas funções motrizes é também a libertação da face de suas funções de preensão, chamando a mão as ferramentas e a face a linguagem.
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Ferramenta para a mão e linguagem para a face são dois polos de um mesmo dispositivo, determinado por organização cerebral específica cuja peculiaridade reside num acoplamento único com o exterior como vetor epifilogenético.
** 3. Avanço e atraso **
9. Ao inscrever a hominização na longuíssima história do vivente animal, Leroi-Gourhan mostra como todos os elementos se instalam muito antigamente para a emergência de um sistema geral único: o homem como tecnologia “exsudada” pelo esqueleto.
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A evolução zoológica geral compreende-se a partir do conceito de “libertação”, sendo a conquista da mobilidade, mais que a inteligência, o traço mais significativo da evolução humana, pois o cérebro beneficiou-se dos progressos da adaptação locomotora em vez de os provocar.
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Seis grandes etapas da evolução dos vertebrados marcam esse processo de libertação, ocorrendo o preenchimento nervoso sempre depois do da máquina corporal, havendo avanço do esqueleto sobre o sistema nervoso comparável ao avanço da técnica sobre a sociedade.
** 4. Esqueleto, ferramental e cérebro **
10. O aparecimento da ferramenta, cumprindo a indeterminação especificada a partir do homem como processo de exteriorização, relaciona-se a organização particular das áreas corticais, havendo elo direto entre não-especialização e desenvolvimento cortical.
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Distinguem-se três estágios de humanidade arcaica — Australantropo, Arcantropo e Neantropo — durante os quais se abre o leque cortical, sendo os Australantropos já homens, “homens de caixa cerebral desafiando a humanidade”, preparados para tudo exceto ter começado pelos pés.
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Há contiguidade dos territórios da face e da mão na área quatro, articulação atestada pela experiência neurocirúrgica, permitindo a Derrida extrair conclusões gramatológicas quanto à arqui-marca (architrace) mais antiga que essa especificação.
** 5. “Consciência técnica” e antecipação **
11. A análise dos calhaus lascados da pebble culture do Zinjantropo sustenta a hipótese de uma “consciência técnica”, entendida como antecipação sem tomada de consciência criadora, ainda determinada pelas características neurológicas do fabricante.
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A protótese não vem suprir algo que teria estado ali antes e se perdido: ela se acrescenta, designando ao mesmo tempo posição diante (espacialização) e posição antecipada, já-aí (temporalização), constituindo o corpo humano em vez de ser seu simples prolongamento.
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O exterior e o interior compõem-se num complexo originário onde nenhum dos dois precede o outro, complexo que chamaremos de “complexo de Epimeteu”, correspondendo talvez a uma relação transdutiva no sentido de Simondon.
12. Há dois níveis de antecipação a distinguir — a antecipação sem a qual nenhuma ferramenta poderia ser fabricada, e a antecipação tal que a fabricação evolui e se diferencia — sendo o problema da técnica, em última análise, o problema do tempo.
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A mortalidade só pode ser rigorosamente falada quando há exteriorização e prótese, mas deve rigorosamente ser falada assim que há exteriorização e prótese, ligando-se à emergência da mortalidade enraizada no instinto de conservação.
** 6. A dupla origem da diferenciação técnica **
13. Leroi-Gourhan opõe posteriormente diferenciação específica (genética) e diferenciação étnica (técnico-sócio-cultural), mas seu uso aproximado da palavra “específico” para os Arcantropos contradiz essa distinção e reintroduz uma oposição entre espiritual e técnico-material.
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Se a memória do grupo é “externa” desde que é humana, ela já não é mais específica desde que é tecnológica, devendo a diferenciação étnica ser, em princípio, originária, ainda que nenhum traço dela possa ser encontrado.
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A oposição entre inteligência técnica e não técnica conduz Leroi-Gourhan a supor que antes do Homo sapiens o homem só dispõe de inteligência técnica, ligada a um limiar do desdobramento cortical — postura que redá ao cérebro o papel determinante antes criticado.
** 7. A maiêutica instrumental **
14. A exteriorização significa que a memória genética e sua transformação não coincidem com a memória do estereótipo e sua transformação, guardando-se esta última na própria marca material do estereótipo que guia mais do que é guiado.
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O córtex arcaico e o ferramental se codeterminam num acoplamento estrutural particular, processo “inconsciente” análogo, mas apenas análogo, a um processo zoológico, ao qual a inteligência individual “certamente desempenha algum papel”.
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A estrutura epifilogenética torna possível o já-aí e sua apropriação: o sílex, objeto do trabalho e do projeto, é também o que guardará memória dessa experiência, sendo o tempo o processo de modificação do estereótipo industrial.
** 8. Ainda a segunda origem **
15. O crânio neandertaliense representa expansão das capacidades de antecipação, medida por Leroi-Gourhan em centímetros de gume obtidos por quilo de sílex, particularmente sensível no estereótipo levalloiso-mousteriense.
