Comunicação
WIENER, Norbert. Cibernética e Sociedade. São Paulo: Cultrix, 1968.
** Comunicação, segredo e política social **
1. O mundo contemporâneo dos negócios apresenta uma contradição entre o desenvolvimento sem precedentes das redes nacionais e internacionais de comunicação e uma crescente cultura política do segredo, impulsionada nos Estados Unidos pelo macarthismo, pela classificação indiscriminada de informações militares e pelos ataques ao Departamento de Estado, aproximando o clima institucional daquele da Veneza renascentista.
2. A obsessão veneziana pela preservação dos segredos nacionais chegou ao extremo de ordenar clandestinamente o assassinato de artesãos emigrados para conservar monopólios técnicos, antecipando em escala reduzida a competição moderna de espionagem, segredo e contraposição entre potências como Estados Unidos e Rússia.
3. A expansão contemporânea da ciência e a constituição do estudo das comunicações como disciplina autônoma tornam possível examinar informação e segredo com maior objetividade do que na época de Maquiavel, investigando cientificamente as funções sociais da comunicação e de sua restrição.
4. No ambiente norte-americano, predomina um critério econômico segundo o qual a informação tende a ser avaliada como mercadoria, isto é, segundo aquilo que pode render no mercado livre, transformando essa concepção em uma ortodoxia social cada vez mais difícil de contestar.
5. A avaliação mercantil da informação não constitui um fundamento universal dos valores humanos, pois difere tanto da concepção cristã orientada para a salvação da alma quanto da concepção marxista que julga uma sociedade segundo a realização de determinados ideais de bem-estar humano, embora no contexto norte-americano a informação tenda efetivamente a converter-se em objeto de compra e venda.
6. Independentemente de qualquer julgamento moral sobre a atitude mercantil diante da informação, sua adoção conduz a uma compreensão inadequada da própria natureza informacional e das instituições que dela dependem, problema particularmente evidente no regime jurídico das patentes.
7. As patentes concedem ao inventor um monopólio temporário sobre sua invenção e pressupõem determinada filosofia da propriedade intelectual, adequada à época em que invenções eram produzidas artesanalmente por indivíduos habilidosos, mas cada vez menos correspondente às condições contemporâneas da inovação científica e tecnológica.
8. A concepção tradicional do direito de patentes pressupõe que o inventor artesanal ultrapassa uma técnica existente mediante engenhosidade mecânica e produz uma nova combinação material, distinguindo juridicamente essa atividade da descoberta científica de leis naturais, sobre as quais não se reconhecem direitos de propriedade.
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A engenhosidade inventiva estaria incorporada em determinado dispositivo ou combinação técnica.
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A descoberta científica revelaria propriedades ou leis já existentes na natureza.
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A distinção jurídica tornou-se historicamente plausível porque artesãos inventores e cientistas pertenciam originalmente a tradições profissionais e ambientes intelectuais bastante distintos.
9. A oposição apresentada por Dickens entre Daniel Doyce e a Mudfog Association expressa a diferença histórica entre o inventor artesanal, prático e diretamente confrontado com a realidade material, e o cientista acadêmico então caricaturado como especulador abstrato e socialmente inútil.
10. O moderno laboratório industrial de pesquisa reúne justamente as características que antes pareciam opostas, conservando o sentido prático atribuído a Doyce enquanto descende intelectualmente da tradição científica representada pela antiga Associação Britânica para o Avanço da Ciência.
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A continuidade histórica da pesquisa científica pode ser traçada desde Faraday até os modernos Laboratórios Bell.
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Entre esses extremos situam-se contribuições fundamentais de Maxwell, Heaviside, Campbell e Shannon.
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A pesquisa industrial moderna resulta, assim, da incorporação sistemática da ciência teórica à atividade técnica.
11. Nos primórdios da invenção moderna, a distância entre o conhecimento científico e as competências do artesão era considerável, pois a tecnologia mecânica permanecia relativamente rudimentar e os materiais industriais ainda eram produzidos mediante técnicas artesanais.
