Ciência

Será a ciência [Wissenschaft], apenas, um conjunto de poderes humanos, alçado a uma dominação planetária, onde seria ainda admissível pensar que a vontade humana ou a decisão de alguma comissão pudesse um dia desmontá-lo? Ou será que nela impera um destino superior? Será que algo mais do que um simples querer conhecer da parte do homem rege a ciência? É o que realmente acontece. Impera uma outra coisa. Mas esta outra coisa se esconde de nós, enquanto ficarmos presos às representações habituais da ciência.

Esta outra coisa consiste numa conjuntura [Sachverhalt] que atravessa e rege todas as ciências, embora lhes permaneça encoberta. Somente uma clareza suficiente, sobre o que é a ciência, será capaz de nos fazer ver esta conjuntura. Mas como poderemos alcançá-la? A forma mais segura parece ser uma descrição da atividade científica atual. Uma tal exposição poderia mostrar como, de há muito, as ciências se encaixam, de maneira sempre mais decidida e ao mesmo tempo cada vez menos perceptível, em todas as formas da vida moderna: na indústria, na economia, no ensino, na política, na guerra, na comunicação e publicidade de todo tipo. É importante conhecer este enquadramento. Todavia, para se poder apresentá-lo, devemos já saber em que repousa a essência da ciência. Pode-se dizê-lo numa frase concisa: "a ciência é a teoria do real". (Heidegger, Ciência e pensamento do sentido)

Ricoeur: o discurso do ser humano

Paul Ricoeur — [...] Ese dualismo [semántico], que comienza en el plano estrictamente corporal, se propaga a lo largo de la línea de división entre la vivencia y todas las modalidades de objetivación de la experiencia humana integral. Se extiende hasta los niveles de aquellos fenómenos mentales para los que el conocimiento del cerebro no parece pertinente, como son las actividades cognitivas de alto nivel lingüístico y lógico.

Ricoeur: a ética enraizada na vida

Paul Ricoeur — [...] mi problema es igualmente un dualismo, pero un dualismo semántico. En el fondo, si tuviera que remitirme a un precedente, recurriría a Spinoza, a quien usted ya ha mencionado. Para él, la unidad de la substancia debe buscarse mucho más allá, en el nivel de lo que él formula, en el libro I de la Ética, Deus sive natura. O bien hablo el lenguaje del cuerpo, modo finito, que era para él el espacio, o bien hablo el lenguaje del pensamiento, modo finito distinto, al que insistía en llamarle alma. Pues bien, yo hablo los dos lenguajes, pero sin que pueda mezclarlos jamás.

Ricoeur: Corpo-próprio e corpo-objeto

Paul Ricoeur — Permítame volver al modo en que usted plantea el problema de las relaciones entre la naturaleza y la norma. Estoy de acuerdo en que es acerca de esa dificultad fundamental, bien formulada por Hume, que habremos de debatir. Pero no podemos, a mi juicio, comenzar por ahí sin habernos pronunciado antes sobre la condición de las ciencias neuronales en tanto que ciencias.