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Leroi-Gourhan introduz a tese de uma “inteligência não estritamente técnica” e de uma consciência que já não é a “consciência técnica”, sem explicar de onde ela emerge, reintroduzindo com isso uma segunda origem enigmática.
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A oposição faber/sapiens é contraditada pelo papel depois concedido à escrita, técnica, na constituição do pensamento, e a falha dessa lógica é da mesma natureza daquela que Leroi-Gourhan descobre em Rousseau: nada se acrescenta ao físico que já não estivesse ali antes.
16. A intelectualidade refletida não se acrescenta à inteligência técnica: ela já era seu fundo, prosseguindo sob novas configurações protéticas, sendo o “seu” o próprio limiar da exteriorização, e não ruptura com a natureza.
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As marcas arqueológicas mais antigas de caráter estético-religioso, ligadas à reação diante da morte, são atribuídas por Leroi-Gourhan a um estado de desenvolvimento cortical que abriria “um mundo novo”, o da linguagem já é o nosso.
** 9. A linguagem da quase-humanidade **
17. Os Pré-hominíneos (Homo faber) não teriam sentimento da morte, mas já falariam, sem acesso ao simbolismo, constatação estranha já que não existe linguagem que não seja já simbólica, como o próprio Leroi-Gourhan reconhecerá.
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“O homem fabrica ferramentas concretas e símbolos”, ambos recorrendo ao mesmo equipamento cerebral fundamental, afirmação cuja portentosa consequência é logo restringida pela ideia de um “símbolo técnico” ligado apenas a situações concretas.
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Todo signo não sinal é símbolo designando uma generalidade, sendo “linguagem concreta” um conceito contraditório, incompatível com a hipótese de dois estágios da linguagem arcaica ligada apenas com os Neandertalenses à exteriorização de símbolos não concretos.
18. A relação entre técnica e linguagem é estabelecida pelo conceito de cadeia operatória, sintaxe operatória proposta pela memória, permitindo fundar a hipótese de uma linguagem cuja complexidade acompanha a das técnicas desde a pebble culture até o Acheuleano.
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A contradição entre símbolos “disponíveis e não totalmente determinados” e ligados à expressão de situações concretas é insustentável: a expressão já é a possibilidade de generalização, e todo símbolo é sempre já símbolo “intelectual”.
** 10. Memórias da ruptura **
19. É preciso compreender a ruptura constitutiva da exteriorização como emergência de nova organização da memória, correspondendo a cada corpo de tradições uma forma particular de memória, seja específica (espécie animal) seja étnica (grupamento humano).
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A questão de memórias combina-se com a de modos de programação, distinguindo-se três camadas — nível específico, sócio-étnico e individual — que juntas formam o fundo mnemônico do “comportamento técnico do homem”.
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A ruptura do vínculo entre espécie e memória aparece como a única solução, exclusivamente humana, conduzindo a uma evolução rápida e contínua, deslocando o processo de diferenciação do nível da espécie para o do indivíduo.
** 11. A indiferença idiomática **
20. A temporalidade do homem supõe a exteriorização, a prototeticidade: só há tempo porque a memória é “artificial”, constituindo-se como já-aí desde sua “colocação fora da espécie”.
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Há antecipação desde o Zinjantropo, ainda que em condições cerebrais que nos permanecem estranhas, supondo já a exteriorização da memória e a simbolização generalizante, contrariamente à tese de que a sociedade só se constitui ao final da corticalização.
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Não há “segunda origem”, não há origem alguma: tudo está ali de uma só vez, diferenciando-se ao mesmo tempo o ferramental, o córtex, o grupo e os territórios, sendo o cérebro apenas uma das instâncias, não a causa, desse processo total.
** 12. Já-aí, différance, epifilogênese **
21. A ruptura é a passagem de uma différance genética a uma différance não genética, uma “physis diferida”, cujo vetor, na aurora da hominização, é o sílex, sendo a corticalização reflexão dessa conservação da experiência.
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As aporias da antecipação constituem o próprio paradoxo da exteriorização, um atraso que é também um avanço, estrutura de um a posteriori em que não se sabe se é o córtex que torna possível o sílex ou o inverso.
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Formula-se a hipótese de um processo de seleção genética inteiramente novo, no qual a evolução dos sílex lascados determina, em retorno, o processo de corticalização, distinguindo-se então três memórias — genética, epigenética e epifilogenética.
** 13. O quem e o quê **
22. A relação genético/epigenético é dimensão da différance como história da vida, mas Leroi-Gourhan, ao instituir a oposição faber/sapiens, recai na metafísica da oposição entre dentro e fora, antes e depois, homem animal e homem espiritual.
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A maiêutica instrumental permite compreender como o ferramental não decorre de consciência criadora presente a si, mas prossegue um processo anterior à ruptura que, no entanto, constitui verdadeira ruptura, uma différance da différance.
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As questões suscitadas pela dinâmica técnica desde o domínio paleoantropológico repercutem diretamente sobre a analítica existencial, sugerindo, ao contrário da oposição heideggeriana entre tempo do cálculo e tempo autêntico, uma analítica existencial da prototeticidade como já-aí essencial do Dasein (Dasein).