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A precisão mecânica podia ser medida por tolerâncias muito amplas em comparação com os padrões industriais posteriores.
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O aço permanecia associado sobretudo à fabricação artesanal de armas e armaduras, enquanto o ferro continha numerosas impurezas decorrentes de seus métodos de produção.
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Nessas condições, o inventor prático representado por Doyce parecia politicamente mais relevante do que as associações científicas ridicularizadas como especulativas.
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A burocracia tradicional podia desprezar o inventor industrial emergente, mas também reconhecia implicitamente que ele representava uma força econômica capaz de substituir a velha ordem social.
12. Edison representa nos Estados Unidos a transição entre o inventor artesanal e a ciência organizada, pois, embora cultivasse a imagem do inventor prático, incorporou cientistas à sua atividade e criou o laboratório de pesquisa industrial como instrumento sistemático de transformação da invenção em empreendimento econômico.
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A General Electric, a Westinghouse e os Laboratórios Bell ampliaram posteriormente esse modelo.
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Os cientistas passaram a ser empregados às centenas em grandes organizações industriais.
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A invenção deixou progressivamente de significar uma descoberta individual engenhosa e passou a resultar da pesquisa paciente e sistemática realizada por equipes especializadas.
13. A invenção moderna perde sua adequação ao modelo de mercadoria porque uma verdadeira mercadoria deve conservar razoavelmente seu valor durante as transferências e permitir que suas unidades sejam somadas quantitativamente, como acontece com a energia elétrica, a matéria e padrões monetários baseados em materiais estáveis como o ouro.
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Uma quantidade de energia elétrica permanece aproximadamente equivalente entre os extremos de uma linha de transmissão, descontadas pequenas perdas.
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Essa propriedade permite atribuir-lhe preços relativamente definidos por unidades quantitativas, como o quilowatt-hora.
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A conservação da matéria oferece condição semelhante para sua mensuração econômica.
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A estabilidade física do ouro explica sua utilização histórica como padrão de valor.
14. A informação não apresenta as propriedades de conservação características das mercadorias materiais, pois sua quantidade relaciona-se inversamente à entropia: enquanto a entropia tende espontaneamente a aumentar em sistemas fechados, a informação tende a diminuir, correspondendo respectivamente a medidas de desordem e de ordem e não podendo ser tratadas como grandezas economicamente conserváveis.
15. A diferença entre valor material e valor informacional pode ser observada em uma joia de ouro, cujo preço combina o valor relativamente estável do metal e o valor instável da forma, do trabalho e da apreciação cultural.
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Quando a joia é revendida, seu valor mínimo e relativamente seguro corresponde ao ouro que contém.
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O valor de sua forma depende de fatores como estilo, qualidade artística, importância histórica, poder de negociação e interesse dos compradores.
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Mercados de selos, livros raros, vidros antigos e móveis de época dependem fortemente da existência contingente de grupos de colecionadores dispostos a competir pelos mesmos objetos.
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Uma crise econômica pode reduzir drasticamente esses mercados simplesmente pela diminuição do número de compradores concorrentes.
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Mudanças de gosto podem igualmente destruir ou restaurar valores econômicos sem qualquer alteração material nos objetos.
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Mesmo os preços elevados das grandes obras artísticas podem refletir não somente apreciação estética, mas também o desejo social de demonstrar riqueza e reputação cultural.
16. A obra de arte revela os limites da concepção mercantil da informação porque sua posse material não é condição necessária nem suficiente para usufruir aquilo que ela comunica, havendo formas artísticas essencialmente públicas cuja apropriação privada permanece estruturalmente limitada.
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Uma grande pintura mural não pode circular comercialmente com facilidade, pois permanece vinculada ao edifício em que foi realizada.
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Seu proprietário precisa compartilhar sua contemplação pelo menos com aqueles que frequentam o local e, muitas vezes, com um público muito mais amplo.
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Diferentemente de pequenos objetos colecionáveis, essas obras não podem normalmente ser escondidas e reservadas à contemplação exclusiva do proprietário.
