Positivismo e Antipositivismo

1. Antipositivismo (é o nosso único «-ismo», prefixado pelo tão pouco simpático «anti-»), que consiste, mais precisamente, na obediência ao que poderia chamar-se um «princípio de conservação»: religião (com o mítico), metafísica e ciência não são intercambiáveis, substituíveis, cada uma delas, por qualquer das outras, e não vemos qualquer relação genealógica entre elas (embora algumas das páginas seguintes pareçam afirmar o contrário).

2. Primeiro corolário, é que, mesmo supondo provada historicamente a sucessão do respectivo exercício, todas três coexistem e se inter-relacionam. Com notável frequência, duas a duas, podem, latente ou patentemente, existir e subsistir em relação pacífica ou polémica. Mas uma religião (ou um mito) só pode ser substituída por outra religião (ou outro mito), e o mesmo se diria, com igual veracidade, quanto à metafísica ou a qualquer teoria ou método científico. [DE SOUSA, Eudoro.  Horizonte e Complementaridade. Sempre o mesmo acerca do mesmo. Lisboa, INCM, 2002, p. 154]