17. A propriedade artística torna-se ainda mais problemática quando se considera a reprodução, pois, embora a experiência direta do original possa oferecer uma apreciação estética superior, reproduções de boa qualidade conseguem transmitir parcela substancial do conteúdo artístico e possibilitar ampla formação cultural sem contato direto com os originais.
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Uma pessoa pode adquirir extensa cultura visual conhecendo grandes obras principalmente por reproduções.
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Na música, a presença física durante uma execução pode proporcionar uma experiência privilegiada, mas gravações de alta qualidade também constituem instrumento essencial de compreensão.
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Torna-se difícil determinar de maneira absoluta qual dessas formas de experiência possui maior importância cultural.
18. Embora a legislação de direitos autorais proteja determinados direitos de reprodução, a propriedade intelectual não consegue monopolizar plenamente a originalidade artística, pois procedimentos inovadores podem tornar-se rapidamente parte do patrimônio técnico comum, como ocorreu com a perspectiva geométrica desenvolvida no Renascimento.
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A perspectiva constituiu inicialmente uma inovação de grande força expressiva.
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Dürer, Leonardo da Vinci e outros artistas renascentistas exploraram intensamente suas possibilidades.
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Depois de assimilado coletivamente, o procedimento perdeu grande parte de sua novidade informacional.
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Uma técnica outrora revolucionária tornou-se disponível até mesmo para produções gráficas rotineiras e comercialmente convencionais.
19. O valor informacional de uma obra artística ou literária depende de sua relação com aquilo que o público já conhece, pois somente a informação relativamente independente possui caráter aproximadamente aditivo, enquanto a criação derivativa depende estruturalmente de modelos anteriores.
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Obras convencionais de literatura popular podem respeitar juridicamente os direitos autorais enquanto apenas reproduzem fórmulas narrativas amplamente estabelecidas.
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O sucesso de determinado filme pode gerar numerosas imitações inferiores que exploram sucessivamente o mesmo interesse emocional do público sem infringir literalmente a legislação.
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Ideias matemáticas e teorias científicas, como a seleção natural, não podem ser protegidas em si mesmas por direitos autorais, que alcançam apenas formas particulares de expressão dessas ideias.
20. A proliferação de clichês decorre da própria natureza da informação, pois uma contribuição somente aumenta efetivamente o patrimônio informacional coletivo quando acrescenta algo substancialmente diferente daquilo que já se encontra disponível.
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Grandes clássicos podem perder parte de seu impacto informacional à medida que suas expressões e ideias são absorvidas pela cultura comum.
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Shakespeare pode parecer aos estudantes apenas uma coleção de frases já conhecidas porque sua influência impregnou profundamente a linguagem posterior.
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A renovação de sua força literária exige ultrapassar os clichês assimilados superficialmente e alcançar estratos mais profundos da obra.
21. Certos artistas e escritores podem explorar tão extensamente as possibilidades intelectuais e estéticas de uma época que acabam reduzindo temporariamente o espaço disponível para a originalidade de seus contemporâneos e sucessores, enquanto a incompreensão da natureza não mercantil da informação favorece a ilusão de que conhecimento, arte e capacidade científica possam simplesmente ser acumulados como bens materiais.
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Picasso exemplifica um artista cuja sucessão de períodos e experiências expressivas antecipou ou realizou muitas das possibilidades estéticas disponíveis a sua geração.
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O público frequentemente confunde mecenato com simples compra e armazenamento de obras já produzidas, em vez de compreendê-lo como estímulo à criação artística presente.
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Erro semelhante ocorre quando se imagina que a capacidade científica e militar possa ser armazenada em bibliotecas, laboratórios e arquivos como armamentos guardados em arsenais.
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A informação produzida nacionalmente passa então a ser imaginada como propriedade moral exclusiva de um país.
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Sua utilização por outra nação tende, nesse quadro, a ser interpretada como roubo ou traição.
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Essa mentalidade torna difícil conceber a própria existência de informação sem proprietário.
22. A tentativa de armazenar informação para utilização futura sem considerar sua rápida depreciação em um ambiente mutável é comparável à conservação indefinida de armamentos antigos, cuja eficácia depende não de sua preservação física, mas das tecnologias e doutrinas militares existentes no momento em que forem utilizados.
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Fusis podem conservar alguma utilidade, enquanto carros de combate, navios e submarinos envelhecem tecnicamente com maior rapidez.
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A eficiência de uma arma depende das armas adversárias e da doutrina militar predominante.
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Grandes estoques de equipamento podem aprisionar o planejamento estratégico em soluções ultrapassadas.
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Diante de situações novas, pode ser mais vantajoso conservar liberdade para desenvolver instrumentos adequados às circunstâncias presentes do que permanecer comprometido com recursos acumulados no passado.
23. A industrialização britânica demonstra em escala econômica como a vantagem inicial pode converter-se em obstáculo posterior, pois os investimentos realizados durante a primeira Revolução Industrial deixaram infraestrutura, equipamentos e instituições sociais obsoletos cuja substituição acumulada tornou-se extremamente onerosa.
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O reduzido espaçamento ferroviário britânico decorreu de decisões tomadas nas etapas iniciais da industrialização.
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As indústrias têxteis acumularam pesados investimentos em equipamentos progressivamente ultrapassados.
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As estruturas sociais formadas durante a industrialização inicial também se converteram em limitações históricas.
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Países industrializados mais recentemente puderam adotar diretamente equipamentos modernos, sistemas ferroviários mais adequados e organizações produtivas correspondentes às condições contemporâneas.
24. O mesmo fenômeno manifesta-se na Nova Inglaterra, onde a modernização de instalações industriais antigas pode custar mais do que sua substituição por novas fábricas em outras regiões, revelando que mesmo a segurança e a produção materiais dependem, no longo prazo, da continuidade da invenção e do desenvolvimento.
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A transferência das indústrias têxteis não decorre apenas de diferenças nas legislações trabalhistas ou nas políticas sociais.
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A libertação de um século de tradições industriais acumuladas constitui também importante incentivo à reconstrução produtiva em outros lugares.
25. A informação deve ser compreendida fundamentalmente como processo contínuo e não como estoque, de modo que a segurança de uma sociedade depende da capacidade permanente de produzir conhecimento adequado às novas circunstâncias, observar o ambiente e agir eficazmente sobre ele.
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Livros, relatórios e arquivos científicos classificados como secretos não garantem proteção duradoura em um mundo no qual o nível efetivo de conhecimento se transforma continuamente.
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A segurança científica depende de manter vivo o processo de pesquisa e renovação da informação.
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Não existe uma fortificação intelectual estática equivalente a uma “linha Maginot do cérebro”.
26. Viver significa participar continuamente de um fluxo de influências provenientes do mundo exterior e de ações exercidas sobre ele, tornando o desenvolvimento e a livre troca do conhecimento mais importantes do que a tentativa de impedir que possíveis adversários adquiram informações.
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A consciência adequada da realidade pressupõe participação contínua na produção e circulação do conhecimento.
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Em condições normais, é mais difícil e mais importante garantir que se possua conhecimento suficiente do que assegurar que um adversário permaneça ignorante.
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A organização tradicional dos laboratórios militares, baseada em compartimentação e segredo, prejudica o desenvolvimento e o aproveitamento ótimo da informação.
27. A compartimentação do segredo militar pode obrigar diferentes grupos a refazer independentemente a mesma descoberta, provocando grandes perdas de tempo e trabalho sem necessariamente oferecer benefício equivalente de segurança.
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Durante a guerra, uma mesma equação integral surgiu em três projetos militares distintos e sem comunicação entre si.
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A separação entre projetos classificados em níveis diferentes impediu a circulação da solução já disponível.
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Tornaram-se necessárias três descobertas praticamente independentes da mesma ideia.
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O atraso produzido alcançou aproximadamente entre seis meses e um ano, possivelmente mais.
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O custo em trabalho científico foi elevado.
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Um adversário que obtivesse isoladamente o resultado, mas permanecesse excluído da discussão científica que permitia avaliá-lo e integrá-lo, poderia nem sequer compreender plenamente sua importância ou utilização.
28. O valor estratégico do segredo depende fundamentalmente do tempo, pois um código deve ser suficientemente difícil para impedir o acesso adversário durante o período em que a informação conserva utilidade, mas suficientemente simples para permitir que seu destinatário legítimo a utilize antes que se torne obsoleta.
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Informações táticas destinadas a pequenas unidades podem perder valor em poucas horas.
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Nesse caso, pouco importa que o adversário consiga decifrá-las depois que sua utilidade operacional desapareceu.
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Entretanto, o destinatário precisa decodificá-las em poucos minutos para que cumpram sua função.
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Planos de batalha mais amplos exigem segurança maior, mas um sistema que imponha ao próprio destinatário demora excessiva pode causar prejuízo superior ao de uma eventual interceptação.
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Comunicações de campanha e estratégias diplomáticas requerem graus ainda maiores de proteção.
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Nenhum sistema capaz de transmitir grande quantidade de informação significativa pode permanecer absolutamente indecifrável por tempo indefinido.
29. A decifração de códigos depende geralmente da obtenção de quantidade suficientemente grande de mensagens para revelar padrões recorrentes, pois textos muito curtos e sem repetição podem permanecer indecifráveis, enquanto séries extensas permitem identificar primeiro a estrutura geral do sistema e depois suas aplicações particulares.
30. A atividade do decifrador encontra sua expressão mais profunda não apenas na espionagem, mas na epigrafia e sobretudo na própria ciência, pois interpretar inscrições desconhecidas e descobrir as regularidades ocultas da natureza constituem formas do mesmo processo intelectual.
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A Pedra de Roseta tornou possível identificar caracteres egípcios relacionados aos nomes dos soberanos ptolomaicos.
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Esse procedimento exemplifica a reconstrução de um sistema desconhecido a partir de correspondências e regularidades.
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A investigação científica constitui a forma mais ampla de decifração, pois procura descobrir o código segundo o qual os fenômenos naturais se organizam.
31. A descoberta científica consiste em interpretar para fins humanos uma ordem natural constituída independentemente dos interesses humanos, tornando particularmente inadequada a tentativa de proteger uma lei da natureza mediante segredo ou codificação.
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Mesmo quando se consegue proteger os documentos ou as pessoas que conhecem determinado segredo, permanece possível redescobrir diretamente o fenômeno natural que lhe deu origem.
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Nenhum código artificial empregado para proteger conhecimento científico pode ser tão difícil de decifrar quanto o próprio “código” natural, como aquele presente na estrutura do núcleo atômico.
32. A informação decisiva para solucionar um problema complexo pode consistir simplesmente em saber que existe uma solução, pois essa certeza transforma radicalmente a orientação da pesquisa e elimina grande parte da incerteza inicial.
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Sistemas criptográficos podem ser dificultados pela mistura deliberada de mensagens significativas com sequências aleatórias desprovidas de sentido.
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Analogamente, em problemas científicos como os das reações nucleares e explosivos atômicos, revelar que determinada possibilidade física existe já fornece informação extraordinariamente importante.
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Saber antecipadamente que um problema possui solução significa ter percorrido parte substancial do caminho necessário para encontrá-la.
33. O único segredo fundamental relacionado à bomba atômica que poderia ter sido realmente preservado teria sido a própria possibilidade de construí-la, pois a divulgação dessa possibilidade já fornecia à comunidade científica mundial a orientação decisiva para buscar sua realização.
34. Quando a comunidade científica sabe que existe solução para um problema de grande importância, a ampla distribuição internacional das capacidades intelectuais e dos recursos laboratoriais torna provável que sua reprodução independente ocorra em poucos anos.
35. A crença norte-americana em um “saber-fazer” nacional exclusivo, capaz de assegurar indefinidamente superioridade científica, tecnológica e até um suposto direito moral à prioridade, ignora a natureza internacional da ciência e as circunstâncias históricas excepcionais que permitiram concentrar grandes talentos no projeto atômico.
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Cientistas decisivos para o desenvolvimento da bomba provinham de diferentes países, como o dinamarquês Niels Bohr, o italiano Enrico Fermi e o húngaro Leo Szilard.
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Sua cooperação não resultou de uma capacidade especificamente nacional dos Estados Unidos.
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A ameaça nazista produziu um sentimento extraordinário de urgência e indignação capaz de unir pesquisadores de diversas origens.
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Não se pode pressupor que propaganda política consiga reproduzir indefinidamente semelhante coesão durante longos períodos de militarização.
36. A superior capacidade norte-americana para concentrar numerosos cientistas e grandes recursos financeiros em projetos específicos não garante superioridade científica permanente, pois a dependência de grandes laboratórios pode enfraquecer a capacidade de produzir novas ideias com recursos modestos.
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Forma-se uma geração que tende a conceber pesquisa científica apenas mediante equipes numerosas e investimentos elevados.
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Cientistas franceses e britânicos ainda demonstram capacidade de realizar trabalhos importantes com equipamentos relativamente simples.
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Essa habilidade torna-se menos comum entre os jovens pesquisadores norte-americanos.
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A predominância dos grandes laboratórios constitui fenômeno historicamente recente e não necessariamente permanente.
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Quando as ideias científicas atualmente exploradas alcançarem rendimentos intelectuais decrescentes, grandes investimentos institucionais não garantirão o surgimento das novas ideias fundamentais necessárias para sustentar novos megaprojetos.
37. O valor científico não resulta da mera coexistência física de informações, mas da possibilidade de integrá-las efetivamente em uma inteligência capaz de estabelecer relações fecundas entre diferentes campos de conhecimento.
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Uma organização excessivamente compartimentada impede justamente os contatos intelectuais capazes de produzir descobertas novas.
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A colaboração entre especialistas somente se torna fecunda quando pelo menos um deles consegue atravessar suficientemente a fronteira disciplinar para compreender e incorporar as ideias do outro.
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A organização ideal da pesquisa deve permitir que o percurso de cada cientista seja determinado pela extensão real de seus interesses, e não por setores administrativos previamente delimitados.
38. Estruturas científicas flexíveis existem nos Estados Unidos principalmente graças à iniciativa de indivíduos desinteressados, enquanto a imposição institucional do segredo decorre amplamente da própria exigência pública de proteção militar, revelando uma sociedade que prefere não reconhecer plenamente os perigos produzidos por seu desenvolvimento científico.
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A responsabilidade pelo regime de segredo não pertence apenas aos administradores e dirigentes científicos.
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Grande parte da população exige sigilo sobre aplicações militares da ciência.
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Essa exigência funciona como tentativa de evitar a consciência dos perigos gerados pela própria civilização.
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A manutenção da aparência de normalidade permite ignorar sinais crescentes de conflito e destruição.
39. A transformação da pesquisa científica em instrumento sistematicamente orientado pela segurança militar modifica profundamente a própria ciência e cria uma espiral em que cada nova arma produz novos perigos, exigindo pesquisas defensivas e ofensivas sucessivamente mais poderosas.
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A antiga pesquisa científica era orientada sobretudo pelos interesses individuais dos pesquisadores e pelas tendências intelectuais de cada época.
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A política contemporânea procura direcionar todos os campos considerados estratégicos e cercá-los por barreiras de proteção.
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Como a ciência é impessoal, cada avanço revela simultaneamente novas capacidades ofensivas e novos perigos inerentes ao próprio conhecimento adquirido.
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Certas armas podem mostrar-se potencialmente mais perigosas para seus criadores do que para seus adversários.
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Outros riscos, como a contaminação radioativa, decorrem da própria utilização e produção das tecnologias.
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Os programas de Oak Ridge e Los Alamos criaram não apenas a bomba atômica, mas também novos problemas de proteção contra as radiações produzidas pela indústria nuclear.
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Problemas que talvez surgissem apenas décadas depois foram antecipados pela aceleração militar da pesquisa.
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Cada novo meio ofensivo exige contramedidas que estimulam novas pesquisas e novos meios de destruição.
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O adversário externo converte-se progressivamente em reflexo das próprias escolhas tecnológicas e militares, alimentando uma espiral potencialmente apocalíptica.
40. As relações internacionais podem ser compreendidas segundo a lógica estratégica do processo judicial competitivo, no qual cada parte emprega recursos de dissimulação, blefe e antecipação das melhores possibilidades do adversário, lógica que se intensifica quando a disputa deixa o tribunal e assume as formas extremas da diplomacia e da guerra.
41. O segredo, o bloqueio das mensagens e o blefe procuram produzir uma vantagem relativa na utilização das capacidades de comunicação, mas uma estratégia eficaz precisa simultaneamente impedir o acesso adversário e preservar os próprios canais informacionais, tornando qualquer política de segredo muito mais complexa do que a simples ocultação de dados.
42. A pretensão de alcançar segredo absoluto encerra uma contradição semelhante à tentativa simultânea de inventar um solvente universal capaz de dissolver qualquer recipiente e um recipiente universal capaz de conter qualquer solvente, pois nenhum sistema de proteção pode permanecer absolutamente seguro quando depende tanto da integridade humana quanto da dificuldade intrínseca da descoberta científica.
43. Como todo segredo científico tende a difundir-se com o tempo, diferenças tecnológicas de armamento entre adversários são necessariamente temporárias, de modo que cada nova descoberta destrutiva apenas intensifica a necessidade de outra descoberta e ameaça absorver progressivamente os recursos intelectuais que poderiam ser destinados às necessidades construtivas da humanidade.
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Uma vantagem de aproximadamente uma década pode ser estrategicamente relevante, mas não constitui monopólio permanente.
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A longo prazo, os adversários tendem a alcançar capacidades técnicas semelhantes.
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Cada nova arma cria pressão para desenvolver outra capaz de superá-la ou neutralizá-la.
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O potencial intelectual da sociedade corre o risco de ser progressivamente desviado das aplicações construtivas para uma competição destrutiva permanente.
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O resultado extremo seria um crescimento da entropia planetária até o desaparecimento metafórico de todas as diferenciações entre calor e frio, bem e mal, humanidade e matéria.
44. A submissão da ciência à lógica militar assemelha-se à libertação de forças destrutivas que seus próprios responsáveis já não conseguem controlar, enquanto técnicas modernas de publicidade e persuasão podem ser empregadas para neutralizar a consciência crítica dos cientistas e silenciar advertências sobre os perigos dessa trajetória.
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A imagem dos porcos de Gadara representa uma humanidade conduzida coletivamente para sua própria destruição.
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Os responsáveis pelo planejamento científico aproximam-se da figura do aprendiz de feiticeiro capaz de desencadear forças que não sabe deter.
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A manipulação psicológica pode converter-se em instrumento institucional para diminuir escrúpulos éticos e deslegitimar advertências científicas.
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O progresso técnico militarizado transforma-se, assim, em movimento cuja dinâmica interna tende a escapar ao controle racional de seus próprios agentes.
45. A corrupção da consciência científica por recompensas administrativas destrói a própria lealdade da qual depende a segurança política, pois quem abandona compromissos com a humanidade em troca de vantagens institucionais pode posteriormente transferir sua fidelidade a qualquer poder que ofereça recompensas superiores.
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A lealdade comprada permanece condicionada à continuidade e à superioridade das recompensas recebidas.
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Um poder fascista ou comunista capaz de oferecer vantagens maiores poderia atrair aqueles cuja fidelidade já tivesse sido convertida em relação mercantil.
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Os cientistas mobilizados para defender determinada sociedade poderiam, nessas condições, contribuir com igual prontidão para sua submissão ou destruição.
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Os responsáveis por desencadear as forças da guerra atômica deveriam reconhecer que a corrupção prévia da consciência científica pode transformar-se futuramente em ameaça direta à própria segurança que pretendiam proteger.
